domingo, 28 de fevereiro de 2016
Estão abertas as inscrições para o ARTIS XIV
O Município de Seia e a
Associação de Arte e Imagem de Seia, promovem o ARTIS XIV – Festival de Artes
de Seia, de 7 de Maio a 30 de Junho de 2016.
O referido Festival é composto por Mostras de Pintura, Escultura, Fotografia e Música, integradas
num programa que contemplará outras áreas artísticas – cinema (7ª Sena) e
teatro (Motin).
A exposição de Artes
Plásticas e Fotografia tem como principais objetivos a divulgação e promoção da
riqueza e variedade das artes no interior, encontrando-se aberta a artistas
nacionais e estrangeiros das mais diversas sensibilidades estéticas e
habilidades técnicas.
Inscrições
a) A participação é gratuita e
aberta a artistas nacionais e estrangeiros;
b) Cada concorrente deve
enviar para o e-mail: casacultura@cm-seia.pt os seguintes dados:
- Fotografias das obras a
concurso (num máximo de duas);
- Uma breve memória descritiva
das obras a concurso;
- Uma ficha de inscrição
devidamente preenchida (disponível no site www.casadaculturadeseia.pt e
blogue: www.artisdeseia.blogspot.pt ;
- Uma fotografia e um
currículo abreviado do artista (10 linhas de texto, Arial 11, 2 espaços) para
reprodução em catálogo;
c) Os textos descritivos
anexos às obras não devem ultrapassar meia página A4 (Arial 11).
Os dados referenciados no
ponto anterior, com a respetiva ficha de inscrição, deverão ser enviados até ao
dia 4 de Abril de 2016 para o respetivo e-mail. É possível a inscrição online nos sites indicados.
Características das obras
Cada artista poderá participar
com uma ou duas obras, subordinadas ao tema do Festival - “Reflexos”, ou tema
livre;
Cada pintura ou desenho não
poderá exceder 100 X 100 cm. As esculturas ficam limitadas a 200 cm de altura e a 80 kg. As fotografias deverão ser
apresentadas em formato digital e em papel, tendo como dimensões máximas 45 X
35 cm;
As instalações, obras de arte
multimédia e em suporte informático serão consideradas caso a caso, ficando a
sua aceitação dependente do espaço, localização requerida e meios técnicos
existentes.
Obras selecionadas
O anúncio das obras selecionadas
será enviado atempadamente por mail a todos os participantes;
As obras selecionadas
deverão ser entregues até às 18 horas, do dia 18 de Abril de 2016, no seguinte
endereço: Casa Municipal da Cultura de Seia, Av. Luis Vaz de Camões, 6270 – 484
– Seia, Portugal;
As obras devem ser entregues com a apresentação e proteção que
os artistas julgarem convenientes mas com sistemas de suspensão adequados e
indicação clara, no verso, da posição de suspensão;
As obras participantes
nas exposições deverão ser recolhidas pelos seus autores até ao 10º dia após o
encerramento da Artis XIV.
Será editado um catálogo em papel.
Cerimónia de abertura da Artis XIII (2015). Foto de Pedro Ribeiro.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
"Arte", de Yasmina Reza, 2016
Há Arte Concetual e
"arte concetual". Nada de confusões. Mas a fronteira não é clara nem
vem nos livros, é mais uma fronteira inventada e desenhada pelos
"mercados". Tal como acontece aliás na música, na moda e até na
gastronomia - com a famigerada "cozinha criativa".
Sobre esta temática, (re)vejam a peça "Arte", de Yasmina Reza, com
encenação de António Feio em 1998 (nos links abaixo, com António Feio, José
Pedro Gomes e Miguel Guilherme). A peça está novamente em cena em Lisboa
(Teatro Tivoli) e chegará ao Porto em junho (Teatro Sá da Bandeira).
A não perder.
A não perder.
Ver a peça “Arte” no YouTube:
Parte 1/8: http://youtu.be/oGEgs79_HO0
Parte 2/8: http://youtu.be/pKt7Ahn1VCg
Parte 3/8: http://youtu.be/3bmGl162TCA
Parte 4/8: http://youtu.be/q09Doc4GHkY
Parte 5/8: http://youtu.be/z27zCNN4woU
Parte 6/8: http://youtu.be/cRWAdnJDRok
Parte 7/8: http://youtu.be/nMDkoFsNpJo
Parte 8/8: http://youtu.be/Qfg-njVyiEQ
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
Chão de Brinco 2
Chão de Brinco Poesia n.º 2 - Dezembro de 2015. Edições Cardo.
Coordenação.
Antonino Jorge / Alfredo de Resende Figueiredo.
Poemas inéditos e desenhos de:
A. Riomonte - A. M. Pires Cabral - Armandina Maia - Carlos Poças Falcão - César
Luís de Carvalho - Côta Sexas - Cruzeiro Seixas - José Emílio Nelson - José
Luís Mendonça - José saraiva - Nuno Júdice - Sónia Moll. Portfólio dedicado a
Egito Gonçalves]. In-8.º grande de 92 páginas.
Br. Ilustrada com desenhos
originais dos poetas e de Sérgio Reis (ilustrando o poema de José Saraiva).
Tiragem de apenas 100 exemplares.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Nostra Damus em Oliveira do Hospital
A exposição itinerante Arte Nostra Damus estará patente até 06 de janeiro de 2016 na Casa da Cultura César de Oliveira em Oliveira do Hospital.
Imagens da abertura, dia 11 de dezembro.
Imagens da abertura, dia 11 de dezembro.
Artista censurado no Sardoal
Câmara Municipal alega
“motivos de força maior” para cancelar exposição de desenho de Ricardo Cardoso [1] [2]
A
exposição de Ricardo Cardoso no Centro Cultural Gil Vicente, na vila do
Sardoal, com inauguração prevista para o passado dia 4 de dezembro, não chegou
a abrir. O Presidente da Câmara viu as obras, não gostou e mandou cancelar a
exposição. Os 10 desenhos sobre as atrocidades do século, que Seia viu na Artis
XIII, foram retiradas das paredes do Centro Cultural por terem sido
consideradas impróprias para a quadra natalícia. Em comunicado, a Câmara
Municipal de Sardoal “esclareceu” que a exposição foi cancelada “por motivos de
força maior”. Na sua página no Facebook,
o artista deixou a seguinte declaração: “Já todos conhecem a minha atitude em
relação à arte e à liberdade criativa, quer os ventos sejam favoráveis ou não.
(…) Não vou obrigar ninguém a gostar de ver os meus trabalhos, mas também
não vou deixar de os fazer ou dar a conhecer porque é Natal.”
Todos
concordamos que o Natal é uma quadra de ternura, fraternidade, convívio
familiar, mas o mundo não para, muito menos os atropelos aos Direitos Humanos em
todo o mundo, cristão e não cristão, que têm o seu Dia Internacional no início
de dezembro. Precisamente por ser Natal, celebrando o nascimento do Salvador que
os seus contemporâneos torturaram e pregaram numa cruz, não devemos esquecer as
atrocidades mais recentes, cometidas pela Humanidade no século XX e início do
século XXI, quando seria suposto os avanços tecnológicos e a democratização da
cultura criarem um novo Homem, capaz de refletir com humanidade sobre o caminho
andado e traçar novas rotas para o futuro. Mas há quem ache que o Natal deve
ser uma “silly season” de final de
ano, ignorando ou escondendo o que está mal para se sentir melhor.
Em
1914 achou-se por bem interromper a 1ª Guerra Mundial para celebrar o Natal mas
as atrocidades cometidas por ambas as partes recomeçaram logo de seguida, com
renovada violência. A 1ª Guerra Mundial vai longe, segundo sábias opiniões já
terá começado a 3ª, mas a dor e a morte são idênticas. E o terror também. Não a
violência e o terror dos filmes que os canais televisivos oferecem tradicionalmente
a pequenos e graúdos durante a quadra natalícia, com caretas e sangue a fingir,
mas o terror paralisante, o medo até de pensar, dar um passo, existir. Como
fingir que não decorrem atualmente no mundo 12 guerras com mais de mil mortos
por ano, a somar a milhares de vítimas anónimas do terrorismo internacional, às
vítimas conhecidas das ditaduras ostensivas ou envergonhadas, às vítimas da
exploração, da escravatura, da pobreza, da fome e da sede em todo o mundo, rico
e pobre.
Quem
conhece Ricardo Cardoso e acompanha a sua obra sabe como estas temáticas são
importantes para ele, refletindo-se nos seus trabalhos artísticos. A exposição
no Sardoal, composta por 10 dos desenhos realizados na Artis XIII – Festival de
Artes Plásticas de Seia, sobre os horrores da humanidade do século XX e início
do século XXI, pretendia atrair olhares e consciências dando rostos e nomes ao
terror, levantando a questão mais sensível do nosso tempo: “que futuro queremos
para a Humanidade?” Uma pergunta mais do que pertinente, urgente nos dias de
hoje, com populações inteiras em movimento pelo globo, fugindo dos seus países
devastados pela pobreza e pela guerra, e com a ameaça crescente do terrorismo,
criado e alimentado por interesses obscuros, utopias cegas e crenças fanáticas.
Por
tudo isto não faz sentido censurar a arte ou os artistas como se alguém ou
alguma instituição tivesse, por iniciativa própria ou “por motivos de força
maior”, o “dever” de proteger os cidadãos de tanto mal exorcizado no papel,
afastando a “pobre gente” da visão dos medos desvairados que muitos artistas já
não suportam dentro das cabeças e que existem cá fora – está visto pelos
atentados no coração da Europa – e estão agora a ser atirados sem piedade, como
flechas mortais, ao coração de cada um de nós.
10 de dezembro, Dia Internacional dos
Direitos Humanos
[1] Publicado no jornal Porta da Estrela nº 1023, 16 de dezembro 2015
[2] A 15 de dezembro foi anunciado que a CM do Sardoal aceitou acolher a exposição de Ricardo Cardoso no Centro Cultural Gil Vicente em janeiro 2016.
Entretanto, recordo aqui a realização de alguns desses
trabalhos na Artis XIII, em maio 2015.
Azulejos na Casa Maria Adelaide, São Romão
Azulejos na
Casa Maria Adelaide, São Romão, representando a formação rochosa natural
conhecida por “Cabeça da Velha” com a Capela de Nossa Senhora do Calvário e o
Presbitério de São Romão.
Fotos de Carlos
Manuel Dobreira
domingo, 15 de novembro de 2015
Pintura ao vivo na Catedral de Viseu - Projeto (RE)CRIAR
Projeto (RE)CRIAR, no dia 26 e 27 de setembro, no claustro da Catedral de Santa Maria de Viseu.
Cada um dos 9 artistas participantes escolheu uma obra de arte da Catedral de Viseu para servir de ponto de partida enquanto tema para a criação de uma obra de arte contemporânea.
Artistas: Luis Duro (Viseu) – Braço de São
Teotónio; José Almeida (Viseu) – Escultura da
Srª da Piedade com Jesus Cristo em seu Colo; Carlos Godinho (Estremoz) – Pia
Batismal; Sérgio Reis (Seia) - Escultura Anjo Rafael e Tobias; Manuela Araújo (Lisboa); Marta de Aguiar (Porto); Luís Correia (Viseu); Alice Piloto (Viseu).
As obras ficarão expostas na catedral até 23 de julho 2016.
Sérgio Reis
Sérgio Reis
Carlos Godinho
Paulo Medeiros
Paulo Medeiros
Luís Duro
Luís Duro
José Almeida
José Almeida
Alice Piloto
Alice Piloto
Marta de Aguiar
Marta de Aguiar
Manuela Araújo
Manuela Araújo
Luís Correia
Luís Correia
Sérgio Reis e Paulo Medeiros
Drª Fátima Eusébio
Anabela Pedrosa, ilustradora
Recebi hoje o novo livro de Cristina Magalhães com
ilustrações de Anabela Pedrosa, ”História da História (com pés e cabeça)”, apresentado publicamente há seis dias na Casa Allen, Porto. O texto de
Cristina Magalhães é divertido e ágil, delicioso de ler pois parte de uma ideia
original, começar a história ao contrário (“Foram felizes para sempre”) e está
visualmente muito bem apresentada graças à capa, paginação e ilustrações de
Anabela Pedrosa. Linha e mancha sugestivas, cor e texturas subtis, fluindo nas
páginas e dialogando sabiamente com os fundos e com o texto. O livro é precioso
e as autoras estão claramente de parabéns.
Anabela Pedrosa nasceu em Paços de Brandão em 1970. Formada
em Design de Comunicação pela ESAD de Matosinhos é Diretora criativa do
Departamento de Design e Comunicação na empresa L.M.C.O. Arquitetura e Design,
no Porto. Para além deste livro, ilustrou "O Dragão Napoleão e os
Amigos" de Eugénia Martins (editora Lugar da Palavra, 2012),
"Gustave" de Ana Rita Soares (Chiado Editora, 2015), "Vou pintar
um arco-íris" de Alice Cardoso (Recortar Palavras, 2015) e colabora
anualmente como ilustradora no livro "Histórias da Ajudaris".
“História da História (com pés e cabeça)”
Texto de Cristina Magalhães com ilustrações de Anabela
Pedrosa. Edita-me Editora, Porto, novembro de 2015.
domingo, 1 de novembro de 2015
ARTE NOSTRA DAMUS 15
Vista parcial da exposição
A exposição coletiva itinerante da MOITAMOSTRA 2015, ARTE NOSTRA DAMUS 15, inaugurou ontem, dia 1 de novembro, no Atelier/Galeria Ricardo Cardoso em São Romão. Depois de Viseu e Lisboa, a exposição é mostrada em Seia até final de novembro, seguindo depois para Oliveira do Hospital e Braga.
Promovida pelo GEIC - Grupo Experimental de Intervenção Cultural e organizada pela artista Cristina Vouga, a exposição apresenta obras de pintura, desenho, escultura, cerâmica, colagem e fotografia de 16 artistas: Alberto D'Assumpção; Alexandre Magno; Anabela Calado; Carlos Saramago, Cristina Vouga; José Manuel Heitor; Joana D'Assumpção; Luís Dias Ribeiro; Luís Morgadinho; Maria Rito; Miguel Carvalho; RIK Lina; Ricardo Cardoso; Sérgio Reis; Seixas Peixoto e Vítor Zapa.
Atelier/Galeria - Ricardo Cardoso
Bairro dos Moinhos nº4 (antigas Fábricas Camello)
S. Romão, Seia
Alexandre Magno, Sérgio Reis, Ricardo Cardoso, Luís Ribeiro, Cristina Vouga e Elsa Pinto
sexta-feira, 31 de julho de 2015
I Bienal de Gaia 2015 reúne 433 artistas
A I Bienal de Gaia 2015 reúne 433 artistas, com obras
expostas em diversos locais da cidade de Vila Nova de Gaia e Porto (ver mapa). Organizada
pelos Artistas de Gaia - Cooperativa Cultural, com o apoio da Câmara Municipal
de Gaia, a Bienal decorre até 09 de agosto 2015.
HORÁRIO DAS EXPOSIÇÕES
- De segunda a sexta-feira, das 14h às 19h
- Sábados e domingos, das 10h às 19h
Entrada livre
“António Ferro: O Inventor do Salazarismo”
Um livro fundamental para conhecer o escritor, jornalista e
político português responsável pela política cultural do Estado Novo. À frente
do Secretariado de Propaganda Nacional (Secretariado Nacional de Informação
após a II Guerra), António Ferro (1895-1956) concebeu toda uma estratégia
cultural que marcou o século XX português, conciliando tradição com a
modernidade, o popular com o erudito, as frágeis e efémeras manifestações
populares com as imponentes manifestações da autoridade do Estado. Editor da
revista “Orpheu”, que introduziu o Modernismo em Portugal, apoiou e divulgou
alguns dos artistas mais arrojados do seu tempo e a arte moderna, tendo sido
afastado do poder pela elite conservadora do regime até um quase exílio em
Berna.
O livro de Orlando Raimundo (Dom Quixote, 2015) permite
compreender a importância de Ferro na história da cultura do século XX
português, através de relatos muito vivos, que se compreendem melhor em
contraponto com o documentário de Paulo Seabra «ESTÉTICA PROPAGANDA UTOPIA no Portugal de António Ferro»(1).
(1) - 1ª parte | 2ª parte do documentário.
(1) - 1ª parte | 2ª parte do documentário.
O plágio na Arte
O artista japonês Kenjiro Sano plagiou o belga Olivier Debie – ou as
semelhanças entre os logótipos do Teatro de Liége e dos Jogos Olímpicos de
Tóquio 2020 são puramente ocasionais? No cerrado, veloz e complexo mundo de
imagens em que vivemos, em frenético modo de (re)produção e difusão simultânea de
milhões de imagens tidas por originais, nenhum artista pode garantir que é
absolutamente original e inovador, que não está a plagiar involuntariamente
outro artista. O problema é que, para a máquina judicial, o plágio é crime. No
mínimo, involuntário.
Os limites da Arte
Quais são os limites da Arte? A arte enquanto intervenção
política e social deve ser crítica mas pode (ou deve?) ser agressiva? As
performances radicais do artista russo Petr Pavlensky são geralmente muito
polémicas. A última, na Praça Vermelha, atirou-o para o banco dos réus. O
julgamento está marcado para setembro.
O Retrato na Coleção do CAM
Decorre
até 19 de outubro no Centro de Arte Moderna da FCG, em Lisboa, a exposição
“Olhos nos Olhos” – o Retrato na Coleção do CAM-FCG, abordando “múltiplas
técnicas, modos de representação, correntes estilísticas, e um permanente
fascínio pelo registo de si próprio ou dos que são próximos ou, no lado oposto,
o desejo de captar as celebridades ou os grandes vultos da cultura e da
história”.
O retrato de Cavaco Silva
Aproximando-se a irrevogável saída de Cavaco Silva da
Presidência da República, pergunta-se qual o artista que escolherá para pintar
o seu retrato presidencial, com lugar marcado na Galeria dos Retratos Oficiais
no Museu da Presidência da República.
O 25 de Abril e 1974 arejou as mentalidades nacionais mas os
antigos gostos artísticos persistiram durante mais alguns anos. No caso dos
retratos presidenciais, nota-se a tensão entre os antigos e novos valores
estéticos enquanto o cargo foi ocupado por militares.
António de Spínola foi retratado por Duarte Pimentel, entre
outros, mas o seu retrato presidencial é da autoria de Francisco Lapa, filho do
mestre Manuel Lapa, que em 1974 optou por conferir à obra alguns traços da
pintura “naïf”. Joaquim Rebocho pintou Francisco da Costa Gomes em 1987, um
retrato muito criticado mas fruto de uma época de irreverências e liberdades. O
retrato de Ramalho Eanes foi pintado por Luís Pinto Coelho em 1991, e
carateriza-se por uma excessiva rigidez, traduzindo em grande parte a imagem
pública do primeiro Presidente eleito.
A arte contemporânea entrou com estrondo na Galeria dos
Presidentes em 1992, graças ao retrato de Mário Soares por Júlio Pomar. A
escolha surpreendeu o próprio Pomar, a quem Soares terá dito “Pinta-me como
quiseres”. Jorge Sampaio seguiu o exemplo do seu antecessor e fez-se representar
em 2005 por Paula Rego. Novamente, um retrato polémico, nada consensual, como
aliás deve ser a arte contemporânea: inquieta, questionadora e irreverente.
E com Cavaco Silva, como vai ser?
o género do retrato na pintura possui caraterísticas muito
próprias, realizando-se plenamente no subtil compromisso entre a habilidade
técnica e a capacidade de observação / perspicácia psicológica do retratista.
Mas há dias melhores e dias piores, até para os artistas, nem sempre o
retratista consegue vencer as barreiras de imagem do retratado. Parece que
aconteceu precisamente isto com Lucian Freud no retrato de Isabel II, o tamanho
do suporte (15,2 x 23,5 cm) também não terá ajudado, assim como a escolha de um
pintor compreensivelmente pouco à vontade perante os formalismos da pose real.
No caso dos presidentes da nossa República, estes encomendaram os seus retratos
preferencialmente a pintores amigos, irmanando-os nessa iconografia
memorialista para a posteridade. Francisco Lapa e Joaquim Rebocho são artistas
pouco conhecidos mas a história dos “pintores amigos” começa logo com
Columbano, que pintou três amigos e correligionários, Manuel de Arriaga (1914),
Teófilo Braga (1917) e Teixeira Gomes (1925). Na verdade, o retrato pintado é
um género muito exigente e a maior parte dos pintores despacharam-no
alegremente para os fotógrafos logo após a invenção da fotografia. Na
escultura, a reprodução tridimensional é mais intuitiva do que a ilusão da
profundidade e dos volumes no retrato pintado, havendo casos de excelentes
escultores que também fracassaram em muitos bustos e estátuas, com encomendas
canceladas e obras devolvidas. No retrato fotográfico, a habilidade técnica
está simplificada pelos meios mecânicos e o fotógrafo pode "perseguir"
o momento em que o retratado melhor se revela.
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terça-feira, 23 de junho de 2015
Para ver e apreciar antes de morrer
1001 edifícios que temos de ver antes de morrer. Ou a volta ao mundo em 1001 obras-primas da Arquitetura. Não faltam os portugueses Siza Vieira e Souto Moura, acompanhados de João Mendes Brito, Mário de Abreu, Manuel Norte Júnior. As obras-primas em território luso são: Casa da Música (Rem Koolhaas), Salão de Chã da Boa Nova (Siza Vieira), Centro de Artes Visuais de Coimbra (João Mendes Ribeiro), Estádio Municipal de Braga (Souto Moura), Museu Marítimo de Ílhavo (ARX Portugal), Mosteiro dos Jerónimos (Boitac, De Castilho, De Torralva), Jardim João de Deus - Penafiel (Siza Vieira), Piscina de Marés em Leça da Palmeira (Siza Vieira), Metro de Lisboa (Manuel Norte Júnior), Gare do Oriente (Santiago Calatrava), Palácio da Pena - Sintra (Barão von Eschweg, Garagem Passos Manuel - Porto (Mário de Abreu), Pavilhão de Portugal no Parque das Nações - Lisboa (Siza Vieira), Quinta da Malagueira - Évora (Siza Vieira), Convento de Mafra (Ludovice), Elevador de Santa Justa (de Ponsard), Mosteiro de Santa Maria da Vitória - Batalha (Huguet).
Ao todo, 937 páginas de belas obras.
João Noutel vence Prémio de Pintura Abel Manta 2015
"Esta
Gente", acrílico s/tela - pintura de Sérgio Reis selecionada para a
exposição coletiva do Prémio Abel Manta de Pintura 2015. Participaram 50
artistas, com 70 obras, das quais apenas 13 foram indicadas para a exposição.
João Noutel, artista natural do Porto (n. 1971) e residente
em Lisboa foi o vencedor da 6ª edição do Prémio Abel Manta de Pintura 2015, com
a obra “Analphabetic Lovers” (2012, técnica mista s/MDF, 140x100 cm).
Concorreram 70 obras de 50 artistas, 13 das quais foram selecionadas para exposição
no Museu Abel manta, em Gouveia, a inaugurar no dia 07 de agosto.
Uma obra minha e outra do artista senense Ricardo Cardoso foram
selecionadas, “Esta Gente” e “Animal desvairado faz de mim um escravo I”,
respetivamente, assim como uma obra de Susana Chasse, Maria Antonieta
Martinho, Conceição Fragueiro, Ana Weber, Catarina Machado, Maria de
Lurdes Fonseca, Fátima Teles, António Manuel Pires e Inês Bessa. João Noutel
concorreu com duas obras e serão ambas expostas.
O júri de seleção do Prémio Abel Manta de Pintura, no valor de 5000 euros, foi
constituído pela arquiteta Isabel Manta, neta do pintor Abel Manta, pela
artista plástica Mónica Nogueira e pelo arquiteto Raimundo Aires.
João Noutel, “Analphabetic Lovers” (2012, técnica mista s/MDF, 140x100 cm)
Mural E Agora? - Artis XIII
Pintura de mural com 4 X 14 metros no Festival ARTIS XIII, na avenida junto à Central de Camionagem de Seia, pelos artistas Alexandre Magno da Silva, Luiz Morgadinho, Ricardo Cardoso, Sérgio Reis, Virgínia Pinto e Vitor Zapa.
Início da obra coletiva. Foto: Mário Jorge Branquinho
"The end". Da esquerda para a direita, "os culpados do costume": Alexandre Magno, Vítor Zapa, Sérgio Reis, Virgínia Pinto, Ricardo Cardoso, Luiz Morgadinho. Foto: Mário Jorge Branquinho.
Vista parcial do mural com 14 metros de comprimento
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