quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Bombarda novamente em (grande) festa

“Suite Alentejana” de Rui Sanches na Galeria Fernando Santos

No dia 21 de setembro, o quarteirão da rua de Miguel Bombarda voltou a animar-se para nova inauguração simultânea. As ruas, galerias e lojas, encheram-se de gente, para ver arte, conversar com os artistas, rever amigos ou simplesmente para aderir à festa. A festa na Miguel Bombarda prolongava-se por uma grande feira  de vinhos, antiguidades e artigos de colecionismo que se estendia pela rua de Cedofeita.

As exposições prolongam-se até final de outubro, momento para nova “Bombarda” (2 de novembro, sábado – a partir das 16:00 horas).

“Linhagens descomprometidas”, pintura de Benvindo de Carvalho na Galeria S. Mamede - até 31 Out 2013

 
“Lugar-Comum”, instalação de Manuela Bronze na Serpente – até  26 Out 2013

“Somewhere…” de Otília Santos na Galeria Por Amor à Arte – até  28 Out 2013

“Persona”, pintura de Alexandre Cabrita na Galeria Ap’Arte – até  26 Out 2013

“Sofrer em Ti”, pintura de Ricardo de Campos no Espaço Q – até  26 Out 2013

“Suite Alentejana” de Rui Sanches na Galeria Fernando Santos – até  26 Out 2013

“Rupturas” – exposição coletiva na Galeria Solar de Santo António (rua do Rosário) em parceria com a empresa Terra de Amoras. Obras de Cristina Troufa, João Figueiredo, José Rosinhas, Maria Leal da Costa, Paulo Moura, Rui Sousa e Teresa Gil. Na foto, obras de Cristina Troufa.

o
Os cartazes da “Bombarda” 2013 são da autoria de Pedro Guerreiro. No final do ano haverá novo concurso para os cartazes de 2014.

Fotos: Sérgio Reis

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

António Ramos Rosa (1924-2013)


António Ramos Rosa partiu hoje (23 de setembro). Serão sempre nebulosas e oblíquas as tentativas poéticas de libertação do real mas Ramos Rosa deixa-nos preciosas reflexões claras sobre a importância da poesia, “liberdade livre”, e poemas inesquecíveis como “Estou vivo e escrevo Sol” (1960) ou “Não posso adiar o coração” (1975). 

eis que o silêncio
assume
a forma do silêncio

eis que a palavra encontra
o seu lugar no muro

oiço o diálogo da terra
com a terra

vejo um frágil arbusto
com o seu nome aceso
no silêncio da terra

António Ramos Rosa, Pulsações da Terra (1979)

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Artes Vivas referenciado em site brasileiro de pesquisa


Artes Vivas é um dos 3 melhores sites entre 52 listados pelo site brasileiro de pesquisas de sites por temas relacionados, YourWebSite, no tema “As 4 Estações”.

Desenhos de Ivo MotaVeiga na Casa da Cultura de Seia *

 
Vista parcial da exposição. Foto IMV.

O artista senense Ivo Mota Veiga mostra até 29 de setembro, no foyer do Cineteatro da Casa da Cultura, uma curiosa exposição subordinada ao tema do automóvel, com dois grupos de obras: desenho automóvel ( que dá o título à exposição), composto por desenhos de automóveis de diversos tipos, e os “carros reciclados”, interessante conjunto de brinquedos construídos com embalagens de vários produtos de uso corrente.

Sem formação específica na área do desenho de projeto automóvel, Ivo Mota Veiga mobilizou as suas reconhecidas competências na área do desenho, conhecimentos do projeto industrial, instinto de estilista e preocupações ecológicas, para oferecer aos frequentadores do cineteatro e visitantes da Casa da Cultura um interessante conjunto de desenhos de automóveis familiares, utilitários e desportivos, assim como alguns trabalhos de reaproveitamento de materiais. Os carros reciclados aliam o sentido e gosto estético do artista à exigência e qualidade do projeto do designer.

Ivo Mota Veiga nasceu em Luanda em 1975 e reside em Seia. Como habilitações académicas e profissionais possui o Curso de Técnico de Design  Industrial da Escola Profissional da Serra da Estrela. Participou em  diversas exposições colectivas: Exposição Internacional de Arte Postal (Amadora, 1995); Exposição Internacional de Arte Postal, República Checa (1996); 1ª Exposição Internacional de Arte Postal do Cine’Eco (Seia, 1999); Exposição Nacional de Desenho Prémio Tavares Correia (Seia, 1996); I e II Exposição de Artistas Senenses (1998, 1999); Exposição Arte Jovem, S. Romão (2000); Góis Arte’99 (Góis, 1999); Exposição colectiva de Pintura  “Jovens Artistas” (Seia, 1998) e ARTIS (Seia, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2013). Expôe individualmente desde 1999: Pintura no “Cheer’s Bar” (Seia, 1999); Pintura no Espaço Internet da Casa Municipal da Cultura de Seia (2005); Pintura no Museu Municipal Dr. Simões Saraiva (Bobadela, Oliveira do Hospital, 2006); “Simbologias” – pintura no “Foyer” do Cine-Teatro da Casa Municipal da Cultura (Seia, 2007);  Pintura na Casa Municipal da Cultura da Meda (2010).

A sua criatividade e qualidade dos trabalhos foram apreciadas e distinguidas em algumas situações, destacando-se o 1º prémio no concurso de Banda Desenhada da E.P.S.E. e o 3º prémio no concurso de Brasões para a Freguesia de Seia, em 1995.

Em suma, a exposição merece uma  visita, no mínimo, podendo os interessados recolher informação adicional na página de Ivo  Mota Veiga no facebook.

Como curiosidade, reproduz-se abaixo alguns trabalhos realizados pelo Ivo como aluno da EPSE, na década de 1990: um desenho com o qual participou na Exposição Nacional de Desenho Prémio Tavares Correia (EPSE e Biblioteca Municipal de Seia, Casa da Cultura Dr. César de Oliveira – Oliveira do Hospital, Espaço João Abel Manta – Gouveia), um cartoon publicado no jornal Porta da Estrela e o trabalho que serviu de base ao cartaz da Semana Cultural da EPSE em 1995.

“Capela de S. Pedro e Misericórdia de Seia”, desenho a tinta da China, 1996

Cartoon, 1995

Pintura com lápis de cera, maio de 1995

BD, 1995

*Publicado no Jornal Porta  da Estrela, nº 973, 13/09/2013

domingo, 8 de setembro de 2013

Fotografia de Miss Aniela

Miss Aniela, “A Filha do Pescador”, fotografia

Encontra-se em nítida expansão a área da fotografia que privilegia a efabulação, um novo olhar sobre o mundo combatendo ideias preconcebidas, utilizando frequentemente narrativas visuais fantásticas recorrendo a técnicas surrealistas, perspetivas distorcidas e manipulação da cor. À tradicional preocupação dos fotógrafos com a realidade social, que procuram captar criticamente, fotógrafos como Miss Aniela juntam a recriação de ambientes e personagens em composições visuais  carregadas de simbologias e evocações culturais, cujo interesse excede largamente a simples verificação de uma ocorrência real.

Miss Aniela nasceu em 1986. Formada pela Universidade de Sussex, iniciou a sua carreira artística ainda na universidade e expõe atualmente na Europa e nos EUA (Los Angeles, S Diego). As suas obras têm sido reproduzidas e mostradas nos media internacionais, como a Vogue, BBC ou a American Photo, e é autora dos livros “Self-Portrait Photography” e “Creative Portrait Photography”.


Peças Mais ou Menos Recentes de Patrícia Garrido no Porto

Algumas obras de Patrícia Garrido expostas no Museu Soares dos Reis. Foto: Sérgio Reis.

Depois de mostrar em Lisboa as “Peças Mais ou Menos Recentes” de Patrícia Garrido (n. 1963, Lisboa), a Fundação EDP mostra-as no Porto até 6 de Outubro, distribuídas pela Galeria de Fundação EDP (junto à Casa da Música), Museu Nacional Soares dos Reis e Galeria Fernando Santos (Rua Miguel Bombarda).

Trata-se da mostra mais completa da artista até à data e uma excelente oportunidade para redescobrir a sua obra. Patrícia Garrido venceu o Prémio União Latina em 1998 e mostrou algumas das suas obras no Porto em 1998 (Fundação de Serralves, Teatro de S. João) e 2002 (Galeria Presença).

Os exercícios de aglomeração, repetição ou subtração que caraterizam a obra de Patrícia Garrido, para além do recurso a materiais do quotidiano, tentam “definir ou apenas fixar o território da nossa efémera existência” recorrendo a materiais banais do quotidiano “que se tornaram invisíveis ao nosso olhar, habitando apenas na mecânica inconsciente das nossas rotinas” (1).

Uma das peças expostas no Museu Soares dos Reis, interagindo com os espaços e peças do museu. Foto: Sérgio Reis.


(1)-Filipa Oliveira, desdobrável da exposição.

sábado, 17 de agosto de 2013

Monumento aos Pescadores de Matosinhos inspirado numa pintura de Augusto Gomes

José João Brito, Grupo escultórico de Homenagem aos Pescadores de Matosinhos, 2005, bronze. Foto: Sérgio Reis

À entrada da praia do Titã, no vasto areal de Matosinhos, cinco grandes figuras de bronze com cerca de três metros de altura evocam a tragédia de 2 de dezembro de 1947, os pescadores que não regressaram da faina e todos os sobreviventes que continuaram diariamente a ir ao mar, enfrentando com destemor as suas fúrias e a saudade dos familiares e amigos então desaparecidos.

O monumento é da autoria do escultor José João Brito (n. Coimbra, 1941), que se baseou numa pintura de Augusto Gomes (n. Matosinhos, 1910-1976). Pela expressão e pose das figuras de José João Brito perpassa o mesmo arrepio de aflição, dor e perda que o pintor matosinhense fixou na tela. Um trabalho largamente conseguido pois a tensão dramática da cena mantém-se vista de qualquer perspetiva – e mesmo do seu interior. Acessível no próprio areal, o monumento permite a circulação entre as figuras, representando as mães, esposas e órfãos dos pescadores levados pelo mar.

José João Brito é formado em escultura pela ESBAP (atual FBAUP). Em 1967, foi-lhe atribuído o Prémio de Escultura “Teixeira Lopes”. Dedicou-se também à cerâmica, pintura, desenho, gravura e medalhística – tendo sido distinguido em 1995 com o prémio da melhor medalha sobre o tema “Descobrimentos Portugueses”, instituído pela Imprensa Nacional Casa da Moeda. As suas obras podem ser vistas na estação do metropolitano de Martim Moniz em Lisboa ou na Murtosa, onde seu pai exerceu medicina.

O naufrágio coletivo de 1947 foi o maior desastre marítimo ocorrido na costa portuguesa. Na madrugada de 2 de dezembro, uma súbita alteração das condições do mar apanhou os pescadores desprevenidos em plena faina. A maior parte deles conseguiu chegar a terra mas quatro traineiras naufragaram. Morreram 152 pescadores, que deixaram 71 viúvas e mais de 100 órfãos. Muitos matosinhenses descendem desses pescadores tragicamente desaparecidos.

O monumento foi inaugurado em 4 de junho de 2005, pelo então presidente da Câmara, Narciso Miranda, com a presença de um sobrevivente do naufrágio e da viúva de um dos pescadores que pereceram no desastre. À data do naufrágio, a economia de Matosinhos baseava-se na pesca, para abastecimento das localidades que fazem hoje parte do Grande Porto e para a indústria conserveira local. 

Augusto Gomes, “Tragédia do Mar”, óleo s/ tela, 124X164cm 

"Tragédia do Mar" / Homenagem aos Pescadores de Matosinhos (pormenores)



José João Brito, Homenagem aos Pescadores de Matosinhos, 2005, bronze. Fotos: Sérgio Reis