sábado, 20 de setembro de 2014

Segunda série de “Visita Guiada”

O programa de rádio (Antena 1) e televisão (RTP2) sobre o Património cultural português, “Visita Guiada”, regressou a 15 de setembro com nova série de 13 programas.

No primeiro episódio, Paula Moura Pinheiro e Ana Alcoforado (diretora do Museu Nacional Machado de Castro) guiam-nos na descoberta da “Última Ceia” que o escultor francês Hodart realizou entre 1530 e 1534 para o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. Composta pelas figuras de Cristo e dos apóstolos moldadas em barro à escala natural, a obra é tão avançada para a época que, em tempos, chegou a ser considerada barroca. Considerando a semelhança das figuras de Hodart com os esboços de Leonardo da Vinci para a pintura da sua famosa “Última Ceia” é provável que o escultor francês tenha sido influenciado pelo génio do Renascimento, produzindo a obra escultórica mais importante do Renascimento português que é considerada pioneira do Maneirismo.

Nos episódios seguintes, “Visita Guiada” passará pelo Palácio Fronteira a caminho do Museu Soares dos Reis, no Porto, onde será lembrado o eternamente jovem pintor Henrique Pousão (1859-1884).

Antena 1 - sábado, 13:10
RTP 2 - segunda, 22:45


Os 13 programas da primeira série podem ser revistos AQUI.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Aqueles que não podem morrer sem dizer tudo

Lançado em Itália no final de Agosto, “Alabardas, alabardas”, o livro que Saramago deixou apenas esboçado, chegará às livrarias portuguesas a 23 de setembro (Porto Editora), podendo ser já reservado via Internet. Até final de setembro o livro será também publicado no Brasil, Espanha (em espanhol e catalão) e América Latina.

Falecido em 2010, José Saramago deixou trinta páginas com elementos para a sua nova obra, abordando a problemática do belicismo e do pacifismo, através da história de um empregado numa fábrica de armamento que subitamente descobre que o seu trabalho alimenta uma complexa máquina de interesses secretos (1).

O livro é ilustrado por Günther Grass, escritor alemão que sucedeu a Saramago nos prémios Nobel da Literartura em 1999 e também conhecido pela sua obra gráfica. Em 2000, Grass expôs em Almancil, no Centro Cultural de São Lourenço, as aguarelas que ilustravam o seu livro mais recente, “O Meu Século”. Em 2006, o Instituto Goethe mostrou em Lisboa uma retrospetiva da obra de Grass, intitulada “Imagens do seu escrever”, composta por desenhos, trabalhos gráficos, aguarelas e esculturas.

Quando Günter Grass revelou ter pertencido às Waffen-SS, a força de elite da Alemanha nazi, na sua juventude, Saramago foi uma das personalidades com prestígio internacional que saiu em defesa do escritor alemão, elogiando o seu sentido de responsabilidade e coragem. E tal como Grass, Saramago não queria morrer sem dizer tudo e assim o exprimiu: “Que quem se cala quanto me calei, não poderá morrer sem dizer tudo.”

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Banco antigo, novo banco...

 

Banco antigo, novo banco, banco mau, banco bom. No fundo, uma questão de design... Aos poucos, as antiguidades vão dando lugar às novidades, numa dinâmica de renovação nunca vista nem sequer imaginada há poucos anos atrás. O momento é propício, falta dinheiro para tudo menos para bancos. Há quem garanta que se trata de um problema de cadeiras mas tanta renovação junta requer o usufruto de fundos coletivos que, como se percebe, estão mais relacionados com os bancos.
Qual será o próximo banco a quebrar renovar-se?

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Ainda o (des)acordo ortográfico


Antes do acordo ortográfico de 1911, escrevia-se assim. Grandes figuras da cultura portuguesa da época, entre as quais Fernando Pessoa, opuseram-se a este acordo ortográfico. Defendiam, em suma, que os portugueses deveriam escrever assim para todo o sempre... tal como os defensores do acordo ortográfico de 1945 pensam em relação às mais recentes alterações ortográficas. De notar que nenhum acordo ortográfico foi consensual e aplicado simultaneamente por todos os subscritores e o último (1990) está mesmo nos antípodas disso. As diversas polémicas e desentendimentos tiveram o mérito de levar as questões da língua para a discussão pública, com particular importância no presente, quando a globalização ameaça as especificidades linguísticas, bombardeando-as com termos anglófonos e fomentando o recurso a estrangeirismos. 

domingo, 3 de agosto de 2014

"Biba Portogal!"

Rua D. Manuel II, Porto


Numa rua portuense cujo nome evoca o último monarca a reinar em Portugal, uma enorme bandeira republicana tapa pudicamente "as vergonhas" de um velho edifício que se renova, apesar do crédito parado e mal parado. Uma nota alegre - de esperança? - na paisagem de fachadas sombrias.

sábado, 12 de julho de 2014

A Liberdade da Imagem

Até 26 de setembro, a exposição “A Liberdade da Imagem – Design e Comunicação Visual em Portugal: 1974-1986” atravessa e une o Porto, manifestando-se em sete dos seus melhores espaços destinados à arte e à cultura, prometendo ficar como referência de divulgação do design português, no ano em que o Governo pretende promovê-lo dentro e fora do espaço físico e mental nacional.

Comissariada por Guta Moura Guedes e com curadoria de José Bártolo, a exposição abriu em 29 de Maio em sete locais da cidade: Casa do Infante; Casa-Museu Guerra Junqueiro; Museu Romântico da Quinta da Macieirinha; Palacete dos Viscondes de Balsemão; Galeria Municipal Almeida Garrett; Casa da Música (Sala dos Azulejos) e Museu de Serralves.

A exposição foi produzida pela Escola Superior de Arte e Design de Matosinhos em co-produção com a Câmara Municipal do Porto e em parceria com a Fundação Casa da Música, Fundação de Serralves e o Centro Documental 25 de Abril da Universidade de Coimbra, entre outros, integrando-se nas Comemorações dos 40 anos do 25 de Abril e nos eventos do ano dedicado ao Design Português, a decorrer entre Junho de 2014 e Maio de 2015.

Através de uma seleção de  500 obras produzidas entre 1974 e 1986, um período de profunda transformação política, cultural e social em Portugal, a exposição mostra como a liberdade da imagem foi construída e utilizada no diálogo entre a revolução política e a revolução cultural que marcou o pós-25 de abril, com reflexos evidentes nos dias que vivemos, 40 anos após a Revolução de 25 de Abril de 1974 e 28 anos depois da entrada de Portugal na União Europeia (então CEE) a 1 de janeiro de 1986.

As obras distribuem-se por cinco módulos, tratando a produção visual de conteúdo político (“Utopia e Ideologia” e “Cartazes de Abril”), produção de vanguarda estética e projetos coletivos (“Situações, Performances, Intervenções”), produção visual em suporte de filme ou vídeo (“Imagens em Movimento”) e desenvolvimento do design português (“Design & Circunstância”.

“A Liberdade da Imagem” no site da ESAD (Matosinhos)

“A Liberdade da Imagem”, site oficial

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Retrato de Rapaz, por Mário Cláudio

No quadro “São João Batista” (1513), Leonardo da Vinci retrata o jovem Salai. 

O mais recente romance de Mário Cláudio é uma séria viagem à oficina de Leonardo da Vinci (1452-1519), com uma base histórica credível, focada na relação do mestre com os seus dois discípulos, Gian Giacomo Caprotti e Francesco Melzi, muito em particular o primeiro, a que Leonardo chamava Salai ou Il Salaino, “pequeno diabo”, "diabrete".

A vida de Leonardo regista diversos factos que alguns biógrafos entendem ser a prova da sua homossexualidade, hipótese que continua a gerar polémica nos meios eruditos. Quando ainda trabalhava com Verrocchio, Leonardo foi ilibado por falta de provas de uma acusação anónima, mas manteve depois uma relação muito próxima com os seus discípulos. Era comum os mestres da época, e não só nas oficinas de artistas, contratarem jovens para o serviço das suas casas, onde cresciam como se fossem da família e aprendiam o seu ofício. Salai chegou ao estúdio de Leonardo em 1490, com apenas 10 anos de idade. Melzi, filho de um aristocrata milanês, tornou-se seu aprendiz em 1506.

Apesar dos defeitos de Salai, que Leonardo classificou nos seus escritos como "ladrão, mentiroso, teimoso e glutão", o rapaz de Oreno era o favorito do mestre, que o utilizou como modelo. O quadro mais conhecido, retratando Salai, é o São João Batista (1513), existindo um desenho erótico realizado sobre um retrato de Salai - ou sobre um esboço do quadro - intitulado "O Anjo Incarnado" (c. 1515), descoberto na Alemanha em 1991. Após a morte do aprendiz, provavelmente num duelo, Leonardo manteve o seu retrato (como São João Batista) junto à cabeceira até ao último suspiro, em França. Francesco Melzi acompanhou o mestre até à morte e assegurou depois a publicação póstuma dos seus escritos, imortalizando o génio de Leonardo da Vinci. 

“Retrato de Rapaz” (D. Quixote, 139 páginas, 12,90€) evoca o pintor, o escultor, o inventor, o anatomista, a pretexto de um mergulho nas relações humanas e sociais de uma época que viu nascer o Humanismo. Pelo arrojo do tema e pela coragem de abordar um aspeto controverso da vida de Leonardo da Vinci, este romance adquire particular relevância na obra de Mário Cláudio, 30 anos depois de “Amadeo” (1984), sobre o pintor Amadeo de Souza-Cardoso.