terça-feira, 30 de abril de 2013

ARTIS XI - Festival de Artes Plásticas de Seia

Imagens da abertura (atualização do post em 05/05/2013)



No dia 4 de maio, arranca em Seia o Festival de Artes Plásticas – ARTIS XI, promovido pela Associação de Arte e Imagem de Seia em parceria com a Câmara Municipal. O festival proporciona aos artistas locais a oportunidade de mostrarem o seu trabalho no contexto de um evento criado em 1999 como Exposição Coletiva dos Artistas Senenses e que abrange atualmente as áreas da pintura, escultura, fotografia, performance e música.

A exposição de Artes Plásticas será inaugurada pelas 21 horas nas Galerias da Casa Municipal da Cultura e Foyer do Cineteatro, com a presença de entidades oficiais e artistas. O espaço da mostra alarga-se à sala de exposições temporárias do Posto de Turismo de Seia.

Pelas 22 horas, terá lugar no Cineteatro da Casa Municipal da Cultura uma homenagem aos artistas Tozé Novais (música), Carlos Moura (fotografia) e Ana Carvalhal (pintura).

A cerimónia de abertura conta ainda com a participação da Orquestra do Conservatório de Música de Seia, o primeiro espetáculo de um festival com cerca de um mês de duração e cuja principal novidade é a Mostra de Música Moderna de Seia, com os objetivos de revelar e valorizar os talentos locais num concerto único, oferecido à comunidade.

Embora aberto aos mais diversos contributos artísticos, sem limitação de géneros ou técnicas, o ARTIS XI tem como tema aglutinador a "(DES) FORMATAÇÃO", assim mesmo em maiúsculas para injuriar a crise, apelando à autocrítica e renovação da atitude e produção artística.

Programa completo no site da Casa Municipal da Cultura.
Mais informação no blogue Artis de Seia.

domingo, 28 de abril de 2013

José Santos em Mangualde


José Santos vai mostrar os seus trabalhos em Mangualde, na Biblioteca Municipal, de 4 a 31 de maio 2013. Intitulada "Luzes", a exposição mostra novas fotografias da série "Luzes", que o autor vem acrescentando desde a sua primeira exposição individual, em 2009, no Museu Grão Vasco em Viseu.

A fotografia de José Santos enquadra-se na técnica "light painting" (mais propriamente, "camera painting", pois é a câmara que é usada como "pincel"), distinguindo-se pela qualidade da composição, dinamismo de formas e utilização efusiva da cor em fundos negros - o vazio onde tudo começa, o nada de onde tudo provém.

Inauguração a 4 de maio, pelas 16 horas.

"She Changes" Matosinhos


Janet Echelmann, "She Changes"

Quem chegar a Matosinhos pelo lado do Castelo de S. Francisco Xavier (Castelo do Queijo) e do Parque da Cidade do Porto (o maior parque urbano do país, da autoria do arquiteto paisagista Sidónio Pardal) ou descendo a Estrada de Circunvalação até ao mar, encontra uma gigantesca rede de pesca pairando sobre a Praça da Cidade de S. Salvador, a rotunda que separa o Porto de Matosinhos.

Trata-se de uma das principais obras da escultora norte-americana Janet Echelmann, cujas esculturas com redes podem ser encontradas em cidades como Madrid, Roterdão, Nova Iorque ou Nova Jérsia, mas a escultura de Matosinhos, pelo aparato da estrutura, qualidades dinâmicas e permanente interação com o meio, deverá ser considerada uma instalação.

Suportada por três enormes mastros estaiados, o mais alto com 57 metros de altura, a escultura-instalação tem a forma de uma gigantesca rede de pesca, com uma altura equivalente a um prédio de 7 andares. Na realidade são duas, uma exterior e outra interior, presas ao gigantesco anel de 42 metros de diâmetro, por sua vez  suspenso dos 3 mastros.

A aquisição e localização da obra são justificadas pela alusão à atividade piscatória no concelho de Matosinhos, responsável pela sua importância industrial no ramo das conservas de peixe, homenageando “os pescadores da terra que corajosamente se aventuram mar adentro”(1). Atendendo à sua forma, que à noite ganha cores para sugerir transparências, o povo chama-lhe “anémona gigante”. Na verdade, intitula-se “She Changes”, enfatizando a constante mudança de forma da estrutura por ação do vento e da iluminação noturna.

A obra custou cerca de 900 mil euros (2), incluindo a construção da rede e da estrutura de suspensão, pagos pelo Programa Polis, e foi inaugurada em dezembro de 2004, quando Narciso Miranda era presidente.

A rede resistiu cerca de 3 anos às nortadas e borrascas de inverno. Como as negociações com a escultora para a substituição da rede não avançavam, a CMM interpôs uma providência cautelar e, em fevereiro de 2008, retirou mesmo a rede invocando o “estado de necessidade”. Poucos meses depois, a rede foi substituída por uma réplica, construída  num material mais resistente, com garantia de cinco anos e um custo de 170 mil euros, segundo o JN.  Cerca de ano e meio depois, a rede apresentava já evidentes sinais de detioração.

2006. A primeira rede, vista da rampa de acesso ao areal da Praia de Matosinhos.

2010. A segunda rede, vista do passeio da marginal. Repare-se na amarração do mastro. Ao fundo, o Edifício Transparente.

She Changes” tem sido muito fotografada ao longo destes quase 9 anos. Algumas das melhores fotos devem-se a José Pestana (fevereiro 2008), Ricardo Vilela (2011) ou Pedro Sarmento (2013).

(1)-Site da CMM.
(2)-METRONEWS, 04 julho 2008

sábado, 27 de abril de 2013

Fernando de Azevedo - Ensaio e Crítica



Duas grandes personalidades da cena artística portuguesa do século XX, Fernando de Azevedo e José-Augusto França, (re)apresentam-se ao público a pretexto do lançamento de um livro de ensaio e crítica.

O artista surrealista Fernando de Azevedo (V. N. Gaia, 1923-Lisboa, 2002) estreou-se em exposições em 1943, na companhia de Vespeira e Júlio Pomar mas o seu nome ficou para sempre ligado ao movimento surrealista português, sendo cofundador do Grupo Surrealista de Lisboa (1947). O Grupo desfez-se em 1949 mas Azevedo continuou a expor as suas obras de inspiração surrealista e depois abstracionista, conciliando a atividade de artista com a de crítico, consultor artístico e gestor cultural – na direção do Serviço de Belas Artes da Fundação Calouste Gulbenkian, na presidência da Secção Portuguesa da AICA (Associação Internacional de Críticos de Arte) e como presidente da Sociedade Nacional de Belas Artes, de 1979 até à sua morte, em 2002.

É sobretudo esta faceta de crítico que se pretende destacar com este volume de “ensaio e crítica”, apresentado por um autor de referência no estudo das artes nacionais, José-Augusto França (n. Tomar, 1922), também ele ligado ao Grupo Surrealista de Lisboa, à Sociedade Nacional de Belas Artes e à FCG.

Em 2004, foi inaugurado em Tomar o Núcleo de Arte Contemporânea José-Augusto França, que inclui um importante conjunto de obras do surrealismo português.

sábado, 20 de abril de 2013

Sandomil

Entre ecos de antigos pergaminhos e a promessa do turismo que tarda em chegar

Campos de Sandomil, abril de 2013

Sandomil, 19 de abril 2013: os montes verdes do vale do Alva em manhã de sol, com a Serra da Estrela como fundo, as águas do irrequieto Alva murmurando aos nossos pés, os socalcos dos vinhedos em terras altas, ao abrigo das cheias de inverno, o solo recortado em panos terrosos e vegetais.

O rio Alva é o pequeno Nilo da região, o bem mais precioso desta gente teimosamente trabalhadora, agarrada à terra pelo suor e pelo pão. Pacato e quase omisso no verão, galga furiosamente as margens no inverno, ensopando a terra, despertando o húmus. A terra é tão fértil que até as estacas do plantio florescem, não é preciso lutar com a natureza para lhe extrair bons frutos – e por isso é famosa a vocação agrícola de Sandomil.

Em 2009, foi anunciada com pompa a criação do Museu da Agricultura e da Alimentação no arruinado Solar dos Condes de Sandomil. De acordo com notícias da época, publicadas em vários jornais regionais e até nacionais, o anunciado espaço museológico pretendia “recriar de forma interativa a história da alimentação, exercendo alguma pedagogia sobre os comportamentos alimentares”. Atualmente, apenas se conhece em Sandomil o “museu agrícola” do Sr. Rui Mendes, que guarda em sua casa uma vasta coleção particular de alfaias agrícolas e outras ferramentas do agro.

Também se falou em tempos do projeto de um museu da água para o Solar dos Condes de Sandomil, mas a jóia sandomilense no rio Alva é a ponte “romana” (um belo exemplo de engenharia medieval, cujo tabuleiro em cavalete é suportado por quatro arcos de volta perfeita com talha-mares) e a beleza da paisagem envolvente, onde existe uma boa praia fluvial. Recebeu, aliás, a Bandeira Verde do Instituto Nacional da Água em meados dos anos 90 e a Bandeira Azul em 2012, após importantes obras de requalificação.

De resto, não faltam nas margens frondosas e frescas do Alva, praias fluviais, parques de merendas, recantos bucólicos, convidando ao pacato usufruto da natureza, por S. Gião, Penalva do Alva, S. Sebastião da Feira, Caldas de S. Paulo, Ponte das Três Entradas, e por ali fora, passando Avô e Coja, até encontrar o Mondego em Porto da Raiva.

Sandomil também é terra de gente nobre. Os antigos senhores de Sandomil (e de Loriga) descendiam da nobreza nortenha de Ribadouro. Dada por D. Afonso Henriques a D. João Viegas Ranha de Baião (1), em 1131, pertenceu aos seus descendentes nos séculos seguintes, ajudando a estabelecer alianças entre famílias, como dote ou honraria, tendo sido elevada a vila no séc. XVI.

Os condes de Sandomil, título criado em 1720 por D. João V, eram parentes dos duques de Aveiro, do conde de Alva e dos marqueses de Fronteira, Gouveia e Alorna, com quem partilharam o sangue e o destino desde o primeiro conde de Sandomil, D. Pedro de Mascarenhas - descendente de uma família fidalga de Alcácer do Sal. O brasão da família exibia símbolos de poder e riqueza (2) e o conde chegou a Vice-Rei da Índia, embora por pouco tempo (1732-1740) - devido à idade avançada e dificuldades encontradas.

O palácio dos condes de Sandomil em Lisboa foi um dos poucos que resistiu ao terramoto de 1755 e o título também sobreviveu à cruel perseguição dos Távora por parte do futuro Marquês de Pombal. O primeiro conde havia casado com D. Margarida Juliana de Távora e morrera em 1745, sem descendência, deixando os bens e o título a um sobrinho, Fernando Xavier de Miranda Henriques.

O terceiro conde de Sandomil não deixou descendência. Foi seu herdeiro Gama Lobo Salema, um parente afastado, e o título perdeu-se. Como curiosidade, acrescente-se que a atriz Rita Salema (n. Lisboa, 1966) descende dos senhores de Sandomil pelo lado do bisavô.

Notas:

(1)-Senhor de Sandomil e Loriga por carta de 16 de maio de 1131, descendia de Ermigio Viegas, Senhor do Ribadouro, e era parente de Egas Moniz. O seu irmão, Pedro Viegas de Baião, foi o primeiro Alcaide-mor de Lisboa. João Ranha deixou Sandomil à filha, Maria Anes de Baião, cujos descendentes herdaram do marido, Pedro Nunes de Baião, a alcunha “Gato velho”. Afonso Peres “Gato velho” foi senhor de Sandomil 
e sua irmã, Teresa Pires “Gato velho” entrou por casamento na linhagem dos condes de Paris.

(2)-O  timbre do brasão do primeiro conde era um leão de púrpura, armado e lampassado de ouro, escudo púrpura atravessado por 3 faixas de ouro. O segundo brasão dos Condes de Sandomil apresenta o escudo partido em Miranda e Henriques e o timbre é uma coroa de conde. O solar em Sandomil exibe o primeiro brasão.

Cartaz da Artis XI


Ricardo Mota Veiga (F.O.R.M.A.T.O.S. Design) foi o vencedor do concurso de ideias para o cartaz da Artis - Festival de Artes Plásticas de Seia 2013.



quinta-feira, 18 de abril de 2013

Dora Tracana no Museu de Aveiro



A 25 de abril de 2013, a “Audácia da Contemporaneidade” invadirá o Museu de Aveiro, mostrando obras do projeto Avenida de Arte Contemporânea (1) e a exposição itinerante de escultura de Dora Tracana, “Figuras no Mosteiro”, com o apoio da Direção Regional de Cultura do Centro – Museus do Centro.

A exposição “Figuras no Mosteiro” teve lugar pela primeira vez no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, em Coimbra (4 de julho a outubro 2012), fruto de uma residência artística que a escultora aí iniciou em 2010, tendo depois passado pelo Museu da Guarda e pelo Museu Francisco Tavares Proença Júnior, em Castelo Branco (7 de dezembro a 31 de março). A exposição de Aveiro inclui a peça “O Marnoto”, inspirada na figura típica do trabalhador das salinas aveirenses.

A exposição itinerante de Dora Tracana inaugura a nova programação transregional anual de exposições nos museus sob alçada da Direção Regional de Cultura do Centro, que passam a funcionar em rede.

(1)-O projeto Avenida da Arte Contemporânea visa dinamizar a Avenida Lourenço Peixinho, em Aveiro, com acontecimentos artísticos (e outras atividades culturais) unindo a galeria do antigo edifício da Capitania e a antiga estação da CP.