sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

"Arte", de Yasmina Reza, 2016

Há Arte Concetual e "arte concetual". Nada de confusões. Mas a fronteira não é clara nem vem nos livros, é mais uma fronteira inventada e desenhada pelos "mercados". Tal como acontece aliás na música, na moda e até na gastronomia - com a famigerada "cozinha criativa".

Sobre esta temática, (re)vejam a peça "Arte", de Yasmina Reza, com encenação de António Feio em 1998 (nos links abaixo, com António Feio, José Pedro Gomes e Miguel Guilherme). A peça está novamente em cena em Lisboa (Teatro Tivoli) e chegará ao Porto em junho (Teatro Sá da Bandeira). 
A não perder.



Ver a peça “Arte” no YouTube:

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Chão de Brinco 2


Chão de Brinco Poesia n.º 2 - Dezembro de 2015. Edições Cardo. 
Coordenação. Antonino Jorge / Alfredo de Resende Figueiredo. 
Poemas inéditos e desenhos de: A. Riomonte - A. M. Pires Cabral - Armandina Maia - Carlos Poças Falcão - César Luís de Carvalho - Côta Sexas - Cruzeiro Seixas - José Emílio Nelson - José Luís Mendonça - José saraiva - Nuno Júdice - Sónia Moll. Portfólio dedicado a Egito Gonçalves]. In-8.º grande de 92 páginas. 
Br. Ilustrada com desenhos originais dos poetas e de Sérgio Reis (ilustrando o poema de José Saraiva). 
Tiragem de apenas 100 exemplares.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Nostra Damus em Oliveira do Hospital

A exposição itinerante Arte Nostra Damus estará patente até 06 de janeiro de 2016 na Casa da Cultura César de Oliveira em Oliveira do Hospital.
Imagens da abertura, dia 11 de dezembro.







Artista censurado no Sardoal


Câmara Municipal alega “motivos de força maior” para cancelar exposição de desenho de Ricardo Cardoso [1] [2]

A exposição de Ricardo Cardoso no Centro Cultural Gil Vicente, na vila do Sardoal, com inauguração prevista para o passado dia 4 de dezembro, não chegou a abrir. O Presidente da Câmara viu as obras, não gostou e mandou cancelar a exposição. Os 10 desenhos sobre as atrocidades do século, que Seia viu na Artis XIII, foram retiradas das paredes do Centro Cultural por terem sido consideradas impróprias para a quadra natalícia. Em comunicado, a Câmara Municipal de Sardoal “esclareceu” que a exposição foi cancelada “por motivos de força maior”. Na sua página no Facebook, o artista deixou a seguinte declaração: “Já todos conhecem a minha atitude em relação à arte e à liberdade criativa, quer os ventos sejam favoráveis ou não. (…)  Não vou obrigar ninguém a gostar de ver os meus trabalhos, mas também não vou deixar de os fazer ou dar a conhecer porque é Natal.”

Todos concordamos que o Natal é uma quadra de ternura, fraternidade, convívio familiar, mas o mundo não para, muito menos os atropelos aos Direitos Humanos em todo o mundo, cristão e não cristão, que têm o seu Dia Internacional no início de dezembro. Precisamente por ser Natal, celebrando o nascimento do Salvador que os seus contemporâneos torturaram e pregaram numa cruz, não devemos esquecer as atrocidades mais recentes, cometidas pela Humanidade no século XX e início do século XXI, quando seria suposto os avanços tecnológicos e a democratização da cultura criarem um novo Homem, capaz de refletir com humanidade sobre o caminho andado e traçar novas rotas para o futuro. Mas há quem ache que o Natal deve ser uma “silly season” de final de ano, ignorando ou escondendo o que está mal para se sentir melhor.

Em 1914 achou-se por bem interromper a 1ª Guerra Mundial para celebrar o Natal mas as atrocidades cometidas por ambas as partes recomeçaram logo de seguida, com renovada violência. A 1ª Guerra Mundial vai longe, segundo sábias opiniões já terá começado a 3ª, mas a dor e a morte são idênticas. E o terror também. Não a violência e o terror dos filmes que os canais televisivos oferecem tradicionalmente a pequenos e graúdos durante a quadra natalícia, com caretas e sangue a fingir, mas o terror paralisante, o medo até de pensar, dar um passo, existir. Como fingir que não decorrem atualmente no mundo 12 guerras com mais de mil mortos por ano, a somar a milhares de vítimas anónimas do terrorismo internacional, às vítimas conhecidas das ditaduras ostensivas ou envergonhadas, às vítimas da exploração, da escravatura, da pobreza, da fome e da sede em todo o mundo, rico e pobre.

Quem conhece Ricardo Cardoso e acompanha a sua obra sabe como estas temáticas são importantes para ele, refletindo-se nos seus trabalhos artísticos. A exposição no Sardoal, composta por 10 dos desenhos realizados na Artis XIII – Festival de Artes Plásticas de Seia, sobre os horrores da humanidade do século XX e início do século XXI, pretendia atrair olhares e consciências dando rostos e nomes ao terror, levantando a questão mais sensível do nosso tempo: “que futuro queremos para a Humanidade?” Uma pergunta mais do que pertinente, urgente nos dias de hoje, com populações inteiras em movimento pelo globo, fugindo dos seus países devastados pela pobreza e pela guerra, e com a ameaça crescente do terrorismo, criado e alimentado por interesses obscuros, utopias cegas e crenças fanáticas.

Por tudo isto não faz sentido censurar a arte ou os artistas como se alguém ou alguma instituição tivesse, por iniciativa própria ou “por motivos de força maior”, o “dever” de proteger os cidadãos de tanto mal exorcizado no papel, afastando a “pobre gente” da visão dos medos desvairados que muitos artistas já não suportam dentro das cabeças e que existem cá fora – está visto pelos atentados no coração da Europa – e estão agora a ser atirados sem piedade, como flechas mortais, ao coração de cada um de nós.


10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos

[1] Publicado no jornal Porta da Estrela nº 1023, 16 de dezembro 2015
[2] A 15 de dezembro foi anunciado que a CM do Sardoal aceitou acolher a exposição de Ricardo Cardoso no Centro Cultural Gil Vicente em janeiro 2016.

Entretanto, recordo aqui a realização de alguns desses trabalhos na Artis XIII, em maio 2015.






Azulejos na Casa Maria Adelaide, São Romão

Azulejos na Casa Maria Adelaide, São Romão, representando a formação rochosa natural conhecida por “Cabeça da Velha” com a Capela de Nossa Senhora do Calvário e o Presbitério de São Romão.




Fotos de Carlos Manuel Dobreira

domingo, 15 de novembro de 2015

Pintura ao vivo na Catedral de Viseu - Projeto (RE)CRIAR


Projeto (RE)CRIAR, no dia 26 e 27 de setembro, no claustro da Catedral de Santa Maria de Viseu.
Cada um dos 9 artistas participantes escolheu uma obra de arte da Catedral de Viseu para servir de ponto de partida enquanto tema para a criação de uma obra de arte contemporânea. 
Artistas: Luis Duro (Viseu) – Braço de São Teotónio; José Almeida (Viseu) – Escultura da Srª da Piedade com Jesus Cristo em seu Colo; Carlos Godinho (Estremoz) – Pia Batismal; Sérgio Reis (Seia) - Escultura Anjo Rafael e Tobias; Manuela Araújo (Lisboa); Marta de Aguiar (Porto); Luís Correia (Viseu); Alice Piloto (Viseu).

As obras ficarão expostas na catedral até 23 de julho 2016.


Sérgio Reis

 
Sérgio Reis

 Carlos Godinho

 Paulo Medeiros

 Paulo Medeiros

 Luís Duro

Luís Duro

 José Almeida

 José Almeida

 Alice Piloto

Alice Piloto

 Marta de Aguiar

 
Marta de Aguiar

 Manuela Araújo

 Manuela Araújo

Luís Correia

  Luís Correia

 Sérgio Reis e Paulo Medeiros

 Drª Fátima Eusébio



Anabela Pedrosa, ilustradora


Recebi hoje o novo livro de Cristina Magalhães com ilustrações de Anabela Pedrosa, ”História da História (com pés e cabeça)”, apresentado publicamente há seis dias na Casa Allen, Porto. O texto de Cristina Magalhães é divertido e ágil, delicioso de ler pois parte de uma ideia original, começar a história ao contrário (“Foram felizes para sempre”) e está visualmente muito bem apresentada graças à capa, paginação e ilustrações de Anabela Pedrosa. Linha e mancha sugestivas, cor e texturas subtis, fluindo nas páginas e dialogando sabiamente com os fundos e com o texto. O livro é precioso e as autoras estão claramente de parabéns.

Anabela Pedrosa nasceu em Paços de Brandão em 1970. Formada em Design de Comunicação pela ESAD de Matosinhos é Diretora criativa do Departamento de Design e Comunicação na empresa L.M.C.O. Arquitetura e Design, no Porto. Para além deste livro, ilustrou "O Dragão Napoleão e os Amigos" de Eugénia Martins (editora Lugar da Palavra, 2012), "Gustave" de Ana Rita Soares (Chiado Editora, 2015), "Vou pintar um arco-íris" de Alice Cardoso (Recortar Palavras, 2015) e colabora anualmente como ilustradora no livro "Histórias da Ajudaris".



“História da História (com pés e cabeça)”

Texto de Cristina Magalhães com ilustrações de Anabela Pedrosa. Edita-me Editora, Porto, novembro de 2015.