"A Substância do Tempo", a obra que dá o título à exposição
segunda-feira, 25 de março de 2013
sábado, 23 de março de 2013
BOMBARDA com cartazes de Pedro Guerreiro
Em março, as inaugurações simultâneas da Miguel Bombarda
apresentaram um novo cartaz, o primeiro de uma série com fundos fluorescentes e
formas muito simples, para divulgar as datas desta iniciativa conjunta de mais
de 20 galerias e espaços de arte da cidade do Porto, localizadas no quarteirão
da Rua de Miguel Bombarda.
Os cartazes são da autoria de Pedro Guerreiro, licenciado
em Design de Comunicação pela faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto
e mestre em Design da Imagem, vencedor do concurso “Fazes tu? Os próximos
cartazes de Miguel Bombarda?”, que decorreu entre 19 de janeiro e 04 de
fevereiro. Organizado pela empresa municipal PortoLazer, o concurso juntou 79
propostas. Guerreiro arrecadou 2500 euros e nós vamos poder ver os seus
cartazes na Bombarda até novembro.
Segundo o autor, as formas e as cores prestam-se a
diversas interpretações mas possuem um sentido imediato. Representam as cinco
edições da Bombarda 2013, sucessivamente representados por um círculo (ponto de
partida), dois traços (sinal igual), triângulo (três vértices equidistantes),
quadrado (4 vértices) e asterisco com estrutura pentagonal (5 traços
convergentes) “a deixar uma nota no ar de algo que não acaba aqui e para o ano
há mais”. Por outro lado, as cores evocam a sucessão de estações do ano e
“simbolizam à sua maneira a passagem do tempo”.
Apesar das explicações, que remetem para a frieza
objetiva da estética benseana e do funcionalismo, gosto da simplicidade provocatória
dos cartazes – mas as séries anteriores eram muito apelativas (VER cartazes de
2008 a 2012 no WIX).
Os últimos seis anos de inaugurações simultâneas na
Miguel Bombarda foram recordados em fevereiro, na Estação de Metro da Trindade,
onde esteve patente uma “timeline” dos cartazes desde 2007.
Datas das próximas inaugurações simultâneas na Miguel
Bombarda:
20 de abril
01 de junho
21 de setembro
02 de novembro
sábado, 16 de março de 2013
A substância do tempo – retrospetiva de Jorge Martins dividida por Lisboa e Porto
Abriu hoje ao público em Serralves, no Porto, e na Fundação
Carmona e Costa (1), em Lisboa, a maior retrospetiva de desenhos de Jorge
Martins realizada até à data, sob o título “A Substância do Tempo”.
Jorge Martins é sobretudo (re)conhecido pelos seus desenhos
abstratos e sem cor, um traço distintivo que unifica a sua obra ao longo de
mais de 50 anos de atividade artística, mas o pintor neofigurativo desenvolveu
ao longo das décadas um renovado olhar informado e crítico sobre o mundo
circundante, com influências mais evidentes do abstracionismo lírico, da arte
pop ou do minimalismo. Particularmente estudada desde os anos 80 (2) a sua obra
adquire especial sentido pela natureza do diálogo entre o figurativo e o
abstrato, expondo a diversidade de relações desproporcionais que se estabelecem
no dia-a-dia, a vários níveis, entre pessoas, ideias, espaços e objetos, aplicando
o princípio de “utilizar apenas a cor inevitável” (3).
Em Serralves, apresentam-se mais de 200 obras abstratas realizadas
entre 1965 e 2012, um percurso que se completa com as cerca de 150 obras mais figurativas expostas no Edifício
Espanha (antiga Bolsa Nova de Lisboa), sede da Fundação Carmona e Costa. A mostra de Serralves tem curadoria de Marta Moreira de Almeida e, a de Lisboa, de Manuel Costa Cabral.
Jorge Martins nasceu em Lisboa em 1940. Frequentou os cursos
de arquitetura e pintura da Escola de Belas Artes de Lisboa. Começou a expor em
1958, no I Salão de Arte Moderna da Casa da Imprensa, e individualmente desde
1960 (Galeria Gravura, Lisboa, Galeria Alvarez, Porto). Entre as várias
exposições que reuniram parte significativa da sua obra, contam-se “Desenhos,
1957-1987” na FCG em 1988, a retrospetiva “Pintura, 1958-1993” na FCG em 1993 e a exposição antológica “Simulacros / Uma Antologia”, enquadrada por um estudo
aprofundado de Raquel Henriques da Silva, que teve lugar no Centro Cultural de
Belém em 2006.
(1)-A Fundação
Carmona e Costa foi criada em 1997 para “desenvolver e dinamizar projetos na
área da arte contemporânea portuguesa”. Em parceria com outras instituições,
criou em 2003 um programa de apoio à arte contemporânea para projetos na área
do desenho.
(2)- Maria Filomena Molder publicou em 1984 o livro “Jorge Martins” e, no
ano seguinte, a FCG editou um livro e dedicou um colóquio à obra do artista,
que vivia então em Paris. Em 1981 e 1982, M. Barroso realizou dois filmes sobre
J.M., “Visible-Invisible” e “Doce Exílio”. Vários críticos de arte escreveram
prolixamente sobre a sua obra, com destaque para João Pinharanda e Rui Mário
Gonçalves.
(3)-“Preto.branco”, desenhos de Jorge Martins, FCG, 1983.
Luiz Morgadinho na República Checa com o movimento surrealista internacional
Morgadinho mostrará na República Checa 4 trabalhos a preto e
branco da série “Na Aldeia”.
Desde a primeira Exposição Internacional Surrealista
(Londres, 1936), o Surrealismo impôs-se progressivamente como um importante
movimento internacional. Em Portugal, a primeira exposição data de 1949 (1ª
Exposição do Grupo Surrealista de Lisboa – a primeira e única do grupo) mas as
coletivas surrealistas têm recebido, nos últimos anos, um forte impulso de
artistas naturais ou residentes na região centro. Com boas relações com outros
grupos surrealistas, sobretudo americanos e europeus, alguns destes artistas
viajam atualmente nas carruagens da frente do surrealismo internacional,
expondo em diversos países da Europa e Américas ao lado dos seus congéneres locais.
Um desses artistas é Luiz Morgadinho, natural de Coimbra (1964) e
residente em Seia. Depois da exposição individual de pintura em Oliveira do
Hospital, “Ontogénese do Quotidiano” (Casa da Cultura do Dr. César de Oliveira,
fevereiro 2013), participa em março na coletiva “Surrealizar o Sonho”, em
Vizela, e na exposição internacional do surrealismo que irá percorrer
importantes cidades da República Checa ainda em 2013. Uma agenda cheia – e “em cheio”
– que dá bem a ideia da importância da obra de Morgadinho no contexto do
surrealismo atual.
Surrealizar o Sonho
Hoje, dia 16 de março, pelas 16 horas, abre nas Termas de
Vizela a exposição coletiva “Surrealizar o Sonho”, reunindo obras de Adias
Machado, Alberto D’Assumpção, Alua Pólen, André Ribeiro, António Porto, Arnaldo
Macedo, Carlos Godinho, Dina de Souza, Kim Molinero, Luís Fernando Graça, Luiz
Morgadinho, Marco Santos, Pedro Prata, Sílvia Marieta, Susana Bravo e Vítor
Zapa. Promovida pela Fundação Jorge Antunes com o apoio da Câmara
Municipal de Vizela, a exposição decorre
até 12 de abril.
Exposição Internacional do Surrealismo na República Checa
Os artistas surrealistas portugueses Cruzeiro Seixas, João
Rasteiro, Luiz Morgadinho, Miguel de Carvalho e Pedro Prata integram o grupo internacional de
surrealistas que irá mostrar as suas obras em várias cidades da República Checa, com destaque
para Praga, Brno (capital da região da Moravia), Jihlava (capital da região de
Vysočina), Ostrava (a terceira maior cidade da R. Checa), Třebíč (a terceira
cidade da Moravia), e também em Prostějov, Žďár nad Sázavou, Rajhrad e Mohelno, uma pequena
cidade próxima de Třebíč.
Sob o lema “Somos todos criados pelo amor”, a exposição é
inaugurada em Praga no dia 8 de abril, na Galeria de Arte AzeReT (Tereza ao
contrário) da bailarina e atriz checa Tereza Pokorná Herz, e fica pela capital da República Checa até 30 de abril.
sexta-feira, 15 de março de 2013
Obras de Eduardo Nery no CISE
De 23 de março a 31 de agosto, o Centro de Interpretação
da Serra da Estrela (CISE) vai mostrar em Seia um conjunto de obras de Eduardo
Nery, recentemente falecido, entre as quais 2 desenhos que o artista ofereceu
ao Município de Seia.
Datados de 1960, os desenhos inspiram-se nas paisagens
rochosas da Estrela, evocando concretamente as formações rochosas da área dos
Piornos e do Covão do Boi. Trata-se de duas obras da fase gestual inicial de E.
Nery antes de enveredar pelo abstracionismo geométrico. Sucedendo a um momento
de puro abstracionismo (1958-59), as suas “obras gestuais de temática cósmica”
representam também um momento de pesquisa ao nível dos materiais (aguadas de
tinta da China, guache preto, canetas de feltro) explorando as tensões entre a linha e a mancha, o
desenho e a pintura. Algumas destas experiências poderão ser entendidas como
paisagens, pela sugestão dos títulos (“Pântano”, 1960, “Cidade”, 1960) mas, em
pouco tempo, as evidências da representação intensificam-se (“Montanha, 1962”)
e clarificam-se (“Marinha”, 1963).
Nos anos 80, E. Nery regressa ao tema da paisagem (série “Paisagem:
Re-construção”), agora entendida como construção – algo que pode ser
desconstruído e recriado através de ilusões visuais simples, desde os jogos de perspetiva à diluição do todo em partes (e o que dele se vai assim perdendo), a
paisagem como “invenção” do olhar.
Nota: as obras acima referidas podem ser vistas no site de E. Nery.
Nota: as obras acima referidas podem ser vistas no site de E. Nery.
sexta-feira, 8 de março de 2013
Técnica mista de Dario Moschetta
Dario Moschetta, NY.6, técnica mista sobre tela
Dario Moschetta é um pintor e ilustrador italiano, de
Treviso, cuja obra é marcada pela experimentação de materiais e combinação de
técnicas - com destaque para a mistura de cola, papel e tinta acrílico sobre tela., obtendo uma pintura táctil. Pinta cidades, a vida agitada das grandes metrópoles.
Saatchi online
Dario Moschetta, London-1, técnica mista, 2013
sábado, 2 de março de 2013
EDUARDO NERY (1938-2013)
Eduardo Nery, "Estrutura Ambígua IV"
Pelas obras de Eduardo Nery, de traço rigoroso e espaços
arrumados, nos quais convivem o verso e reverso e perspetivas diversas de
formas totalmente díspares, harmonizadas no plano da pintura ou nos variados
suportes em que trabalhou, podemos entender a conceção que tinha do mundo e da
arte. A ideia base de toda a sua obra é a de construção, quadrado a quadrado,
cubo a cubo, tijolo a tijolo, vidro a vidro. Estruturas pensadas e testadas para um mundo
sem paredes estanques, a arte sem fronteiras artificiais entre estilos ou movimentos,
e por isso se dedicou também à gravura, azulejaria, tapeçaria, vitral, pintura
mural, arte pública, colagem e fotografia - para além da pintura. Por isso colecionava
arte africana. Por isso ajudou a fundar a Associação Portuguesa de Arte
Outsider, que valoriza a arte produzida fora dos circuitos culturais
convencionais e os seus autores, sem formação artística e afastados da
sociedade pelos mais diversos motivos. É esta conceção aberta e participada do mundo e da arte que
nos deixa a todos como herança.
O corpo principal da obra de Eduardo Nery estrutura-se no
construtivismo geométrico. Em 1969, Rocha de Sousa chamava a atenção para os
jogos perspéticos e espaços ilusórios dos seus quadros, que chegaram a incluir
formas tridimensionais articuladas com formas bidimensionais: as
pinturas-objeto, entre as quais as “Estruturas Ambíguas”. Nos anos 70, a sua
pintura reformula-se com a introdução de fundos planos e paradoxos de
representação do espaço, combinando formas díspares em imagens “de mistério e
de humor”. Ao nível da pintura, destacam-se ainda as suas paisagens abstratas
de temática cósmica, combinando spray e colagem, que realiza até aos anos 90. A
fase gestual de 2000/2001 antecede a pintura expressionista de máscaras e, em
meados da primeira década do século XXI regressa ao abstracionismo geométrico.
E. Nery, azulejos na Estação de Metro do Campo Grande: "jogo dialético entre modernidade e tradição" (E.N.).
O conceito de estrutura, na construção ou desconstrução das
formas e dos espaços, é transversal na obra de E. Nery, que começou por desejar
ser arquiteto antes de se tornar artista plástico. Os jogos visuais ou de
sentido (ilusões, ritmos, relações cromáticas) são a argamassa necessária à
coerência do conjunto - tal como as melodias que resultam da junção e
sobreposição de sons dissonantes. A propósito, Eduardo Nery era apaixonado por música, Jazz em particular - como grande parte dos artistas abstratos. Um género musical em que o improviso também é estrutural.
Natural da Figueira da Foz, onde nasceu em 1938, faleceu
hoje de manhã em Lisboa, aos 74 anos.
Video:
“A Arte e a Mente de… Eduardo Nery” (2010). O filósofo José
Neto conversa com Eduardo Nery.
Rocha de Sousa sobre Eduardo Nery:
- Artistas Portugueses Contemporâneos: Eduardo Nery.
- Fotografia.
- Obra pictórica.
- Obra em azulejo.
- Tapeçaria.
- Vitral.
Rocha de Sousa sobre Eduardo Nery:
- Artistas Portugueses Contemporâneos: Eduardo Nery.
- Fotografia.
- Obra pictórica.
- Obra em azulejo.
- Tapeçaria.
- Vitral.
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