quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Novo Centro de Arte Moderna em Matosinhos

Apesar da angústia que se vive atualmente na cultura nacional, o dia 14 de dezembro de 2011 marcou o início oficial de Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura, com a apresentação do programa e da estreia da Fundação Orquestra Estúdio, e inaugurou o Centro de Arte Moderna Gerardo Rueda, em Matosinhos.

A Capital Europeia da Cultura em 2012 (na verdade, são duas, Guimarães e Maribor, na Eslovénia) ainda não chegou às televisões e o Centro de Arte Moderna matosinhense passou por lá como cenário de vaias e insultos ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, testemunhados pelo convidado especial para a inauguração, Jose Maria Aznar, antigo chefe do governo espanhol.

Mas Guimarães 2012 e o novo CAM são duas realizações fantásticas (no sentido moderno do termo) neste contexto de crise cada vez mais psicológica. Após uma infância turbulenta, o projeto da Capital Europeia da Cultura atingiu a maioridade e vai concretizar-se com 70% da verba inicialmente prometida. O CAM de Matosinhos irá funcionar com um custo anual na ordem dos 150 mil euros, suportado por 6 patrocinadores encabeçados pela Câmara Municipal de Matosinhos e pela Fundación Gerardo Rueda, presidida por José Luiz Rueda Jiménez. No fundo, trata-se de um protocolo ibérico de cooperação cultural, o que também é salutar e de aplaudir, mesmo que seja a prazo (3 anos).

Gerardo Rueda Salaberry (Madrid, 1926-1996) foi um pintor e escultor espanhol de referência na arte abstrata ibérica do século XX, fundador (com Fernando Zóbel e Gustavo Torner) do Museu de Arte Abstrata Espanhol de Cuenca, em 1966. Muito celebrado em Espanha, foi convidado a expor nos mais conhecidos museus espanhóis, que organizaram grandiosas retrospetivas após a sua morte, em 25 de maio de 1996. No verão de 2011, a Galeria Municipal de Matosinhos acolheu a exposição “Diálogos com a Coleção Gerardo Rueda”. A propósito, é de referir que o português não aparece entre as oito línguas faladas pelo site da Fundación Gerardo Rueda.

O Centro de Arte Moderna Gerardo Rueda foi construído no espaço de um antigo parque de estacionamento e integra-se no complexo dos Paços do Concelho de Matosinhos. A exposição permanente inclui artistas espanhóis como Pablo Serrano, Manuel Millares, Joan Miró, Chillida, para além de Gerardo Rueda, e portugueses como Alberto Carneiro, Noronha da Costa, Gerardo Burmester, José de Guimarães e Nikias Skapinakis, entre outros.

Nem de propósito (mais uma vez, aliás), é de salientar os bons ofícios da Fundación Gerardo Rueda em Portugal, pois decorre na Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva, em Lisboa, até 22 de janeiro de 2012, a exposição "Vieira da Silva - Gerardo Rueda: um diálogo convergente". Bernardo Pinto de Almeida sublinha no seu texto a comprovada influência de Vieira da Silva na pintura abstrata brasileira e no desenvolvimento do neo-concretismo, sendo igualmente visível a sua influência em muitos outros artistas europeus. A exposição destaca, nas palavras de BPA, um "diálogo secreto" entre Vieira e Rueda mas, como dizia o outro, "não havia necessidade". A diferença de idades e o contexto artístico em que cada um viveu explica mal a necessidade (ou será oportunidade) de estabelecer tais correspondências pois será mais a obra de Vieira da Silva a explicar a de Rueda e não o contrário.

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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Fotografia de José Santos no Posto de Turismo de Seia


Inaugura no próximo sábado, dia 17, na sala de exposições temporárias do Posto de Turismo de Seia, uma exposição de fotografia de José Santos.

A exposição intitula-se "Do Presépio ao Calvário" e integra-se nas comemorações dos 440 anos da Santa Casa da Misericórdia de Seia.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Gonçalo M. Tavares

No passado domingo, 11 de dezembro, Gonçalo M. (de Manuel) Tavares foi o convidado de Marcelo Rebelo de Sousa no tradicional espaço de comentário, no jornal das 8 da TVI, a pretexto dos seus novos livros, "Canções Mexicanas" e "Short Movies".

Creio que deixou de haver desculpa para o desconhecimento deste jovem e promissor escritor, para o qual o próprio José Saramago vaticinou, em 2005, um Prémio Nobel da Literatura nos anos vindouros. Um escritor atento, perspicaz, que reflete inteligentemente sobre o mundo atual dispensando as amarras do sentimentalismo e à revelia das tradições literárias. Em certa medida, a sua escrita é experimental, sendo também um dos escritores mais produtivos dos últimos anos (mais de trinta livros em apenas uma década), eclético (romance, poesia, conto, epopeia), muito editado (livros traduzidos e publicados em 44 países) e premiado (mais de uma dezena de importantes prémios literários em Portugal e no estrangeiro).

Com um raciocínio perspicaz e discurso inteligente, Gonçalo M. Tavares disparou algumas frases incomparáveis. Preocupado com a velocidade a que vivemos, o escritor referiu que «abrir um livro é muito semelhante a entrar numa igreja”, “O livro é uma máquina de lentidão”, “Reparar é estar muito tempo parado na mesma coisa. (...). Só reparamos as coisas se repararmos nelas”. Citou depois uma frase de Hans Christian Andersen para sublinhar que vivemos num “mundo quantitativo”, onde “pedimos espírito e respondem-nos com a tabuada” (…) “cada vez mais nos respondem com números”.

“Canções Mexicanas” (Relógio d’Água), resulta da grande paixão do autor pela cultura mexicana e leva-nos até à Cidade do México para nos mostrar, através de uma série de fragmentos narrativos, como a realidade urbana constrói e semeia, na vida das pessoas, rotinas sem sentido, muitas vezes cruéis. Nessa mega metrópole com 20 milhões de habitantes, os desfavorecidos e rejeitados da sociedade não conhecem a esperança nem compreendem a importância que os europeus atribuem à procura da felicidade.

Short Movies” (Caminho), é uma coletânea de cenas absurdas do quotidiano, cerca de 70 micronarrativas (algumas das quais já publicadas em jornais e revistas) em que se destaca a sua vocação fílmica e o protagonismo da perspetiva da câmara de filmar. Ler para ver. Um pouco na linha de livros como “Centúria – Cem Pequenos Grandes Romances”, de Giorgio Manganelli, “Short Movies” mostra como o olhar se constrói com letras e que as frases são imagens desenhadas pelo escritor na imaginação do leitor.

Gonçalo M. Tavares no Jornal das 8 da TVI.

Entrevista de João Paulo Sacadura (Livraria Ideal, TVI24): Parte 1; Parte 2; Parte 3.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Pintura de Carlos Carreiro 1967/2010

Vista parcial da exposição (foto: Galeria Municipal / CMM)

Encontra-se patente na Galeria Municipal de Matosinhos, até 29 de janeiro de 2012, a exposição “Carlos Carreiro na Coleção de Carlos Carreiro 1967/2010”.

A mostra reúne alguns trabalhos representativos dos seus 43 anos de pintura, pertencentes à sua coleção de autor.

Nascido em 1946, em Ponta Delgada – Açores, Carlos Carreiro é licenciado em Pintura pela ESBAP (1972), após uma breve passagem de dois anos pela Faculdade de Direito de Lisboa.

Em 1976, foi um dos fundadores do Grupo Puzzle - com João Dixo, Albuquerque Mendes, Graça Morais, Pedro Rocha, Jaime Silva, Dário Alves, Fernando Pinto Coelho e Fernando Azevedo.

Integrou o corpo docente da ESBAP desde 1977 até se reformar, há 8 anos. Participou em inúmeras exposições coletivas e realizou diversas individuais em Portugal e no estrangeiro, as últimas das quais: Carmina Galeria (Angra do Heroísmo, 2007 e dezembro 2011); “Consumo, candidatos e promessas” na Galeria São Mamede (Lisboa, 2010); “Ponta Delgada, obviamente”, na Galeria Municipal de Cultura de Ponta Delgada, 2009).

A pintura figurativa, narrativa e descritiva de Carlos Carreiro mobiliza personagens, objetos e acontecimentos do quotidiano, a cuja representação o artista acrescenta pormenores pitorescos para melhor as caracterizar e criticar. Não se trata de uma pintura de “denúncia”, acusatória, chocante, mas sim de crítica divertida, manipulando as formas e seduzindo com a cor, bem ao gosto popular, sem abuso das referências eruditas. Nesse sentido, as obras de Carlos Carreiro chegam a ser assumidamente “naïves” e “kitsch”, apresentando atmosferas oníricas próprias do Surrealismo, a poética do Simbolismo e a fria ironia da arte pop.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Fotografia de Nuno Almeida

(Publicado no jornal Porta da Estrela nº 936, 22/12/2011)


Até final de dezembro, decorre no foyer do cineteatro da Casa Municipal da Cultura uma exposição de fotografia de Nuno Almeida.

Intitulada “The Other Side/O Outro Lado”, a mostra reúne imagens recolhidas em cidades como Amesterdão, Lisboa, Londres, Madrid, Porto e Viena, revelando aspetos menos vistos de locais bem conhecidos.

Natural de Seia, Nuno Almeida é fotógrafo amador. Participou em várias exposições coletivas de fotografias, com destaque para a ARTIS – Festa das Artes e das Ideias em Seia, atualmente Festival de Artes Plásticas de Seia, desde 2008.

Realizou recentemente uma exposição individual intitulada “A Estrela e o Homem – Modificações da paisagem pela intervenção humana”.

Em 2009, foi distinguido com uma Menção Honrosa no Concurso de Fotografia de Ambiente promovido pelo CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela.

Horário da Exposição: Sextas, Sábados e Domingos, no horário das sessões de cinema.

Casa da Música, Porto (2008)

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Exposição de fotografia "Fogo e Ferro Fundido" em Loriga


A (primeira) exposição individual de fotografia de Mário Jorge Branquinho, "Fogo e Ferro Forjado", apresentada em novembro no foyer do cineteatro da Casa Municipal da Cultura de Seia, encontra-se patente até final de dezembro no Posto de Turismo de Loriga.

As fotos referem-se ao trabalho desenvolvido na Metalúrgica Vaz Leal, em Loriga, de que Mário Jorge Branquinho fala no seu blogue.

Ver o meu texto sobre a exposição de MJB na Casa Municipal da Cultura.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

OUTRA VEZ NÃO. EDUARDO BATARDA - finalmente em Serralves

Não gostei particularmente da entrevista de Eduardo Batarda ao jornal Expresso (Revista Única, Expresso #2038, 19 de novembro 2011), a propósito da exposição retrospetiva “Outra vez não. Eduardo Batarda”, que inaugura amanhã em Serralves. Aprecio a irreverência do artista, cada vez mais necessária nos dias que correm, mas algumas provocações são forçadas e em certa medida gratuitas ou talvez menos pensadas. Por exemplo, quando ele diz, logo no início da entrevista publicada, que os artistas “para serem admiráveis têm que se comportar como escumalha, porque (…) um artista tem que matar os outros todos”.

Batarda diz muitas coisas acertadas e preza muito as suas verdades mas também é certo que cultiva uma imagem de contestatário quase sempre silencioso – ao contrário de um Luiz Pacheco, por exemplo, que falava e escrevia muito, disparando em todas as direções, ou de um João César Monteiro. Mas a capacidade criativa pode ter uma raíz e objetivos contestatários, o verdadeiro criativo apercebe-se da necessidade e oportunidade da criação e sonha desesperadamente mudar alguma coisa com isso, mesmo que o negue ou desvalorize. Ao escrever isto, lembrei-me de Alberto Pimenta e de Jorge Palma, não sei porquê. Entre estes e tantos outros criativos que realmente interessam, Eduardo Batarda tem essa fundamental capacidade de questionar a consciência que temos do mundo que nos rodeia, recorrendo à provocação e à ironia subtil. Como é aliás referido no texto de apresentação da exposição, passo a citar: “A obra de Eduardo Batarda assume-se como um desafio: como interpretar a pintura e as suas imagens, referências e comentários?”

À revelia das verdades artificiais que sustentam o mundo atual e o renovam continuamente, Eduardo Batarda construiu a sua obra desde o final dos anos 60, após a licenciatura em Pintura na ESBAL. Um percurso que a exposição em Serralves pretende mostrar, desde as primeiras obras até aos trabalhos de 2011. Uma trajetória artística com reconhecimento inicial em Inglaterra (prémios Sir Alan Lane e John Minton) e consagração em 2007, com a atribuição do Grande Prémio EDP. É este prémio que justifica esta exposição em Serralves, produzida pela Fundação EDP e a Fundação de Serralves, finalmente de reconhecimento pela especificidade da obra de Batarda, “um elemento estranho no saudável e pacato contexto da pintura nacional” (Miguel von Hafe Pérez).

Já escrevi sobre Eduardo Batarda neste blogue, a propósito da sua exposição “Bicos” (Galeria 111, 2010), mas queria evocar as suas origens na Beira Alta lembrando que o pai era natural da Guarda (Maçainhas de Baixo). Eduardo Batarda e o irmão José António, três anos mais novo, nasceram em Coimbra. Batarda era o apelido da mãe, natural do Redondo.

Comecei este texto dizendo que não gostei da entrevista de Eduardo Batarda (que conheci quando lecionou na ESBAP) mas não é totalmente verdade. Gostei muito do final, quando ele diz: “Acredito nas coisas que me comovem”. E logo depois: “Gostava de me dar melhor com algumas pessoas, gostava que não tivessem morrido duas ou três, gostava que não estivessem doentes três ou quatro”. Não é só um grande artista que diz isto numa entrevista, mas sobretudo uma excelente pessoa.

A exposição “Outra Vez Não. Eduardo Batarda” é inaugurada amanhã, 25 de novembro (entrada livre para a inauguração, das 22h00 às 24h00), abre ao público no dia seguinte e prolonga-se até 11 de março 2012.