domingo, 7 de outubro de 2012

Inauguração da exposição "A Máquina de Sonhar"

Vista parcial do salão

Vista parcial das galerias

Vista parcial das galerias

A abertura

Algumas palavras de circunstância... 

Carlos Filipe Camelo (Presidente da Câmara de Seia), Mário Jorge Branquinho (programador da Casa da Cultura e Diretor do CineEco), Cristina Sousa (vice-Presidente e vereadora do pelouro da Cultura)




 A atriz Ana Brito e Cunha, em Seia para o CineEco (foto: José Santos)

Um jovem colega das Artes (foto: José Santos)

Fotos 5 a 11: José Santos

Rita Melo


Bug, 2011, técnica mista

Depois de ter mostrado as suas “Pinturas (Ultra) Passadas” na Galeria Serpente (novembro de 2011), Rita Melo levou-as até à Fábrica Braço de Prata, onde podem ser vistas até 28 de outubro..

A pintura de Rita Melo revisita as tendências “neo” do realismo que marcou a pintura das duas últimas décadas do século anterior (e por isso as suas obras despertam a sensação de um certo “déjà vu”) verificando com ironia a transmutação de valores num mundo cada vez mais global, cada vez mais igual – no pior sentido. 

Rita Melo nasceu no Porto em 1982. Licenciada pela Escola Universitária de Artes de Coimbra, pós graduou-se na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e tem o mestrado em Artes Visuais pela Universidade de Évora.

Expõe desde 1999, em galerias e bienais de arte contemporânea, entre as quais a Feira Internacional de Arte Contemporânea de Lisboa e a Bienal de Vila Nova de Cerveira.

Fábrica Braço de Prata, Lisboa - 4ª e 5ª (das 20 às 02H00), 6ª e sábado (das 20 às 04H00)

sábado, 29 de setembro de 2012

Pré-Rafaelitas - grande exposição na Tate revela a "vanguarda" vitoriana


Dante Gabriel Rossetti, “A Amada (A Noiva)”, 1865-66, oleo s/tela, Tate Gallery, Londres

Até 13 de janeiro de 2013, a Tate Britain mostra em Londres um conjunto significativo de obras produzidas no seio da Irmandade Pré-Rafaelita, o primeiro movimento artístico da grã-Bretanha, a “vanguarda” vitoriana.

Fundada pelo poeta e pintor Dante Gabriel Rossetti (1828-1882), William Holman Hunt (1827-1910) e John Everett Millais (1829-1896), a Irmandade rebelou-se contra o academicismo da arte oficial da época vitoriana em meados do século XIX, que seguia os princípios representativos do Renascimento e procurava inspiração em Rafael. O movimento defendia o regresso ao naturalismo e pureza da arte anterior à revolução renascentista representada por Rafael (o Gótico final e o transição para o Renascimento), abrindo novos caminhos à arte e ao design. A época era propícia a mudanças, a Revolução Industrial transformara a sociedade, provocando rápidas transformações políticas, agitação religiosa e social, mas a obsessão  tecnológica e os ideais da mecanização exigiam um regresso à natureza e à espiritualidade. Os Pré-Rafaelitas abriram caminho ao Simbolismo e à Arte Nova.

As iniciais PRB (Pré-Raphaelite Broterhood) aparecem pela primeira vez em 1848/49, numa obra de Dante Gabriel Rossetti (“A Infância da Virgem Maria”), exemplo logo seguido pelos seus companheiros. Inicialmente, foram mal recebidos pela crítica e pelo público burguês, de gostos ortodoxos, mas contaram com o apoio do crítico inglês mais influente da época, John Ruskin, que criticava o artificialismo geométrico do renascimento e advogava a revalorização dos ideais do final da Idade Média (1). Um dos mais fortes adversários dos Pré-Rafaelitas foi Charles Dickens, cujas críticas Ruskin combateu, contribuindo decisivamente para o sucesso do movimento.

Para além de contar com destacados artistas e críticos - como Edward Burne-Jones (1833-1898), Ford Madox Brown (), Frederic Leighton (1830-1896), James Collinson (1825-1881), o escultor Thomas Woolner (1825-1892), George Frederick Watts (1817-1904), John Roddam Spencer-Stanhope (1829-1908), os críticos de arte Frédéric George Stephens  (1828-1907) e o irmão de Dante Gabriel, William Michael Rossetti (1829-1919) – a Irmandade também  contava com uma interessante figura do século XIX inglês, o poeta, ilustrador e decorador William Morris (1834-1896), um dos fundadores do movimento Arts & Crafts, inspirado por Ruskin, e do socialismo na Inglaterra - que defendia uma sociedade igualitária e o acesso de todos à cultura e aos bens culturais – uma utopia que William Morris expôs na obra Notícias de Lugar Nenhum" (1890).

A exposição da Tate junta mais de 180 obras diversas, incluindo pintura, escultura, fotografia e artes aplicadas, distribuídas por sete salas: 1-Origenas e Manifesto; 2-História; 3-Natureza; 4-Salvação; 5-Beleza; 6-Paraíso; 7-Mitologias. Algumas das obras expostas raramente são vistas em exposições públicas, como “Work” (1852-65) de Ford Madox Brown (3), ou o armário desenhado por Philip Webb e pintado por Edward Burne-Jones em 1858.


Ford Madox Brown, “Work”, 1852-65, oleo s/tela, Manchester City Art Galleries. Os Pré-Rafaelistas combinavam nas suas obras “rebelião e revivalismo, precisão científica e grandeza imaginativa”.

(1)-Na sua obra de referência, The Stones of Venice (1851). No mesmo ano, escreveu “Pré-Rafaelitas”, celebrando os ideais do movimento e a Irmandade.
(2)-Em setembro de 2011, a Manchester Art Gallery abriu ao público a maior exposição de obras de Ford Madox Brown desde 1964. A exposição foi depois (fevereiro a junho 2012) apresentada em Ghent, no Museum of Fine Arts.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

CALEIDOSCÓPIO - RUI MACEDO NO MUSEU GRÃO VASCO

Rui Macedo, "Equilibrium", óleo s/tela

Até 30 de setembro, decorre no Museu Grão Vasco, em Viseu, uma exposição de Rui Macedo intitulada “Caleidoscópio: instalação site-specific”. A exposição é composta por 93 pinturas distribuídas por 11 instalações pensadas e criadas para os espaços onde se mostram (site-specific), no seio da coleção permanente e tomando em conta as caraterísticas do museu. As instalações da sala do retábulo e da sala de pintura portuguesa do séc. XIX-XX são as mais impressionantes, seja pelo número de pinturas utilizadas seja pela temática, o Retábulo de Grão Vasco para a Sé de Viseu e Cabinet d´amateur, respetivamente. Como refere Miguel Caissotti, a exposição de Rui Macedo constitui “um desafio multifacetado, do mesmo modo que, nesta tipologia específica de apresentação de obras (o cabinet d’amateur), se misturam, tanto a função enciclopedista do Museu (que pretende reunir numa sala todas as obras de uma mesma época), como a mera afetividade e gosto pessoal do colecionador ou, ainda, o panorama de determinado género de pintura e a sua evolução em diferentes épocas (a paisagem, a natureza-morta, o retrato, os costumes, etc.) ”.

Rui Macedo nasceu em Évora em 1975. Vive e trabalha em Lisboa. Realiza obras de pintura/instalação site-specific para espaços museológicos, como o Museu de Évora (exposição “nimium ne credere colori”, outubro de 2010 a fevereiro de 2011) e o Instituto Valenciano de Arte Moderna “La totalidade imposible”, julho a setembro de 2011).

No dia do encerramento, pelas 17 horas, será apresentado o catálogo da exposição comissariada por João Bragança de Miranda.



terça-feira, 18 de setembro de 2012

A Máquina de Sonhar




A Máquina de Sonhar

À pergunta do surrealista Breton, "Não pode o sonho ser aplicado também na solução de problemas fundamentais da vida?" (1), tentou responder Stephen LaBerge inventando a máquina de sonhar, mas também o fizeram e fazem todos os artistas que exploram de algum modo a interação entre o mundo visível, palpável e finito, e o mundo imaginário, irreal, maravilhoso e mesmo absurdo. A Arte é na verdade uma poderosa máquina que induz sonhos lúcidos. Uma máquina de fazer sonhar. Seja com o objetivo de (re)vender sonhos, subverter a lógica instituída, buscar avidamente uma alternativa de futuro imaginado, uma nova utopia, a arte do nosso tempo pode ser entendida (também) como um filme onírico, com desfecho marcado para a primeira cena do próximo filme. Pois o sonho, que “comanda a vida” (António Gedeão), é afinal o motor mais impulsionante da humanidade.

A Pintura de Sérgio Reis

A pintura de Sérgio Reis possui vários aspetos distintivos, ao nível da forma e do conteúdo: o diálogo entre desenho e pintura, que convivem sem artifícios nas suas obras; predomínio das formas e cores planas, reduzindo a complexidade da forma à sua verdade essencial; utilização efusiva da cor, explorando os seus significados mais complexos e ocultos; predominância de conteúdos poéticos; o anonimato dos rostos, vazios, “desenhados pela ausência e pela distância, suficientemente transparentes para cabermos quase todos neles, para nos revermos uns aos outros em todos nós” (2). Trata-se de uma pintura pensada, uma estética refletida, não para exprimir o lado visível da realidade exterior mas sim o que ela inspira e produz no interior do indivíduo. E aí o artista aparece como o filtro interpretante e organizador do turbilhão de sensações por ele experienciadas e vividas, mas também como testemunha das transformações que marcam o seu tempo e redirecionam continuamente o futuro da humanidade.

(1) – André Breton, Manifesto do Surrealismo, 1924.
(2) - Texto de apresentação da exposição “Esta Gente”, Pintura de Sérgio Reis Museu Serpa Pinto, Cinfães, abril 2011

LER TEXTO NA PÁGINA OFICIAL DO CINE'ECO 2012

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O Prazer de Pintar


A primeira mostra do espólio do município de Resende, exposição coletiva de pintura intitulada "O Prazer de Pintar", vai decorrer entre 15 de setembro e 8 de novembro de 2012. Com inauguração marcada para as 15.30 horas do próximo sábado.

A mostra reune obras de artistas que realizaram exposições individuais no Museu de Resende: Adélia Fernandes, Amália Soares, Anabela Amaral, António Oliveira, Fernando Barros, Henrique do Vale, Isabel Mota, José Ferreira, José Martha, Maria Vilaça, Mia Amaral, Nuno Castelo, Teresa Portela, Sérgio Reis, Xico Fran.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

O Modernismo Feliz



Decorre até 28 de outubro no Museu do Chiado, em Lisboa, a exposição "O Modernismo Feliz - Art Déco em Portugal", que proporciona uma visão abrangente do modernismo português entre 1912 e 1960, recorrendo a obras de desenho, pintura e escultura, pertencentes na sua maioria à coleção do Museu (1).
O estilo Art Déco, termo criado apenas nos anos 60, combinava a arte das vanguardas artísticas do início do século XX com as artes decorativas de então, manifestando-se em todas as áreas artísticas – do desenho à arquitetura (2), sem esquecer as “artes industriais”, o design. Foi um movimento cosmopolita de síntese, com objetivos consensuais bem demarcados do modernismo contestatário, e disso resulta em grande parte a sua universalidade e sucesso internacional.
O primeiro grande momento histórico da Art Déco foi a Exposição das Artes Decorativas e Industriais Modernas (Paris, 1925), internacionalizando-se ao longo dos anos 30. Uma expansão sem precedentes, a ponto de ser considerado o primeiro estilo artístico com dimensão mundial. Terminou com a II Guerra Mundial, numa Europa devastada e recetiva às influências americanas.
Em Portugal, que viu a guerra à distância mas sentiu os seus efeitos, o estilo Art Déco foi pré-anunciado pela I Exposição dos Humoristas Portugueses em 1912 e perdurou até 1960, “feliz e apaziguado” (3), em parte por agradar ao Estado Novo, mas sobretudo por ser consensual entre o pequeno grupo de artistas nacionais que ilustrava livros e revistas, realizava exposições, disputava os cobiçados prémios do SNI – Secretariado Nacional de Informação (4). Sem esquecer a importante ação pedagógica e promotora das artes desempenhada pela Sociedade Nacional de Belas Artes (5). E nesse sentido um certo modernismo português foi verdadeiramente feliz, acarinhado e protegido por António Ferro, antes da Fundação Calouste Gulbenkian assumir nos anos 60 relevante papel de apoio ao desenvolvimento das artes nacionais. Mas também pelo reduzido acolhimento nacional das propostas surrealistas e abstracionistas, assim como o reduzido espaço de respiração do neorrealismo, controlado e perseguido pelo Estado Novo, que teve pouca expressão nas artes plásticas portuguesas.

Comissariada por Rui Afonso Santos, a mostra reúne 112 obras de 34 artistas (pintores, escultores, desenhadores/ilustradores, caricaturistas, cenógrafos): Abel Manta (1888-1982), Adriano Sousa Lopes (1879 – 1944),  Amadeo Souza-Cardoso (1887-1918), António Soares (1894–1976), Armando de Basto (1884–1923), Bernardo Marques (1898-1962), Carlos Botelho (1899-1982), Cottinelli Telmo (1897-1948), Cristiano Cruz (1892-1951), Diogo de Macedo (1889–1959), Dordio Gomes (1890–1976), Eduardo Viana (1881–1967), Emile-Antoine Bourdelle (1861–1930), Ernesto Canto da Maya (1890–1981), Francisco Franco (1885-1955), Joaquim Martins Correia (1910-1999), Jorge Barradas (1894–1971), José de Almada Negreiros (1893–1970), José Tagarro (1902-1931), Joseph Bernard (1866-1931), Leopoldo de Almeida (1898–1975), Lino António (1914–1974), Maria Adelaide de Lima Cruz (1908–1985), Maria Barreira Gonçalves (1914–2010), Mário Eloy (1900–1951), Milly Possoz (1888–1967), Raul Xavier (1864–1964), Pinto de Campos (1908-1975), Roberto Araújo (1908-1969), Roberto Nobre (1903–1969), Ruy Roque Gameiro (1906–1935), Sarah  Afonso (1899–1983), Stuart Carvalhais (1887–1961), Vasco Pereira da Conceição (1914-1992).

Notas:
(1) - Algumas obras foram cedidas pelo Centro de Arte Moderna da Fundação  Calouste Gulbenkian, Museu do Teatro e Museu do Azulejo, para além de colecionadores  particulares.
(2) - Em Portugal, a magnífica Casa de Serralves, exemplar único da arquitetura Arte Déco. Construída entre 1925 e 1944 para o 2º Conde de Vizela, a Casa foi classificada em 1996 como “imóvel de Interesse Público”.
(3) - Texto do catálogo da exposição.
(4) - Dirigido por António Ferro desde a sua fundação, ainda como Secretariado de Propaganda Nacional, até 1950. A SPN/SNI promoveu exposições anuais de Arte Moderna, atribuindo os prémios de pintura “Columbano” e “Souza Cardoso”, o prémio de escultura “Manuel Pereira”, para além dos concursos de desenho, aguarela, ilustração, artes decorativas, cerâmica, cenografia e figurinos.
(5) - História da SNBA de 1901 a 2005, no site oficial da SNBA.