sábado, 14 de maio de 2016
ARTIS XIV - 07 de maio a 30 de junho
domingo, 3 de maio de 2015
ARTIS XIII - pré-montagem da exposição de artes plásticas
domingo, 8 de março de 2015
“Estranhos dias à Janela”, de Mário Jorge Branquinho
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Exposição de fotografia "Fogo e Ferro Fundido" em Loriga

terça-feira, 11 de outubro de 2011
"FOGO E FERRO FORJADO"

Arte fotográfica e fotojornalismo na primeira exposição individual de fotografia de Mário Jorge Branquinho
Até final de outubro, decorre no foyer do cineteatro da Casa Municipal da Cultura de Seia uma exposição de fotografia de Mário Jorge Branquinho.
Fotógrafo amador desde há muitos anos, participou em várias exposições coletivas de fotografia, tendo obtido alguns prémios. Esta é a sua primeira exposição individual.
Intitulada “Fogo e Ferro Forjado”, o interessante conjunto de imagens expostas reúne dois conceitos próprios da fotografia: a fotografia como arte e a fotografia como documento. Enquanto expressão artística de uma experiência sensorial que procura a cumplicidade estética do espectador, permite-nos o acesso a um ambiente ancestral, onde as matérias se transmutam em clarões de luz e forjas incandescentes, o postigo através do qual se vislumbram as poderosas energias contidas nas profundezas da Terra, uma pálida ideia do Inferno imaginado já pelos gregos (1). Algumas imagens são autênticas preciosidades, mostrando o homem no centro de um cenário apocalíptico que ele próprio desencadeia, rodeado de fogo e de calor, que despertam e animam as sombras. No fundo, uma estética clássica, despertando as formas nas sombras vazias do fundo, explorada na pintura por Rembrandt ou Caravaggio e que continua a resultar muito bem na fotografia, para acentuar o dramatismo das cenas ou destacar a intensidade emotiva das personagens. Enquanto testemunho e denúncia de uma realidade vivenciada, a exposição de Mário Jorge Branquinho apresenta-nos belíssimos exemplos de fotojornalismo, revelando as difíceis condições em que o homem é obrigado a ganhar a vida e o sustento da família no início da segunda década do século XXI, e enquadra-se perfeitamente no Cine’Eco – XVII Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela. Apesar da “nova fórmula”, o Cine'Eco continua, e bem, construído em torno de uma ideia abrangente de “Ambiente”, extensível aos meios urbanos e ao denominador comum da presença transformadora do Homem.
As fotos referem-se ao trabalho de reciclagem de ferro-velho na Metalúrgica Vaz Leal, em Loriga, “faina frenética na cor do fogo de artifício estrelado e saltitante, (…) ancestral, a ferro e fogo forjado, com as portas abertas ao mundo”, segundo o autor.
Ao longo dos seus 17 anos de vida, o Cine’Eco já ofereceu ao seu público variadas exposições, sempre ligadas ao Cinema ou ao Ambiente, com muitas surpresas agradáveis. Esta é, a meu ver, uma delas, servindo também para destacar a presença continuada de Mário Jorge Branquinho na direção executiva do Festival, desde a primeira edição, e o seu papel como agente organizador e dinamizador da Cultura em Seia.
(1)- Quando a ideia de “lugar para onde os mortos vão”, o Hades, se fundiu com Geena, “lago de fogo”, e o pior lugar do mundo passou a ser imaginado - e representado - como um lago de fogo.
“Fogo e Ferro Forjado” – exposição de fotografia de Mário Jorge Branquinho, foyer do cineteatro da Casa Municipal da Cultura. Até final de outubro. 2ª a 6ª: 10-18.00 horas. Até ao fim do Cine’Eco, 15 de outubro: 2ª a domingo, 10-23.00 horas.

sábado, 17 de outubro de 2009
15ª Festa do Cinema em Seia
(artigo publicado no semanário Terras da Beira, suplemento Especial CineEco, 15 de Outubro de 2009)
Fazendo uma retrospectiva mesmo ligeira dos 14 anos do CineEco - Festival Internacional de Cinema e Video do Ambiente da Serra da Estrela e do que testemunhei enquanto colaborador (1999), membro de júris (2000, 2001 e 2002) ou na mera qualidade de espectador interessado desde 1995, fica a impressão global de um acontecimento único na história de Seia, com potencialidades e benefícios evidentes para o concelho e região da Serra da Estrela. Além do afamado “Bom Cinema e Bom Ambiente”, há a destacar as múltiplas iniciativas paralelas para as quais foram convocados e envolvidos outros agentes culturais e os mais diversos públicos, sendo hoje clara a importância do festival no contexto global do desenvolvimento cultural senense e na projecção nacional e internacional de Seia, enquanto marca de qualidade e campo fértil de novas oportunidades. Quando participei nos júris do CineEco, o Festival tinha já uma ligação segura com os países lusófonos e ganhava crescente prestígio na Europa latina. Hoje, o festival senense beneficia de um grande prestígio internacional e afirmou-se finalmente na região e no país contra ventos e marés adversos.
Tratando-se de um festival dispendioso, no contexto das finanças locais, a Câmara Municipal procurou desde logo parceiros promotores, sobretudo na área do ambiente – considerando o peso institucional do Parque Natural e a marca turística Serra da Estrela. Nos primeiros anos, o CineEco foi crescendo ao sabor das ambições da organização em diálogo com a disponibilidade financeira dos promotores e patrocinadores. Em 1997, as limitações financeiras comprometeram a evolução do CineEco para Festival da Lusofonia, uma aspiração veiculada pela designação desse ano, a única a conter uma alusão à lusofonia (III Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Ambiente e Lusofonia da Serra da Estrela) mas não impediram a criação do prémio especial da lusofonia, o segundo maior do festival, que se manteve até ao presente. Em 2001 e 2006, as vitórias de Eduardo Brito nas eleições autárquicas com maioria absoluta (59,4 e 62,91%, respectivamente) prometiam novos impulsos financeiros para o CineEco mas os promotores e outros patrocinadores deixaram a Câmara como único suporte fiável do festival por ocasião das fortes restrições orçamentais impostas pelo governo de Durão Barroso em 2002, que quase paralisaram a dinâmica cultural nacional, agravada pela crise de 2003, a crise política gerada pelo curto governo de Santana Lopes, a contenção orçamental praticada pelo governo de maioria absoluta de José Sócrates, mais tarde agravada pela crise internacional. Mesmo assim, estes foram anos de grandes festivais, com destaque para o CineEco 2003, até então o maior de sempre (mais de trezentas obras a concurso, representando quarenta e um países) e o CineEco 2005, com novos recordes (mais de 400 obras de 45 países) que só seriam batidos em 2008 (512 filmes oriundos de cerca de 50 países). A qualidade global e moldura humana alcançadas em 2005, rondando os 10 mil espectadores, permitiram a conquista em 2006 de um importante galardão, o Prémio Nacional do Ambiente, atribuído pela Confederação Portuguesa de Associações de Defesa do Ambiente, integrada por 110 Associações de Defesa do Ambiente/ONGs de Ambiente.
As equipas lideradas por Carlos Teófilo Furtado fizeram maravilhas com os meios disponíveis e orçamentos muito limitados. Como membro do júri tive acesso a quase todos os momentos representativos desses festivais e recordo com muito agrado a organização atenta, positiva e dinâmica. Não esteve isenta de erros, que são inevitáveis nos grandes eventos, mas foi suficientemente elástica para absorver contrariedades em vez de perder tempo e energias a lutar contra elas, aprendeu com os erros e superou-os prontamente.
Diversificados mas unidos pelas causas do bom cinema e do bom ambiente, os júris têm sido determinantes para elevar o patamar da qualidade e prestígio do festival. Recheados de nomes sonantes e personalidades fabulosas, a começar pelos distintos presidentes dos júris internacionais homenageados nas cerimónias oficiais do CineEco. Para reunir essas conhecidas figuras do cinema e das televisões nacionais, valeu o conhecimento e prestígio de Lauro António, que estruturou e moldou os júris (também) de acordo com a máxima do festival, “Bom Cinema e Bom Ambiente”.
Um Bom Ambiente que passa por amizades de fortes laços, com destaque para o inesquecível Camacho Costa. O actor participou no CineEco pela primeira vez em 1996, como elemento do júri, tendo depois colaborado activamente na promoção e divulgação do festival. Esteve pela última vez no CineEco 2002 para rever amigos e apresentar o livro de Palmira Correia. A morte levou-o em 2003, ano em que a cerimónia de abertura do festival foi marcada pelas emoções: uma homenagem a Camacho Costa, que passou a ter um prémio com o seu nome no CineEco, e um espectáculo de Raul Solnado, assinalando os 50 anos de carreira do actor.
Por tudo isto e o muito mais que paira nas entrelinhas ou ficou por dizer, termino subscrevendo as palavras que Mário Jorge Branquinho escreveu a propósito do 10º CineEco, em Outubro de 2004: “Até aqui, valeu muito a dita Vontade e o empenho de quem na iniciativa apostou. A partir daqui a história deve continuar”.













