terça-feira, 7 de outubro de 2014

Já andamos à procura da Liberdade? Será desorientação ou (mais) um sinal dos tempos?

Aeroporto Sá Carneiro, Porto, 2014. Foto: Sérgio Reis

Decorreu este fim-de-semana em Lisboa, no Centro Cultural de Belém, o 3º Encontro Presente e Futuro, organizado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos e intitulado “A Procura da Liberdade”. A ideia central da promoção do Encontro sublinhava o facto de só em liberdade podermos debater o tema da liberdade, mas a mim parece-me, com todo o respeito, que a necessidade de debatermos um determinado tema só se coloca quando pressentimos ou percebemos algum problema relativamente a isso. Atualmente é fácil de explicar e de entender até que ponto as nossas decisões e comportamentos individuais e coletivos são condicionados, inclusive a capacidade de cada um se revoltar contra imposições, restrições, proibições. Noutro sentido, a perda de autonomia política e económica de Portugal suscitou fundamentadas preocupações. Como podemos sentir-nos livres se o peso da dívida pública compromete cada português com 20 mil euros, uma quantia gasta em nome de cada um de nós por aqueles que elegemos para gerir os bens comuns. Ainda noutro sentido, pese-se os riscos que a globalização traz à liberdade, a possibilidade de vigilância mútua e controlo permanente através da Internet e satélite, emissão obrigatória de faturas, o cada vez mais inevitável dinheiro de plástico,… 
Por tudo isto, não me parece estranho que tanta gente tenha sentido a necessidade de pensar e debater a Liberdade nos nossos dias, o estado da liberdade em Portugal e o seu futuro nas diversas áreas da vida contemporânea. Parece-me, isso sim, muito preocupante. Um sinal dos tempos que vivemos.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Primeiras obras de Marwan em Serralves


Exposição das primeiras obras do artista sírio Marwan, nome artístico de Mohamed Marouan Kassab-Bachi  (n. Damasco, 1934) no Museu de Serralves -  desenhos com variados meios e técnicas, aguarelas e pintura a óleo realizadas entre 1962 e 1972. A diretora do Museu, Suzanne Cotter, continua apostada em divulgar artistas do médio oriente, seguindo-se a primeira exposição antológica da artista iraniana Monir Shahroudy Farmanfarmaian (n. Qazvin, 1924), em fase de montagem e com inauguração marcada para 5ª feira, dia 9.

Em 1957, Marwan fixou-se em Berlim, desenvolvendo a partir daí uma carreira internacional. Contemporâneo de Georg Baselitz, a sua obra enquadra-se na chamada Nova Figuração. Frequentou durante seis anos o atelier de Hann Trier (1915-1999), período que deu lugar a uma significativa produção de desenhos, abundantemente representada na exposição.


A oferta de arte contemporânea em Serralves completa-se com algumas obras da coleção do museu, destacando-se as obras com movimento e som de Liam Gillick e as formas geométricas em quadros improvisados de Amalia Pica. 

 Autorretrato, 1964

 A Cruz, 1966

 Cara Paisagem, 1972

 Homem com boneca, 1971

 Vista parcial



Obra da artista argentina Amália Pica (Coleção de Serralves)

Desenhos de Siza Vieira no Porto


Exposição de desenhos de Álvaro Siza Vieira num espaço projetado pelo próprio, a Ginkgo Gallery, no Centro Comercial Miguel Bombarda, Porto. 

Fotos: Glória Reis.


O tema dos centauros

"Judith e Holoferne"


domingo, 28 de setembro de 2014

Sérgio Reis, deputado federal


Oi, caras.
Tem por aí gente que não cansa de me perguntar se estou correndo p´ra eleições, enchem meu mail com Parabéns, Que beleza de cartaz, Que cara mais jovem meu deus, a idade passou ao lado, nem vai ter jeito de ser velho antes de morrer, Vai em frente Sérgio Reis, isto para não falar no facebook, uma correnteza de likes que até entope o servidor, sorte a minha não ter celular, quebrou logo no arranque da crise, mas não, pode comer e dormir em sossego, minha gente, o cara aí é o tal Sérgio Reis do Brasil, que nem é nome dele mesmo, é pseudônimo, na realidade o tal de cantor sertanejo, ator de novela e outro tanto lá, mudou o apelido que era Bavini para Reis, deu folga na família, mas Bereraca insistiu, que eu era sim senhor esse tal, nem havia diferença a não ser a barba e o chapéu e os óculos, tirando tanta diferença eu passava por ser o mesmo cara, Bereraca é de Casa Mole, nasceu teimosa e não adianta esclarecer os nordestinos teimosos de Casa Mole, mas ainda assim eu respondi, Pôxa, você gostava mesmo de me atirar às feras, lá no Brasil nem podia me candidatar e cá também não tem jeito, tenho mais onde me esfarrapar, Sérgio Reis Bavini para mim é assunto arrumado, é certo que vai ganhar e o mesmo desejo a Tiririca, que faz piada com tudo e a gente já não ri desde a Copa do Mundo, agora acho que vou parar de escrever à José Saramago e mandar daqui para vocês, amigos brasileiros, um abraço do tamanho do mundo, não vale a pena exagerar.
Sérgio Reis*


*De Portugal, escrevendo em português do Brasil ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.


El Greco: Arte e Ofício

As comemorações do IV Centenário da morte de El Greco, que reuniram em Toledo a maior parte das suas obras ao longo de 2014, entrou na reta final com a exposição “El Greco: Arte e Ofício”, no Museu de Santa Cruz de Toledo, Sacristia da Catedral e Museu de El Greco. Através de mais de 90 obras oriundas de todo o mundo e até 9 de dezembro, o visitante pode perceber como o pintor de Toledo transformava as ideias em obras de arte. Entre as preciosidades expostas contam-se “São Francisco e o Irmão Leão” (proveniente de Cádiz) ou a recém restaurada “Madalena Penitente” (Worcester Art Museum – Texas, EUA), assim como 4 desenhos e 4 estampas realizadas sob orientação de El Greco no final da sua vida. 

O Museu do Exército, em Toledo, mostra ao vivo as armas pintadas por El Greco nas suas telas.


Madrid acolhe atualmente duas importantes exposições, “El Griego e a Pintura Moderna” (Museu do Prado, até 5 de outubro) e a exposição que esteve patente até agosto em Valladolid, 'Entre o céu e a Terra” (Academia de Belas Artes de São Fernando, até 8 de novembro).

Página oficial El Greco 2014

sábado, 27 de setembro de 2014

Pintura Surrealista de Luiz Morgadinho no Museu Abel Manta - Gouveia

Luiz Morgadinho

Foi hoje inaugurada a exposição de Pintura de Luiz Morgadinho, no espaço que o Museu Municipal de Arte Moderna Abel Manta reserva às exposições temporárias. Sem maiores formalidades, a ocasião reuniu um vasto grupo de amigos do artista, muitos deles também artistas, algum público local e contou com a presença do Presidente da Câmara, Luís Tadeu Marques, e esposa, do Presidente da Junta de Freguesia de Gouveia, João Amaro, e da Diretora do Museu Abel Manta.

A exposição reúne obras de pintura a acrílico sobre tela e técnica mista (pintura e colagem) produzidas desde 2011. As obras mais recentes, de 2014, demonstram o elevado grau de exigência técnica do artista, como na tela “Núpcias” (um forte comentário visual aos costumes populares), com a novidade das colagens – recortes de fotos combinadas com a pintura, uma ligação que resulta em formas bem trabalhadas, sendo necessária uma observação atenta para perceber onde acaba a fotografia e começa a pintura, e vice-versa. Destaca-se ainda a série “Tudo vê”, um conjunto de acrílicos s/tela de pequeno formato explorando o conceito de “big brother” (difundido por George Orwell no último romance que escreveu, “1984”, em 1949) com amplas conotações, sociais, políticas e religiosas que remetem para este nosso tempo de liberdades aparentes, irreverências controladas, felicidade pré-fabricada.

Como se sabe, não existe apenas um surrealismo, cada artista propõe e explora a sua ideia de surrealismo. A ideia surrealista, mais que um conceito, é um sinónimo de liberdade. O surrealismo moderno de Luiz Morgadinho combina o realismo (e mesmo o hiper-realismo) com grafismos populares e caricaturas, muitas vezes em ambientes oníricos ou exóticos, combinando a pintura clássica com o cartoon para elaborar mensagens de caráter social e político, inspiradas e inspiradoras.

De resto, mantenho o que escrevi em 2009 sobre a pintura de Morgadinho, um texto reproduzido parcialmente na promoção que a Câmara Municipal de Gouveia faz à exposição na sua página oficial:

Luiz Morgadinho, na sua obra criativa, utiliza técnicas de pintura convencionais para nos mostrar mais caminhos de comunicação, alargar as janelas e corredores do gosto artístico tradicional, ao mesmo tempo que desafia o acomodado entendimento da realidade. Servindo-se de um dos métodos preferidos dos surrealistas, o ilusionismo fotográfico, e guiado pelo princípio da imaginação como motor da criação, constrói malabarismos filosóficos para desmascarar as incongruências do nosso tempo.” 

A exposição decorre até 26 de outubro 2014.


Vista parcial da exposição.

Vista parcial da esxposição.


sábado, 20 de setembro de 2014

Rute Gonzalez na Casa da Cultura – uma lição de desenho

"Avós", Rute Gonzalez. Vista parcial da exposição.

Em exposição na Casa Municipal da Cultura de Seia até final de setembro, as obras de Rute Gonzalez demonstram as possibilidades do desenho e permitem entender como essa forma universal de conhecer e comunicar através do “risco” (como era antigamente referido o desenho) reforça os seus poderes expressivos ao confluir com a pintura. Para além do interesse técnico e artístico específico de cada obra, a exposição oferece uma visão muito completa do projeto desenvolvido pela artista desde 2013, que tem por base o retrato da pessoa idosa.

O desenho e a pintura são áreas artísticas com a mesma origem e limites comuns, em constante diálogo histórico e grande protagonismo nos atuais meios e processos de difusão da informação e conhecimento. Mesmo nas obras mais clássicas de pura pintura, realista ou abstrata, é evidente a presença de um desenho que organiza cada obra desde a sua origem, o processo de criação, à interpretação pelo público. Esse desenho pode estar claramente definido e integrado na pintura ou existir mesmo num domínio virtual – no caso dos pintores que trabalhavam as cores diretamente na tela (como Columbano, por exemplo) e que reconheciam a preexistência de um desenho trabalhado no plano da imaginação, uma imagem mental, uma construção intelectual.

Na conceção das suas obras, Rute Gonzalez opta claramente pelo gestualismo, criando traços que se desenvolvem criteriosamente no espaço do suporte de papel kraft colorido, limitado em altura (2,3 metros) pelo alcance da mão da artista. À expressividade do traço, a artista junta a mancha colorida e a subtil mistura de cores, utilizando um material vocacionado para fundir desenho e pintura, o pastel de óleo. A construção dos seus retratos imaginados de “Idosos” ou de “Avós” compreende assim um mapa de gestos centralizados na máscara facial, que secundariza o retrato puro e simples, os sinais distintivos da identidade, para destacar as marcas da idade, o envelhecimento traduzido em linhas, texturas, cor.

O amplo espaço do salão das magnólias e as galerias da Casa da Cultura de Seia permitiram a exposição de 30 desenhos de Rute Gonzalez - a maior parte das obras produzidas no âmbito deste projeto específico, visando a exploração simultaneamente gráfica e plástica de retratos de idosos. Desde 2013, a artista mostrou algumas das peças deste seu projeto em espaços mais contidos: Montebelo Aguieira Resort (agosto de 2013); Cineteatro de Mortágua (setembro de 2013); TR Bar (Lisboa, outubro 2013); Biblioteca Municipal de Condeixa (fevereiro 2013), Biblioteca Municipal João Brandão (Tábua, maio de 2013).


Natural de Mortágua, Rute Gonzalez licenciou-se em Pintura na ARCA de Coimbra, tendo já exposto individual ou coletivamente nas principais cidades portuguesas e em diversas localidades do centro do país.