sábado, 10 de dezembro de 2011

Pintura de Carlos Carreiro 1967/2010

Vista parcial da exposição (foto: Galeria Municipal / CMM)

Encontra-se patente na Galeria Municipal de Matosinhos, até 29 de janeiro de 2012, a exposição “Carlos Carreiro na Coleção de Carlos Carreiro 1967/2010”.

A mostra reúne alguns trabalhos representativos dos seus 43 anos de pintura, pertencentes à sua coleção de autor.

Nascido em 1946, em Ponta Delgada – Açores, Carlos Carreiro é licenciado em Pintura pela ESBAP (1972), após uma breve passagem de dois anos pela Faculdade de Direito de Lisboa.

Em 1976, foi um dos fundadores do Grupo Puzzle - com João Dixo, Albuquerque Mendes, Graça Morais, Pedro Rocha, Jaime Silva, Dário Alves, Fernando Pinto Coelho e Fernando Azevedo.

Integrou o corpo docente da ESBAP desde 1977 até se reformar, há 8 anos. Participou em inúmeras exposições coletivas e realizou diversas individuais em Portugal e no estrangeiro, as últimas das quais: Carmina Galeria (Angra do Heroísmo, 2007 e dezembro 2011); “Consumo, candidatos e promessas” na Galeria São Mamede (Lisboa, 2010); “Ponta Delgada, obviamente”, na Galeria Municipal de Cultura de Ponta Delgada, 2009).

A pintura figurativa, narrativa e descritiva de Carlos Carreiro mobiliza personagens, objetos e acontecimentos do quotidiano, a cuja representação o artista acrescenta pormenores pitorescos para melhor as caracterizar e criticar. Não se trata de uma pintura de “denúncia”, acusatória, chocante, mas sim de crítica divertida, manipulando as formas e seduzindo com a cor, bem ao gosto popular, sem abuso das referências eruditas. Nesse sentido, as obras de Carlos Carreiro chegam a ser assumidamente “naïves” e “kitsch”, apresentando atmosferas oníricas próprias do Surrealismo, a poética do Simbolismo e a fria ironia da arte pop.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Fotografia de Nuno Almeida

(Publicado no jornal Porta da Estrela nº 936, 22/12/2011)


Até final de dezembro, decorre no foyer do cineteatro da Casa Municipal da Cultura uma exposição de fotografia de Nuno Almeida.

Intitulada “The Other Side/O Outro Lado”, a mostra reúne imagens recolhidas em cidades como Amesterdão, Lisboa, Londres, Madrid, Porto e Viena, revelando aspetos menos vistos de locais bem conhecidos.

Natural de Seia, Nuno Almeida é fotógrafo amador. Participou em várias exposições coletivas de fotografias, com destaque para a ARTIS – Festa das Artes e das Ideias em Seia, atualmente Festival de Artes Plásticas de Seia, desde 2008.

Realizou recentemente uma exposição individual intitulada “A Estrela e o Homem – Modificações da paisagem pela intervenção humana”.

Em 2009, foi distinguido com uma Menção Honrosa no Concurso de Fotografia de Ambiente promovido pelo CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela.

Horário da Exposição: Sextas, Sábados e Domingos, no horário das sessões de cinema.

Casa da Música, Porto (2008)

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Exposição de fotografia "Fogo e Ferro Fundido" em Loriga


A (primeira) exposição individual de fotografia de Mário Jorge Branquinho, "Fogo e Ferro Forjado", apresentada em novembro no foyer do cineteatro da Casa Municipal da Cultura de Seia, encontra-se patente até final de dezembro no Posto de Turismo de Loriga.

As fotos referem-se ao trabalho desenvolvido na Metalúrgica Vaz Leal, em Loriga, de que Mário Jorge Branquinho fala no seu blogue.

Ver o meu texto sobre a exposição de MJB na Casa Municipal da Cultura.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

OUTRA VEZ NÃO. EDUARDO BATARDA - finalmente em Serralves

Não gostei particularmente da entrevista de Eduardo Batarda ao jornal Expresso (Revista Única, Expresso #2038, 19 de novembro 2011), a propósito da exposição retrospetiva “Outra vez não. Eduardo Batarda”, que inaugura amanhã em Serralves. Aprecio a irreverência do artista, cada vez mais necessária nos dias que correm, mas algumas provocações são forçadas e em certa medida gratuitas ou talvez menos pensadas. Por exemplo, quando ele diz, logo no início da entrevista publicada, que os artistas “para serem admiráveis têm que se comportar como escumalha, porque (…) um artista tem que matar os outros todos”.

Batarda diz muitas coisas acertadas e preza muito as suas verdades mas também é certo que cultiva uma imagem de contestatário quase sempre silencioso – ao contrário de um Luiz Pacheco, por exemplo, que falava e escrevia muito, disparando em todas as direções, ou de um João César Monteiro. Mas a capacidade criativa pode ter uma raíz e objetivos contestatários, o verdadeiro criativo apercebe-se da necessidade e oportunidade da criação e sonha desesperadamente mudar alguma coisa com isso, mesmo que o negue ou desvalorize. Ao escrever isto, lembrei-me de Alberto Pimenta e de Jorge Palma, não sei porquê. Entre estes e tantos outros criativos que realmente interessam, Eduardo Batarda tem essa fundamental capacidade de questionar a consciência que temos do mundo que nos rodeia, recorrendo à provocação e à ironia subtil. Como é aliás referido no texto de apresentação da exposição, passo a citar: “A obra de Eduardo Batarda assume-se como um desafio: como interpretar a pintura e as suas imagens, referências e comentários?”

À revelia das verdades artificiais que sustentam o mundo atual e o renovam continuamente, Eduardo Batarda construiu a sua obra desde o final dos anos 60, após a licenciatura em Pintura na ESBAL. Um percurso que a exposição em Serralves pretende mostrar, desde as primeiras obras até aos trabalhos de 2011. Uma trajetória artística com reconhecimento inicial em Inglaterra (prémios Sir Alan Lane e John Minton) e consagração em 2007, com a atribuição do Grande Prémio EDP. É este prémio que justifica esta exposição em Serralves, produzida pela Fundação EDP e a Fundação de Serralves, finalmente de reconhecimento pela especificidade da obra de Batarda, “um elemento estranho no saudável e pacato contexto da pintura nacional” (Miguel von Hafe Pérez).

Já escrevi sobre Eduardo Batarda neste blogue, a propósito da sua exposição “Bicos” (Galeria 111, 2010), mas queria evocar as suas origens na Beira Alta lembrando que o pai era natural da Guarda (Maçainhas de Baixo). Eduardo Batarda e o irmão José António, três anos mais novo, nasceram em Coimbra. Batarda era o apelido da mãe, natural do Redondo.

Comecei este texto dizendo que não gostei da entrevista de Eduardo Batarda (que conheci quando lecionou na ESBAP) mas não é totalmente verdade. Gostei muito do final, quando ele diz: “Acredito nas coisas que me comovem”. E logo depois: “Gostava de me dar melhor com algumas pessoas, gostava que não tivessem morrido duas ou três, gostava que não estivessem doentes três ou quatro”. Não é só um grande artista que diz isto numa entrevista, mas sobretudo uma excelente pessoa.

A exposição “Outra Vez Não. Eduardo Batarda” é inaugurada amanhã, 25 de novembro (entrada livre para a inauguração, das 22h00 às 24h00), abre ao público no dia seguinte e prolonga-se até 11 de março 2012.

sábado, 19 de novembro de 2011

TRIBUTO A JOHN LENNON NA GALERIA SÍLVIA SOARES

A artista e galerista Sílvia Soares teve a ideia, inspirada pelos seus contactos com Sean Ono Lennon, filho de John e Yoko, de assinalar mais um aniversário do nascimento de John Lennon (9 outubro de 1940) e evocar o seu trágico desaparecimento (8 de dezembro de 1980), com uma exposição internacional de tributo ao famoso Beatle.

Com Paul McCartney, John assinou os principais temas da famosa banda britânica e prosseguiu uma carreira de sucessos após a separação dos Beatles, com Yoko Ono ou a solo.

Em 1969, Lennon casou com a artista plástica japonesa Yoko Ono (havendo quem atribua a Yoko a responsabilidade do fim do grupo The Beatles) e foi assassinado em 1980 por um fã, em Nova Iorque, três semanas após o lançamento do seu último álbum, “Dupla Fantasia”.

A exposição coletiva de Tributo a John Lennon é inaugurada a 3 de dezembro, pelas 21 horas, na Galeria de Arte Sílvia Soares, em Oliveira do Douro – Vila Nova de Gaia, e decorre até 31 de dezembro, com obras dos seguintes artistas:

ACHILLE DE MOEWALD – FRANCE
ANTÓNIO MOUSINHO – PORTUGAL
APARÍCIO FARINHA – PORTUGAL
ARMANDO MARTÍNEZ – SPAIN
AUGUSTO ROCHA – PORTUGAL
CARLA SCHWAB – BRAZIL
DANIEL C. BOYER – USA
DANIEL DESOUSA – PORTUGAL
DEWI – CANADA
DMITRY BABENKO – RUSSIA
DOMENICO SEVERINO – ITALY
DORIAN RIBAS MARINHO – BRAZIL
EDUARDO J. ORTÚN – SPAIN
ELOIR JR. – BRAZIL
ENI ILIS – BRAZIL
GIOVANNI STRADA – ITALY
HELENA LEÃO – PORTUGAL
HENRIQUE DO VALE – PORTUGAL
HERVÉ – FRANCE
IRENE GOMES – PORTUGAL
JAIME CANHA – PORTUGAL
JAROMIR SVOZILIK – NORWAY
JOÃO BENTO SOARES – PORTUGAL
JOAQUIN GOMEZ – SPAIN
JOSÉ NOGUEIRA – BRAZIL
JULIEN RDX – ANDORRA
KARIN GREENWOOD – SOUTH AFRICA
KATERINA NIKOLTSOU – GREECE
MANFRED HEINZE – GERMANY
MANOEL BONABAL – SPAIN
MARGARIDA BASALOCO – PORTUGAL
MARIA DE LOURDES RABELLO VILLARES – BRAZIL
MICHALIS KOTSARIS – GREECE
MICHEL DELLA VEDOVA – FRANCE
MONICA REX – USA
PAUL TIILILÄ – FINLAND
PEDRO BERICAT – SPAIN
RAIMUNDO MATOS DE LEÃO – BRAZIL
REINHARD GIEBELHAUSEN – GERMANY
RENATA STRADA – ITALY
ROBERT P. MAU – GERMANY
ROBERTO SCALA – ITALY
ROSICLER PRAGER – BRAZIL
RYOSUKE COHEN – JAPAN
SABELA BAÑA – SPAIN
SÉRGIO REIS – PORTUGAL
SERSE LUIGETTI – ITALY
SILVANO PERTONE – ITALY
SÍLVIA SOARES – PORTUGAL
SIMON WARREN – ENGLAND
SJOERD PARIDAEN – BELGIUM
SUSANA PICASSO – ARGENTINA
SUSANA RIBUFFO – SPAIN
TONY KENNEDY – ENGLAND
VALENTINE MARK HERMAN – FRANCE
WALTER BACHMANN – GERMANY
WISNUAJI PUTU UTAMA – INDONESIA

XVII GALERIA ABERTA, EM BEJA


Inaugurou a 12 de Novembro e decorre até 30 de Dezembro, em Beja, a XVII Galeria Aberta, uma exposição coletiva que tem batido sucessivos recordes de participantes. Este ano, a exposição conta com 303 artistas regionais, nacionais e internacionais, cujas obras de Pintura, Escultura, Desenho, Gravura, Serigrafia e Fotografia, foram distribuídas por três locais: Galeria dos Escudeiros, Hospital da Misericórdia (Hospital velho) e Casa do Governador, no Castelo de Beja. O motivo da dispersão deve-se às obras de requalificação do Museu Jorge Vieira, cuja conclusão estava prevista para novembro, e ao elevado número de obras a expor.

Jorge Vieira (Lisboa, 1922-Évora, 1998) foi meu professor de Desenho Básico no 1º ano da ESBAP, já lá vão “uns” anitos, e recordo com saudade o artista, cujo trabalho sempre admirei.

Organizada pela Câmara Municipal de Beja, a iniciativa visa “estimular e promover a atividade artística local e o desenvolvimento de novas formas expressivas, contribuindo para o enriquecimento cultural do concelho e da região”.

O catálogo da exposição reproduz as 303 obras expostas.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Agradavelmente surpreendidos

Ainda mal começava a exposição sobre O Corpo, fomos agradavelmente surpreendidos com a primeira página de um novo jornal angolano, "Le Monde Diplomatique - Angola" (Nº 01, novembro 2011), que incluía a reprodução de uma obra (livro-objecto "Geografias Cruzadas) de Maria Celeste Alves e a referência à exposição O Corpo, na Casa Municipal da Cultura de Seia.

De referir que os artigos deste novo jornal angolano são ilustrados com a reprodução de obras de artistas portugueses, o que se aplaude e recomenda. Exceptuando a primeira série do JL - Jornal de Letras (Ano I, 1981-82), com artigos ilustrados por João Abel Manta, os jornais divulgam pouco o trabalho dos artistas portugueses (com as revistas, a conversa é outra, felizmente), inclusive os jornais especializados.

"Le Monde Dilomatique" é um jornal mensal francês fundado em 1954 pelos proprietários do jornal "Le Monde". Inicialmente publicado como suplemento do Le Monde, destinado aos diplomatas e às organizações internacionais, ganhou autonomia e dimensão. No final da década de 1970, o jornal começou a ser publicado fora da França, contando atualmente com cerca de 7 dezenas de edições em todo o mundo.