quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Arquitetos portugueses na Bienal de Arquitetura de Veneza

Siza Vieira receberá mais um prémio, o Leão de Ouro da Bienal

O incêndio no Chiado (25 de agosto de 1988) é a referência temporal da participação portuguesa na Bienal

No dia 29 de agosto, abrirá ao público a 13ª Bienal de Arquitetura de Veneza, na qual irá participar um conjunto diversificado de arquitetos portugueses. Este ano, o tema da Bienal é “Common Ground” (Terreno Comum) e, sob o título “Lisbon Ground”, serão mostrados no pavilhão português (Fondaco Marcello) grandes projetos de arquitetura realizados em Lisboa nos últimos 24 anos, desde o incêndio no Chiado (agosto de 1988). No final de junho, a organização da Bienal anunciou a atribuição (1) de um Leão de Ouro a Siza Vieira, em cerimónia a decorrer no dia 29 de agosto, às 11 horas.

A seleção do tema e dos participantes voltou a ser polémica, tendo a comissária Inês Lobo explicado essa escolha na apresentação da representação oficial (2), e comissariar é de facto fazer (e assumir) escolhas com base em critérios compreensíveis, embora tenha merecido críticas o elevado número de arquitetos e a sua possível identificação com António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa. A verdade é que são nomes de referência da arquitetura portuguesa da atualidade e que os seus projetos mudaram o terreno/território comum da capital, para lá de qualquer discussão sobre a pertinência da localização geográfica das obras: a recuperação da zona do Chiado (Siza Vieira), o MUDE-Museu do Design (Ricardo Carvalho e Joana Vilhena), o Museu dos Coches (do arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha – Bak Gordon Arquitetos), o terminal de cruzeiros de Lisboa (Carrilho da Graça), o estudo urbano para o Parque Mayer e Jardim Botânico (Manuel e Francisco Aires Mateus) a requalificação da Ribeira das Naus (dos arquitetos paisagistas João Nunes e João Gomes da Silva).
  

Maqueta (Norigem) do novo Museu dos Coches (projeto de Paulo Mendes da Rocha)


(1)-com uma citação de Fernando Pessoa, do Livro do Desassossego: “Porque eu sou do tamanho do que vejo / E não, do tamanho da minha altura”. No texto que justifica a atribuição do Leão de Ouro, pode ler-se: “Supostamente correndo na direção oposta à do resto da profissão, ele parece estar sempre à frente, aparentemente imaculado, e não se intimida com os desafios práticos e intelectuais que define para si mesmo.”
(2)-A 20 de junho, no auditório do novo Museu dos Coches, ainda em construção.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

"Feira das Atrocidades" no Pátio-Velho


Dois momentos da performance de Ricardo Cardoso na Galeria Pátio-Velho.




"Arte", de Yasmina Reza, com encenação de António Feio


Nova atualização em 26 de fevereiro 2016:

Gravado em 1998, no Teatro de Nacional de S. João, “Arte” é um exercício crítico sobre a arte atual, construído em torno de um quadro branco, com riscas brancas transversais. A versão portuguesa teve encenação de António Feio, que também interpretou o papel de Sérgio.  José Pedro Gomes e Miguel Guilherme assumiram com brilhantismo os restantes papéis (Mário e Ivo, respetivamente).

Yasmina Reza nasceu em Paris em 1960 e escreveu “Arte” em 1994. O trabalho dos portugueses (destacando-se o de interpretação e encenação do saudoso António Feio, falecido em 2010) nada fica a dever a representações da mesma peça em França, logo em 1994 (com Fabrice Luchini, Pierre Vaneck et Pierre Arditi nos principais papéis) e noutros países, como a Grã-Bretanha, Rússia e Espanha (ver site da peça).

As preocupações artísticas eram uma faceta incontornável de António Feio. Em 1990,  encenou a peça “Vincent”, do ator e escritor americano Leonard Nimoy (mundialmente conhecido pela sua participação em "Star Trek", como Spock) , que foi reposta em 2005 (Teatro Villaret), sempre com Virgílio Castelo no principal papel. Estreada por ocasião do primeiro centenário da morte de Van Gogh, esta peça mostra “ a forma como as sociedades maltratam os artistas em vida".

Outro trabalho fantástico de dupla António Feio e José Pedro Gomes foi a peça “O que diz Molero”, de Dinis Machado, levado à cena no Teatro D. Maria II, em 1994.



António Feio em "O que diz Molero"


Ver a peça “Arte” no YouTube:

Parte 8/8: http://youtu.be/Qfg-njVyiEQ

"Arte" em 2016 (Teatro Tivoli e Teatro Sá da Bandeira)

sábado, 21 de julho de 2012

Figuras do Mosteiro, exposição de escultura de Dora Tracana em Coimbra


Decorre até 30 de setembro, no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, a exposição “Figuras do Mosteiro”, de Dora Tracana. A exposição resulta de uma residência artística de seis meses da escultora em Santa Clara-a-Velha e integra fotografias de Artur Côrte-Real e vídeo de Gonçalo Barros e Hugo Barreto.

A escultura de Dora Tracana evoca as mais diversas simbologias através da combinação de elementos formais, explorando temas como o Corpo, o Tempo, o Sofrimento, a Verdade, o Amor. Até há pouco tempo, a escultora combinava os materiais de modo a libertar a sua linguagem matéria e a reforçar a carga simbólica das suas obras, mas tornou-se totalmente figurativa nos anos mais recentes e com preferência pelo ferro fundido. Uma mudança explicada pelas vivências da artista, que as suas obras refletem inexoravelmente quando, através delas, a escultora questiona o sentido da vida e comunica a sua interpretação do mundo.

Natural da Guarda, Dora Tracana é licenciada em escultura – variante Pedra e mestre em comunicação estética pela Escola Superior de Tecnologias Artísticas de Coimbra. Realizou algumas exposições individuais e participou em diversas coletivas, sobretudo na Guarda e em Seia, onde residiu.

A exposição “Figuras do Mosteiro” foi inaugurada no passado dia 4 de julho, Dia da Cidade de Coimbra, integrada no programa das Festas da Rainha Santa Isabel 2012.


quinta-feira, 5 de julho de 2012

GRUPO 9 EM S. BARTOLOMEU DE MESSINES



A Exposição Coletiva do Grupo 9 continua em viagem pelo sul do país. Entre 7 de julho e 31 de Agosto estará no Algarve, em S. Bartolomeu de Messines - Silves.

O 9 deve-se ao número inicial de artistas. Atualmente, o grupo conta com 11 elementos que desenvolvem trabalho nas áreas da Pintura, Escultura e Cerâmica: Chi Pardelinha, Florentina Resende, Hermínia Cândido, Manuela Carmo, Manuel Carvalho, Manuela Taxa, Maria João Cunha, Maria Rafael, Paulo Medeiros, Silvestre Raposo, Sérgio Reis.

O Grupo 9 apresentou-se em abril na exposição online “Quarto escuro”, organizada por Paulo Medeiros. Em maio, a coletiva estreou-se na Galeria AoLado (Instituto Politécnico de Beja).

terça-feira, 3 de julho de 2012

Mixed Media de Ernesto de Sousa em Serralves


Cartaz: ARARA


O Conselho de Administração da Fundação de Serralves convida V. Ex.ª para a inauguração da exposição de Ernesto de Sousa,  e performance, sessão única, que decorrerá no próximo dia 06 de Julho de 2012, na Casa de Serralves, das 22h00 às 24h00Na noite de inauguração a entrada para a exposição é feita exclusivamente pela Rua de Serralves, 999.A presente exposição estará patente até 26 de Agosto de 2012.


"Almada, um Nome de Guerra" e "Nós Não Estamos Algures"


Durante as décadas de 60 e 70, Ernesto de Sousa desenvolveu os projetos "Almada, um Nome de Guerra" e "Nós Não Estamos Algures", inspirados na sua admiração por Almada Negreiros.

A performance terá uma única sessão, no dia 6 de julho, com direção artística de João Sousa Cardoso, com participação musical do Grupo de Música Contemporânea de Lisboa e direção musical do jovem maestro senense Jaime Reis.

A exposição comissariada por João Fernandes e Ricardo Nicolau aborda o processo de conceção dos projetos, incluindo diverso material da época e ilustrativo da vida e obra de Ernesto de Sousa e fica patente até 26 de agosto 2012. O catálogo da exposição, de autoria de Ana Baliza e Marta Ramos, será apresentado em data a anuncia.

Inauguração da coletiva "Nós" na Galeria Pátio Velho

Galeria de arte recoloca Vale de Ferro no mapa regional

No dia 30 de junho, pelas 18 horas, foi inaugurada a primeira exposição internacional, reunindo obras de pintura, escultura e fotografia de Adelino Cunha, Antonia Simons, Anthonia Jongh, Arlette Graven, Bavo Meijer, Frans Blind, Herman Mertens, Jon Nyheim, Loes Zonneveld, Magda Vervloet, Mário Jorge Branquinho, Marvel (Marianne Velzeboer), Monique Oerlemans, Pedro Piet, Ricardo Cardoso, Rui Monteiro, Sérgio Reis. Na abertura, que contará com a presença da Vereadora da Cultura de Oliveira do Hospital, Graça Silva, a declamadora Leen Vermeiren recitará um poema de Fernando Pessoa em português e neerlandês - língua da qual deriva o holandês e o flamengo falado na Bélgica.

A Galeria Pátio Velho, em Vale de Ferro, resulta de uma aposta dos belgas Herman Mertens e Magda Vervloet nas riquezas culturais da região serrana, em particular da freguesia de Ervedal da Beira. A reconstrução e reanimação da aldeia de Vale de Ferro são os principais objetivos, cuja concretização passa pela ativação da galeria de arte, centro catalisador de sensibilidades nacionais e internacionais e centro irradiador das potencialidades regionais. 

A primeira exposição coletiva da Galeria Pátio Velho intitula-se “Nós” e decorre até 5 de agosto. 
(Excerto do artigo publicado no Porta da Estrela)


O espaço da galeria revelou-se pequeno para tanta gente


Escutando a poesia de Fernando Pessoa em neerlandês (foto de José Santos)

A declamadora belga Leen Vermeiren (foto de José Santos)

Herman Mertens (foto de José Santos)

Magda Vervloet (foto de José Santos)

Fui incumbido de dizer algumas palavras em nome dos artistas

Ricardo Cardoso (foto de José Santos)

Vista parcial da exposição

"External Memory", a peça mais curiosa da exposição. Uma "pen" carregada de informação, a que não faltava a segurança de acesso (aluquete) e rodas, para facilitar o transporte.

Pintura de Rui Monteiro

Convívio no Pátio Velho, ao fim da tarde