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domingo, 5 de março de 2017

“Grito para me fazer ouvir”

Vista parcial da exposição

 Artigo publicado no jornal Porta da Estrela nº 1050 de 22 fevereiro 2017

Encontra-se patente na Casa da Cultura de Seia até 26 de março 2017, uma importante exposição retrospetiva do artista senense Ricardo Cardoso, intitulada "Grito para me fazer ouvir".
A mostra permite acompanhar a evolução artística de Ricardo Cardoso desde o final da década de 1990, então com marcadas influências do mundo fantástico e surreal de H. R. Giger,  e a construção de uma obra surpreendente, marcada pela experimentação e por isso em continua metamorfose.
Ocupando todo o espaço da Casa da Cultura (salão, galerias e foyer do Cineteatro), a exposição reune dezenas de obras realizadas de 1999 a 2017, pintura a óleo sobre tela, desenho e pintura sobre papel, privilegiando os grandes formatos, e alguma escultura, para além da evocação de performances, condensadas na instalação que ocupa boa parte do salão. Esta instalação resulta da performance realizada na inauguração da mostra, no dia 4 de fevereiro, que deu o título à retrospetiva.
O artista iniciou a sua atividade performativa em 2005, tendo já realizado performances artísticas em diversas localidades, geralmente acompanhando as suas exposições. Nas palavras do próprio, a performance começou “por ser uma brincadeira, depois uma forma de entreter o observador” até adquirir muito sentido artístico e enorme importância no contexto global da sua obra, como espaço de criação em que o artista se envolve e expõe pessoalmente, manifestando ao vivo as suas ideias,  entendimentos e preocupações. Nem por acaso, a primeira série de performances surge numa fase muito interessante da obra do artista, caraterizada por um “trabalho mais inquieto e perturbador, onde o negro e as personagens expressivas predominam”, grandes desenhos negros onde o autor aprisionou alguns medos e desespero, oferecendo-os depois ao público como se fossem enormes espelhos de amargura.
Mas a maior e porventura melhor caraterística da obra de Ricardo Cardoso é a continuada aposta na experimentação, arriscando suportes estranhos (como a rede metálica em substituição da tela, por exemplo), interações de materiais em técnicas mistas nem sempre convencionais e combinando nas suas obras elementos orgânicos e geométricos, concretos e abstratos, realistas e surrealistas. Na opinião do artista, o objeto artístico é apenas “um resíduo da obra de arte” e a sua memória (como acontece na performance) o que originou produtos naturalmente muito diversos ao longo dos últimos 18 anos, mas a matriz da sua obra “é a mesma, onde prevalece a insatisfação, inquietude do ser e do presente, procurando sempre a experiência e outro futuro”.
 “Grito para me fazer ouvir” apresenta-se assim como uma espécie de manifesto artístico, revelando o modo como o artista se vê, o que o motiva, o papel social que pretende desempenhar, questionando interventivamente as verdades instituídas e participando na transformação dinâmica da sociedade com a sua participação crítica, estética e social. Para além da sua relevância nas artes plásticas, Ricardo Cardoso é um jovem empresário da área da conservação e restauro do Património e atual Presidente da Associação de Arte e Imagem de Seia.
Ricardo Cardoso nasceu em Seia em 1982. Licenciado em Artes / Desenho pela Escola Superior Artística do Porto  Guimarães e também formado em Conservação e Restauro de Madeiras – Arte Sacra pelo Cearte de Coimbra, expõe desde 2002, em vários pontos do país. Foi distinguido com Menções Honrosas no Agirarte (Oliveira do Hospital, 2010), no 7º Concurso de Arte Jovem (São Romão, 2002) e homenageado pelos artistas de Seia no âmbito da Artis IX (2010). Trabalha em São Romão, onde possui o seu atelier, no Bairro dos Moinhos, ocupando um pavilhão da antiga Fábrica Camello. Para além do espaço de trabalho, o atelier inclui uma galeria de arte, aberta a exposições de outros artistas.


Sérgio Reis

Ricardo Cardoso
 


sábado, 9 de abril de 2016

Exposição Onda Bienal anuncia pólo da 2ª Bienal de Gaia em Seia


Foi ontem inaugurada na Casa Municipal da Cultura de Seia a exposição Onda Bienal em Seia, com a presença de Agostinho Santos (Presidente dos Artistas de Gaia e Diretor da Bienal de Gaia), Carlos Filipe Camelo (Presidente da Câmara Municipal de Seia), Luiz Morgadinho (Presidente da Associação de Arte e Imagem de Seia), artistas locais e da região (Gouveia, Mangualde, Viseu) e convidados.
O momento solene teve como ponto alto o anúncio formal da criação em Seia de um pólo da 2ª Bienal Internacional de Gaia, a realizar em julho, agosto e setembro de 2017, ao lado de Vila Nova de Cerveira, Viana do Castelo e outras cidades do norte de Portugal.
A Onda Bienal é um projeto que decorre da 1ª Bienal de Gaia (2015) e que pretende levar a ação da Bienal a outras localidades no ano entre duas bienais, em parceria com outras associações de artistas e municípios.

 Apresentando a exposição Onda Bienal em Seia

 Luiz Morgadinho, Sérgio Reis, Carlos Filipe Camelo, Agostinho Santos, Virgínia Pinto, Florentina Resende

 Vista parcial da exposição

Vista parcial da exposição

Fotos: CMS e Sérgio Reis


domingo, 3 de maio de 2015

ARTIS XIII - pré-montagem da exposição de artes plásticas


No dia 28 de abril, ao fim da tarde, pré-montagem da exposição coletiva de artes plásticas para o Artis XIII, na Casa da Cultura de Seia - com Dora Tracana, Eulália Clara, José Guilherme Nunes, Luiz Morgadinho, Madalena Cunhal, Mário Jorge Branquinho, Ricardo Cardoso e Virgínia Pinto.


Dora Tracana participa no Artis 2015 com duas peças. A artista natural da Guarda foi selecionada para a Bienal de Arte de Nova Iorque de 2015 e Bienal do Dubai de 2016.

José Guilherme Nunes, Luiz Morgadinho, Ricardo Cardoso.

Vista parcial


domingo, 8 de março de 2015

“Estranhos dias à Janela”, de Mário Jorge Branquinho


“Estranhos dias à Janela”, livro de Mário Jorge Branquinho, apresentado a 7 de Março na Casa da Cultura de Seia*

“Estranhos Dias à Janela” é o título do livro de escrita criativa de Mário Jorge Branquinho, cuja cerimónia de apresentação terá lugar no próximo dia 7 de Março, pelas 21.30 horas, no Cineteatro da Casa Municipal da Cultura de Seia.

Editado pela Sinapsis, do grupo Elêtheia Editores, o livro de 158 páginas, “leva-nos a viajar pelo mundo, numa dimensão suavemente poética”, segundo o artista plástico Sérgio Reis, que assina um dos textos introdutórios. O mesmo responsável acrescenta que se trata de “uma escrita apurada, culta e criativa, que se desdobra em significados e sentidos, levando a universos reais e imaginários, de fragâncias e fantasias, para dar que pensar”.

O livro será apresentado pelo professor António Silva Brito e haverá ainda outras intervenções, de amigos do autor.

No foyer do cineteatro estará patente uma exposição das 25 fotografias que fazem parte do livro, feitas a partir de janelas de vários países, “remetendo a olhares reflexivos de horizontes diversos e ao interior de cada espectador”.

No palco, vão igualmente registar-se intervenções musicais e dramatização de textos por músicos e atores locais.


Mário Jorge Branquinho é licenciado em Ciências Sociais e Mestrado em Animação Artística. É programador cultural e diretor e fundador do CineEco, Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela. Autor dos livros “Sentido Figurado” e “O Mundo dos Apartes”.

Intervenções dos oradores AQUI no blogue Seia Portugal.

Alberto Toscano Pessoa, Filipe Camelo (Presidente da CMS), Mário Jorge Branquinho, Maisa Antunes (Univ. de Coimbra e Univ. da Bahia), Sérgio Reis e António Silva Brito. Foto JSM

Cineteatro praticamente cheio para o lançamento do livro. Foto MJB.

sábado, 20 de setembro de 2014

Rute Gonzalez na Casa da Cultura – uma lição de desenho

"Avós", Rute Gonzalez. Vista parcial da exposição.

Em exposição na Casa Municipal da Cultura de Seia até final de setembro, as obras de Rute Gonzalez demonstram as possibilidades do desenho e permitem entender como essa forma universal de conhecer e comunicar através do “risco” (como era antigamente referido o desenho) reforça os seus poderes expressivos ao confluir com a pintura. Para além do interesse técnico e artístico específico de cada obra, a exposição oferece uma visão muito completa do projeto desenvolvido pela artista desde 2013, que tem por base o retrato da pessoa idosa.

O desenho e a pintura são áreas artísticas com a mesma origem e limites comuns, em constante diálogo histórico e grande protagonismo nos atuais meios e processos de difusão da informação e conhecimento. Mesmo nas obras mais clássicas de pura pintura, realista ou abstrata, é evidente a presença de um desenho que organiza cada obra desde a sua origem, o processo de criação, à interpretação pelo público. Esse desenho pode estar claramente definido e integrado na pintura ou existir mesmo num domínio virtual – no caso dos pintores que trabalhavam as cores diretamente na tela (como Columbano, por exemplo) e que reconheciam a preexistência de um desenho trabalhado no plano da imaginação, uma imagem mental, uma construção intelectual.

Na conceção das suas obras, Rute Gonzalez opta claramente pelo gestualismo, criando traços que se desenvolvem criteriosamente no espaço do suporte de papel kraft colorido, limitado em altura (2,3 metros) pelo alcance da mão da artista. À expressividade do traço, a artista junta a mancha colorida e a subtil mistura de cores, utilizando um material vocacionado para fundir desenho e pintura, o pastel de óleo. A construção dos seus retratos imaginados de “Idosos” ou de “Avós” compreende assim um mapa de gestos centralizados na máscara facial, que secundariza o retrato puro e simples, os sinais distintivos da identidade, para destacar as marcas da idade, o envelhecimento traduzido em linhas, texturas, cor.

O amplo espaço do salão das magnólias e as galerias da Casa da Cultura de Seia permitiram a exposição de 30 desenhos de Rute Gonzalez - a maior parte das obras produzidas no âmbito deste projeto específico, visando a exploração simultaneamente gráfica e plástica de retratos de idosos. Desde 2013, a artista mostrou algumas das peças deste seu projeto em espaços mais contidos: Montebelo Aguieira Resort (agosto de 2013); Cineteatro de Mortágua (setembro de 2013); TR Bar (Lisboa, outubro 2013); Biblioteca Municipal de Condeixa (fevereiro 2013), Biblioteca Municipal João Brandão (Tábua, maio de 2013).


Natural de Mortágua, Rute Gonzalez licenciou-se em Pintura na ARCA de Coimbra, tendo já exposto individual ou coletivamente nas principais cidades portuguesas e em diversas localidades do centro do país.





quinta-feira, 20 de março de 2014

As viagens e as visitações de Alexandre Magno e Cristina Vouga

Vista parcial da exposição (sala principal)

Apesar das restrições orçamentais e desmotivação dos públicos, que têm desacelerado as dinâmicas culturais sobretudo no interior do país, algumas instituições privadas e organismos públicos continuam corajosamente a oferecer eventos culturais de relevo regional e até nacional, promovendo os valores locais e proporcionando espaços e momentos de interação e difusão culturais, perseguindo a melhoria dos padrões culturais das populações.
Esta constatação vem a propósito da já anunciada realização da ARTIS XII – Festival de Artes Plásticas de Seia, prometendo para maio e junho quase dois meses de exposições e iniciativas paralelas, da mostra de pintura a óleo de António Manuel Pires no Posto de Turismo de Seia e da excelente exposição de pintura e escultura de Alexandre Magno e Cristina Vouga patente nas galerias da Casa da Cultura até final de março.
Alexandre Magno e Cristina Vouga desenvolvem projetos artísticos diferentes com percursos artísticos em certa medida semelhantes: ambos nasceram em Angola na década de 1960, iniciaram os estudos artísticos superiores no Porto e concluíram licenciaturas em artes plásticas em Lisboa, começaram a expor os seus trabalhos sensivelmente pela mesma altura e têm estado muito presentes no centro-interior do país, expondo em Viseu, Tondela e Seia. Cristina Vouga participa atualmente noutra exposição conjunta, em Guimarães, com o pintor Alberto d´ Assunção – que expôs na Casa da Cultura de Seia em 2013.
Nas obras de Cristina Vouga (n. 1969) predomina o jogo de volumes, o modo como estes evoluem no espaço, e a invocação subtil de outras dimensões sensitivas do real através do recurso a materiais muito diversos. A artista articula nas suas obras características formais diversas – como a interação entre superfícies planas e curvas, o geometrismo cubista e as formas redondas polidas e orgânicas, na senda do surrealista Jean (Hans) Arp. Graças ao tratamento exterior com grafite, material indissociável do desenho, o frágil gesso adquire o aspeto compacto e pesado do metal, ludibriando a visão e até o tacto. Por outro lado, a combinação de materiais com caraterísticas opostas na mesma peça destaca correspondências entre formas de conjuntos e universos diferentes. Na peça “Obstado Adejo” (2012-13) a forma alada ou inflada pelo vento, no seu voo condicionado, tem por base uma superfície de pelo sintético que domina a vista principal da escultura, em gesso patinado a grafite.
Para além das esculturas, Cristina Vouga apresenta trabalhos bidimensionais de pequeno formato dominados pela preocupação com os volumes, apesar da relevância da cor e valores plásticos próprios do pastel seco.
Alexandre Magno (n. 1966) apresenta 30 trabalhos de pintura e desenho, com destaque para a pintura, que o artista destaca no seu projeto existencial como veículo de evasão, de libertação: “Com os meus quadros vou de viagem sempre que lhes pego” (1). Viagens que vai construindo a partir do nada, do espaço branco da tela, “para limpar a claridade a mais” (1) compondo laboriosa e progressivamente as formas que os fundos haverão de destacar ou absorver, uma construção intelectual e sensória que resulta na desconstrução da imagem, através de técnicas distintas interagindo no mesmo suporte, com destaque para o óleo e o acrílico. Viagens aventureiras, de reconhecimento e descoberta, emotivas e emocionantes, revelando as mil e uma facetas da forma, do modo de a percecionar e entender - tal como se perceciona e entende a própria vida, a individualidade, a relação com os outros e com o mundo. Nem por acaso, uma recente exposição do artista na Galeria Vieira Portuense intitulava-se “Percepcionista”.
A pintura de Alexandre Magno vibra de cor, energia e emoção. A composição cerrada, o espaço quase sempre fechado sobre as figuras, como se habitassem cavernas e túneis e tudo possa acontecer ao observador a partir do instante em que entra no mundo do quadro e se deixa passear por esse mundo de personagens enredadas em teias de cor, vibrante de emoção. Trata-se de uma linguagem plástica simultaneamente próxima dos “fauves” mas muito além do justificado pretensiosismo de juventude de Maurice de Vlaminck (1876-1958): “Transpus para uma orquestração de cor todos os sentimentos de que tinha consciência. Era um bárbaro, jovem e cheio de violência.” Na verdade, a sua obra enquadra-se na recuperação pós-moderna da pintura figurativa expressionista iniciada nos anos 1980, que ajudou ao renascimento da pintura alemã com os “novos selvagens” (Baselitz, Penck, Kiefer, etc.) e transformou as abordagens pictóricas neofigurativas no mundo artístico ocidental. A crise das bases ideológicas do Modernismo esteve na origem da rutura proposta pelos pós-modernistas, a convicção de que a arte já não consegue transformar a sociedade mas, ainda assim, consegue fazer-nos pensar, despertar consciências neste mundo cada vez mais dominado pela cultura de massas – essa sim, apontada para as audiências, para os lucros do consumo, e que vai mudando avidamente a sociedade e o mundo… para melhor?

(1)-“Alexandre Magno, pintor (pelo próprio)”, revista Anim’Arte, Viseu

Cristina Vouga, “Obstado Adejo”, 2012-13, gesso patinado a grafite, pelo sintético

Alexandre Magno, “Luta de Aves Raras”, 2008, óleo e acrílico s/tela

Vista parcial da exposição (galerias)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Liberdade às Imagens e Palavras – pintura de Luiz Morgadinho na Casa da Cultura de Seia

Luiz Morgadinho, “Reformados de Portugal”, 2011, acrílico s/tela. ©LM

Decorre até final de outubro, nas galerias da Casa da Cultura, a primeira exposição individual de Luiz Morgadinho em Seia. Intitulada “Liberdade às Imagens e Palavras”, a exposição reune 41 obras realizadas nos últimos anos, entre as quais duas séries de 7 pequenos quadros,“Tudo vê” e “Aldeia”, de 2013. Para além de uma linguagem plástica própria, deliberadamente fixada na área do “naïf”, o traço comum destas obras é o seu poder narrativo visual, irreverente e trocista, aliando uma estrutura comunicativa muito próxima do "cartoon" ao delírio imagético e culto do bizarro - hoje entendido como “surrealismo”.

Fundado há cerca de 90 anos em França por André Breton, o Surrealismo apresentava-se então como “Automatismo psíquico puro, pelo qual se pretende exprimir, quer verbalmente, quer pela escrita, ou por qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento (…) na  ausência do controle  exercido pela razão, sem qualquer preocupação  estética ou moral”. As novas propostas de apreensão da realidade (1), a irreverência e liberdade criativa defendidas pelo movimento, em parte herdadas da revolução dadaísta, agrada sobretudo aos jovens artistas, o que ajudou à difusão internacional do movimento. No entanto, as obras estranhas dos surrealistas e a personalidade complexa dos principais ideólogos e artistas do movimento, transformaram o termo “surrealismo” em sinónimo de estranho, bizarro, absurdo. Em muitos países, os ideais ortodoxos do Surrealismo adaptaram-se às realidades locais e Portugal não foi exceção. Alguns artistas sobreviventes do Grupo  Surrealista de Lisboa, de Os Surrealistas e dos grupos do Café Gelo e do Café Royal, mantiveram aceso o culto do surrealismo original mas o surrealismo tem recebido, na última  década, um forte impulso renovador de artistas naturais e residentes na região centro. Com boas  relações com outros grupos surrealistas, sobretudo americanos e europeus, alguns destes artistas agruparam-se e viajam atualmente nas carruagens da frente do surrealismo internacional, expondo em diversos países da Europa e Américas ao lado dos seus congéneres locais.

Luiz Morgadinho é um desses artistas, um pintor de inspiração surrealista, ou, como ele próprio prefere dizer, um "operário plástico do naife e do bizarro". Em 2012, participou na exposição coletiva internacional “Surrealism in 2012”, realizada em Reading, EUA, com trabalhos individuais e obras coletivas executadas em parceria com elementos da Secção  surrealista do Mondego. Em 2013, participou na exposição coletiva itinerante “Somos todos criados pelo amor”, que levou obras surrealistas a  várias cidades da República Checa.

Natural de Coimbra (1964), Morgadinho reside em Santa Comba de Seia e dirige a Associação de Arte e Imagem de Seia. Em 2009, foi homenageado na ARTIS VIII - Festa das Artes e Ideias de Seia e recebeu em 2010 o Prémio Município de Oliveira do Hospital no âmbito do AGIRARTE 13, pela obra "No País dos Lambe Botas”. Este  título ilustra adequadamente o posicionamento crítico do artista relativamente ao seu tempo, como salienta Miguel de Carvalho: “Morgadinho é um desses arcanjos, um poeta da imagem que se aproxima subtilmente da crítica social e política, questionando a pertinência e a capacidade simbólica da vida tradicional, desfigurando profundamente os seus clichés e as suas convenções” (2).

Depois da exposição individual de pintura em Oliveira do Hospital, “Ontogénese do Quotidiano” e da exposição individual itinerante “Ad Instar… à semelhança de…”, que esteve patente em Trancoso e na Guarda, Luiz Morgadinho realiza finalmente uma grande exposição individual em Seia.


Notas:
(1)-Mais do que um movimento artístico, o surrealismo é uma maneira de ver, sentir e pensar o mundo. A experiência surrealista privilegia a imaginação, tentando por diversos meios superar a contradição entre objetividade e subjetividade, conciliar sonho e realidade numa sobre-realidade, a “surrealidade” (“surrealité”). Ou, nas palavras de Mário Cesariny, evocando o Primeiro Manifesto: "E para a idéia da Totalidade duma Vida Única nós acreditamos na conjugação futura desses dois estados, na aparência tão contraditórios, que são o Sonho e a Realidade. Acreditamos numa Realidade Absoluta, numa SURREALIDADE, se é lícito dizer-se assim." (“A Afixação Proibida”, Mario Cesariny de Vasconcelos)
(2)-Miguel de Carvalho, texto de apresentação da exposição.

Luiz Morgadinho, “Tudo vê – I”, 2013, acrílico s/cartão telado. ©LM

Luiz Morgadinho, “Civilização”, 2012, acrílico s/tela. ©LM

Luiz Morgadinho, “Olhando o futuro”, 2012, acrílico s/tela. ©LM

quarta-feira, 24 de julho de 2013

As luminosas sinfonias visuais de Alberto D’Assumpção


Na Casa Municipal da Cultura de Seia

Alberto D'Assumpção, “Arco-íris”, óleo s/tela

Sedimentos de um céu perdido” é o título da exposição de pintura de Alberto D’Assumpção que decorre nas galerias da Casa da Cultura de Seia até 30 de agosto (1), um título recuperado de uma exposição na Livraria Barata em 2003, mas vou buscar à exposição anterior, na Galeria Vieira Portuense (2012), a expressão feliz que me parece intitular melhor a interessante obra do artista: “Sinfonia Luminosa”. “Sedimentos de um céu perdido” é uma excelente exposição mas, a meu ver, merecia um som ambiente adequado, que este tipo de imagens inevitavelmente sugere: experiências sonoras e musicais fraturantes da área da música estocástica (gerada por processos matemáticos) e eletrónica.

O imaginário de Alberto D’Assumpção explora o Universo de geometrias dinâmicas emergindo das profundezas escuras do cosmos, irradiando energia – luz e movimento. Tal como seu pai, Manuel Trindade D'Assumpção (1926-1969), possui um grande poder de composição e cromatismo, embora na área do abstracionismo geométrico, assim como esmerado domínio da técnica a óleo.

Alberto D’Assumpção nasceu em Lisboa em 1956 e reside em Ponte, Guimarães. Expõe regularmente desde 1989, dedicando-se em exclusivo à pintura em 1990.


É membro da Royal Society of Arts (RSA), de Londres. Com os artistas Adrian Bayreuther, Constantin Severin, Izabella Pavlushko, Olga Dmytrenko e Philippe Nault constitui o Grupo Internacional “3º Paradigma”. É igualmente membro da Sociedade Portuguesa de Autores, do International Illustrated Letter Writing Society, do grupo “Artists For Peace” e do “Archetypal Expressionism.

(1)-Sugere-se um contacto prévio com a Casa da Cultura pois vem constando que o seu horário de funcionamento vai ficar muito limitado em agosto (!!!) - Telf.: 238 310 293 / 238 310 230.