sábado, 21 de julho de 2012

Figuras do Mosteiro, exposição de escultura de Dora Tracana em Coimbra


Decorre até 30 de setembro, no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, a exposição “Figuras do Mosteiro”, de Dora Tracana. A exposição resulta de uma residência artística de seis meses da escultora em Santa Clara-a-Velha e integra fotografias de Artur Côrte-Real e vídeo de Gonçalo Barros e Hugo Barreto.

A escultura de Dora Tracana evoca as mais diversas simbologias através da combinação de elementos formais, explorando temas como o Corpo, o Tempo, o Sofrimento, a Verdade, o Amor. Até há pouco tempo, a escultora combinava os materiais de modo a libertar a sua linguagem matéria e a reforçar a carga simbólica das suas obras, mas tornou-se totalmente figurativa nos anos mais recentes e com preferência pelo ferro fundido. Uma mudança explicada pelas vivências da artista, que as suas obras refletem inexoravelmente quando, através delas, a escultora questiona o sentido da vida e comunica a sua interpretação do mundo.

Natural da Guarda, Dora Tracana é licenciada em escultura – variante Pedra e mestre em comunicação estética pela Escola Superior de Tecnologias Artísticas de Coimbra. Realizou algumas exposições individuais e participou em diversas coletivas, sobretudo na Guarda e em Seia, onde residiu.

A exposição “Figuras do Mosteiro” foi inaugurada no passado dia 4 de julho, Dia da Cidade de Coimbra, integrada no programa das Festas da Rainha Santa Isabel 2012.


quinta-feira, 5 de julho de 2012

GRUPO 9 EM S. BARTOLOMEU DE MESSINES



A Exposição Coletiva do Grupo 9 continua em viagem pelo sul do país. Entre 7 de julho e 31 de Agosto estará no Algarve, em S. Bartolomeu de Messines - Silves.

O 9 deve-se ao número inicial de artistas. Atualmente, o grupo conta com 11 elementos que desenvolvem trabalho nas áreas da Pintura, Escultura e Cerâmica: Chi Pardelinha, Florentina Resende, Hermínia Cândido, Manuela Carmo, Manuel Carvalho, Manuela Taxa, Maria João Cunha, Maria Rafael, Paulo Medeiros, Silvestre Raposo, Sérgio Reis.

O Grupo 9 apresentou-se em abril na exposição online “Quarto escuro”, organizada por Paulo Medeiros. Em maio, a coletiva estreou-se na Galeria AoLado (Instituto Politécnico de Beja).

terça-feira, 3 de julho de 2012

Mixed Media de Ernesto de Sousa em Serralves


Cartaz: ARARA


O Conselho de Administração da Fundação de Serralves convida V. Ex.ª para a inauguração da exposição de Ernesto de Sousa,  e performance, sessão única, que decorrerá no próximo dia 06 de Julho de 2012, na Casa de Serralves, das 22h00 às 24h00Na noite de inauguração a entrada para a exposição é feita exclusivamente pela Rua de Serralves, 999.A presente exposição estará patente até 26 de Agosto de 2012.


"Almada, um Nome de Guerra" e "Nós Não Estamos Algures"


Durante as décadas de 60 e 70, Ernesto de Sousa desenvolveu os projetos "Almada, um Nome de Guerra" e "Nós Não Estamos Algures", inspirados na sua admiração por Almada Negreiros.

A performance terá uma única sessão, no dia 6 de julho, com direção artística de João Sousa Cardoso, com participação musical do Grupo de Música Contemporânea de Lisboa e direção musical do jovem maestro senense Jaime Reis.

A exposição comissariada por João Fernandes e Ricardo Nicolau aborda o processo de conceção dos projetos, incluindo diverso material da época e ilustrativo da vida e obra de Ernesto de Sousa e fica patente até 26 de agosto 2012. O catálogo da exposição, de autoria de Ana Baliza e Marta Ramos, será apresentado em data a anuncia.

Inauguração da coletiva "Nós" na Galeria Pátio Velho

Galeria de arte recoloca Vale de Ferro no mapa regional

No dia 30 de junho, pelas 18 horas, foi inaugurada a primeira exposição internacional, reunindo obras de pintura, escultura e fotografia de Adelino Cunha, Antonia Simons, Anthonia Jongh, Arlette Graven, Bavo Meijer, Frans Blind, Herman Mertens, Jon Nyheim, Loes Zonneveld, Magda Vervloet, Mário Jorge Branquinho, Marvel (Marianne Velzeboer), Monique Oerlemans, Pedro Piet, Ricardo Cardoso, Rui Monteiro, Sérgio Reis. Na abertura, que contará com a presença da Vereadora da Cultura de Oliveira do Hospital, Graça Silva, a declamadora Leen Vermeiren recitará um poema de Fernando Pessoa em português e neerlandês - língua da qual deriva o holandês e o flamengo falado na Bélgica.

A Galeria Pátio Velho, em Vale de Ferro, resulta de uma aposta dos belgas Herman Mertens e Magda Vervloet nas riquezas culturais da região serrana, em particular da freguesia de Ervedal da Beira. A reconstrução e reanimação da aldeia de Vale de Ferro são os principais objetivos, cuja concretização passa pela ativação da galeria de arte, centro catalisador de sensibilidades nacionais e internacionais e centro irradiador das potencialidades regionais. 

A primeira exposição coletiva da Galeria Pátio Velho intitula-se “Nós” e decorre até 5 de agosto. 
(Excerto do artigo publicado no Porta da Estrela)


O espaço da galeria revelou-se pequeno para tanta gente


Escutando a poesia de Fernando Pessoa em neerlandês (foto de José Santos)

A declamadora belga Leen Vermeiren (foto de José Santos)

Herman Mertens (foto de José Santos)

Magda Vervloet (foto de José Santos)

Fui incumbido de dizer algumas palavras em nome dos artistas

Ricardo Cardoso (foto de José Santos)

Vista parcial da exposição

"External Memory", a peça mais curiosa da exposição. Uma "pen" carregada de informação, a que não faltava a segurança de acesso (aluquete) e rodas, para facilitar o transporte.

Pintura de Rui Monteiro

Convívio no Pátio Velho, ao fim da tarde

terça-feira, 26 de junho de 2012

A Máquina do Tempo em Cerveira



A Fundação Bienal de Cerveira vai apresentar na sua sala de exposições na Avenida das Comunidades Portuguesas, um conjunto de obras de artistas que marcaram as penúltimas décadas das Artes Plásticas nacionais e alguns estrangeiros (Jiri Kólar/Grupo 42, Mineo Aayamaguchi e Riuko Ishida) sob o tema “A Máquina do Tempo”.

Não se entende bem a oportunidade nem o contexto desta mostra e a citação de Augusto Canedo, comissário da exposição, não ajuda ao necessário esclarecimento: “…Perceber como o fator TEMPO pode esclarecer ou confirmar a relevância que é atribuída no contexto artístico, a obras e autores.”

Mesmo que engendrada para cumprir programa, a exposição reúne um largo número de artistas muito interessantes, idosos ou já falecidos, e a ideia do “fator TEMPO” pode remeter, afinal, para a velha questão da atualidade artística versus intemporalidade dos artistas e das suas obras. Uma questão aliás pertinente, dada a voracidade das modas e perenidade do sucesso num mundo (em geral) cada vez mais veloz, frenético, histérico, sobretudo por se encontrar refém das economias (pois há várias) e ser hoje moda reduzir o valor de tudo a cifrões.

Os artistas portugueses representados na exposição, ainda vivos e ativos, reconhecidos/premiados em Cerveira, são: Ana Vidigal (n. 1960, Lisboa), Clara Menéres (n. 1943, Braga), Costa Pinheiro (n. 1932, Moura), David de Almeida (n. 1945, São Pedro do Sul), Eduardo Nery (n. 1938, Figueira da Foz), Eurico Gonçalves (n. 1932, Abragão - Penafiel), Gracinda Candeias (n. 1947, Luanda - Angola), Helena Almeida (n. 1934, Lisboa), Henrique Silva (n. 1933, Castelões de Cepeda - Paredes), Jaime Azinheira (n. 1944, Peniche), José Rodrigues (n. 1936, Luanda – Angola), Júlia Ventura (n. 1952, Lisboa), Justino Alves (n. 1940, Porto), Manuel Batista (n. 1936, Faro), Maria José Aguiar (n. 1948, Barcelos), Pedro Manuel Casqueiro (n. 1959, Lisboa), Rocha Pinto (n. 1951, Lisboa), Romualdo (1948, Matosinhos), Rui Pimentel (n. 1949, Porto), Sebastião Resende (n. 1954, S. João da Madeira), Sobral Centeno (n. 1948, Porto), Zulmiro de Carvalho (n.1940, Valbom – Gondomar).

A exposição inaugura a 30 de junho e decorre até 22 de dezembro, nos horários habituais. 

domingo, 24 de junho de 2012

Exposição coletiva no Pátio Velho


A primeira exposição coletiva da Galeria Pátio Velho, inaugurada a 25 de maio 2012 com a presença de diversas entidades e grande número de convidados, abre ao público no próximo dia 1 de julho. A inauguração da exposição realiza-se no dia 30, pelas 18 horas.

domingo, 17 de junho de 2012

Como lidar com a crise: 3 fotógrafos na América da Grande Depressão

Com a crise instalada no vocabulário e no quotidiano de todos, nada melhor que evocar outras crises, para aliviar algumas queixas e compreender melhor o que se passa – porque, na verdade, “isto anda tudo ligado” (1). Nos EUA dos anos 30, fotografias “humanistas” encenadas serviram para passar a mensagem de que, apesar das dificuldades, do desemprego, da miséria e da fome, nenhum americano deveria desistir da esperança num futuro melhor. Era ainda a filosofia do “há sempre alguém em pior situação que tu, por isso deixa-te de queixas, levanta-te e vai à luta, por ti, pelos teus e pelo país”, reforçada em 1961 pela máxima de J. F. Kennedy, “Não perguntes o que o teu país pode fazer por ti mas sim o que tu podes fazer pelo teu país“ (2). Na banda desenhada, surgiram os super-heróis (3), cavaleiros andantes modernos com os atributos físicos necessários para espancar os vilões, frequentemente novos ricos gananciosos – uma figura com grandes responsabilidades no “Crash” de 1929 – e seus mandatários. No cinema, Chaplin adapta a personagem Charlot, o vagabundo cuja aparência e bons sentimentos passam a denunciar uma vítima do “crash” da Bolsa (4). Tal como o humor, extraordinariamente apurado em tempos de apertos económicos e/ou políticos, as artes são poderosos antidepressivos, as armas mais eficazes contra os malefícios psicológicos de qualquer crise. 

Entre 1929 e meados dos anos 40, os EUA passaram pela maior crise da sua história, a Grande Depressão, uma crise financeira criada pelos bancos americanos, com repercussões económicas e até políticas em grande parte dos países industrializados da época. Na Alemanha, por exemplo, ajudou o partido Nazi (“Nationalsozialistischen”) a conquistar o poder em 1933. Apanhado de surpresa com o “Crash” da Bolsa em 1929, o governo americano levou algum tempo a reagir à enormidade da desgraça e combateu a crise ao longo de uma década implementando um conjunto de medidas designado por “New Deal” (Novo Acordo). As principais medidas eram de natureza social, como a criação de empregos (aumento de obras públicas, diminuição do horário de trabalho) e de mecanismos assistenciais (seguro-desemprego e seguro-velhice para maiores de 65 anos), mas havia que tratar a parte psicológica e aumentar o ânimo de toda a nação. Foi então que a RA (Resettlement Administration), mais tarde designada por FSA (Farm Security Administration), um organismo federal criado pelo presidente Roosevelt no âmbito do “New Deal”, com o objetivo de promover o progresso rural) teve a ideia de contratar alguns escritores e fotógrafos para um programa fotográfico que decorreu entre 1935 e 1944. A fotografia de intenção social (concerned photography ou social documentary photography) teve origem no início do século XX mas só nos anos 30 se notabilizou como género, sobretudo graças à campanha da RA/FSA e às revistas de notícias do grupo da Time – que fundou em 1936 a Life Magazine, famosa pelas suas reportagens fotográficas de intenção social. Até aí, os grandes fotógrafos trabalhavam para os jornais, cujo negócio era vender notícias e por essa razão a imagem ficava quase sempre em segundo plano.Foram quinze os fotógrafos de primeira linha que trabalharam para a FSA: Walker Evans, Dorothea Lange, Gordon Parks, Theodor Jung, Edwin Rosskam, Louise Rosskam, Ben Shahn, John Collier, Sheldon Dick, Jack Delano, Russell Lee, Carl Mydans, Arthur Rothstein, John Vachon, Marion Post Wolcott. Tal como os escritores, seguiam as indicações criteriosas de Roy Stryker, diretor da divisão de informação da FSA, com o objetivo de mudar a imagem que a América tinha de si própria, “apresentar a América aos americanos”. O olhar triste e vazio de esperança de Allie Mae Burroughs (fotografada por Walker Evans em 1936) ou de Florence Owens Thompson (a “Mãe Migrante” fotografada por Dorothea Lange , 1936) mostraram a cada americano que não sofria sozinho as amarguras da crise, incentivando todos a ultrapassar as dificuldades, para o seu próprio bem e benefício do país.


"Dorothea Lange, "Mãe Migrante", 1936 

O que parece evidente nestas fotografias, é a intensidade dos conteúdos humanos, cruzando sentimentos e sensações em imagens de grande interesse social e complexo conteúdo político. Chamaram-lhes por isso fotografias “humanistas”, uma inspiração para o neorrealismo, também ele despoletado pela Grande Depressão. Com especial expressão no cinema e na literatura, o neorrealismo não prestou muita atenção à fotografia documental, que continuou a ser “humanista”, mas a fotografia documental americana deste período estabeleceu parâmetros formais e estéticos que marcaram a história da fotografia do século XX e permanecem hoje totalmente válidos, embora noutros contextos. Basta (re)ver algumas fotos premiadas nos diversos World Press Photo, por exemplo em 2011 e 2012.

Um das fotografias incontornáveis da época da Grande Depressão, exemplar em relação a tudo aquilo que fica dito, é uma foto magistral de Margaret Bourke-White, datada de 1937. Nessa foto, que pode ver AQUI, uma fila de negros para a sopa dos pobres em Louisville, corre junto a um cartaz onde se publicita o sonho americano “World highest standart of living” (O mais alto padrão de vida), podendo também ler-se “There’s no way like de American way” (Não há nada como o jeito americano). Comprometida com a LIFE Magazine, da qual foi a primeira repórter fotográfica feminina, Bourke-White não fez parte dos fotógrafos FSA mas também pretendia “apresentar a América aos americanos” através de imagens de grande oportunidade documental e conteúdo crítico, com inegável responsabilidade cívica. Anos depois, daria ao mundo um dos mais impressionantes testemunhos da barbárie nazi fotografando a libertação do campo de concentração de Buchenwald. Bourke-White foi a primeira mulher fotógrafa a trabalhar numa zona de guerra e a mais destacada fotógrafa americana da sua geração a correr mundo e a fotografar na intimidade grandes figuras mundiais desse tempo. São famosas, entre outras, as suas fotografias da mãe de Estaline (1931) e de Gandhi (1947), assim como impressionantes testemunhos fotográficos dos campos de concentração (libertação do campo de Buchenwald, 1945) e da guerra da Coreia (1950-1953).


Dorothea Lange nasceu em Hoboken, New Jersey, em 1895. Formada em fotografia pela Universidade de Columbia em Nova Iorque, trabalhou para diversos estúdios fotográficos nova-iorquinos até se mudar para San Francisco, onde abriu um bem-sucedido estúdio de retratos. Em 1920, casou com o pintor Maynard Dixon.Nos anos da Grande Depressão, foi contratada pela FSA e viajou pelos estados do sul e oeste dos EUA recolhendo imagens das condições de vida dos camponeses. Faleceu em 1965, vítima de cancro.


Margaret Bourke-White nasceu em Nova Iorque em 1904. Aventureira, percorreu o mundo como fotógrafa, tendo recolhido as primeiras imagens autorizadas em território soviético (1931), tendo fotografado a mãe de Estaline (1931) para fotografar Gandhi em 1947, testemunhar o extermínio de judeus nos campos nazis ou recolher. Foi a primeira repórter fotográfica das revistas Fortune e Life. As suas fotografias são conhecidas em todo o mundo e encontram-se expostas no Museu do Brooklin, no Museu de Arte de Cleveland e no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, entre muitos outros.Faleceu em 1971, com a doença de Parkinson.


Walker Evans nasceu em Saint Louis, EUA, em 1903.O seu trabalho ao serviço da F.S.A. foi determinante para a consagração como fotógrafo e a sua reportagem para a revista Fortune sobre os camponeses do Alabama na Grande Depressão foi considerada um dos expoentes máximos da fotografia documental e editada em livro (“Let us now praise famous men”). Em 1938, as suas fotografias integraram uma exposição do MoMA (Museum Of Modern Art de Nova York), a primeira dedicada por este museu a um fotógrafo. Faleceu em 1975.

Notas

(1) - “Isto Anda Tudo Ligado”, livro de poesia de Eduardo Guerra Carneiro (Chaves, 1942–Lisboa, 2004) publicado em 1970. A expressão, feliz, tem sido muito utilizada em diversos contextos, inclusivé por Sérgio Godinho, “Isto Anda Tudo Ligado” (letra e música) do álbum “Na Vida Real” (1986).

(2) - Discurso de tomada de posse como 35º Presidente dos EUA, 20 de janeiro de 1961. O discurso foi escrito por Ted (Theodore) Sorensen (1928-2010), que foi conselheiro de JFK entre 1953 e 1963.

(3) - No período da Grande Depressão nasceram os primeiros super-heróis da banda desenhada americana (Superman, Batman, Popeye) e outros heróis desenhados (Flash Gordan, Tarzan, Dick Tracy, Jim das Selvas, Mickey Mouse), primeiro nas tiras de jornais e como brindes, nas lojas, depois em forma de revista, dando início a uma das maiores indústrias da cultura do século XX.

(4) - O início da Grande Depressão coincidiu com a transição do cinema mudo para o sonoro e, nos anos 30, o cinema americano diversificou géneros e internacionalizou uma nova vaga de atores. Destacaram-se os filmes de Charles Chaplin, com destaque para “Tempos Modernos”(1936), as sonoras comédias anárquicas dos irmãos Marx ou as comédias românticas de Frank Kapra.Só em 1940 aparece um filme retratando os efeitos da Grande Depressão no oeste americano, “As Vinhas da Ira”, realizado por John Ford com base no romance escrito por John Steinbeck em 1939. Steinbeck receberia o Prémio Nobel da Literatura em 1962, em grande parte devido ao sucesso dessa obra literária popularizada pelo filme.