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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

"Ecce Mono" - Evoluções



No próximo ano, não vão faltar trabalhos de pesquisa nem teses de mestrado ou porventura de doutoramento sobre o fantástico tema do “Ecce Mono”. Como era de esperar, o caso é um sucesso mundial, beneficiando das potencialidades da Internet, a aldeia global em que vivemos, e permite estudar a construção de um fenómeno digno deste nosso tempo controverso e de controvérsias. A “feira” está a ser montada, como se pode ver aqui ou aqui.

No que respeita à obra perdida, os especialistas concluíram ser “muito difícil” recuperar a pintura original, fazendo algum sentido elaborar uma cópia da obra. De resto, corre já na Internet uma petição para que a nova versão do “Ecce Homo” de Elías García Martínez, da autoria de Cecília Jiménez, seja mantida como está.

Ou seja, tal como na comédia de Mr. Bean, a obra original entretando perdida pode ser substituída por uma cópia, um poster, mas seria igualmente criminoso destruir a obra intervencionada, afinal o mais célebre “restauro” conhecido.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

"Ecce Mono" ou "easy money"

A obra antes e depois do "restauro".

Tenho recebido vários mails e até vídeos sobre o caso do “Ecce Mono”. Todos de gente revoltada. Que não há direito. Que brada aos céus. Um atentado. Na província espanhola de Saragoça, uma idosa senhora dada às artes da pintura resolveu "reparar" um fresco do pintor Elías Garcia Martinez (1858-1934) existente na Igreja do Santuário da Misericórdia de Borja, “com boa intenção” mas “sem pedir permissão a ninguém”. O caso lembra a mutilação ficcionada da obra a “A mãe do Artista”, de James McNeill Whistler (1871), no filme “Bean: The Ultimate Disaster Movie” (Mel Smith, 1997).

Para além de um merecido lugar cimeiro no anedotário do restauro de obras artísticas (como diz o ditado, “Não vá o sapateiro além da sandália”), a inabilidade bem intencionada da senhora Cecília Jiménez deu projeção mundial ao até agora pouco conhecido Elías Garcia Martinez, autor da obra original, e criou uma situação comprometedora: a obra restaurada já é mais famosa que o original e vai tornar-se um objeto artístico procurado e cobiçado. A autora do "restauro" será certamente responsabilizada pela destruição de uma obra do século XIX e muita gente ganhará rios de dinheiro  a vender a história, as mais diversas reproduções do “mono” e eventualmente a própria obra, agora com a vantagem de ser "dois em um". A própria Cecília Jiménez arrisca-se a ser mais conhecida que  Elías Garcia Martinez.

A mãe de Whistler, no filme protagonizado por Rowan Atkinson, "Bean: The Ultimate Disaster Movie"