sábado, 19 de maio de 2012

Ai Weiwei e a responsabilidade social do artista

O artista e ativista chinês Ai Weiwei

Apesar da crescente abertura ao mundo, após reaver Hong Kong e Macau e no seguimento dos convites a Taiwan para integrar a República Popular da China, o governo chinês mantém sob fortes restrições os direitos e liberdades dos cidadãos e reprime com vigor a dissidência política. Esta inflexibilidade do governo chinês, pouco condizente com os pacíficos ensinamentos da filosofia tradicional chinesa e prioridades humanistas do socialismo internacional, tem sido desastrosa para a imagem e ambições internacionais do gigante asiático, sobretudo quando suscita o envolvimento de organizações internacionais não-governamentais (ONGs) credíveis, como a Human Rights Watch ou a Amnesty International, e a mobilização da opinião pública através das atuais tecnologias de informação e comunicação.

A repressão exercida sobre ativistas como Liu Xiaobo (Prémio Nobel da Paz de 2010), ou Ai Weiwei (arquiteto e artista chinês), conhecida e condenada em todo o mundo, vai reavivando a memória dos lamentáveis incidentes ocorridos em 1989 na Praça Tiananmen, de onde saíram muitos destes ativistas, e não favorece a imagem internacional da República Popular da China.

O artista chinês Ai Weiwei (n. Pequim, 1957) é conhecido sobretudo pelas suas obras de escultura, arquitetura e instalação, cuja originalidade não dispensa um contínuo desejo e busca de rutura. Logo em 1978, foi um dos fundadores do grupo vanguardista de arte “Estrelas”, que se desfez quando Weiwei foi estudar para os EUA, na Parsons School of Design e na Art Students League, em Nova Iorque. Regressou à China em 1993, por doença do pai (o poeta chinês Ai Qing), onde deu início a alguns projetos que o tornaram conhecido nos meios artísticos internacionais, especialmente o arquivo de arte contemporânea China Art Archives & Warehouse, uma galeria para divulgar a arte experimental chinesa, em Pequim, e o estúdio de arquitetura e design FAKE.

O seu primeiro projeto arquitetónico foi a sua casa-estúdio em Caochangdi, em 1998, mas a sua obra mais grandiosa, mundialmente aplaudida, é o Estádio Nacional de Pequim, “Ninho de Pássaro”, construído para os Jogos Olímpicos de 2008. Até esse ano, a carreira artística internacional de Wewei era relativamente conhecida e apreciada pelo público em geral, apesar das suas participações nos principais certames e mostras coletivas internacionais, para além das várias exposições individuais em galerias e museus de referência, na Ásia, Austrália, América do Norte, América do Sul e Europa.

Apesar de sempre ter criticado as orientações políticas da República (os seus pais estiveram detidos em Xinjiang por delito político), foi na sequência das suas investigações sobre a dimensão humana do terramoto de Sichuan que caiu em desgraça junto do poder político. A sua insistência em contabilizar e divulgar a lista completa de jovens estudantes que perderam a vida na catástrofe devido à má qualidade da construção das escolas públicas irritou o governo, que fechou o seu blogue. Weiwei foi também agredido pela polícia quando se manifestava contra a prisão de um colega da investigação, tendo publicitado a cirurgia a que foi submetido em Munique para conter uma hemorragia cerebral, alegadamente em consequência da agressão policial. Desde então, agudizou-se o controlo e repressão do artista e ativista chinês, que foi impedido de sair da China por motivos de segurança nacional, e posteriormente detido sob a acusação de evasão fiscal. Libertado em junho de 2011, após prometer parar com as críticas e pagar uma multa milionária pela alegada fuga aos impostos (que foi paga com a ajuda de uma campanha internacional), Weiwei continua a ser uma referência incómoda na diplomacia interna e externa da China, no dia (19 de maio 2012) em que o ativista cego Chen Guangcheng deixou o país rumo aos EUA, após ter fugido da prisão domiciliária – onde se encontrava por exigir direitos para os deficientes chineses e condenar o aborto forçado nas comunidades rurais.

(Continua em: "Artistas chineses contemporâneos e a responsabilidade social do artista")

Ai Weiwei, "Ninho de Pássaro", Pequim, 2008

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Museu do Falso em Viseu


Está anunciada para as 18 horas, 05 minutos e 12 segundos do dia 18 de maio, Dia Internacional dos Museus, a inauguração do Museu do Falso, em Viseu.

Apresentado como o “único Museu de História concebido exclusivamente a partir de contribuições de artistas contemporâneos trabalhando sob a premissa de "Simulacro", o novo museu é uma “provocação” da dupla Luís Belo e Rui Macário para o dia dos museus, com catálogo disponível desde a inauguração AQUI.

Na Rua Silva Gaio, número 29, ainda uma tertúlia/prova da entrada de catálogo "Bixcóitons" (com proveniência: Occupy My Kitchen).




domingo, 6 de maio de 2012

D. Afonso Henriques na escultura portuguesa



A estátua de D. Afonso Henriques mais (re)conhecida pelos portugueses é da autoria de Soares dos Reis (Vila Nova de Gaia, 1847-1989) e pode ser apreciada atualmente na colina sagrada, em Guimarães. Trata-se de uma representação mítica do fundador da nacionalidade e primeiro rei de Portugal. O retrato é naturalmente imaginado.

Sempre me pareceu excessivo e até ofensivo realizar retratos imaginados e, muito pior, incorporá-los por via iconográfica no imaginário coletivo. É por respeito que os muçulmanos não representam Alá e, por respeito à verdade histórica e às figuras históricas cuja fisionomia é desconhecida, deveria evitar-se tanta criatividade enganosa.

Em 2009, a propósito dos 900 anos de Afonso Henriques, a Sociedade Martins Sarmento promoveu em Guimarães uma interessante exposição sobre os retratos imaginados do primeiro rei de Portugal, “Os Rostos de Afonso Henriques”, composta por 22 imagens do rosto que outros tantos artistas lhe deram ao longo dos séculos, na pintura, escultura e gravura (1). A exposição não deixou de fora a representação de Afonso Henriques por João Cutileiro, realizada em 2001 e colocada em frente das antigas portas da Vila de Guimarães (entre a Praça do Toural e o Largo João Franco), mas cuja particularidade é precisamente a falta de rosto, substituído por um elmo fechado.

O estudo das ossadas do primeiro rei de Portugal, guardadas no túmulo seiscentista da Igreja de Santa Cruz em Coimbra, permitiria saber, entre outras coisas, como era o seu rosto (2) à data da morte e simular com precisão o seu rosto em várias idades. No entanto, a abertura do túmulo foi cancelada no último momento em 2006 pela ex-ministra da Cultura Isabel Pires de Lima. Novo pedido de exumação foi recusado em 2007.

No reinado de D. Manuel I, as ossadas foram transladadas do túmulo medieval para o magnífico túmulo da autoria de Nicolau Chanterenne, que terá sido aberto uma única vez, em 1832, a mando do rei D. Miguel. Mas serão mesmo as ossadas de Afonso I? As peripécias de 2006 e 2007 envolvendo o IPPAR inspiram dúvidas. Que segredo ou verdade incómoda se encontra guardada – e adiada – em Santa Cruz de Coimbra?

O rosto da estátua de Soares dos Reis (1887) mostra um Afonso Henriques jovem, na força da idade, de olhar vivo e intenso, com abordagem formal e tratamento plástico inovadoras na época. Refira-se que só depois da sua morte, em 1989, Soares dos Reis foi considerado um renovador da escultura do seu tempo e “O Desterrado” (1872) foi destacada como a obra mais notável da escultura do século XIX. O escultor suicidou-se no seu atelier em Gaia, desgostoso com a incompreensão dos críticos e do público.

Parece ter havido também problemas com a estátua de D. Afonso Henriques, cujo projeto teve duas versões. Na primeira versão, a manga era comprida e a cota de malha terminava acima do joelho, talvez mais de acordo com a verdade histórica (3) mas pouco condizente com o espírito puritano do séc. XIX burguês, e a versão final mostra a cota de malha cobrindo as pernas quase até aos tornozelos e manga curta. Certo é que a conclusão da estátua se atrasou dois anos, pois a sua inauguração estava prevista para 1885, quando se comemoraram 700 anos sobre a morte do fundador da nacionalidade.


As duas versões da estátua.

A estátua de Soares dos Reis foi considerada um paradigma pelo Estado Novo, que a utilizou abundantemente na propaganda do regime. Uma réplica da estátua de Guimarães foi colocada em 1947 no Castelo de S. Jorge, em Lisboa, e existirão mais duas cópias no Regimento de Artilharia em Vila Nova de Gaia (4). Uma dessas cópias em gesso, presumivelmente obra do próprio Soares dos Reis, deu origem à estátua inaugurada em 1999 no castelo de Santarém.

D. Afonso Henriques, nasceu em Guimarães ou Viseu, provavelmente no verão de 1109, filho de Henrique, da família ducal de Borgonha (atualmente uma região de França) e de Teresa, da família real de Leão (atualmente uma parte da comunidade autónoma espanhola de Castela e Leão). Segundo a lenda, foi batizado em Guimarães em 1111, na capela românica de São Miguel. Faleceu em Coimbra, no final do ano de 1185, após um longo reinado de conquistas e organização do território.
  
Notas
(1) - O catálogo da exposição, muito completo, pode ser consultado ou adquirido no Museu Martins Sarmento ou através de encomenda via mail.
(2) - Em declarações à imprensa, a antropóloga responsável pelo projeto, Eugénia Cunha, explicou que a exumação tinha por objetivo fazer a reconstrução física de D. Afonso Henriques e recuperar «episódios da vida do rei guardados no seu esqueleto». 

(3) - Soares dos Reis era admirador de Alexandre Herculano (1810-1877), historiador e autor de narrativas históricas cuja ação situava preferencialmente na Idade Média, nos alvores da nacionalidade. A famosa escultura “O Desterrado” terá sido inspirada por versos de A. Herculano.
(4) - D. Afonso Henriques é o Patrono do Exército Português, cujo dia festivo evoca a tomada de Lisboa (24 de outubro de 1147).


D. Afonso Henriques na Escultura portuguesa


Procede da Igreja românica de São Pedro de Rates uma estátua representando supostamente D. Afonso Henriques, coroado e com espada. De fundação muito antiga, a igreja de Rates foi reconstruída no princípio do séc. XII a mando do Conde D. Henrique e acolheu os cluniacenses, que aí introduziram a ordem beneditina. A escultura pertence ao Núcleo Museológico da Igreja Românica de São Pedro de Rates. Foto de Mário Fonseca.



A mais antiga representação do primeiro rei de Portugal encontra-se atualmente no Museu Arqueológico do Carmo, em Lisboa. Trata-se de uma escultura em mármore do séc. XII-XIII, procedente da Ermida de S. Miguel da Alcáçova de Santarém. A pose da figura é semelhante à da escultura de Rates.


A estátua jacente de D. Afonso Henriques, da autoria de Nicolau Chanterenne, data de 1520 (reinado de D. Manuel I) e integra-se num grandioso túmulo na Igreja de Santa Cruz de Coimbra.

A escultura em granito existente no Convento de Santa Maria do Bouro, em Amares, apresenta uma representação de D. Afonso Henriques, do Séc. XVII/XVIII que parece inspirada no retrato imaginado por Nicolau Chanterenne para o túmulo de Santa Cruz. O autor da estátua de Santa Maria do Bouro é desconhecido.



D. Afonso Henriques, escultura em mármore do séc. XVIII de autor desconhecido, na Sala dos Reis, Mosteiro de Alcobaça. As estátuas da Sala dos Reis representam os Reis de Portugal até D.José I e foram esculpidas pelos monges.


A estátua a D. Afonso Henriques existente na Avenida Ernesto Korrodi em Leiria, é originária de Casal do Rei (Vidais, Caldas da Rainha). Aí, existiu um monumento que incluía essa estátua, encimando um arco com a inscrição: ‘O Santo Rei D. Afonso Henriques Fundador de Alcobaça’. O arco marcava o início dos coutos de Alcobaça. O autor e a data de realização da escultura são desconhecidos mas trata-se de uma escultura do séc. XVI. O arco foi derrubado em 1911 ou 1912, conta-se que destruído pelos republicanos mas também que ruiu durante um sismo. Certo é que a escultura foi recolhida por um morador e mais tarde levada para o antigo Paço Episcopal de Leiria (depois Regimento de Artilharia Ligeira nº 4 e atualmente a PSP) e finalmente integrado no arranjo da base do monte onde se ergue o castelo de Leiria.
O Arco da Memória foi entretanto reconstruído em Casal do Rei e constituiu-se um movimento para exigir o regresso da estátua de D. Afonso Henriques ao seu local original.

O arco que assinalava o início dos coutos de Alcobaça, encimado pela estátua a D. Afonso Henriques. In “Por Caminhos de Cister”.

As paredes exteriores do Palácio de Vila Flor, em Guimarães, são decoradas com estátuas do séc. XVIII, em granito, de autor desconhecido, representando os reis de Portugal. Entre elas, não poderia faltar a estátua de D. Afonso Henriques, esculpida ao gosto do barroco, apesar das limitações do granito.


Da autoria de Soares dos Reis, a famosa estátua de Guimarães foi inaugurada em 1874 na Praça D. Afonso Henriques, hoje uma parte da Alameda de São Dâmaso. A estátua foi depois transladada para a Praça do Toural em 1911, onde se manteve até 1940, ano em que foi colocada junto ao castelo de Guimarães. A mudança da estátua para o local primitivo, na Alameda de S. Dâmaso fazia parte da candidatura de Guimarães a Capital da Cultura mas continua (Abril 2012) na Colina Sagrada.

A estátua na antiga Praça D. Afonso Henriques, hoje uma parte da Alameda de São Dâmaso

A estátua a D. Afonso Henriques no Largo do Toural (Ilustração Moderna, 1928, foto de Marques Abreu, reproduzida no blogue Araduca).

No Castelo de São Jorge, em Lisboa, foi erigida em 1947 uma réplica da estátua de Guimarães, no âmbito da comemoração dos 800 anos da Conquista de Lisboa aos mouros (1147).

A estátua de D. Afonso Henriques existente no Jardim das Portas do Sol, em Santarém, foi fundida a partir de um gesso, presumivelmente do próprio Soares dos Reis, existente no Regimento de Artilharia da Serra do Pilar e inaugurada em 1999. Foto de Carlos Luis Cruz.


D. Afonso I, obra de Maximiano Alves realizada em 1940 para a Exposição do Mundo Português (Pavilhão da Fundação). A Exposição foi um feito soberbo para a época, mobilizando grande número de arquitetos e artistas nacionais, naturalmente bem relacionados com o Estado Novo. Maximiano Alves  (Lisboa, 1888-1954) era escultor formado pela Escola de Belas-Artes de Lisboa, onde foi aluno do escultor Simões de Almeida (tio) e colega do escultor Francisco Franco. Recebeu o grau de oficial da Ordem de Cristo por uma das suas principais obras, o Monumento aos Mortos da Grande Guerra.



“Fundação de Portugal”, medalha de bronze do escultor João da Silva, 1940. João da Silva (1880-1960) frequentou a Escola de Artes Industriais, Genebra, e a Escola de Belas Artes de Paris. Autor de várias estátuas (entre as quais os monumentos aos mortos da Grande Guerra, em Valença, Porto e Évora), distinguiu-se sobretudo como medalhista. Recebeu o Prémio Soares dos Reis em 1948 e 1951 e a Medalha de Honra da SNBA.



A estátua de D. Afonso Henriques existente no topo norte do Jardim de Campo Grande, Lisboa, é da autoria de Leopoldo de Almeida e do arquiteto Guilherme Rebelo de Andrade (1891-196) e data de 1950. Realizada em mármore de Lioz, com 2,80 m de altura, foi inicialmente colocada junto à porta principal do Salão Nobre dos Paços do Concelho da capital, em 1951, onde se manteve algumas décadas. Ver a estátua na sua localização original . Em 1997, foi deslocada para o Campo Grande, substituindo a estátua do Marechal Carmona.

Leopoldo de Almeida (1898-1975) era diplomado pela ESBAL, onde chegou a ser professor de desenho (1943) e escultura (1950). Participou no I Salão dos Independentes (1930), salões da SNBA (onde obteve uma Medalha de Honra e o Prémio Soares dos Reis), Exposição de Arte Moderna (SPN). Colaborou na Exposição do Mundo Português (1940) sendo autor do Padrão dos Descobrimentos. Autor de inúmeras estátuas no país, entre as quais “D. Afonso Henriques” (Lisboa), Nuno Álvares Pereira (Batalha), “D. João I” (Lisboa).



A estátua de bronze a D. Afonso Henriques colocada no jardim do castelo de Ourique em 1979 evoca a batalha travada em 25 de Julho de 1139, tão determinante que as suas tropas o terão aclamado Rei de Portugal ainda no campo de Ourique. Em 1140, D. Afonso era já referido como "Rex Portugallensis" (Rei dos Portucalenses ou Rei dos Portugueses).


Torres Novas foi conquistada aos mouros por Dom Afonso Henriques em 1148. Quarenta e dois anos depois, era uma terra em franco progresso, tendo merecido carta de foral de D. Sancho I. O busto de bronze é da autoria do arquiteto João Sousa Araújo, realizado em 1992 e  inaugurado a 03 de outubro de 1993. O monumento comemora os 850 anos do Tratado de Zamora e o mesmo autor realizou uma segunda versão do monumento destinada a Zamora. Foto: Paulo Carreira.


Versão do busto de Dom Afonso Henriques em Torres Novas, da autoria do arquiteto João Sousa Araújo, o Monumento a Dom Afonso Henriques em Zamora comemora os 850 anos do Tratado de Zamora. Foi inaugurado em 1993 na presença de Sua Majestade o Rei de Espanha, o Presidente da República de Portugal e o Presidente da ALA – Academia de Letras e Artes.


A primeira estátua equestre de D. Afonso Henriques foi realizada em 1984 por Gustavo Bastos e tratou-se de uma encomenda militar. Foi inicialmente colocada junto ao Quartel General do Porto e inaugurada em 1985. Apesar de ter sido discípulo de Salvador Barata Feyo, autor das apreciadas estátuas equestres de D. João VI e Vímara Peres, no Porto, Gustavo Bastos subestimou as expetativas dos militares (terá mesmo usado como modelo vivo um velho garrano) e a obra não agradou, sendo mais tarde levada para o pátio do Museu Militar do Porto, onde se encontra atualmente, mal exibida e praticamente esquecida. Foto Francisco Sá Lopes.


O monumento “Torneio de Valdevez” é da autoria do escultor José Rodrigues e foi inaugurado em 1997 em Arcos de Valdevez. Composto por duas estátuas equestres frente a frente, representando os primos D. Afonso Henriques e D. Afonso VII de Leão, evoca o célebre torneio provavelmente ocorrido em 1140, na Portela do Vez. A vitória dos portugueses foi determinante para a celebração do Tratado de Zamora, em 5 de outubro de 1143, data oficial da independência de Portugal e início da dinastia afonsina.


Em 2001, foi inaugurada a escultura de João Cutileiro (n. Lisboa, 1937) representando D. Afonso Henriques, em frente das antigas portas da Vila de Guimarães.  Realizada em mármore de Guimarães, a escultura de João Cutileiro não inventa um rosto a D. Afonso, ao contrário do que fez com o filho, D. Sancho I (Torres Vedras, 1990). O elmo acentua a faceta guerreira de Afonso Henriques, mas a controversa estátua ao Marques de Pombal em Vila real de Santo António, também de Cutileiro, não tem assumidamente um rosto. O escultor preferiu exprimir a personalidade polémica e a importância histórica de Sebastião José de Carvalho e Melo através de um complexo jogo de volumes geometrizados e texturas, evocando o estilo Pombalino.



Capa do catálogo da exposição “Os Rostos de Afonso Henriques”, Sociedade Martins Sarmento, Guimarães, 2009

Herman Mertens inaugura galeria de arte no Pátio-velho





terça-feira, 1 de maio de 2012

PINTURA DE LUIZ MORGADINHO NO TMG


Luiz Morgadinho, “Sermão aos peixes”

Ad Instar… à semelhança de…” é o título da próxima exposição de pintura de Luiz Morgadinho, que abre amanhã, dia 2 de maio, no espaço do Café Concerto do Teatro Municipal da Guarda. A exposição esteve patente em fevereiro no Centro de Interpretação da Cogula, em Trancoso.
Pintor autodidata de inspiração surrealista, Luiz Morgadinho (n. Coimbra, 1964) define-se como “operário plástico do naïf e do bizarro”. Participou recentemente no “Surrealism in 2012” do Goggleworks Center for the Arts, Reading, EUA com trabalhos individuais e obras coletivas executadas em parceria com elementos do Cabo Mondego Section of Portuguese Surrealism.
A exposição decorre até ao final do mês.

Artistas do Grupo 9



Encontra-se patente na Galeria AoLado (Instituto Politécnico de Beja), até 18 de maio, uma exposição coletiva de cerâmica e pintura do Grupo 9.
O Grupo 9/Coetus novem formou-se recentemente para congregar esforços individuais e promover o debate e a troca de experiências em torno da diversidade artística. O 9 deve-se ao número inicial de artistas, por assim dizer o “núcleo fundador”. Atualmente, o grupo conta com 11 elementos que desenvolvem trabalho nas áreas da Pintura, Escultura e Cerâmica: Chi Pardelinha, Florentina Resende, Hermínia Cândido, Manuela Carmo, Manuel Carvalho, Manuela Taxa, Maria João Cunha, Maria Rafael, Paulo Medeiros, Silvestre Raposo, Sérgio Reis.
Com formações artísticas diversificadas e percursos consolidados, estes artistas pretendem expor em conjunto em vários pontos do país e no estrangeiro. Alguns deles dedicam-se igualmente à escrita. Outros, são professores, com larga experiência na área do ensino artístico. Silvestre Raposo é professor universitário. Manuela Taxa vem da área da música erudita.

O Grupo 9 apresentou-se recentemente numa exposição online “Quarto escuro”, de 2 a 30 de abril 2012.

Texto de Paulo Medeiros no blogue Artes Vivas.


CHI PARDELINHA

Nasceu em Gouveia em 1956. Reside em Vila Real desde 1986.
Escola de Artes Decorativas António Arroio, Lisboa.
Professora. Dedica-se à pintura e tapeçaria contemporânea.
Membro de L’Académie Européenne des Arts desde 2006.
Expõe desde 1983, tendo participado em exposições coletivas em Portugal (Lisboa, Amadora, Vila Real, Vila Nova de Gaia, Porto) e no estrangeiro (Nova Iorque* – EUA, São Paulo – Brasil, Londres* – GB, Paris* - França). Expõe individualmente desde 1999. Realizou exposições individuais em Vila Real, Vinhais, Santa Marta de Penaguião, Vidago, Póvoa do Varzim, Tabuaço, Alijó, Vila Nova de Cerveira, Torre de Moncorvo, Bragança, Vimioso.
Desde 2010, editou uma serigrafia e algumas litografias. Autora da capa e ilustrações de algumas publicações.
*Com o apoio da Galeria Waylight.

Blogue Chi Pardelinha.


FLORENTINA RESENDE

Nasceu em Matosinhos em 1950. Reside em Viseu.
Formação artística em Artes Plásticas e História da Arte, na Cooperativa Artística Árvore, no Porto. Estagiou em Lyon, França.
Participou em mais de duas centenas de exposições individuais e coletivas no país e no estrangeiro, tendo obtido prémios de pintura em Paris, Bruxelas, Viena de Áustria, Malta, Oliveira do Hospital, Vieira do Minho, Moreira da Maia, e uma Menção Honrosa na VII Bienal da Vidigueira.
Encontra-se representada na Galerie Thuillier, Paris, e Galleria Oldrado da Ponte, Itália.

Blogue Florentina Resende


HERMÍNIA CÂNDIDO

Nasceu em Massarelos, Porto, em 1956. Reside no Porto.
Curso do Instituto Superior de Educação. Participou em diversas exposições coletivas.


MANUEL CARVALHO

Nasceu em 1960 na Vidigueira, onde reside.
Técnico da Câmara Municipal da Vidigueira na área sócio cultural.
Desenvolve trabalho de desenho, pintura, fotografia e cerâmica, utilizando várias técnicas e suportes.
Participou em diversas exposições individuais e coletivas de cerâmica em: Vidigueira, Vila de Frades, Évora (Hotel D. Fernando, Hotel da Cartuxa), Lisboa (Arte da Terra, Casa do Alentejo, Bolsa de Turismo de Lisboa, Inatel), Beja /Galeria Aberta), Macau, Moura, Vendas Novas, Alvito, Vila Verde de Ficalho, Serpa (Posto de Turismo), Portel, Viana do Alentejo, Almada, Cuba, e Zafra – Espanha.
Está representado em várias coleções particulares.


MANUELA TAXA

Nasceu em Matosinhos. Reside no Porto.
Curso do Conservatório de Música do Porto. Curso livre de Pintura com a professora Laura Costa.
Professora de Música. Em 1988, integrou o Círculo Portuense de Ópera.
Expõe regularmente desde 2005, tendo participado em exposições coletivas no Porto, Marinha Grande, Ramalde – Porto, Marco de Canavezes, Museu Municipal de Espinho, São Bartolomeu de Messines. Expõe individualmente desde 2006. Realizou exposições individuais no Porto (Casa da Avó, Galleria G’s Collection, Palacete dos Viscondes de Balsemão, VivaCidade – Espaço Criativo, Hotel Eurostars das Artes), Lavra – Matosinhos, Vila Nova de Famalicão, Guimarães (Galeria São Mamede e Paço dos Duques), Lordelo – Paredes.
Prémios: História da Música (F.C.G., 1960); prémio de pintura a óleo na Casa de Portugal, São Paulo – Brasil (1977).


MARIA JOÃO CUNHA

Exposições individuais no Porto (“Fases Interiores”, Clube Literário do Porto, 2010) e Vila Nova de Gaia (“Os 4 Elementos e a Expressão Humana”, Hotel Yeatman, 2011).

Exposição “Fases Interiores” (2010)


MARIA RAFAEL

Nasceu em 1950 no Porto, cidade onde reside.
Cursos de Pintura, Desenho com Modelo e História de Arte Contemporânea da Cooperativa Artística Árvore, Porto.Membro de várias associações de artistas plásticos em Portugal e Itália.
Expõe desde 1989, tendo participado em mais de uma centena de exposições coletivas, destacando-se as realizadas em: Cooperativa Artística Árvore, Fundação Eng. António de Almeida, Centro Cultural de Belém; Fundação AMI – Cadeia de Relação do Porto, Fundação Cupertino de Miranda, Expo/98, Museu da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Casa Museu Teixeira Lopes, III Bienal do Rotary Clube da Maia – Fórum da Maia, Euroarte – Porto 2001, Museu Abel Manta – Prémio Abel Manta de Pintura (2008), Madeira Internacional Art Biennal -2008. 
Participou em exposições e feiras de arte internacionais em Espanha, Itália, Brasil e USA.
Realizou 9 exposições individuais.
Representada em coleções públicas e particulares no país e no estrangeiro.
Mencionada no “Anuário de Artes Plásticas”, “Livro de Ouro da Arte Contemporânea em Portugal 2006” e no “Contemporary Artists of the World” 2008-2009.

Joker Art Gallery.

PAULO MEDEIROS

Nasceu em Moçambique em 1965. Reside em Viseu.
Licenciado em Educação Visual.
Realizou a primeira exposição individual em 1988, na Galeria FAOJ, Viseu. Desde então, tem mostrado individualmente o seu trabalho em diversas localidades, com regularidade. Entre as inúmeras exposições coletivas em que participou, destacam-se a Bienal de Vila Nova de Cerveira, 2007 e para a 7ª Bienal de Artes Plásticas da Marinha Grande, 2008.


Ver entrevista a Paulo Medeiros (DivulgARTE): Parte 1 /Parte 2 / Parte 3 / Parte 4

Blogue Paulo Medeiros

SILVESTRE RAPOSO

Nasceu em Vila Nova de S. Bento, concelho de Serpa. Reside em Beja.

Licenciado em Artes Plásticas Pintura, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.

Professor de Design Gráfico nas Pós Graduação do INUAF-Instituto Universitário Dom Afonso III em Loulé.
Sócio da Associação Portuguesa de Poetas, da Associação Cultural Cuid’Arte e membro do Grupo G90. Membro da Academie Européenne des Arts – Bruxelas.
Comissário de inúmeras Exposições, foi Diretor das Galerias Municipais de Arte em Moura e Mourão, onde organizou e dirigiu mais de 80 Exposições.
Autor inúmeros trabalhos, de Pintura, Fotografia, Design e algumas Esculturas, de onde se destacam: o Painel de Pintura do Serviço de Finanças de Mourão, as telas da Caixa Agrícola de Aljustrel, as Peças Escultóricas dos “Prémios Salúquia às Artes” da Câmara Municipal de Moura e do “Prémio ao melhor aluno” do Instituto Universitário Dom Afonso III de Loulé, bem como, vários Logótipos e algumas capas e ilustrações em livros.
Participou em mais de uma centena de exposições individuais e coletivas, entre as quais destaca: Galeria Nova Era (Faro); Galeria ARC 16 (Faro), Casa da Cultura de Loulé; Galeria Escudeiros (Beja); Semana do Alentejo (Sacavém); "Les Couleurs d'Oeillets", evocativa dos 25 anos do 25 de Abril (Bobigny, Paris); Escola Superior de Educação (Beja); Viana do Castelo; Museu da Água (Lisboa); Hotel Quinta do Lago (Almansil); Fotografia no Espaço VOL (Serpa); Arte na Planície (Monte do Cortiço- Montemor-o-Novo); Retrospectiva 25 anos de carreira (Vila Nova S. Bento e Serpa); Casa Museu João de Deus de S. Bartolomeu de Messines; Salão das Artes (Vidigueira); Fotografia em Aracena, Espanha; Arquivo Histórico em Vila Real de Santo António.
Galardoado com alguns prémios, em Fotografia, Artes Plásticas e Design.
Está representado na Fundação Cupertino de Miranda, na Caixa de Crédito Agrícola de Aljustrel, no Serviço de Finanças de Mourão, na Casa da Cultura Miguel Hernandez de Rosal de Ia Frontera. Espanha, no Município da Vidigueira e em inúmeras colecções particulares em Portugal, Espanha, Brasil e México.
Autor dos livros de poesia “Nas margens do sonho” e “Caminhos de terra e mar” e do livro de fotografia “Moura – Contrastes de luz”. Poemas seus foram incluídos nos Vol. XI e Vol. XIII da Antologia “Poiesis” (Editorial Minerva) e, dois contos, nas coletâneas “Laços de Palavras” e “Inquietações” (Editorial Minerva).

Blogue Ravalusi.Arte
Blogue Silvestre Raposo


SÉRGIO REIS

Nasceu em Lisboa em 1958. Reside em Seia.
Formado pela Escola Superior de Belas Artes do Porto.
Expõe individualmente desde 1987. Exposições individuais mais recentes: “Esta Gente”, Pintura, Museu Serpa Pinto (Cinfães, 2011); Pintura, Posto de Turismo da Moita (2011); “Os Grandes Transparentes”, Pintura, Casa da Beira Alta (Porto, 2010); “A Casa do Mundo”, Pintura, Museu Municipal de Resende (2010).
Participou em diversas exposições coletivas de desenho, pintura, cerâmica e arte postal em Portugal, Espanha, França, Bélgica, Itália, Alemanha, Suíça, Holanda, Japão, EUA, Canadá, as últimas das quais: O Corpo (Seia, 2011); GóisOrosoArte’11 (Góis, 2011); V Bienal de Pintura – Prémio Joaquim Afonso Madeira (Alhos Vedros, 2011); Prémio Abel Manta de Pintura (Gouveia, 2011); ARTIS X (Seia, 2011); AGIRARTE 13 (Oliveira do Hospital e Tábua, 2010); I Bienal de Artes Plásticas de Penedono (2010); GóisArte’10 (2010).
Co-fundador da Associação de Arte e Imagem de Seia. Organizou os Encontros de Arte’93 em Seia, a Exposição Nacional de Desenho – Prémio Tavares Correia (1996), a I Exposição Internacional de Arte Postal sobre Cinema e Ambiente (CineEco’99, Seia, 1999), as I e II Exposições Coletivas dos Artistas Senenses (1999, 2000) e as ARTIS - Festa das Artes em Seia I, II, III, IV (2001 a 2004).
Artista homenageado na ARTIS 7 – Festa das Artes e Ideias em Seia (Maio de 2008). Em Julho do mesmo ano, recebeu a Campânula de Mérito Cultural Municipal atribuído pela Câmara Municipal de Seia.
Prémios: Prémio Município de Oliveira do Hospital na AGIRARTE 12 (Oliveira do Hospital, 2009); 1º Prémio (Pintura) da I Bienal de Artes Plásticas de Penedono (2010).
Publicou os livros de poesia “O Muro Atrás das Costas” e “Os Lugares Oscilantes”. Representou Portugal no projeto “SOS Poesia” (Veneza, 1993).

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