terça-feira, 21 de maio de 2013

Gil Maia vence o Prémio Abel Manta de Pintura 2013


A obra distinguida com o 1º prémio (foto: divulgação CMG)

A obra “Constructiones in Monasterium”, do artista maiato Gil Maia (n. 1974) foi o vencedor da edição de 2013 do Prémio Abel Manta de Pintura, após ter arrecadado dois 2ºs prémios nas duas últimas edições, em 2009 e 2011 (consultar o histórico do Prémio AQUI).

O júri composto por Isabel Manta, Luís Serpa, Fernando Bugalho e Eduardo Mota, decidiu ainda atribuir o 2º prémio a “SDG D3.01.12”, de Catarina Skoglund, e o 3º prémio à obra sem título, de Maria do Céu Crispim.

Para a exposição no Museu Abel Manta foram selecionadas 28 obras de 21 artistas:

"Constructiones in Monasterium", de Gil Maia
"SDG D3.01.12", de Catarina Skoglund
"SDG D3.00.13" (díptico), de Catarina Skoglund
S/título, de Maria do Céu Crispim
"Mãe", de Inês Bessa
"Preguiça", de Sílvia Lança 
"Um Prado no Bolor", de Sílvia Lança 
"Atada à cidade  – série fuga à cidade", de Sara Ivone 
"Ilhoses", de Sara Ivone 
"Às vezes as coisas simplesmente não fazem sentido", de Ângela Belindro 
"Crises e humanidades  – a procura do caminho", de Bruno Soares 
"Nature of the wall", de Raúl Ferreira 
"A noite vai descendo muda e calada...", de Lara Roseiro 
"Que sonho afagam tuas mãos reais", de Lara Roseiro 
"Periferia", de Nuno Cabral 
"Porto de Abrigo", de Nuno Cabral 
"Nonsense flowers", de Daniel David 
"Land Project III", de Susana Chasse 
"Mar Morto", de Rui Tavares 
"Under Construction #10", de Susana Ribeiro 
"Under Construction #14", de Susana Ribeiro 
"Voluptuosidade", de Ana Paula Lopes 
"Destinos Errantes", de Sérgio Reis 
"Horizontes Flutuantes", de Sérgio Reis 
"Intimidade de um pedaço de maçã", de Carina Andrade 
"A Ponte", de Maria Irene Felizardo 
S/título, de Dulce Cariano 
"Unheimlich", de Sofia Torres

A entrega de prémios e inauguração da exposição terão lugar no dia 9 de agosto. 

Fonte:

As fantasias fotográficas de Eugenio Recuenco


"A Morte de Marat", Eugenio Recuenco / Jacques-Louis David (1793)

Quem aprecia a obra (gráfica, fotográfica e cinematográfica) de Tim Burton e nunca ouviu falar de Eugenio Recuenco, não deve deixar de espreitar o mundo fantástico deste fotógrafo espanhol. 


Nascido em Madrid em 1968, Eugenio Recuenco é um dos mais interessantes fotógrafos de moda, inspirando-se nas artes plásticas para reinterpretar artistas e obras famosas, ou no mundo das crianças para contar histórias bem adultas. Para além de interpretações muito pessoais de personagens e ambientes dos contos infantis (Capuchinho Vermelho, a Bela Adormecida, a Bela e o Monstro, Cinderela) ou de grandes obras literárias (D. Quixote de La Mancha, de Cervantes), podemos apreciar fotografias inspiradas na pintura renascentista (por exemplo esta e esta) e em obras de referência da pintura universal (por exemplo, “A Morte de Marat”, de David).

Recentemente, o fotógrafo espanhol decidiu explorar o mundo cubista de Pablo Picasso para valorizar a apresentação de obras de estilistas famosos. 


Entre os clientes de Eugenio Recuenco contam-se as marcas Chanel, Diesel, Yves Saint Laurent, Nina Ricci, L'Oreal e as revistas Madame Figaro, Twill, Vanity Fair e Vogue.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Alberto Carneiro, artista-poeta da natureza


Os ramos parecem tocar a superfície espelhada de um lago, na qual se refletem. Foto: Glória Reis

A obra de Alberto Carneiro, artista-poeta da natureza, encontra-se de regresso (1) a Serralves. Até 24 de junho, decorre no Museu de Serralves a exposição intitulada “A Arte Vida/Vida Arte: Revelações de Energias e Movimentos da Matéria”.

A exposição integra 21 momentos, cada qual com uma unidade própria, partindo de elementos naturais de que o artista se apropriou, isolando-os do seu espaço lógico, do espaço vivo, incorporando-os no espaço da memória – na medida em que fazem parte da vida do artista – para o tornar um espaço físico de sensações e emoções, um espaço estético, um espaço vivo. A Arte é Vida.

Mas também um espaço partilhado, no qual o visitante é chamado a fazer parte das obras - refletido nos diversos espelhos que as integram, ao circular entre elas, perspetivando a sua presença material em contraponto com a “natureza viva” (pessoas, avistamentos do jardim de Serralves) e os espaços do Museu criados por Siza Vieira. Uma exposição que reúne a arte, a natureza e as pessoas” (2).

Alberto Carneiro (n. São Mamede do Coronado, Trofa, 1937) familiarizou-se muito cedo com a escultura em madeira e pedra, trabalhando desde os 10 até aos 21 anos numa oficina de santeiros em São Mamede do Coronado. Após terminar o curso de escultura na Escola Superior de Belas Artes do Porto, em 1967, partiu para Londres, onde contactou com as novas tendências da arte britânica, em particular a arte minimal e concetual. A abertura estética que caraterizou os anos 60 e 70 do século XX, levaram-no a conciliar abordagens artísticas de vanguarda com materiais recolhidos na natureza, numa perspetiva ecológica. Nessa época, a ecologia era um conceito novo em Portugal, com potencial vanguardista – no pensamento e nas expressões artísticas – e mesmo político, considerando os parâmetros e objetivos revolucionários dos seus defensores. Basta ver que a “Land Art”, a expressão mais cenográfica da arte ambiental (3), começou como protesto artístico nos anos 60. Outros artistas portugueses dessa época procuraram novos caminhos na arte concetual (4) mas Alberto Carneiro beneficiou da autenticidade e pureza das suas memórias da ruralidade. As “Energias e Movimentos da Matéria” que o artista nos apresenta para partilhar connosco são, afinal, a essência da natureza – patentes nas formas naturais que converteu em obras de arte isolando-as do seu ambiente original, das outras energias e movimentos da natureza, através de experimentadas alquimias. “Eu vibro mais com isto do que com a Mona Lisa”, confessou numa entrevista recente (5) pois as suas obras, criadas com raízes e troncos de oliveiras, laranjeiras, bambus e vimes do seu pomar e propriedades de amigos, estão muito longe de ser apenas matéria de origem natural ou matéria artística – são principalmente memórias e o seu reflexo. O que faz toda a diferença.


(1) - Em 1991, Serralves acolheu uma importante exposição antológica de Alberto Carneiro.
(2) - Suzanne Cotter, diretora artística do Museu de Serralves, Diário de Notícias, 19/04/2013.
(3) - Considerando a amplitude do conceito “arte ambiental”, sugerem-se as seguintes pesquisas complementares: arte ecológica, Land Art, Site-specific art, Arte Povera.
(4) - Como Clara Menéres (“Mulher-Terra-Vida”) e outros, com obra apresentada em 1977, em jeito de balanço, na famosa exposição “Alternativa Zero - Tendências Polémicas na Arte Portuguesa Contemporânea”, organizada por Ernesto de Sousa na Galeria Nacional de Arte Moderna, em Lisboa.
(5) - Público, 19/04/2013.


O espaço da memória: objetos e espelhos aparentemente colocados ao acaso para repararmos neles. Foi a última exposição comissariada por João Fernandes para Serralves. Foto: Glória Reis

Linhas ligeiras, formas ágeis - e o seu reflexo. Foto: Glória Reis



"Arte Vida/Vida Arte". 


Fotos: © Glória Reis. Direitos reservados.

domingo, 12 de maio de 2013

A "Mesa Verde" e "Pandora", alegorias apocalíticas da crise - ontem e hoje


A Mesa Verde” no YouTube, pelo “ The Joffrey Ballet of Chicago”

Os bailados “A Mesa Verde” e “Pandora”, aclamadas obras do coreógrafo alemão Kurt Jooss (1901-1979), merecem hoje uma atenção especial, um renovado olhar à luz do desnorte económico, político e social que parece instalado na Europa, lembrando os riscos historicamente associados a estes fatores – ou já sinais - de conflito internacional. A essência humana mudou muito pouco no último século: o que mudou verdadeiramente foram os estratagemas e as artimanhas para se manifestar no seu melhor e pior.

A Mesa Verde”, estreado em Paris em 1932, surgiu no contexto da crise económica que assolou a Europa na viragem da segunda década do século XX, em consequência do “crash” da bolsa nos EUA, permitindo não só a chegada de Adolf Hitler ao poder na Alemanha, como chanceler, mas sobretudo a fusão dos poderes de presidente e chanceler na figura do “führer”. O bailado critica os horrores das guerras (destacando-se a sequência da dança da Morte), mas também o modo como as guerras são discutidas e decididas. À volta de uma mesa (verde, a cor das mesas de jogo) dez diplomatas caraterizados como personagens grotescas, vestidas a rigor e mascaradas, discutem e negoceiam o que parece cada vez mais inevitável, a guerra (1), cujo fim levará a novas discussões e negociações.  No final dos anos 30, após muita discussão e negociação tentando adiar o que parecia inevitável, Hitler acendeu o rastilho de uma guerra europeia que depressa alastrou pelos outros continentes, com os resultados conhecidos.

O bailado “Pandora”, estreado em 1944, critica o modo como são tomadas decisões fundamentais para o destino da humanidade, desdobrando-se em imagens de tragédia. Na alegoria em 3 atos, Pandora liberta da sua caixa misteriosa toda a espécie de monstros e convence as pessoas a sacrificar os seus próprios filhos ao Deus Máquina. No ano seguinte à estreia de "Pandora", os americanos lançavam bombas atómicas sobre Hiroxima e Nagasaki.

Kurt Jooss (1901-1979) ficou conhecido pelas suas coreografias vanguardistas, combinando o bailado clássico com o teatro moderno. A “Dança da Morte” (1927) foi mesmo considerado demasiado vanguardista para a época, marcada por uma grande atividade artística na Europa. No caso da dança, os anos 20 reuniram no palco europeu os grandes mitos do bailado moderno, de Balanchine e Diaghilev (Ballets Russes) a Vaslav Nijinsky e Isadora Duncan. O trabalho inovador e inspirador de Jooss abriu caminho a outros coreógrafos de referência, como Pina Bausch, que foi sua aluna.

Após o sucesso de “A Mesa Verde”, fundou a companhia Ballets Jooss, atuando nas principais cidades de vários países europeus. A sua independência não agradou ao regime Nazi, que o acusou de colaborar com judeus. Quando a Gestapo decidiu prendê-lo, Jooss já estava a caminho da Inglaterra e tornou-se cidadão britânico em 1947.

 (1)-Kurt Jooss entrevistado por Robert Joffrey.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Performance de Ricardo Cardoso na Artis XI



O filme da performance no YouTube (atualização em 12/05/2013)

Amanhã, dia 11, com início às 15:30, o artista Ricardo Cardoso apresenta na Casa da Cultura de Seia uma performance concebida para o ARTIS XI – Festival de Artes Plásticas de Seia.
Através deste projeto, intitulado “DES-FORMAT-ARTE”, Ricardo Cardoso pretende refletir “sobre o estado da arte na atualidade levantando algumas questões para o público em geral e para os artistas” e questionar a sobrevalorização da obra de arte atual, ditada por imperativos do mercado artístico. No manifesto da ação, o artista anuncia que “estamos no epicentro de um furacão artístico”.

Ricardo Cardoso é um artista senense (n. 1982) conhecido sobretudo pelos seus desenhos monocromáticos de grande dimensão e pelas suas performances críticas, geralmente explorando o tema da relação artista-obra-sociedade – que pode ser identificado como o campo exploratório de toda a sua atividade artística até à data.

As performances de Ricardo Cardoso prometem sempre emoções intensas e esta tem por base uma estrutura representando uma rosa-dos-ventos, centralizando a questão artística no desnorte da arte contemporânea.

A organização da ARTIS e o artista convidam todos os interessados a assistir e participar.

domingo, 5 de maio de 2013

Fotografia de José Santos em Mangualde


Muito falada nos últimos tempos graças à sua praia artificial de água salgada e à fábrica da Peugeot-Citroën, Mangualde é terra de fundação antiga, situada junto da importante via romana que ligava Mérida a Braga e hoje no acesso à A5 (antiga IP5). Existem ruínas testemunhando a importância do seu castelo medieval, no sítio (aguardando classificação de interesse público) onde houve um castro em tempos remotos e se encontra hoje o Santuário de Nossa Senhora do Castelo, cuja devoção remonta pelo menos ao século XV. Vila de fundação medieval, Mangualde é cidade desde 1986.

A Biblioteca Municipal é um autêntico centro cultural, de oferta pluridisciplinar (consulta e leitura, exposições, formação e ocupação de tempos livres) localizada na zona escolar de Mangualde. Na sua sala de exposições temporárias, decorre até 31 de maio a exposição de fotografia “Luzes”, do senense José Santos.



José Santos, explicando como realiza as suas fotografias. A seu lado, João Lopes, vereador da Cultura da Câmara de Mangualde

Destacando alguns aspetos da fotografia de José Santos

ARTIS XI - Algumas imagens da abertura


Comandados no sonho de despertar entusiasmos, em tempo de crise e crentes no permanente pensamento crítico e assaz desalinhante, que impele a revoluções inovadoras, sobra a esperança de refundarmos novos caminhos criativos. Sobre o que somos e o que criamos. Sobra a ideia desafiante de enfrentamento, que a expressão artística pode construir, fruto de estímulos como este que o Festival ARTIS proporciona. Com a consciência das limitações e do lugar frágil de onde partimos.”

Mário Jorge Branquinho, “Artis – Emergência Criativa”


Pintura e escultura no salão e galerias da Casa da Cultura

Outra perspetiva do salão. Esculturas de Paulo Brites e Iliana Menaia. Ao fundo, a instalação de Maia Caetano, "Estendal".

O foyer do cineteatro acolhe a fotografia

No cineteatro, com apresentação de João Simão, decorreu a homenagem aos artistas Ana Carvalhal (Pintura), Carlos Moura (Fotografia) e Tozé Novais (Música), com a presença do presidente e vice-presidente da Câmara, Carlos Filipe Camelo e Cristina Sousa. Luiz Morgadinho, Mário Jorge Branquinho e Sérgio Reis representaram a Associação de Arte e Imagem de Seia. A cerimónia de abertura culminou com um concerto da Orquestra Didática do Conservatório de Música de Seia.

Ana Carvalhal

Carlos Moura

Tozé Novais

A orquestra com instrumentos de corda, dirigida por Ludovic Fernandes

A orquestra já numa configuração sinfónica, dirigida por Nuno Gonçalo Pinheiro

A Orquestra Didática foi formada em 2011 no âmbito do Ensino Artístico Especializado de Música (EAE) do Conservatório de Música de Seia “Collegium Musicum” e em parceria com os Agrupamento de Escolas do ensino regular obrigatório. A configuração da orquestra varia segundo o repertório estudado. São responsáveis pelo trabalho na orquestra os professores Luís Gomes, Ludovic Fernandes (instrumentos de corda), Joaquim Raposo e Nuno Gonçalo Pinheiro (instrumentos de sopro e percussões).