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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Artistas senenses pintam mural alusivo ao 20º Cine’Eco e expõem fotografia de Natureza


Uma das atividades paralelas do 20º Cine’Eco, pensada para marcar esta edição histórica, foi a pintura de um mural com cerca de 30 metros, na Avenida D. Ester Barata, junto à Central de Camionagem de Seia. Outra, não menos relevante devido ao interesse das obras, é a exposição de fotografia de Natureza de Pedro Ribeiro, intitulada “Natureza Mágica”, que decorre até final de outubro no foyer do cineteatro. A Associação de Arte e Imagem é uma das principais parceiras do Cine’Eco.

Uma equipa de 5 artistas plásticos, dois de Seia e três convidados, trabalharam intensamente durante todo o dia da abertura do Cine’Eco, mas a chegada da chuva, pelo final da tarde, obrigou ao adiamento dos últimos retoques para o sábado seguinte. Luiz Morgadinho e Tania Antimonova (pelos artistas de Seia), Alexandre Magno (Mangualde), Manuel Machado (Oliveira do Hospital) e Vitor Zapa (Braga), partiram de um esboço inicial organizado a partir de um elemento central, uma película cinematográfica, rodeada por vários elementos naturais e humanos representativos da Serra da Estrela: um rebanho e o respetivo pastor, um burro pastando, um muro antigo de granito, o recorte da montanha, a cidade e a flor que é o símbolo do concelho de Seia, a campanula herminii, típica dos prados e urzais da Estrela. Evoca-se ainda o sistema de projeção antigo, com a tradicional máquina de bobines, uma vez que o cineteatro já dispõe de equipamento digital, tendo os artistas aproveitado a oportunidade para uma singela homenagem ao projecionista Zeca, funcionário da Casa da Cultura.

A pintura mural encontra-se no acesso pedonal ao centro da cidade e é visível de vários ângulos, inclusive das varandas do Hotel Camelo. Espera-se agora que esta iniciativa tenha continuidade e que a própria Câmara promova a pintura artística dos restantes muros.

No Foyer do Cineteatro, Pedro Ribeiro mostra um bom conjunto de fotografias de Natureza, paisagem e vida selvagem, com grande realismo, riqueza de pormenor, sentido estético - na composição e na hábil utilização da cor. Tudo servido por uma qualidade técnica que reforça o poder de sedução das imagens. Quase sentimos o fervilhar da vida em ambientes naturais que os visitantes da Estrela vão encontrando nas suas caminhadas pelo interior da montanha mas raramente com a beleza e intensidade mágica que podemos admirar nestas fotografias.


Pedro Ribeiro é licenciado em Educação Visual e Tecnológica e Mestre em Design Gráfico, incluindo-se a Fotografia e a Pintura na sua formação pluridisciplinar. Na área da fotografia, é fotógrafo freelancer, colaborador de revistas especializadas, com diversos primeiros prémios em concursos organizados por revistas de fotografia e pelo C.I.S.E. – Centro de Interpretação da Serra da Estrela.

 Manuel Machado, Luiz Morgadinho, Alexandre Magno, Vitor Zapa, Tania Antimonova

Sérgio Reis, Manuel Machado, Alexandre Magno e Tania Antimonova

domingo, 7 de outubro de 2012

Inauguração da exposição "A Máquina de Sonhar"

Vista parcial do salão

Vista parcial das galerias

Vista parcial das galerias

A abertura

Algumas palavras de circunstância... 

Carlos Filipe Camelo (Presidente da Câmara de Seia), Mário Jorge Branquinho (programador da Casa da Cultura e Diretor do CineEco), Cristina Sousa (vice-Presidente e vereadora do pelouro da Cultura)




 A atriz Ana Brito e Cunha, em Seia para o CineEco (foto: José Santos)

Um jovem colega das Artes (foto: José Santos)

Fotos 5 a 11: José Santos

terça-feira, 18 de setembro de 2012

A Máquina de Sonhar




A Máquina de Sonhar

À pergunta do surrealista Breton, "Não pode o sonho ser aplicado também na solução de problemas fundamentais da vida?" (1), tentou responder Stephen LaBerge inventando a máquina de sonhar, mas também o fizeram e fazem todos os artistas que exploram de algum modo a interação entre o mundo visível, palpável e finito, e o mundo imaginário, irreal, maravilhoso e mesmo absurdo. A Arte é na verdade uma poderosa máquina que induz sonhos lúcidos. Uma máquina de fazer sonhar. Seja com o objetivo de (re)vender sonhos, subverter a lógica instituída, buscar avidamente uma alternativa de futuro imaginado, uma nova utopia, a arte do nosso tempo pode ser entendida (também) como um filme onírico, com desfecho marcado para a primeira cena do próximo filme. Pois o sonho, que “comanda a vida” (António Gedeão), é afinal o motor mais impulsionante da humanidade.

A Pintura de Sérgio Reis

A pintura de Sérgio Reis possui vários aspetos distintivos, ao nível da forma e do conteúdo: o diálogo entre desenho e pintura, que convivem sem artifícios nas suas obras; predomínio das formas e cores planas, reduzindo a complexidade da forma à sua verdade essencial; utilização efusiva da cor, explorando os seus significados mais complexos e ocultos; predominância de conteúdos poéticos; o anonimato dos rostos, vazios, “desenhados pela ausência e pela distância, suficientemente transparentes para cabermos quase todos neles, para nos revermos uns aos outros em todos nós” (2). Trata-se de uma pintura pensada, uma estética refletida, não para exprimir o lado visível da realidade exterior mas sim o que ela inspira e produz no interior do indivíduo. E aí o artista aparece como o filtro interpretante e organizador do turbilhão de sensações por ele experienciadas e vividas, mas também como testemunha das transformações que marcam o seu tempo e redirecionam continuamente o futuro da humanidade.

(1) – André Breton, Manifesto do Surrealismo, 1924.
(2) - Texto de apresentação da exposição “Esta Gente”, Pintura de Sérgio Reis Museu Serpa Pinto, Cinfães, abril 2011

LER TEXTO NA PÁGINA OFICIAL DO CINE'ECO 2012

sábado, 17 de outubro de 2009

15ª Festa do Cinema em Seia

Festival de Cinema de Ambiente da Serra da Estrela é hoje uma referência internacional

Sérgio Reis
(
artigo publicado no semanário Terras da Beira, suplemento Especial CineEco, 15 de Outubro de 2009)

Fazendo uma retrospectiva mesmo ligeira dos 14 anos do CineEco - Festival Internacional de Cinema e Video do Ambiente da Serra da Estrela e do que testemunhei enquanto colaborador (1999), membro de júris (2000, 2001 e 2002) ou na mera qualidade de espectador interessado desde 1995, fica a impressão global de um acontecimento único na história de Seia, com potencialidades e benefícios evidentes para o concelho e região da Serra da Estrela. Além do afamado “Bom Cinema e Bom Ambiente”, há a destacar as múltiplas iniciativas paralelas para as quais foram convocados e envolvidos outros agentes culturais e os mais diversos públicos, sendo hoje clara a importância do festival no contexto global do desenvolvimento cultural senense e na projecção nacional e internacional de Seia, enquanto marca de qualidade e campo fértil de novas oportunidades. Quando participei nos júris do CineEco, o Festival tinha já uma ligação segura com os países lusófonos e ganhava crescente prestígio na Europa latina. Hoje, o festival senense beneficia de um grande prestígio internacional e afirmou-se finalmente na região e no país contra ventos e marés adversos.

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O Festival Internacional de Cinema e Video do Ambiente da Serra da Estrela nasceu de uma experiência relativamente bem sucedida, o I Festival Nacional de Vídeo Serra da Estrela, organizado em 1994 por um grupo de cinéfilos do qual faziam parte Carlos Teófilo Furtado e Mário Jorge Branquinho – ainda hoje as principais figuras da comissão executiva do CineEco. Por sua vez, esse festival de vídeo tinha surgido no contexto de uma nova dinâmica transversal criada pela vitória de Eduardo Brito nas eleições autárquicas de 1993, informada por dois grandes debates muito participados sobre as perspectivas culturais do concelho: a conferência integrada no II Encontro dos Antigos Alunos do Colégio Simões Pereira, em Novembro de 1992, e o debate organizado pelo Telecentro Rural de Seia, jornal Porta da Estrela e Associação Projecto Beirão, em Maio de 1994, quatro meses após a tomada de posse de Eduardo Brito. Ainda à procura de uma estratégia cultural no adiado desenvolvimento de Seia, o novo executivo decidiu em boa hora apoiar a transição do pequeno festival de vídeo para um verdadeiro festival internacional de cinema e vídeo. O primeiro CineEco serviu também para inaugurar o novo Salão dos Congressos, a primeira obra pública de vulto da nova Câmara.

Tratando-se de um festival dispendioso, no contexto das finanças locais, a Câmara Municipal procurou desde logo parceiros promotores, sobretudo na área do ambiente – considerando o peso institucional do Parque Natural e a marca turística Serra da Estrela. Nos primeiros anos, o CineEco foi crescendo ao sabor das ambições da organização em diálogo com a disponibilidade financeira dos promotores e patrocinadores. Em 1997, as limitações financeiras comprometeram a evolução do CineEco para Festival da Lusofonia, uma aspiração veiculada pela designação desse ano, a única a conter uma alusão à lusofonia (III Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Ambiente e Lusofonia da Serra da Estrela) mas não impediram a criação do prémio especial da lusofonia, o segundo maior do festival, que se manteve até ao presente. Em 2001 e 2006, as vitórias de Eduardo Brito nas eleições autárquicas com maioria absoluta (59,4 e 62,91%, respectivamente) prometiam novos impulsos financeiros para o CineEco mas os promotores e outros patrocinadores deixaram a Câmara como único suporte fiável do festival por ocasião das fortes restrições orçamentais impostas pelo governo de Durão Barroso em 2002, que quase paralisaram a dinâmica cultural nacional, agravada pela crise de 2003, a crise política gerada pelo curto governo de Santana Lopes, a contenção orçamental praticada pelo governo de maioria absoluta de José Sócrates, mais tarde agravada pela crise internacional. Mesmo assim, estes foram anos de grandes festivais, com destaque para o CineEco 2003, até então o maior de sempre (mais de trezentas obras a concurso, representando quarenta e um países) e o CineEco 2005, com novos recordes (mais de 400 obras de 45 países) que só seriam batidos em 2008 (512 filmes oriundos de cerca de 50 países). A qualidade global e moldura humana alcançadas em 2005, rondando os 10 mil espectadores, permitiram a conquista em 2006 de um importante galardão, o Prémio Nacional do Ambiente, atribuído pela Confederação Portuguesa de Associações de Defesa do Ambiente, integrada por 110 Associações de Defesa do Ambiente/ONGs de Ambiente.

A 15ª edição do CineEco representa o fim de uma era, assinalando o final de quatro mandatos consecutivos de Eduardo Brito à frente da Câmara de Seia (16 anos) e o fim de mais de 30 anos de actividade autárquica. São de esperar, por isso, algumas mudanças significativas no CineEco 2010, assim como nas mais diversas áreas da vida concelhia influenciadas pela autarquia. Quase certo será o envolvimento das escolas nas actividades promovidas pela Câmara, um dos sinais distintivos da estratégia cultural de Eduardo Brito, logo adoptada como princípio programático pelo CineEco. O festival possui uma inegável vocação formativa, ao nível da programação mas também da competição, atribuindo anualmente o Prémio de Educação Ambiental.

O principal objectivo do CineEco é promover e divulgar obras de cinema e vídeo que de algum modo abordem a problemática do Ambiente na sua mais ampla acepção, a do Homem no seu Meio – e por essa razão uma das secções paralelas do festival denomina-se precisamente “Outras terras, Outras gentes”. Nesse sentido, o festival contribuiu desde a primeira edição para a evolução de um conceito até então limitado ao Meio Ambiente. A sensibilidade pelos temas e problemas ambientais mudou muito desde 1995, à escala mundial, sendo hoje mais fácil encontrar grandes filmes abertamente ambientalistas, como os célebres documentários de Al Gore e Leonardo Di Caprio, que passou no CineEco 2007, ou o fantástico “Home”, a exibir em 2009. Além disso, verifica-se um acréscimo de inscrições (e da qualidade, segundo Lauro António) de filmes produzidos na Beira Interior, incluindo o concelho de Seia, comprovando os reflexos positivos do CineEco na área da criação e produção do cinema de autor.


O premiadíssimo filme de Jorge Pelicano passou no CineEco 2007

Sendo o Homem parte indissociável e até produto do seu Ambiente, com o qual interage muitas vezes com resultados positivos, não quero deixar de me referir às pessoas excelentíssimas que conheci no CineEco, a começar pelo seu director técnico desde a primeira edição, Lauro António, a alma do festival senense e o elo fundamental de ligação com realizadores, produtores e outros festivais nacionais e internacionais. Mereceu plenamente a Campânula de Mérito Municipal (2009) pelos serviços prestados à Cultura senense desde 1995.

As equipas lideradas por Carlos Teófilo Furtado fizeram maravilhas com os meios disponíveis e orçamentos muito limitados. Como membro do júri tive acesso a quase todos os momentos representativos desses festivais e recordo com muito agrado a organização atenta, positiva e dinâmica. Não esteve isenta de erros, que são inevitáveis nos grandes eventos, mas foi suficientemente elástica para absorver contrariedades em vez de perder tempo e energias a lutar contra elas, aprendeu com os erros e superou-os prontamente.

Diversificados mas unidos pelas causas do bom cinema e do bom ambiente, os júris têm sido determinantes para elevar o patamar da qualidade e prestígio do festival. Recheados de nomes sonantes e personalidades fabulosas, a começar pelos distintos presidentes dos júris internacionais homenageados nas cerimónias oficiais do CineEco. Para reunir essas conhecidas figuras do cinema e das televisões nacionais, valeu o conhecimento e prestígio de Lauro António, que estruturou e moldou os júris (também) de acordo com a máxima do festival, “Bom Cinema e Bom Ambiente”.

Um Bom Ambiente que passa por amizades de fortes laços, com destaque para o inesquecível Camacho Costa. O actor participou no CineEco pela primeira vez em 1996, como elemento do júri, tendo depois colaborado activamente na promoção e divulgação do festival. Esteve pela última vez no CineEco 2002 para rever amigos e apresentar o livro de Palmira Correia. A morte levou-o em 2003, ano em que a cerimónia de abertura do festival foi marcada pelas emoções: uma homenagem a Camacho Costa, que passou a ter um prémio com o seu nome no CineEco, e um espectáculo de Raul Solnado, assinalando os 50 anos de carreira do actor.

Por tudo isto e o muito mais que paira nas entrelinhas ou ficou por dizer, termino subscrevendo as palavras que Mário Jorge Branquinho escreveu a propósito do 10º CineEco, em Outubro de 2004: “Até aqui, valeu muito a dita Vontade e o empenho de quem na iniciativa apostou. A partir daqui a história deve continuar”.