terça-feira, 24 de abril de 2012
As Estátuas de Salgueiro Maia
bOmbarda soma e segue
Na Galeria Serpente, poderemos encontrar as fantásticas fotografias de Zaida González, que “produzem um estranho encantamento. (…) apresentando-nos saborosas imagens híbridas que parodiam a sexualidade, o matrimónio, a maternidade ou a experiência religiosa “ (Stella Salinero Rates). A Galeria da Trindade aposta na artista Sónia Aniceto (n. Lisboa, 1976) que vive e trabalha em Bruxelas. A Galeria Ap’arte mostrará pintura de Eduardo Verde Pinho, uma exposição intitulada “De perto ninguém é normal”. E o resto é surpresa.
Em véspera do Dia Mundial da Dança, a ACE - Escola das Artes estará presente na animação de rua. O cartaz da bOmbarda de abril mostra mais dois rostos de jovens portuenses de valor, a descobrir: Joana Providência (coreógrafa) e Catarina Oliveira (aluna do Curso Superior de Teatro).
Catarina Machado | Backside Painting
sábado, 21 de abril de 2012
O cancelamento da Artis é uma decisão lamentável

O cancelamento da Artis é uma decisão lamentável que, adicionada a outras pequenas limitações a propósito da crise, inverte irremediavelmente a tendência de crescimento cultural de Seia-cidade, com reflexos no concelho, a somar ao desinvestimento na saúde, na educação, nas acessibilidades.
Não se trata apenas de suspender uma iniciativa artística com uma década de vida, sempre promovida e organizada pela Câmara Municipal em colaboração com os artistas senenses. O cancelamento da Artis marca o fim de uma época na Cultura Senense, não sendo certo que o festival seja reativado no próximo ano – pois não é claro que essa suspensão tenha sido determinada por motivos económicos. Se foi por motivos políticos, não me cabe a mim discutir esses motivos, deixo a matéria para os políticos mandatados e para os comentadores políticos. Se foi por razões artísticas, será bom notar que a Artis passou em 2011 a Festival de Artes Plásticas e promoveu pela primeira vez um concurso internacional com prémios monetários (de valor bem modesto no contexto nacional) que mereceu a participação de artistas credenciados, com vastos percursos artísticos e prémios em concursos artísticos nacionais e internacionais. Ou seja, a dimensão geográfica e a importância artística da Artis cresceram significativamente em 2011 e, para este ano, estava já assegurada uma representação de artistas japoneses. Estava também garantido um intercâmbio com a “CEDRO, Associação”, tratado na reunião final de lançamento da Artis XI, realizada no início de Março. Dias depois, a Artis era cancelada pela CMS, de modo abrupto, sem aviso prévio nem negociação.
É precisamente esta falta de negociação que não me deixa acreditar nos tais motivos económicos, alegados pela CMS na informação que passou à imprensa. De resto, a Artis X, realizada em 2011, custou ao erário público apenas quatro mil euros. Um valor que não justifica corte tão radical e que poderia ter sido discutido, negociado, sem comprometer uma iniciativa cujo interesse e importância cultural a CMS parece compreender e confirma no referido comunicado à imprensa.
Recuperar as finanças do Estado tem servido de desculpa para os cortes na Cultura, e as autarquias também estão a ser vítimas desse cego desígnio, mas é importante notar que a Cultura é uma prioridade constitucional e tem “beneficiado” de orçamentos nacionais anuais na ordem de 1%, sem considerar o retorno em contribuições e impostos gerados pelo universo da Cultura. Mesmo com a ameaça de extinção das empresas municipais deficitárias, os municípios não podem abdicar da sua dinâmica cultural, construída ao longo de décadas desde Abril de 1974, quando o acesso à educação e à cultura passou a ser um justo direito de todos.
Resumindo, o cancelamento da Artis representa uma quebra nas dinâmicas culturais locais e no protagonismo cultural de Seia na última década na região. Sem qualquer dúvida nem favor, Seia tem sido o único concelho do distrito com programação cultural à altura da capital distrital e não pode abdicar dessa posição. Os efeitos negativos do desinvestimento na Cultura podem já ser vistos em muitos concelhos do país, curiosamente acompanhado de termos comuns, como “reestruturação” e remodelação”. A reestruturação significa encerramentos, desemprego. A remodelação significa perda de qualidade, decadência. Mesmo que a Artis regresse no próximo ano, já não será a mesma Artis, como já não temos o mesmo Festival de Jazz nem o mesmo Festival de Cinema “CineEco”, que foram irremediavelmente remodelados.
Texto publicado na edição online e em papel do jornal Porta da Estrela nº 943 de 15 de Abril 2012
Arte Bruta na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva

quinta-feira, 19 de abril de 2012
Colóquios / debates na Semana das Artes
Na Semana das Artes, tiveram lugar alguns colóquios/debates interessantes e participados, com o artista plástico Ricardo Cardoso, o artista plástico e designer Luís Belo, e o arquiteto Fritz Wessling.
Aqui ficam algumas imagens.




Licenciatura em Artes/Desenho na Escola Superior Artística do Porto (extensão de Guimarães) em 2009. Curso de Conservação e Restauro de Arte Sacra – Madeiras no CEARTE, Coimbra.
Membro da Associação de Arte e Imagem de Seia e da ARGO – Associação Artística de Gondomar. Foi homenageado pelos Artistas Senenses na ARTIS IX (2010).
Participou em diversas exposições coletivas e realizou exposições individuais em Almeida, Seia, Lisboa, Povoa de Lanhoso, Gouveia, Mêda, Guarda.
Nos últimos anos, tem desenvolvido o projeto “Fúrias Interiores”, que inclui o “Manifesto do Nada”, uma série de exposições e de performances sobre a condição do jovem artista.
Luís Belo nasceu em Viseu em 1987.
Licenciado em Artes Plásticas e Multimédia pelo Instituto Superior Politécnico de Viseu, é artista plástico e fotógrafo. Realizou diversos trabalhos na área da ilustração, design gráfico e videoarte.
Expõe desenho, fotografia e pintura desde 2003, sobretudo em Viseu, Castro Daire, Santa Comba Dão, Lisboa.
Prémios: passatempo de desenho da revista TVMais (1999); Fotografia RDP “Laços” (2005); fotografia, “Viseu Patrimonium” e maratona fotográfica FNAC Viseu (2009).
Fritz Wessling nasceu em Essen, Alemanha.
Formado pela Universidade Técnica de Braunscheweig.
Veio para Portugal em 1987 e fixou-se em São Romão, Seia, colaborando com a Casa de Santa Isabel.
No início dos anos 90, criou a empresa Arquiteto Fritz Wessling Unipessoal Lda. Autor de numerosos projetos e mais de meia centena de obras construídas (moradias unifamiliares, recuperação de edifícios antigos, equipamentos sociais, …) nos concelhos de Seia, Oliveira do Hospital e Mangualde.
Participou em diversas conferências sobre a pedagogia Waldorf e arquitetura. Autor da obra “Arquitectura Orgânica”, divulgada em Portugal, Brasil, Espanha e Alemanha.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Bem vindo ao mundo dos brinquedos a sério

Miguel Palma (n. Lisboa, 1964) é um artista contemporâneo eclético (desenho, escultura, instalação multimédia, vídeo, livros de artista, performance), empenhado em refletir sobre os condicionalismos e opções do mundo atual através dos objetos que o homem contemporâneo cria e manipula. E os objetos não passam de máquinas mais ou menos simples, mais ou menos complexas, mas essa simplicidade ou complexidade depende muito da teorização dos contextos. Para além das evidências tecnológicas, desde as utilidades rotineiras do quotidiano às possibilidades apenas imaginadas pela ficção científica, os objetos explicam o homem e o mundo em que vivem. São produtos culturais, carregados de simbolismo(s) e ideologia – quando não são eles próprios representações simbólicas ou ideológicas. Estou a lembrar-me da instalação “Bloco Operatório” (2012), que inclui a cabeça de um motor Ferrari V8, mas também do estendal de dúvida e de críticas (“Tensão #1” e “Tensão #2” 2012), ou das marcas e modelos dos automóveis representados. Um trabalho que não dispensa o “non sense” e recorre frequentemente ao humor crítico para ganhar visibilidade, suscitar o interesse, passar a mensagem, intervir na consciência que vamos tendo do mundo em que vivemos.
Toda a exposição na galeria da Fundação EDP foi concebida como uma grande instalação, “Atelier Utopia”, com base numa estrutura metálica que suporta e relaciona as peças como se fossem meros esquemas, estudos preparatórios e maquetas arrumadas ocasionalmente num espaço de trabalho/armazém, aguardando mais cuidados ou a concretização dos projetos (1). O comissário da exposição, Bruno Leitão, que nos recebeu com simpatia e comentou algumas peças expostas, fala no texto introdutório de um “esquema expositor (Sensor)” e refere que “Miguel Palma concebeu "Atelier Utopia" como um ato escultórico em si mesmo”. Concebido em função do espaço da galeria (a sala de entrada mostra apenas alguns livros de artista), a organização do espaço condiciona o percurso da visita, permitindo apreciar determinadas peças isoladamente mas também algumas comparações, interseções, conflitualidades visuais, de escala e de sentido/interpretação.
Resumindo, parece-me que Miguel Palma é um artista que se diverte imenso a questionar o mundo à escala das perguntas grandiosas em formato de bolso. A exposição dá que pensar e recomenda-se.
(1) - O texto de apresentação da exposição informa que “as peças apresentadas são maquetas e desenhos que traçam propostas urbanísticas e esboçam 'máquinas impossíveis' “ (…) tratando-se de “peças inéditas do artista - algumas das quais de caráter preparatório para trabalhos que Miguel Palma não pôde realizar por impossibilidades técnicas e/ou financeiras - bem como obras que nunca foram relevadas em exposições institucionais”.








