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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Gonçalo M. Tavares

No passado domingo, 11 de dezembro, Gonçalo M. (de Manuel) Tavares foi o convidado de Marcelo Rebelo de Sousa no tradicional espaço de comentário, no jornal das 8 da TVI, a pretexto dos seus novos livros, "Canções Mexicanas" e "Short Movies".

Creio que deixou de haver desculpa para o desconhecimento deste jovem e promissor escritor, para o qual o próprio José Saramago vaticinou, em 2005, um Prémio Nobel da Literatura nos anos vindouros. Um escritor atento, perspicaz, que reflete inteligentemente sobre o mundo atual dispensando as amarras do sentimentalismo e à revelia das tradições literárias. Em certa medida, a sua escrita é experimental, sendo também um dos escritores mais produtivos dos últimos anos (mais de trinta livros em apenas uma década), eclético (romance, poesia, conto, epopeia), muito editado (livros traduzidos e publicados em 44 países) e premiado (mais de uma dezena de importantes prémios literários em Portugal e no estrangeiro).

Com um raciocínio perspicaz e discurso inteligente, Gonçalo M. Tavares disparou algumas frases incomparáveis. Preocupado com a velocidade a que vivemos, o escritor referiu que «abrir um livro é muito semelhante a entrar numa igreja”, “O livro é uma máquina de lentidão”, “Reparar é estar muito tempo parado na mesma coisa. (...). Só reparamos as coisas se repararmos nelas”. Citou depois uma frase de Hans Christian Andersen para sublinhar que vivemos num “mundo quantitativo”, onde “pedimos espírito e respondem-nos com a tabuada” (…) “cada vez mais nos respondem com números”.

“Canções Mexicanas” (Relógio d’Água), resulta da grande paixão do autor pela cultura mexicana e leva-nos até à Cidade do México para nos mostrar, através de uma série de fragmentos narrativos, como a realidade urbana constrói e semeia, na vida das pessoas, rotinas sem sentido, muitas vezes cruéis. Nessa mega metrópole com 20 milhões de habitantes, os desfavorecidos e rejeitados da sociedade não conhecem a esperança nem compreendem a importância que os europeus atribuem à procura da felicidade.

Short Movies” (Caminho), é uma coletânea de cenas absurdas do quotidiano, cerca de 70 micronarrativas (algumas das quais já publicadas em jornais e revistas) em que se destaca a sua vocação fílmica e o protagonismo da perspetiva da câmara de filmar. Ler para ver. Um pouco na linha de livros como “Centúria – Cem Pequenos Grandes Romances”, de Giorgio Manganelli, “Short Movies” mostra como o olhar se constrói com letras e que as frases são imagens desenhadas pelo escritor na imaginação do leitor.

Gonçalo M. Tavares no Jornal das 8 da TVI.

Entrevista de João Paulo Sacadura (Livraria Ideal, TVI24): Parte 1; Parte 2; Parte 3.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Uma Viagem à Índia - Grande Prémio APE 2010

Gonçalo M. Tavares, o próximo Nobel português de Literatura, foi hoje distinguido com o prestigiado Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, pelo seu livro “Uma Viagem à Índia”, obra centrada numa viagem propriamente dita, mas como pretexto para uma muito maior e mais vivida viagem interior. Este livro já tinha recebido o Prémio Melhor Narrativa Ficcional 2010, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores, assim como o Prémio Especial de Imprensa Melhor Livro 2010 Ler/Booktailors.

Esta distinção contribuirá certamente para tornar mais conhecido o nome do escritor em Portugal e suscitar a curiosidade dos leitores para a sua obra, que vai sendo por cá editada pela Caminho.



Depois de viajar pelos textos-objetos da epopeia moderna “Uma Viagem à Índia”, percebi que tinha encontrado um escritor português à altura de Saramago e de António Lobo Antunes. Acabei de ler “Aprender a rezar na Era da Técnica”, uma incursão pelo preocupante mundo de exactidão e rigor do cirurgião Lenz Buchmann, tecnicamente desumano quando se preocupa com a sua própria humanidade, desde a plenitude da sua eficácia (“Força”), perda de faculdades (“Doença”) e colapso (“Morte”).


"Aprender a Rezar na Era da Técnica" recebeu vários prémios em França, em 2010, entre os quais o concorrido Prémio do Melhor Livro Estrangeiro 2010, um ano depois de ter sido nomeado para o Prix Cévennes 2009 – Prémio para o melhor romance europeu (França) com "Jerusalém".


Gonçalo M. Tavares nasceu em Luanda em 1970. Desde 2001, ano em que publicou a sua obra de estreia (“Livro de Dança”, Assírio e Alvim), mantém uma intensa atividade literária, editando romances, contos, ensaio, poesia e teatro. As suas obras têm sido traduzidas em dezenas de países e mereceram diversos prémios em Portugal e no estrangeiro. Entre os prémios nacionais, destacam-se o Prémio LER/Millennium BCP 2004 e o Prémio José Saramago (2005), pelo romance “Jerusalém”.