O artista japonês Kenjiro Sano plagiou o belga Olivier Debie – ou as
semelhanças entre os logótipos do Teatro de Liége e dos Jogos Olímpicos de
Tóquio 2020 são puramente ocasionais? No cerrado, veloz e complexo mundo de
imagens em que vivemos, em frenético modo de (re)produção e difusão simultânea de
milhões de imagens tidas por originais, nenhum artista pode garantir que é
absolutamente original e inovador, que não está a plagiar involuntariamente
outro artista. O problema é que, para a máquina judicial, o plágio é crime. No
mínimo, involuntário.
sexta-feira, 31 de julho de 2015
Os limites da Arte
Quais são os limites da Arte? A arte enquanto intervenção
política e social deve ser crítica mas pode (ou deve?) ser agressiva? As
performances radicais do artista russo Petr Pavlensky são geralmente muito
polémicas. A última, na Praça Vermelha, atirou-o para o banco dos réus. O
julgamento está marcado para setembro.
O Retrato na Coleção do CAM
Decorre
até 19 de outubro no Centro de Arte Moderna da FCG, em Lisboa, a exposição
“Olhos nos Olhos” – o Retrato na Coleção do CAM-FCG, abordando “múltiplas
técnicas, modos de representação, correntes estilísticas, e um permanente
fascínio pelo registo de si próprio ou dos que são próximos ou, no lado oposto,
o desejo de captar as celebridades ou os grandes vultos da cultura e da
história”.
O retrato de Cavaco Silva
Aproximando-se a irrevogável saída de Cavaco Silva da
Presidência da República, pergunta-se qual o artista que escolherá para pintar
o seu retrato presidencial, com lugar marcado na Galeria dos Retratos Oficiais
no Museu da Presidência da República.
O 25 de Abril e 1974 arejou as mentalidades nacionais mas os
antigos gostos artísticos persistiram durante mais alguns anos. No caso dos
retratos presidenciais, nota-se a tensão entre os antigos e novos valores
estéticos enquanto o cargo foi ocupado por militares.
António de Spínola foi retratado por Duarte Pimentel, entre
outros, mas o seu retrato presidencial é da autoria de Francisco Lapa, filho do
mestre Manuel Lapa, que em 1974 optou por conferir à obra alguns traços da
pintura “naïf”. Joaquim Rebocho pintou Francisco da Costa Gomes em 1987, um
retrato muito criticado mas fruto de uma época de irreverências e liberdades. O
retrato de Ramalho Eanes foi pintado por Luís Pinto Coelho em 1991, e
carateriza-se por uma excessiva rigidez, traduzindo em grande parte a imagem
pública do primeiro Presidente eleito.
A arte contemporânea entrou com estrondo na Galeria dos
Presidentes em 1992, graças ao retrato de Mário Soares por Júlio Pomar. A
escolha surpreendeu o próprio Pomar, a quem Soares terá dito “Pinta-me como
quiseres”. Jorge Sampaio seguiu o exemplo do seu antecessor e fez-se representar
em 2005 por Paula Rego. Novamente, um retrato polémico, nada consensual, como
aliás deve ser a arte contemporânea: inquieta, questionadora e irreverente.
E com Cavaco Silva, como vai ser?
o género do retrato na pintura possui caraterísticas muito
próprias, realizando-se plenamente no subtil compromisso entre a habilidade
técnica e a capacidade de observação / perspicácia psicológica do retratista.
Mas há dias melhores e dias piores, até para os artistas, nem sempre o
retratista consegue vencer as barreiras de imagem do retratado. Parece que
aconteceu precisamente isto com Lucian Freud no retrato de Isabel II, o tamanho
do suporte (15,2 x 23,5 cm) também não terá ajudado, assim como a escolha de um
pintor compreensivelmente pouco à vontade perante os formalismos da pose real.
No caso dos presidentes da nossa República, estes encomendaram os seus retratos
preferencialmente a pintores amigos, irmanando-os nessa iconografia
memorialista para a posteridade. Francisco Lapa e Joaquim Rebocho são artistas
pouco conhecidos mas a história dos “pintores amigos” começa logo com
Columbano, que pintou três amigos e correligionários, Manuel de Arriaga (1914),
Teófilo Braga (1917) e Teixeira Gomes (1925). Na verdade, o retrato pintado é
um género muito exigente e a maior parte dos pintores despacharam-no
alegremente para os fotógrafos logo após a invenção da fotografia. Na
escultura, a reprodução tridimensional é mais intuitiva do que a ilusão da
profundidade e dos volumes no retrato pintado, havendo casos de excelentes
escultores que também fracassaram em muitos bustos e estátuas, com encomendas
canceladas e obras devolvidas. No retrato fotográfico, a habilidade técnica
está simplificada pelos meios mecânicos e o fotógrafo pode "perseguir"
o momento em que o retratado melhor se revela.
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terça-feira, 23 de junho de 2015
Para ver e apreciar antes de morrer
1001 edifícios que temos de ver antes de morrer. Ou a volta ao mundo em 1001 obras-primas da Arquitetura. Não faltam os portugueses Siza Vieira e Souto Moura, acompanhados de João Mendes Brito, Mário de Abreu, Manuel Norte Júnior. As obras-primas em território luso são: Casa da Música (Rem Koolhaas), Salão de Chã da Boa Nova (Siza Vieira), Centro de Artes Visuais de Coimbra (João Mendes Ribeiro), Estádio Municipal de Braga (Souto Moura), Museu Marítimo de Ílhavo (ARX Portugal), Mosteiro dos Jerónimos (Boitac, De Castilho, De Torralva), Jardim João de Deus - Penafiel (Siza Vieira), Piscina de Marés em Leça da Palmeira (Siza Vieira), Metro de Lisboa (Manuel Norte Júnior), Gare do Oriente (Santiago Calatrava), Palácio da Pena - Sintra (Barão von Eschweg, Garagem Passos Manuel - Porto (Mário de Abreu), Pavilhão de Portugal no Parque das Nações - Lisboa (Siza Vieira), Quinta da Malagueira - Évora (Siza Vieira), Convento de Mafra (Ludovice), Elevador de Santa Justa (de Ponsard), Mosteiro de Santa Maria da Vitória - Batalha (Huguet).
Ao todo, 937 páginas de belas obras.
João Noutel vence Prémio de Pintura Abel Manta 2015
"Esta
Gente", acrílico s/tela - pintura de Sérgio Reis selecionada para a
exposição coletiva do Prémio Abel Manta de Pintura 2015. Participaram 50
artistas, com 70 obras, das quais apenas 13 foram indicadas para a exposição.
João Noutel, artista natural do Porto (n. 1971) e residente
em Lisboa foi o vencedor da 6ª edição do Prémio Abel Manta de Pintura 2015, com
a obra “Analphabetic Lovers” (2012, técnica mista s/MDF, 140x100 cm).
Concorreram 70 obras de 50 artistas, 13 das quais foram selecionadas para exposição
no Museu Abel manta, em Gouveia, a inaugurar no dia 07 de agosto.
Uma obra minha e outra do artista senense Ricardo Cardoso foram
selecionadas, “Esta Gente” e “Animal desvairado faz de mim um escravo I”,
respetivamente, assim como uma obra de Susana Chasse, Maria Antonieta
Martinho, Conceição Fragueiro, Ana Weber, Catarina Machado, Maria de
Lurdes Fonseca, Fátima Teles, António Manuel Pires e Inês Bessa. João Noutel
concorreu com duas obras e serão ambas expostas.
O júri de seleção do Prémio Abel Manta de Pintura, no valor de 5000 euros, foi
constituído pela arquiteta Isabel Manta, neta do pintor Abel Manta, pela
artista plástica Mónica Nogueira e pelo arquiteto Raimundo Aires.
João Noutel, “Analphabetic Lovers” (2012, técnica mista s/MDF, 140x100 cm)
Mural E Agora? - Artis XIII
Pintura de mural com 4 X 14 metros no Festival ARTIS XIII, na avenida junto à Central de Camionagem de Seia, pelos artistas Alexandre Magno da Silva, Luiz Morgadinho, Ricardo Cardoso, Sérgio Reis, Virgínia Pinto e Vitor Zapa.
Início da obra coletiva. Foto: Mário Jorge Branquinho
"The end". Da esquerda para a direita, "os culpados do costume": Alexandre Magno, Vítor Zapa, Sérgio Reis, Virgínia Pinto, Ricardo Cardoso, Luiz Morgadinho. Foto: Mário Jorge Branquinho.
Vista parcial do mural com 14 metros de comprimento
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