sábado, 10 de março de 2012

António Leal, José Almeida Pereira e Max Fernandes no LAB

As produções do LAB – Laboratório das Artes, prometem animar Guimarães 2012, Capital Europeia da Cultura. Trata-se de um espaço cultural fundado em 2001 por um grupo de artistas, localizado no centro histórico de Guimarães, no edifício do Café Milenário, que apresenta projetos vanguardistas desenvolvidos por artistas jovens.

No passado dia 9 de março, foi inaugurada nesse espaço a exposição “Toural”, que deve o nome à localização (Praça do Toural), lugar ancestral de encontro, partilha, troca de bens. Ocupando os três pisos do edifício do LAB, a exposição reúne três mostras individuais dos artistas António Leal, Max Fernandes e José Almeida Pereira, com instalações que incluem vídeo e performance e “questionam, de forma obliqua, a sociedade, o imaginário e o enquadramento temporal deste território.”

António Leal (n. Porto, 1979) é licenciado em Artes Plásticas – Pintura pela FBAUP. Expõe coletivamente desde 2000 e individualmente desde 2004, tendo apresentado projetos artísticos na Galeria Graça Brandão e Artes em Partes, no Porto. A sua exposição no LAB (Piso 3) explora representações com base no imaginário simbólico medieval.

Max Fernandes (n. 1979), licenciado em Artes Plásticas, mestre em Práticas Artísticas Contemporâneas pela FBAUP,e professor na Escola Artística e Profissional Árvore, regressa ao LAB (Piso 2) com um projeto sobre a “materialidade e seu fluxo, e do corpo como instrumento manipulador dessa mesma matéria”.

José Almeida Pereira (n. Guimarães, 1979) é licenciado em Artes Plásticas e mestre em Práticas Artísticas Contemporâneas pela FBAUP, Prémio Rothschild de Pintura (2003) e artista premiado no âmbito da Exposição Coletiva “Outros Lugares”, promovida pela FLUP em 2004. No Piso 1 do LAB, apresenta uma instalação inspirada na atualidade económica e financeira, questionando algumas das abstrações que estruturam as relações humanas atuais.

As exposições decorrem até 14 de abril 2012.

Laboratório das Artes
Largo do Toural, edifício do Café Milenário, Guimarães - 4ª a sábado das 16h às 19h

terça-feira, 6 de março de 2012

Joana Vasconcelos em livro

A monografia de Joana Vasconcelos foi apresentada publicamente no dia 1 de março 2012, no seu atelier em Lisboa, na Doca de Alcântara Norte.

De grandes dimensões e cuidada edição (Livraria Fernando Machado com design gráfico de Ricardo Mealha), o livro aborda exaustivamente a obra da artista plástica portuguesa, com textos da historiadora Raquel Rodrigues da Silva, do filósofo Gilles Lipovetsky, do professor Jean Serroy e uma entrevista de Agustín Pérez Rubio. Está ainda disponível um “livro-obra”, o livro dentro de uma caixa vermelha criada por Joana Vasconcelos, numa edição especial limitada a 200 exemplares.

O lançamento contou com a presença de Gilles Lipovetsky, autor de “A Era do Vazio”, apreciador e estudioso da obra de Joana Vasconcelos, que sublinhou a interessante articulação das referências consumistas internacionais com as tradições portuguesas ancestrais.

Não se trata apenas do recurso a formas e objetos industriais para evocar ou reavivar símbolos ou costumes, nem sempre exclusivamente nacionais e, mesmo estes, uns mais tradicionais que outros, mas o modo como os evoca e reaviva. A ideia de construção, de estrutura fantástica com elementos surpreendentes e materiais improváveis, parece-me ser uma caraterística fundamental, para além da escala, já que Joana Vasconcelos produz obras geralmente de grandes dimensões, dando-lhes grande visibilidade e domínio do espaço – o que permite explorar novas interações com o observador. Essa apropriação crítica da forma e função dos objetos passa por um exercício de análise trocista da realidade, que é comum na arte (em certa medida, será até uma das suas funções sociais) que Joana Vasconcelos sintetiza em obras positivas, de forte encantamento visual. O resto da discussão (se será ou não “kitsch”, etc.) parece-me uma questão menor.

Em 2010, a propósito da sua exposição antológica no Museu Coleção Berardo, “Sem Rede”, já havia sido editado um excelente catálogo sobre a sua obra, completando com 200 páginas de imagens e textos, as 37 peças presentes nessa mostra – que alcançou um número recorde de visitantes.

Joana Vasconcelos tornou-se particularmente conhecida após a sua participação na Bienal Internacional de Veneza em 2005, com a peça intitulada “A Noiva”, um gigantesco lustre construído com vinte mil tampões higiénicos femininos. Entre as suas obras anteriores, contavam-se “Sofá Aspirina” (1997) e “Cama Vallium” (1998), realizados com embalagens blister de comprimidos. Desde então, Joana Vasconcelos foi somando participações em grandes certames internacionais e impôs a sua obra no circuito internacional de arte contemporânea.

Mas o sucesso dos portugueses no estrangeiro, à exceção talvez do desporto, parece incomodar muitos compatriotas, que não se esforçam muito por valorizar esses bons resultados. As notícias têm referido que a artista prepara atualmente uma exposição em Versalhes, França, mas não disseram o principal. Trata-se da exposição anual de arte contemporânea do Palácio de Versalhes, uma mostra realizada desde 2008 e por onde já passaram Jeff Koons, Xavier Veilhan, Bernar Venet e Takashi Murakami. Joana Vasconcelos será a primeira mulher e a mais jovem artista contemporânea a expor em Versalhes.

sábado, 3 de março de 2012

As 4 Estações de Beatriz Milhazes

Uma exposição surpreendente no CAM, de 17 de fevereiro a 20 de março 2012. A artista brasileira Beatriz Milhazes apresenta quatro pinturas monumentais sobre o tema das 4 estações e várias colagens, para além de uma escultura com movimento (“Gamboa”, 2010) e uma obra em vinil criada propositadamente para a exposição em Lisboa, realizada em parceria com a Fundação Beyeler de Basileia (onde B. M. expôs precisamente há um ano).

O tema das 4 estações está longe de ser original, houve artistas que o trataram de passagem ou trabalharam incansavelmente (1), mas o interesse destes trabalhos de Beatriz Milhazes reside sobretudo no modo como a artista mobiliza formas e cores do imaginário popular brasileiro, desde o elemento decorativo caseiro ao movimento e ritmo do carnaval, para criar as suas composições, recorrendo sem preconceitos a materiais plásticos para a concretização das suas obras – formas produzidas industrialmente e elementos recortados e aplicados sobre as mais diversas superfícies. Em Portugal, Ana Pimentel tem realizado trabalhos do género, com elementos geométricos florais (também omnipresentes na cultura popular portuguesa), embora sem a grandiosidade das obras de Beatriz Milhazes.

As dimensões invulgares das obras da artista carioca (Rio de Janeiro, 1960) devem-se à sua experiência com espaços sobredimensionados, já que se dedica à cenografia e conceção de fachadas. A largura dos quadros sobre as estações do ano varia conforme a duração da respetiva estação no Rio de Janeiro. As 4 estações no Brasil nada têm a ver com as 4 estações na Europa, o que obriga o observador a questionar as suas referências culturais e a relançar o olhar pesquisador por outras realidades, não totalmente estranhas mas sempre desafiantes.

(1) - Por exemplo: Arcimboldo, Pieter Brueghel - o Velho, François Boucher, Jacopo Bassano, David Hockney e até Adrian Henri, entre muitos outros pintores famosos ou com obra conhecida.

Imagem: divulgação CAM.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Memória da Raiz das Cores - Pintura de Florentina Resende em Seia

Vista parcial da exposição

Intitula-se “Memória da Raíz das Cores” a mais recente exposição de pintura de Florentina Resende, patente nas galerias da Casa Municipal da Cultura de Seia até final de fevereiro.

A mostra é composta por 25 pinturas assumidamente abstratas, com marcado gestualismo e síntese cromática. Nessas obras, cabe à cor o grande poder de evocar subtilmente formas e sentidos, trabalhada com marcada consciência poética do espaço. A mancha e a direção da pincelada sugerem vida e movimento, formas naturais e mesmo paisagens inventadas, reconhecíveis graças às sensações que as cores provocam e às memórias que despertam.

A memória da raiz das cores atribui-lhes o seu maior poder: significados viscerais e mágicos com origem indefinida, diluída entre arquétipos, que varia de cultura para cultura e é reinterpretada ao longo dos tempos, mas também parcelas da memória pessoal, moldada por sensações e vivências individuais.

Nesta exposição, predomina a preocupação de inventariar sentidos para cores selecionadas pela artista, fruto das suas pesquisas e viagens exploratórias às origens das cores que compõem a sua paleta diversificada. Pois a matéria da pintura de Florinda Resende é a cor – e é pela cor que exprime a sua capacidade de ver para além das evidências do visível.

Florentina Resende nasceu em Matosinhos em 1950. Com formação artística em Artes Plásticas e História da Arte, na Cooperativa Artística Árvore, no Porto, estagiou em Lyon, França. Participou em mais de duas centenas de exposições individuais e coletivas no país e no estrangeiro, tendo obtido prémios de pintura em Paris, Bruxelas, Viena de Áustria, Malta, Oliveira do Hospital, Vieira do Minho, Moreira da Maia, e uma Menção Honrosa na VII Bienal da Vidigueira. Encontra-se representada na Galerie Thuillier, Paris, e Galleria Oldrado da Ponte, Itália.



Fotografia de Nuno Pinheiro

Carlos do Carmo, julho de 2009

No foyer do cineteatro da Casa da Cultura, pode ser apreciado até final de janeiro um conjunto de fotografias de Nuno Pinheiro, recordando concertos realizados em Seia nos últimos três anos.

Trata-se de uma fotografia instintiva e afetiva, com interesse artístico e também documental, na medida em que reporta um acontecimento e testemunha um facto, mas que apresenta ao fotógrafo amador um desafio adicional, como o próprio explica no texto de apresentação da exposição, o “desafio de perceber e/ou antecipar o momento” (…) “que não se pode pedir para repetir ou ajustar”. Uma dificuldade também presente na fotografia de desporto, que Nuno Pinheiro pratica com desenvoltura.

Por esta exposição e pelas fotos que vai publicando na Internet, nos seus blogues (blog-do-pinhas e fotosdopinhas), no Olhares, no Flickr ou no Picasa, percebe-se que a fotografia faz já parte da sua vida e que recebe os cuidados necessários para que meras fotografias de ocasião se transformem em objetos artísticos desejáveis, preciosamente sugestivos e com grande interesse sociocultural.

Nuno Monsanto Pinheiro nasceu em Seia em 1970 e reside em Vila Chã. Fotógrafo amador, frequentou um curso de fotografia de Natureza no CISE, em 2010. Participou em exposições coletivas de fotografia na Artis IX e X, em 2010 e 2011.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Biblioteca Digital Mundial na Internet

Página inicial da BDM

Encontra-se disponível na Internet a BDM - Biblioteca Digital Mundial, reunindo livros, mapas, textos, fotos, gravuras e filmes dos cinco continentes ao longo dos tempos. Cada uma das preciosidades e relíquias culturais oriundas das principais bibliotecas do mundo é apresentada através texto explicativo disponível em sete idiomas, entre os quais o português, que deve ser selecionado pelo utilizador na janela correspondente. As outras línguas são o árabe, chinês, espanhol, francês e inglês, mas encontram-se disponíveis documentos em mais de 50 idiomas das seguintes regiões do mundo: América do Norte; América Latina e Caribe; Europa; Oriente Médio e Norte de África, África, Ásia Central e do Sul, Ásia Oriental, Sudeste da Ásia, Oceania e Pacífico.

A BDM (em inglês, WDL – World Digital Library) é um projeto da UNESCO que envolve outras 32 instituições culturais e oferece uma porta de entrada para as culturas do mundo, destinada sobretudo a investigadores, professores e alunos.

Com um simples clique, podem ser apreciados documentos que pouca gente aspirava ver e conhecer, como o primeiro documento impresso da história (Hyakumanto Darani, um documento japonês do ano 764), os primeiros mapas da América (1562), a Bíblia de Gutemberg (1450-1455), a curiosa “Bíblia do Diabo” (1200-1230), a Declaração da Independência dos Estados Unidos (1776), o original das Fábulas de La Fontaine (1888) ou o “Apocalipse de São João” (1470), um livro impresso com placas de madeira, nas quais o texto e o desenho eram previamente entalhados, contemporâneo da impressão com carateres móveis e percursor da atual banda desenhada. A preciosidade mais antiga da BDM data de 8000 a.C., um conjunto de gravuras rupestres africanas.

No que respeita a Portugal, estão disponíveis mapas e gravuras desde 1500 a 1900. Um dos mapas mostra Lisboa após o terramoto de 1755.

http://www.wdl.org/pt/

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

PAISAGEM PORTUGUESA NO CAM - FCG


http://youtu.be/iFajocvtILA

Até 22 de janeiro, o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian mostra obras de pintura portuguesa de paisagem, pertencentes à coleção do CAM/FCG.

O termo “paisagem” surgiu em França no século XVI, por influência do “landschap” neerlandês, para designar quadros representando uma região (un pays).

A paisagem é uma representação de um espaço natural com ou sem intervenção humana. Essa representação resulta da visão/interpretação do observador/artista, ou seja, do olhar parcial e subjetivo de quem vê, sendo assim produto da interpretação da natureza pelo sujeito – tal como na fórmula de Michael Jakob (Le Paysage, 2008): Paisagem= Sujeito + Natureza.

Com curadoria de Ana Vasconcelos, a exposição reúne obras sobretudo de artistas do século XX, com destaque para a pintura modernista, havendo ainda a sublinhar o significativo número de trabalhos de artistas como António Carneiro (10 pinturas), Domingos Alvarez (11) ou Francis Smith (9), alguns dos quais andavam arredadas das mostras do CAM.

Artistas representados: Adelina Lopes, Alberto Carneiro, Alexandre Conefrey, Amadeo de Souza-Cardoso, Andy Goldsworthy, Ângelo de Sousa, António Carneiro, Armando Ferraz, Carlos Botelho, Dominguez Alvarez, Dordio Gomes, Fernando Calhau, Fernando Lemos, Francis Smith, Gabriela Albergaria, Gérard Castello-Lopes, Hamish Fulton, João Cristino da Silva, João Hogan, João Queiroz, Joaquim Rodrigo, Jorge Barradas, Jorge Martins, Luís Campos, Luís Neuparth, Luís Noronha da Costa, Luís Palma, M. C. Escher, Michael Biberstein, Nuno Cera, Ricardo da Cruz-Filipe, Rui Moreira , Rui Vasconcelos, Thomas Joshua Cooper.

CAM, Lisboa, até 22 Jan 2012 / das 10:00 às 18:00 (terça a domingo).