domingo, 5 de março de 2017
A Arte da Devoção - Ex-votos do concelho de Seia
Encontra-se
patente nas galerias da Casa da Cultura de Seia até 06 de janeiro 2017 uma
interessante exposição de Ex-Votos, promovida pela Santa Casa da Misericórdia
de Seia e organizada pela arqueóloga senense Rita Saraiva.
Intitulada
“A Arte da Devoção”, a mostra apresenta uma grande variedade de Ex-Votos
(tábuas votivas policromadas, objetos em cera e fotografia) recolhidos em
várias igrejas e capelas do concelho, permitindo compreender o fenómeno do
ex-voto nesta região no seguimento da sua difusão europeia a partir do século
XVII, com maior expressão no século XVIII e XIX. Muitos santuários portugueses
ostentam imponentes “salas dos milagres”, repletas de ex-votos, enquanto em
algumas igrejas e capelas do Interior ainda há poucos anos continuavam
esquecidos em armários ou a apodrecer em vãos de escada. Felizmente que a
estima pela arte popular, compreensão da sua importância etnográfica e
valorização como Património Cultural, permitiu salvar autênticas preciosidades
– como as que podemos apreciar nesta surpreendente exposição.
O
termo “ex-voto” deriva da expressão latina “ex-voto suscepto”, que significa “o
voto realizado” por força de uma promessa. Exprime assim a religiosidade e
devoção mas, ao representar o milagre ou a graça recebida (geralmente a
salvação em situação de grande perigo, perda de bens, alívio ou cura de moléstias
diversas), mobiliza os saberes e gostos dessa época, localidade, grupo social,
e constitui um interessante objeto de estudo para antropólogos, arqueólogos,
linguistas, historiadores de arte.
No
que respeita à pintura, bem representada na exposição através de tábuas e telas
votivas policromadas, com ou sem data, o que salta imediatamente à vista é a
adorável ingenuidade das cenas pintadas com os únicos intuitos de agradar ao
santo da devoção reconhecendo e publicitando o pedido atendido. Com mais ou
menos desenho e pintura, com melhores ou piores tintas. Como escrevia Nicolau
Tolentino ainda no séc. XVIII, “São más as tintas; mas é bom o intento”.
Uma
boa parte dos ex-votos pintados são oriundos dos Santuários de Nossa Senhora do
Desterro e de Santa Eufémia, enquadrando-se nos formatos mais usados em
Portugal, de acordo com os estudos de Rocha Peixoto. As cenas pintadas são
inspiradas pela pintura erudita, que os fiéis encontram nas igrejas e capelas
para as evocações religiosas e catequese, assim como pela pintura das alminhas
e “milagres”, com uma estrutura que seguia os modelos da época: o miraculado de
um lado, frequentemente o doente acamado, e do outro a radiosa aparição do
santo invocado. Em baixo, a legenda explica o ocorrido, identificando o santo,
o miraculado e, às vezes, o suplicante.
O
nível de representação, uso de tela e de boas tintas revela que estamos na
presença de um artista profissional, existindo na exposição dois destes
trabalhos, assinados e datados, realizados por Augusto C. R. F. da Costa
(Gouveia, 1877) e F. J. Baptista, provavelmente de Viseu. Apenas as pessoas de
maior posição social tinham possibilidade de encomendar ex-votos a pintores de
maior nível enquanto as restantes recorriam a pintores amadores e aprendizes,
que por vezes se encontravam a trabalhar nas pinturas de tetos e aparatos dos
altares nas igrejas e capelas do século XVIII e XIX. A dificuldade em obter
tintas, à época, assim o sugere, uma vez que a confeção das tintas exigia
acesso a materiais por vezes inexistentes na região, alguns importados, assim
como conhecimentos técnicos do processo de obtenção das tintas.
sábado, 14 de maio de 2016
ARTIS XIV - 07 de maio a 30 de junho
Abriu portas no
dia 7 de maio e decorre até 30 de junho o XIV Artis – Festival de Artes de
Seia. Apesar do mau tempo, com anúncios de tempestade em plena Primavera, a
cerimónia de abertura contou com a presença de grande número de artistas,
participantes e convidados, assim como de muito público entusiasta e entidades
municipais. Na ocasião, foram homenageados Virgínia Pinto e Mário Jorge
Branquinho, a primeira pela sua obra escultórica, representando a escultura
senense contemporânea, o segundo por ter sido o impulsionador e principal
fundador da Associação de Arte e Imagem de Seia (com José Carlos
Calado, José João Rodrigues e Sérgio Reis) há precisamente 15 anos, para
além de relevantes contributos para a cultura senense nos últimos 20 anos, no
jornalismo, associativismo, criação e organização de eventos culturais, tendo
ainda publicado três livros de crónicas e realizado algumas exposições
individuais de fotografia. Os troféus e certificados foram entregues aos
homenageados pelo Presidente da Câmara, Carlos Filipe Camelo, Presidente da
Associação de Arte e Imagem, Luiz Morgadinho, Vereadora do Pelouro da Cultura,
Cristina Sousa, e pelo professor e artista plástico Sérgio Reis, que usaram da
palavra. A cerimónia encerrou com uma brilhante atuação da Orquestra Didática
do Conservatório de Música de Seia, muito aplaudida, provando que não faltam no
concelho jovens com elevado potencial artístico.
O Artis –
Festival de Artes de Seia realiza-se desde 2002 e é organizado pelo Município
de Seia em parceria com a Associação de Arte e Imagem de Seia. O Festival
centra-se nas exposições de artes plásticas e de fotografia, patentes ao longo
de dois meses nas galerias e foyer do cineteatro da Casa da Cultura de Seia. No
salão e galerias da Casa da Cultura estão patentes 80 obras de desenho, pintura
e tapeçaria, de outros tantos artistas portugueses e estrangeiros, com destaque
para os artistas de Seia, juntamente com 19 obras de escultura. No Foyer do
Cineteatro, encontram-se expostas 32 fotografias, a maioria subordinada ao tema
do Artis XIV, “Reflexos”. As maiores surpresas desta edição referem-se ao
elevado número de inscrições, qualidade das obras, participação de artistas
estrangeiros e uma enorme adesão ao tema proposto. A diversidade e qualidade
complicou o trabalho do júri de seleção, que decidiu apurar o máximo de
artistas reduzindo a sua participação a uma única obra. Foram ainda apuradas as
melhores obras em exposição, na Pintura, Escultura e Fotografia, nomeadamente:
"In the Middle", óleo s/tela (Rui Tavares);
"Auto-observação", gesso e metal (Samuel Ferreira); "A
Autodestruição e a Resignação", fotografia digital (Sérgio Viana).
Na galeria de
exposições temporárias do Posto de Turismo de Seia terá lugar até final de maio
a exposição individual de pintura de Xico Melo (Francisco Dias Mota Veiga),
sucedendo-se no mesmo espaço, durante o mês de junho, a exposição coletiva dos
alunos finalistas do Curso de Artes Visuais do Agrupamento de Escolas de Seia.
O programa do
Festival de Artes de Seia inclui ainda diversas atividades paralelas
contemplando as mais diversas artes, com destaque para a Música, Teatro,
Cinema, Performance e Poesia. No primeiro mês do Festival decorrerá o IX Motin
– Mostra de Teatro Infantojuvenil, de 16 a 21, com apresentação de peças pelos
grupos de teatro escolar do concelho e dois grupos convidados, Teatro e
Movimento (Coimbra) e MIAU Companhia de Teatro (Lisboa). Ainda durante o mês de
maio, terá lugar no dia 14 a sessão de cinema e tertúlia organizada pelo 7ª
Sena, com o fotojornalista Marcelo Londoño como convidado, uma instalação
performativa de Ricardo Cardoso a 28, no Largo da Câmara, com início às 15:00
horas, e oficinas de pintura no jardim para os mais novos, orientadas pela
artista plástica Tânia Antimonova, entre 16 e 20 de maio.
Na apresentação de um dos homenageados, Mário Jorge Branquinho
Exposição de Artes Plásticas - vista parcial
Exposição de Artes Plásticas - vista parcial
Abertura do Artis XIV - vista parcial
Abertura do Artis XIV - vista parcial
Trabalhos dos alunos da Casa de Santa Isabel
sábado, 9 de abril de 2016
Exposição Onda Bienal anuncia pólo da 2ª Bienal de Gaia em Seia
Foi ontem inaugurada na Casa Municipal da Cultura de Seia a exposição Onda Bienal em Seia, com a presença de Agostinho Santos (Presidente dos Artistas de Gaia e Diretor da Bienal de Gaia), Carlos Filipe Camelo (Presidente da Câmara Municipal de Seia), Luiz Morgadinho (Presidente da Associação de Arte e Imagem de Seia), artistas locais e da região (Gouveia, Mangualde, Viseu) e convidados.
O momento solene teve como ponto alto o anúncio formal da criação em Seia de um pólo da 2ª Bienal Internacional de Gaia, a realizar em julho, agosto e setembro de 2017, ao lado de Vila Nova de Cerveira, Viana do Castelo e outras cidades do norte de Portugal.
A Onda Bienal é um projeto que decorre da 1ª Bienal de Gaia (2015) e que pretende levar a ação da Bienal a outras localidades no ano entre duas bienais, em parceria com outras associações de artistas e municípios.
Apresentando a exposição Onda Bienal em Seia
Luiz Morgadinho, Sérgio Reis, Carlos Filipe Camelo, Agostinho Santos, Virgínia Pinto, Florentina Resende
Vista parcial da exposição
Vista parcial da exposição
Fotos: CMS e Sérgio Reis
Etiquetas:
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Carlos Filipe Camelo,
Casa da Cultura de Seia,
Luiz Morgadinho,
Onda Bienal,
Sérgio Reis,
Virgínia Pinto
domingo, 28 de fevereiro de 2016
Estão abertas as inscrições para o ARTIS XIV
O Município de Seia e a
Associação de Arte e Imagem de Seia, promovem o ARTIS XIV – Festival de Artes
de Seia, de 7 de Maio a 30 de Junho de 2016.
O referido Festival é composto por Mostras de Pintura, Escultura, Fotografia e Música, integradas
num programa que contemplará outras áreas artísticas – cinema (7ª Sena) e
teatro (Motin).
A exposição de Artes
Plásticas e Fotografia tem como principais objetivos a divulgação e promoção da
riqueza e variedade das artes no interior, encontrando-se aberta a artistas
nacionais e estrangeiros das mais diversas sensibilidades estéticas e
habilidades técnicas.
Inscrições
a) A participação é gratuita e
aberta a artistas nacionais e estrangeiros;
b) Cada concorrente deve
enviar para o e-mail: casacultura@cm-seia.pt os seguintes dados:
- Fotografias das obras a
concurso (num máximo de duas);
- Uma breve memória descritiva
das obras a concurso;
- Uma ficha de inscrição
devidamente preenchida (disponível no site www.casadaculturadeseia.pt e
blogue: www.artisdeseia.blogspot.pt ;
- Uma fotografia e um
currículo abreviado do artista (10 linhas de texto, Arial 11, 2 espaços) para
reprodução em catálogo;
c) Os textos descritivos
anexos às obras não devem ultrapassar meia página A4 (Arial 11).
Os dados referenciados no
ponto anterior, com a respetiva ficha de inscrição, deverão ser enviados até ao
dia 4 de Abril de 2016 para o respetivo e-mail. É possível a inscrição online nos sites indicados.
Características das obras
Cada artista poderá participar
com uma ou duas obras, subordinadas ao tema do Festival - “Reflexos”, ou tema
livre;
Cada pintura ou desenho não
poderá exceder 100 X 100 cm. As esculturas ficam limitadas a 200 cm de altura e a 80 kg. As fotografias deverão ser
apresentadas em formato digital e em papel, tendo como dimensões máximas 45 X
35 cm;
As instalações, obras de arte
multimédia e em suporte informático serão consideradas caso a caso, ficando a
sua aceitação dependente do espaço, localização requerida e meios técnicos
existentes.
Obras selecionadas
O anúncio das obras selecionadas
será enviado atempadamente por mail a todos os participantes;
As obras selecionadas
deverão ser entregues até às 18 horas, do dia 18 de Abril de 2016, no seguinte
endereço: Casa Municipal da Cultura de Seia, Av. Luis Vaz de Camões, 6270 – 484
– Seia, Portugal;
As obras devem ser entregues com a apresentação e proteção que
os artistas julgarem convenientes mas com sistemas de suspensão adequados e
indicação clara, no verso, da posição de suspensão;
As obras participantes
nas exposições deverão ser recolhidas pelos seus autores até ao 10º dia após o
encerramento da Artis XIV.
Será editado um catálogo em papel.
Cerimónia de abertura da Artis XIII (2015). Foto de Pedro Ribeiro.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
"Arte", de Yasmina Reza, 2016
Há Arte Concetual e
"arte concetual". Nada de confusões. Mas a fronteira não é clara nem
vem nos livros, é mais uma fronteira inventada e desenhada pelos
"mercados". Tal como acontece aliás na música, na moda e até na
gastronomia - com a famigerada "cozinha criativa".
Sobre esta temática, (re)vejam a peça "Arte", de Yasmina Reza, com
encenação de António Feio em 1998 (nos links abaixo, com António Feio, José
Pedro Gomes e Miguel Guilherme). A peça está novamente em cena em Lisboa
(Teatro Tivoli) e chegará ao Porto em junho (Teatro Sá da Bandeira).
A não perder.
A não perder.
Ver a peça “Arte” no YouTube:
Parte 1/8: http://youtu.be/oGEgs79_HO0
Parte 2/8: http://youtu.be/pKt7Ahn1VCg
Parte 3/8: http://youtu.be/3bmGl162TCA
Parte 4/8: http://youtu.be/q09Doc4GHkY
Parte 5/8: http://youtu.be/z27zCNN4woU
Parte 6/8: http://youtu.be/cRWAdnJDRok
Parte 7/8: http://youtu.be/nMDkoFsNpJo
Parte 8/8: http://youtu.be/Qfg-njVyiEQ
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