sexta-feira, 10 de maio de 2013

Performance de Ricardo Cardoso na Artis XI



O filme da performance no YouTube (atualização em 12/05/2013)

Amanhã, dia 11, com início às 15:30, o artista Ricardo Cardoso apresenta na Casa da Cultura de Seia uma performance concebida para o ARTIS XI – Festival de Artes Plásticas de Seia.
Através deste projeto, intitulado “DES-FORMAT-ARTE”, Ricardo Cardoso pretende refletir “sobre o estado da arte na atualidade levantando algumas questões para o público em geral e para os artistas” e questionar a sobrevalorização da obra de arte atual, ditada por imperativos do mercado artístico. No manifesto da ação, o artista anuncia que “estamos no epicentro de um furacão artístico”.

Ricardo Cardoso é um artista senense (n. 1982) conhecido sobretudo pelos seus desenhos monocromáticos de grande dimensão e pelas suas performances críticas, geralmente explorando o tema da relação artista-obra-sociedade – que pode ser identificado como o campo exploratório de toda a sua atividade artística até à data.

As performances de Ricardo Cardoso prometem sempre emoções intensas e esta tem por base uma estrutura representando uma rosa-dos-ventos, centralizando a questão artística no desnorte da arte contemporânea.

A organização da ARTIS e o artista convidam todos os interessados a assistir e participar.

domingo, 5 de maio de 2013

Fotografia de José Santos em Mangualde


Muito falada nos últimos tempos graças à sua praia artificial de água salgada e à fábrica da Peugeot-Citroën, Mangualde é terra de fundação antiga, situada junto da importante via romana que ligava Mérida a Braga e hoje no acesso à A5 (antiga IP5). Existem ruínas testemunhando a importância do seu castelo medieval, no sítio (aguardando classificação de interesse público) onde houve um castro em tempos remotos e se encontra hoje o Santuário de Nossa Senhora do Castelo, cuja devoção remonta pelo menos ao século XV. Vila de fundação medieval, Mangualde é cidade desde 1986.

A Biblioteca Municipal é um autêntico centro cultural, de oferta pluridisciplinar (consulta e leitura, exposições, formação e ocupação de tempos livres) localizada na zona escolar de Mangualde. Na sua sala de exposições temporárias, decorre até 31 de maio a exposição de fotografia “Luzes”, do senense José Santos.



José Santos, explicando como realiza as suas fotografias. A seu lado, João Lopes, vereador da Cultura da Câmara de Mangualde

Destacando alguns aspetos da fotografia de José Santos

ARTIS XI - Algumas imagens da abertura


Comandados no sonho de despertar entusiasmos, em tempo de crise e crentes no permanente pensamento crítico e assaz desalinhante, que impele a revoluções inovadoras, sobra a esperança de refundarmos novos caminhos criativos. Sobre o que somos e o que criamos. Sobra a ideia desafiante de enfrentamento, que a expressão artística pode construir, fruto de estímulos como este que o Festival ARTIS proporciona. Com a consciência das limitações e do lugar frágil de onde partimos.”

Mário Jorge Branquinho, “Artis – Emergência Criativa”


Pintura e escultura no salão e galerias da Casa da Cultura

Outra perspetiva do salão. Esculturas de Paulo Brites e Iliana Menaia. Ao fundo, a instalação de Maia Caetano, "Estendal".

O foyer do cineteatro acolhe a fotografia

No cineteatro, com apresentação de João Simão, decorreu a homenagem aos artistas Ana Carvalhal (Pintura), Carlos Moura (Fotografia) e Tozé Novais (Música), com a presença do presidente e vice-presidente da Câmara, Carlos Filipe Camelo e Cristina Sousa. Luiz Morgadinho, Mário Jorge Branquinho e Sérgio Reis representaram a Associação de Arte e Imagem de Seia. A cerimónia de abertura culminou com um concerto da Orquestra Didática do Conservatório de Música de Seia.

Ana Carvalhal

Carlos Moura

Tozé Novais

A orquestra com instrumentos de corda, dirigida por Ludovic Fernandes

A orquestra já numa configuração sinfónica, dirigida por Nuno Gonçalo Pinheiro

A Orquestra Didática foi formada em 2011 no âmbito do Ensino Artístico Especializado de Música (EAE) do Conservatório de Música de Seia “Collegium Musicum” e em parceria com os Agrupamento de Escolas do ensino regular obrigatório. A configuração da orquestra varia segundo o repertório estudado. São responsáveis pelo trabalho na orquestra os professores Luís Gomes, Ludovic Fernandes (instrumentos de corda), Joaquim Raposo e Nuno Gonçalo Pinheiro (instrumentos de sopro e percussões).

terça-feira, 30 de abril de 2013

ARTIS XI - Festival de Artes Plásticas de Seia

Imagens da abertura (atualização do post em 05/05/2013)



No dia 4 de maio, arranca em Seia o Festival de Artes Plásticas – ARTIS XI, promovido pela Associação de Arte e Imagem de Seia em parceria com a Câmara Municipal. O festival proporciona aos artistas locais a oportunidade de mostrarem o seu trabalho no contexto de um evento criado em 1999 como Exposição Coletiva dos Artistas Senenses e que abrange atualmente as áreas da pintura, escultura, fotografia, performance e música.

A exposição de Artes Plásticas será inaugurada pelas 21 horas nas Galerias da Casa Municipal da Cultura e Foyer do Cineteatro, com a presença de entidades oficiais e artistas. O espaço da mostra alarga-se à sala de exposições temporárias do Posto de Turismo de Seia.

Pelas 22 horas, terá lugar no Cineteatro da Casa Municipal da Cultura uma homenagem aos artistas Tozé Novais (música), Carlos Moura (fotografia) e Ana Carvalhal (pintura).

A cerimónia de abertura conta ainda com a participação da Orquestra do Conservatório de Música de Seia, o primeiro espetáculo de um festival com cerca de um mês de duração e cuja principal novidade é a Mostra de Música Moderna de Seia, com os objetivos de revelar e valorizar os talentos locais num concerto único, oferecido à comunidade.

Embora aberto aos mais diversos contributos artísticos, sem limitação de géneros ou técnicas, o ARTIS XI tem como tema aglutinador a "(DES) FORMATAÇÃO", assim mesmo em maiúsculas para injuriar a crise, apelando à autocrítica e renovação da atitude e produção artística.

Programa completo no site da Casa Municipal da Cultura.
Mais informação no blogue Artis de Seia.

domingo, 28 de abril de 2013

José Santos em Mangualde


José Santos vai mostrar os seus trabalhos em Mangualde, na Biblioteca Municipal, de 4 a 31 de maio 2013. Intitulada "Luzes", a exposição mostra novas fotografias da série "Luzes", que o autor vem acrescentando desde a sua primeira exposição individual, em 2009, no Museu Grão Vasco em Viseu.

A fotografia de José Santos enquadra-se na técnica "light painting" (mais propriamente, "camera painting", pois é a câmara que é usada como "pincel"), distinguindo-se pela qualidade da composição, dinamismo de formas e utilização efusiva da cor em fundos negros - o vazio onde tudo começa, o nada de onde tudo provém.

Inauguração a 4 de maio, pelas 16 horas.

"She Changes" Matosinhos


Janet Echelmann, "She Changes"

Quem chegar a Matosinhos pelo lado do Castelo de S. Francisco Xavier (Castelo do Queijo) e do Parque da Cidade do Porto (o maior parque urbano do país, da autoria do arquiteto paisagista Sidónio Pardal) ou descendo a Estrada de Circunvalação até ao mar, encontra uma gigantesca rede de pesca pairando sobre a Praça da Cidade de S. Salvador, a rotunda que separa o Porto de Matosinhos.

Trata-se de uma das principais obras da escultora norte-americana Janet Echelmann, cujas esculturas com redes podem ser encontradas em cidades como Madrid, Roterdão, Nova Iorque ou Nova Jérsia, mas a escultura de Matosinhos, pelo aparato da estrutura, qualidades dinâmicas e permanente interação com o meio, deverá ser considerada uma instalação.

Suportada por três enormes mastros estaiados, o mais alto com 57 metros de altura, a escultura-instalação tem a forma de uma gigantesca rede de pesca, com uma altura equivalente a um prédio de 7 andares. Na realidade são duas, uma exterior e outra interior, presas ao gigantesco anel de 42 metros de diâmetro, por sua vez  suspenso dos 3 mastros.

A aquisição e localização da obra são justificadas pela alusão à atividade piscatória no concelho de Matosinhos, responsável pela sua importância industrial no ramo das conservas de peixe, homenageando “os pescadores da terra que corajosamente se aventuram mar adentro”(1). Atendendo à sua forma, que à noite ganha cores para sugerir transparências, o povo chama-lhe “anémona gigante”. Na verdade, intitula-se “She Changes”, enfatizando a constante mudança de forma da estrutura por ação do vento e da iluminação noturna.

A obra custou cerca de 900 mil euros (2), incluindo a construção da rede e da estrutura de suspensão, pagos pelo Programa Polis, e foi inaugurada em dezembro de 2004, quando Narciso Miranda era presidente.

A rede resistiu cerca de 3 anos às nortadas e borrascas de inverno. Como as negociações com a escultora para a substituição da rede não avançavam, a CMM interpôs uma providência cautelar e, em fevereiro de 2008, retirou mesmo a rede invocando o “estado de necessidade”. Poucos meses depois, a rede foi substituída por uma réplica, construída  num material mais resistente, com garantia de cinco anos e um custo de 170 mil euros, segundo o JN.  Cerca de ano e meio depois, a rede apresentava já evidentes sinais de detioração.

2006. A primeira rede, vista da rampa de acesso ao areal da Praia de Matosinhos.

2010. A segunda rede, vista do passeio da marginal. Repare-se na amarração do mastro. Ao fundo, o Edifício Transparente.

She Changes” tem sido muito fotografada ao longo destes quase 9 anos. Algumas das melhores fotos devem-se a José Pestana (fevereiro 2008), Ricardo Vilela (2011) ou Pedro Sarmento (2013).

(1)-Site da CMM.
(2)-METRONEWS, 04 julho 2008

sábado, 27 de abril de 2013

Fernando de Azevedo - Ensaio e Crítica



Duas grandes personalidades da cena artística portuguesa do século XX, Fernando de Azevedo e José-Augusto França, (re)apresentam-se ao público a pretexto do lançamento de um livro de ensaio e crítica.

O artista surrealista Fernando de Azevedo (V. N. Gaia, 1923-Lisboa, 2002) estreou-se em exposições em 1943, na companhia de Vespeira e Júlio Pomar mas o seu nome ficou para sempre ligado ao movimento surrealista português, sendo cofundador do Grupo Surrealista de Lisboa (1947). O Grupo desfez-se em 1949 mas Azevedo continuou a expor as suas obras de inspiração surrealista e depois abstracionista, conciliando a atividade de artista com a de crítico, consultor artístico e gestor cultural – na direção do Serviço de Belas Artes da Fundação Calouste Gulbenkian, na presidência da Secção Portuguesa da AICA (Associação Internacional de Críticos de Arte) e como presidente da Sociedade Nacional de Belas Artes, de 1979 até à sua morte, em 2002.

É sobretudo esta faceta de crítico que se pretende destacar com este volume de “ensaio e crítica”, apresentado por um autor de referência no estudo das artes nacionais, José-Augusto França (n. Tomar, 1922), também ele ligado ao Grupo Surrealista de Lisboa, à Sociedade Nacional de Belas Artes e à FCG.

Em 2004, foi inaugurado em Tomar o Núcleo de Arte Contemporânea José-Augusto França, que inclui um importante conjunto de obras do surrealismo português.