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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

NADIR AFONSO (Chaves, dezembro de 1920-dezembro de 2013)


Formou-se em Arquitetura mas sempre quis ser Pintor. O Pintor, talvez para se vingar, ajudou pouco o arquiteto mas o inverso serviu-lhe para explorar as ligações entre a pintura e a geometria – tal como Almada já tinha feito em Portugal na década de 1960 e é bem típico dos arquitetos portugueses que se dedicaram – e dedicam – à pintura.
Trabalhou com Óscar Niemeyer e Le Corbusier. Gabava-se de ter furtado uma peúga de Picasso do estendal da sua casa em Paris. Era uma pessoa interessantíssima e um artista extraordinário.

Para além da sua herança artística, sem fronteiras, deixa uma importante marca cultural no interior do país, cada vez mais ostracizado e esquecido – apesar de uma boa parte dos políticos influentes serem naturais deste mesmo interior. Sentiremos (todos?) a falta de Nadir Afonso.

domingo, 25 de julho de 2010

3ª BIENAL DE CHAVES ATÉ SETEMBRO


Decorre até 10 de Setembro, em Chaves, a 3ª edição da Bienal de Artes, este ano organizada pela Associação Chaves Viva, Cooperativa Árvore e Câmara Municipal de Chaves, com o apoio do Turismo de Portugal. A primeira edição (2006) foi organizada pela Associação de Artistas do Alto Tâmega e do Vale de Monterei, a Tamagani, e a segunda (2008) pela Cooperativa Árvore, que assim ampliou a sua influência artística no norte de Portugal.

A edição de 2010, que se iniciou a 01 de Junho, organiza-se em torno de três exposições importantes, destacando dois artistas flavienses: João Vieira (Vidago, 1934-Lisboa, 2009), com uma exposição de homenagem no espaço multiusos do Centro Cultural, reunindo obras de grande formato do artista; e Nadir Afonso (Chaves, 1920), na sala de exposições da Biblioteca Municipal. A terceira exposição , “Sinais da Arte Ibérica no Século XX”, no Pavilhão Expoflávia, pretende destacar o relevo actual de Chaves no contexto artístico nacional (terra de artistas, Bienal, Fundação Nadir Afonso – com o edifício sede projectado por Siza Vieira) e a sua relação de proximidade com Espanha. Integram esta exposição obras de grandes nomes das artes ibéricas o século XX: Amadeo de Souza-Cardoso, Dominguez Alvarez, Domingos Pinho, Jaime Isidoro, Joaquim Rodrigo, Jorge Pinheiro, José de Guimarães, Júlio Pomar, Mário Cesariny, Nikias Skapinakis, Antoni Claves, Carmen Calvo, Eduardo Arroyo, Jorge Castillo, Juan Miró, Luis Feito, Manolo Millares, Miguel Barceló, Pablo Picasso, Rafael Canogar. As obras dos artistas portugueses foram seleccionadas considerando a relação que elas estabelecem com a cultura espanhola, e vice-versa.
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Do programa da 3ª Bienal de Artes de Chaves fazem ainda parte uma conferência, "As indústrias criativas: cultura, economia e desenvolvimento", de Joaquim Azevedo e Cristina Azevedo, e um atelier de pintura, a funcionar de 6 a 10 de Setembro, no Centro Cultural.

domingo, 25 de abril de 2010

Retrospectiva de Nadir Afonso no Porto

Exposição assinala os 90 anos do pintor flaviense

"Nadir Afonso. Sem Limites" - Museu Nacional Soares dos Reis, Porto, 22 de Abril a 13 de Junho.

(Re)ver entrevista ao programa “Cartaz das Artes” – SIC Notícias, em 2009


Encontra-se patente até 13 de Junho, no Museu Nacional Soares dos Reis, Porto, a primeira parte da exposição retrospectiva de Nadir Afonso (n. 1920, Chaves), intitulada “Nadir Afonso Sem Limites”. A iniciativa do Museu do Chiado, em articulação com o Museu Soares dos Reis, assinala os 90 anos de idade do pintor-arquitecto.

Nadir Afonso queria seguir Pintura mas terá sido aconselhado a matricular-se em Arquitectura (Escola Superior de Belas Artes do Porto), uma actividade que desenvolveu sem muito agrado, de acordo com depoimentos do próprio, em Portugal, França e Brasil.

Participou em todas as exposições do Grupo dos Independentes até 1946, ano em que parte para Paris. Aí, trabalhou com Le Corbusier e estudou pintura na École des Beaux-Arts e conheceu diversos pintores de renome, chegando a utilizar o atelier de Fernand Léger. No início dos anos 50, ruma ao Brasil, onde foi colaborador de Oscar Niemeyer durante dois anos, regressando depois a Paris para acompanhar o movimento da Arte Cinética.

Em 1965, abandonou a arquitectura e passou a dedicar-se exclusivamente à pintura.

A exposição “Nadir Afonso Sem Limites” marca os 90 anos do pintor e dá a conhecer o seu percurso artístico e obra entre 1930 e 1960 e segue depois para o Museu do Chiado, em Lisboa, de 23 de Junho a 3 de Outubro.

Nadir Afonso - "Vera Cruz"

segunda-feira, 16 de março de 2009

Nadir Afonso - O Artista que foi Arquitecto

São muito interessantes as recentes entrevistas de Nadir Afonso ao Público (ler aqui) e à SIC Notícias (ver aqui). Com uma louvável lucidez e frescura, o artista transmontano que foi arquitecto, fala de si, da sua pintura e dos seus projectos. Dos episódios pitorescos (a inscrição em Arquitectura na ESBAP, as meias de picasso, o retoque dos quadros, etc.) à Fundação Nadir Afonso, a instalar em Chaves, destaco principalmente os momentos em que o Mestre clarifica a sua posição em relação à arquitectura e à crítica de arte.
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O que (não) surpreende nestas entrevistas é a clareza e força afirmativa do seu "manifesto" (defendendo a lógica matemática da composição, entendida também como "diálogo" entre formas e entre cores), apresentado sem rodeios e com todas as letras, mas com uma enorme humildade para um artista da sua dimensão. Transparece ainda a exigência e o rigor da sua pintura, que nos transporta para diferentes níveis de percepção/entendimento do real.
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Com uma interessante carreira na Arquitectura, tendo trabalhado com dois dos maiores arquitectos de sempre (Le Corbusier e Oscar Niemeyer - que defendiam o oposto: o ângulo recto e a linha curva, respectivamente), cabe perfeitamente na galeria dos melhores arquitectos portugueses, ao lado de um Fernando lanhas, e logo atrás de Siza Vieira - que assina o projecto da Fundação Nadir Afonso. Aliás, a Arte Portuguesa Contemporânea possui excelentes arquitectos-pintores - um pouco pela razão apontada pelo Mestre flaviense: ao tempo, quem terminava o Curso dos Liceus nem sempre tinha "coragem" para se inscrever no Curso de Pintura.