
No ano em que se comemoram os 200 anos do nascimento de Charles Darwin, os 150 anos da publicação do seu revolucionário livro "A Origem das Espécies" e o 400º aniversário da invenção do telescópio e das primeiras observações astronómicas de Galileu Galilei, são inevitáveis as associações entre a teoria darwinista da evolução e a teoria heliocêntrica no processo de construção do Homem contemporâneo, no conhecimento de si próprio e do Mundo que possui e mobiliza para gerar mais conhecimento, rumo às estrelas.
Na cronologia das Espécies, foi apenas ontem que a descoberta de horizontes cada vez mais largos e fundos levou o Homem a erguer-se (homo erectus), deixando de olhar o chão para olhar em frente, e depois para as estrelas. Com o tempo, compreendeu a influência dos astros no quotidiano da Terra e entendeu finalmente o seu exacto lugar no Universo. Não foi por acaso que a compreensão dos fenómenos celestes registou grandes avanços no século XIX, originando uma significativa revolução das mentalidades e consequente descrédito do criacionismo (teoria bíblica da criação do mundo por Deus em sete dias).
Recordar Galileu Galilei significa, igualmente, evocar um exemplo da clarividência e persistência - que teve elevados custos: obrigado a abjurar perante a Inquisição, para salvar a vida, acabaria por morrer em prisão domiciliária nove anos depois, em 1642. Pressionada pelas evidências científicas, a Igreja absorveu as teorias defendidas por Galileu, mas a Igreja Anglicana só em Setembro de 2008 reconheceu publicamente que tratou mal Charles Darwin, pedindo desculpa por não o ter então entendido e por ter encorajado outros a não o entender.
.

.
O Ano Internacional da Astronomia possui um interesse adicional para Portugal, em especial para o Interior, já que o Coordenador Global é o português Pedro Russo (prusso@eso.org), natural de Figueira de Castelo Rodrigo. Outra figura em destaque é Rosa Doran (rosa.doran@nuclio.pt), responsável internacional pelo Galileo - Teacher Training Program.
A abertura oficial do AIA 2009 decorreu no dia 31 de Janeiro na Casa da Música, no Porto, com um programa aberto à comunidade.
Espaço: a última fronteira?
“Este ano é o ano da astronomia. É também um bom ano para passar a gostar de astronomia. Eu não disse saber, embora o saber venha pelo mesmo caminho. Eu disse “gostar”, olhar com gosto, com espanto, com curiosidade, para o mundo. (...)” - José Pacheco Pereira, “A lagartixa e o jacaré”, revista ´Sábado” nº 249, 05 de Fevereiro de 2009.
Sem comentários:
Enviar um comentário