segunda-feira, 26 de setembro de 2011

RETROSPETIVA DE JOÃO PENALVA NO CAM

No Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, em Lisboa, decorre até 09 de outubro uma importante exposição retrospetiva de João Penalva, um dos artistas portugueses mais internacionais, radicado em Londres há cerca de 40 anos.

João Penalva (n. 1949, Lisboa) é bailarino, pintor, ator, escritor, tradutor, gráfico, curador, cineasta, fotógrafo, e a singularidade da sua obra resulta do modo como coloca em diálogo várias destas experiências de linguagem.

“Trabalhos com texto e imagem” reúne obras significativas dos últimos 20 anos do percurso artístico de João Penalva, desde as pinturas dos anos 90 aos trabalhos mais recentes, passando pelas instalações, fotografias e filmes, proporcionando uma visão ampla do seu universo criativo. A sua obra privilegia o cruzamento entre imagem e texto (no sentido mais lato), frequentemente o lugar ou já o referente de renovadas encenações narrativas, fragmentos de texto e tecidos imagéticos próximos da poesia visual, jogos de espelhos e de significados, reflexos, transparências e opacidades comunicativas.

João Penalva estudou na Chelsea School of Art, Londres, de 1976 a 1981, optando depois por viver e trabalhar na capital inglesa. Realizou a sua primeira exposição individual em 1983, no Porto, após ter participado na “New Contemporaries” (IAC, Londres, 1980), tendo depois participado na coletiva “Artistas Portugueses residentes no estrangeiro” (Galeria Almada Negreiros, Lisboa, 1984). Realizou importantes exposições individuais no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa, 1990), no Centro Cultural de Belém (Lisboa, 1999), no Camden Arts Centre (Londres, 2000), e no Museu de Arte Contemporânea de Serralves (2005), entre outras. No que respeita a exposições coletivas, destacam-se as participações na XXIII Bienal de São Paulo, Brasil, em 1996, na II Bienal de Berlim e na Bienal de Veneza em 2001, e na Bienal de Sidney, em 2002.

Parte das obras em exposição no CAM serão mostradas na Kunsthallen Brandts, Dinamarca, em 2012.


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

JÚLIO RESENDE (1917-2011)

“Os tubos de tinta estão em aparente desalinho sobre o chão. No cavalete, um espaço num desafio. Os pincéis estão ao alcance da mão.” (1)

Faleceu hoje em Valbom, Gondomar, o pintor Júlio Resende. Uma referência cultural da cidade do Porto e uma figura de relevo no panorama artístico nacional da segunda metade do século XX, Resende completaria 94 anos em 23 de outubro. Para amanhã, 22 de setembro, estava prevista a sua presença em Lisboa, na inauguração da exposição "Resende, uma mão cheia de cor: um pintor de mão cheia", na galeria São Roque.

Como artista, Resende iniciou-se no neorrealismo, na peugada de Dórdio Gomes e tendo por companheiros artistas como Júlio Pomar, Manuel Guimarães (que se destacou no cinema) ou Fernando Lanhas. Foi grande amigo de Vergílio Ferreira (que escreveu um belíssimo texto para o primeiro documentário sobre J.R., realizado em 1968 por Manuel Guimarães), Roger Avermaete, Angel Crespo, Júlio Charrua, Eugénio de Andrade, José Régio, Jorge Amado, Mário Cravo Fillho, entre muitas outras destacadas figuras da cultura francesa, belga, brasileira e espanhola, havendo ainda a referir a sua presença em Osaka em 1970, para a direção plástica do Espetáculo de Portugal na Exposição Mundial de Osaka, liderando uma equipa constituída por Amândio Silva, Ângelo de Sousa e José Rodrigues.

Realizou a primeira exposição individual em 1944, no Salão Silva Porto, dois anos antes de completar o curso da ESBAP e de seguir para Paris com uma bolsa do Instituto para a Alta Cultura, que conseguiu renovar até 1948. Aí lançou as fundações de uma carreira artística internacional, muito diversificada (desenho, pintura, gravura, pintura a fresco, vitral, painéis cerâmicos, ilustração de obras literárias e cenários teatrais), com diversos prémios (Prémio Nacional de Pintura da Academia de Belas-Artes, Prémios Armando de Basto e Sousa Cardoso, Prémio Especial da Bienal de Arte de S. Paulo, 1º lugar no Concurso para o Monumento ao Infante D. Henrique, Medalha de Prata na Exposição Internacional de Bruxelas, 1º Prémio de Artes Gráficas na X Bienal de S. Paulo, entre outros) e distinções, com destaque para: Medalha de Ouro da Cidade do Porto, o Grau de Oficial da Ordem de Santiago de Espada em Portugal e da Ordem de Mérito Civil do Rei de Espanha, etc. As suas obras públicas mais conhecidas em Portugal são os murais "Ribeira Negra", na Ribeira do Porto, e o da estação de Sete Rios do Metropolitano de Lisboa.

Enquanto professor, Júlio Resende foi uma referência fundamental para sucessivas de gerações de estudantes de arte – muitos deles futuros artistas – que passaram pela Escola Superior de Belas Artes do Porto entre 1963 (quando entrou para a ESBAP como primeiro assistente de Pintura, após ter sido aprovado “em mérito absoluto” em concurso para professor dessa escola superior) e 1987 (quando atinge o limite de tempo de serviço no ensino e profere a última lição). Quando era estudante acalentava a ideia de seguir a carreira artística, de modo a que a arte pudesse ser o seu modo de vida, mas logo percebeu que haveria de seguir uma carreira no ensino, por “emergência”, como ele próprio confessou na sua autobiografia. Em 1948, assumiu um horário de professor numa escola de olaria em Viana do Alentejo, pouco tempo depois de ter regressado de Paris, onde residiu dois anos com a família - a esposa Maria da Conceição e a filha Marta Maria. Após concluir o Curso de Ciências Pedagógicas na Faculdade de Letras de Coimbra, no início dos anos 50, e depois de alguns anos a lecionar no ensino secundário, concorreu para professor da ESBAP. Essa carreira atingiu o seu auge a partir de 1975/76, quando se dedica por inteiro à gestão escolar na ESBAP, sendo o iniciador das “Exposições Encontro”, visando levar as artes ao interior do país, e o grande impulsionador das comemorações dos 200 anos da ESBAP (1980).

Criou em 1996 “O Lugar do Desenho – Fundação Júlio Resende”, para divulgar o seu volumoso acervo (mais de duas mil obras, principalmente desenhos) e "promover acções culturais com a comunidade".


(1)-Júlio Resende, “Autobiografia”, edição “O Jornal”, Lisboa, 1987.

Currículo completo no site de Vitor Marcelino.

Júlio Resende, "Avô e Neta", óleo s/tela, 1943



Júlio Resende, "Kathiv", óleo s/tela, 1998

terça-feira, 13 de setembro de 2011

JOÃO ALVES NA CASA DA CULTURA DE SEIA

No Foyer do cineteatro da Casa da Cultura, encontra-se patente uma exposição de pintura de João Alves, com obras de grande interesse graças à sobreposição de conteúdos simbólicos e abordagem técnica. João Alves é natural de São Romão, Seia, onde nasceu há 38 anos.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Prémio EDP Novos Artistas 2011 distingue Priscila Fernandes

Artista é natural de Coimbra mas reside em Roterdão


Mais uma vez, o prémio EDP Novos Artistas foi atribuído a um artista nacional com formação no estrangeiro e em início de carreira internacional. No caso, uma artista, Priscila Fernandes. Justamente, acrescente-se, embora o mesmo pudesse dizer-se em relação a muitos dos 407 candidatos iniciais, mas, seguramente, dos restantes 8 finalistas: Ana Manso (Lisboa, 1984); André Trindade (Lisboa, 1981); Carla Filipe (Aveiro, 1973); Catarina Botelho (Lisboa, 1981); Catarina Dias (Londres, 1979); João Serra (Lisboa, 1976); Nuno da Luz (Lisboa, 1984); Vasco Barata (Lisboa, 1974). Ver obras dos finalistas em ARTECAPITAL.

Os nossos maiores artistas internacionais (mas também cinestas, arquitetos, escritores, estilistas) só se tornaram famosos no seu país natal após anos de luta pela consagração no estrangeiro, sobretudo em Paris e Londres, mas também em Tóquio, Hong Kong, Nova Iorque. Basta lembrar alguns dos mais conhecidos artistas da diáspora (Amadeo de Souza-Cardoso, Vieira da Silva, Lourdes Castro e René Bertholo, Manuel Alvess, Paula Rego, João Penalva, ...). Alguns, nasceram no seio de famílias de emigrantes – como o Prémio EDP 2000, Joana Vasconcelos (Paris, 1971) ou o Prémio EDP 2009, Gabriel Abrantes (Chapel Hill, Carolina do Norte, E.U.A., 1984). Trata-se, afinal, de um prémio destinado a promover em Portugal artistas portugueses em começo de carreira no estrangeiro. Fala-se mesmo em “recurso legitimador das carreiras artísticas”, se bem que o valor do prémio (10.500€) tenha destino fixo e acertado: “prosseguimento ou desenvolvimento dos seus estudos” ou “concretização de um projeto artístico específico”. Percebe-se que estes prémios pretendem agitar e promover as artes nacionais fomentando a emigração de jovens artistas, o que até faz sentido considerando as dificuldades que vivemos. A verdade é que nunca tivemos artes relevantes no contexto ibérico e muito menos no europeu, precisamente por causa desta mentalidade fechada, que despromove e desmotiva o que é nacional e elege como bitola ou já exemplo a seguir, digno das mais esmeradas cópias e seguidismos nacionais, “o melhor que se faz lá fora” – seja esse “melhor” o que for, no entendimento de cada um. Parabéns a todos.

Os nove artistas finalistas receberam 2.500€ para concretizarem os projetos que se encontram expostos no Museu da Eletricidade em Belém, Lisboa, até ao dia 18 de setembro. A exposição foi comissariada por Delfim Sardo e Nuno Crespo (comissários independentes) e João Pinharanda (representando a EDP), que selecionaram os artistas. O júri internacional de premiação foi constituído por Alexandre Melo (curador e crítico de arte), José Pedro Croft (artista plástico e vencedor do Prémio EDP de Desenho 2001), Lynne Cooke (subdiretora do Museu Reina Sofia, em Madrid), Moacir dos Anjos (curador da 29ª Bienal de S. Paulo, Brasil) e José Manuel dos Santos (diretor de cultura da Fundação EDP).

O prémio foi atribuído a Priscila Fernandes pelas suas propostas no campo da Instalação, Pintura e Vídeo. A artista nasceu em Coimbra, em 1981, e vive em Roterdão, Holanda. Licenciou-se em Pintura no National College of Art and Design, em Dublin, na República da Irlanda, e fez o mestrado em Belas-Artes no Piet Zwart Institute, Willem de Kooning Academy da Universidade de Roterdão.

André Trindade foi distinguido com uma menção honrosa pela sua obra “Sem a cabeça estar bem cosida, não vale a pena comer a língua”, combinando Escultura, Instalação e Vídeo.

O maior prémio nacional destinado a “distinguir artistas em início de carreira com propostas criativas originais e inovadoras no contexto nacional e internacional”, foi criado em 2000 e é bienal. Nas 8 edições anteriores, foram premiados: Joana Vasconcelos (2000), Leonor Antunes (2001), Vasco Araújo (2002), Carlos Bunga (2003), e João Maria Gusmão / Pedro Paiva (2004), João Leonardo (2005), André Romão (2007) e Gabriel Abrantes (2009).

Notícia dos premiados no Site da EDP.

PINTURA DE JOSÉ AGUILAR


Nas galerias da Casa Municipal da Cultura de Seia, decorre até final do mês de setembro a exposição retrospetiva que José Santos Aguilar tem levado, com mais ou menos obras, a diversas localidades do centro do país.

A pintura de José Aguilar tem uma matriz geométrica e abtracta, não sendo decididamente um abstracionista geométrico e mostrando-se frequentemente insatisfeito com o puro abstracionismo. Sem pretensiosismos nem conteúdos complexos. Como ele próprio diz, “Quando pinto faço-o com o coração e não apenas com os olhos. O que pretendo é criar algo belo e colorido que seja facilmente identificável”.

Na verdade, trata-se de uma pintura poética, inspirando sensações de equilíbrio e harmonia através do desenho das formas e da simbologia da cor. Sobretudo quando se abstrai da tentação indecisa de representar, o artista assume o quadro como janela de acesso a um mundo paralelo de formas geometrizadas vibrantes de cor, territórios coloridos, rios de luz. José Aguilar entende a arte como o mais puro exercício criativo, que faculta experiências únicas e abre novas dimensões humanas – uma perspetiva que enquadra os títulos das exposições mais recentes (“A Leveza do Ser”, “Paisagens do Imaginário”, “I Love the Light”) e também sugerida por Lídia Soares no texto de apresentação da exposição: "Sairmos de nós para observarmos e para que outros observem mundos de sonhos e de vivências que por vezes o próprio tem ignorados, é uma missão fascinante reservada aos artistas.”

Nascido em Dominguiso, Covilhã, em 1948, José Santos Aguilar começou a pintar como autodidata em 1975. Frequentou em Lisboa o curso de Desenho do I.A.T.A. e um curso de Gravura na Ar.Co. ministrado por João Hogan, entre outros cursos de Desenho, Pintura e História da Arte.

Participou em exposições coletivas no Salão de Turismo da Covilhã (1984), no Lyons Clube da Covilhã (1985), no Espaço Lapin (1986) e na Galeria Mistral, Paris (1987). A sua primeira exposição individual teve lugar no Centro Hospitalar da Cova da Beira, em 2008. Desde então, realizou várias exposições individuais, destacando-se as seguintes: “10 Anos de Pintura”, Casa dos Magistrados da Covilhã (agosto 2010); “Pintura 2000-2010”, Casa Municipal da Cultura de Arganil (novembro 2010); “A Leveza do Ser”, Casa da Cultura César de Oliveira - Oliveira do Hospital (janeiro 2011); Biblioteca Municipal de Tábua (março 2011); “Paisagens do Imaginário", Casa da Cultura Santa Comba Dão (maio, 2011), Biblioteca Municipal Dr. Motta & Moura, Nisa (junho 2011); “I Love the Light”, Casa de Artes e Cultura do Tejo, Vila Velha de Ródão (agosto 2011).

Pintura de José Aguilar, Galerias da Casa Municipal da Cultura de Seia, 01 a 30 de setembro, de Segunda a Sexta-Feira, das 10 às 18 horas e aos Domingos das 15 H às 17:30 Horas.

Vista parcial da exposição


José Aguilar, "A Leveza do Ser IV", óleo s/tela


José Aguilar, "Desalento", óleo s/tela

terça-feira, 6 de setembro de 2011

TRIBUTO


As ruas e becos da Mouraria lisboeta servem de palco há dois anos a uma curiosa exposição de rua da fotógrafa britânica Camilla Watson, que reside em Lisboa há cerca de quatro anos.

O projeto “Tributo” pretende homenagear os residentes do Beco das Farinhas, vizinhos do seu atelier no Largo dos Trigueiros, e consiste na impressão e afixação dos seus retratos e nomes na fachada do respetivo prédio. As imagens foram impressas em suportes duradouros (VER exemplos). Atualmente, Camilla Watson realiza impressões de grande formato diretamente em paredes (com uma câmara escura móvel), madeiras (incluindo portas) e mosaicos. Um trabalho respeitado até pelos grafiteiros, que têm poupado as suas fotografias.

O tema principal da fotógrafa são as pessoas na sua comunidade e, nesse sentido, tem colaborado em diversos projetos da Associação Renovar a Mouraria, da qual é sócia, assim como em iniciativas da Junta de Freguesia de São Cristóvão e São Lourenço e Câmara Municipal de Lisboa (“Todos, Caminhada de Culturas, 2009 e 2010, “Dentro-Fora/Passado-Presente”, 2010). A exposição alargou-se assim a outros sítios da Mouraria e tornou-se conhecida no estrangeiro, divulgada por amigos e turistas. Em 2010, realizou uma exposição individual no Museu da Cidade de Almada, intitulada “Gente de Almada”.

Nascida no Reino Unido em 1967, Camilla Watson começou como fotógrafa de cena de teatro, passando depois para o retrato e fotografia de reportagem, que a levou a diversas paragens. Em 2001, aceitou trabalhar num projeto de uma ONG (Associação Meninos do Morumbi) em São Paulo, Brasil, e por lá ficou três anos, a ensinar fotografia a crianças e jovens das favelas. Esta experiência foi o tema de uma exposição individual de fotografia na Fábrica Braço de Prata (outubro 2007).

Links:


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

MANUEL BAPTISTA

“Fora de Escala: Desenhos e Esculturas (1960-1970)” no Centro Cultural de Lagos

Graças à colaboração da Fundação EDP com o Centro Cultural de Lagos e ao seu envolvimento no Allgarve’11, a exposição Fora de Escala: desenhos e esculturas de Manuel Baptista (1960-1970) realizada no Museu da Eletricidade entre 26 de fevereiro e 15 de maio de 2011, pode ser vista em Lagos até 8 de outubro.

A exposição reune desenhos e projetos menos conhecidos do artista algarvio, realizados desde meados dos anos 60 a meados dos anos 70. Alguns desses projetos só recentemente foram concretizados em esculturas, para a exposição homónima no Museu da Eletricidade, o que amplia o interesse da exposição em Lagos. O crítico e curador da exposição/Fundação EDP, João Pinharanda, fala mesmo em “rara oportunidade histórica”, a propósito da exposição de Lisboa, classificando justamente a exposição como “uma das mais significativas exposições nacionais deste ano” (1)

Joaquim MANUEL Guerreiro BAPTISTA nasceu em 1936 em Faro, cidade onde reside. Em 1957, matriculou-se na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa para frequentar Arquitetura mas acabou por se licenciar em Pintura, em 1962. Foi bolseiro da FCG em Paris (1962-63) e do IAC em Ravena (1968). Lecionou pintura na Escola de Belas Artes de Lisboa até 1972.
Artista abstrato geometrizante, a sua obra é marcada pelos grandes espaços iluminados e cores do Algarve, em formas justapostas que lembram a “confluência da luz e da sombra” (Rocha de Sousa, “Manuel Baptista – relato duma pesquisa coerente”, Colóquio-Artes, junho de 1974), relevos e “formas recortadas que dá origem a um subtil claro-escuro e que permite sucessivas leituras das superfícies” (Fernando Azevedo, catálogo da exposição “Pintura Portuguesa de Hoje, Abstratos e Neo-Figurativos”, Lisboa, Salamanca, Barcelona, 1973). Uma obra que se alarga à tapeçaria e à gravura.

Realizou a sua primeira exposição individual em 1957, no Círculo Cultural do Algarve, Faro. Apresentou a sua primeira exposição retrospetiva de desenho e pintura (1956-1988) em Loulé, no Convento do Espírito Santo. Até 2011, realizou mais de trinta exposições individuais e participou em largas dezenas de exposições coletivas.

Nos anos 60, passou a registar o seu pensamento estético em cadernos diversos, ideias expressas pelo desenho, com uma sequência lógica e datada. Alguns desses registos e cadernos (1961-1993) integram a exposição, relacionados com as esculturas finalmente realizadas em 2011: “Porta-arbustos” (1968-70/2011); “Arbusto 1” (sem data/2011); “Duplo Arbusto” (1968-70/2011); “Envelope 1” (1968-70/2011); “Arbusto 2” (1968-70/2011); “Camisa e Gravata” (1973/2011 - Alumínio); “Camisa e Gravata” (1973/2011 – Néon e alumínio); “Objeto Suspenso (Metal)” (1968-70/2011); “Novelo” (1968-70/2011); “Mesa Posta (sem data/2011); “Objeto Suspenso” (1968-70/2011 – réguas de madeira); “Duplo Objeto” (sem data/2011); “Casulo” (1968-70/2011); Arbusto Paisagem (sem data/2011); “Ball of Thread” (1968-70/2011); “Corbeille” (1973/2011). A exposição permite, assim, redescobrir uma faceta pouco conhecida do artista e contribuir para a reescrita da história da escultura portuguesa da década anterior a 1974. Nessa década, vários artistas não conseguiram concretizar os seus projetos e, segundo João Pinharanda (3), “a História da Arte em Portugal teria sido diferente" se as tivessem concretizado.
Em 1990, realizou uma exposição retrospetiva de pintura (1963-1990) na SNBA. Em 1996, teve lugar da Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea , em Almada, a primeira exposição antológica. A exposição “Fora de Escala” no Museu da Eletricidade (2011) representou, para o artista, “a concretização de um sonho”(3).

Foi distinguido com vários prémios, entre os quais: 1º Prémio de Pintura no I Salão de Vila Franca de Xira (1960); 1º Prémio de Pintura na Exposição Guérin (1968); Prémio Soquil (1970); 2º Prémio ARÚS (1982); Grande Prémio de Pintura da IV Bienal de Vila Nova de Cerveira (1984); Prémio de Aquisição na II Mostra de Lagos (1984).

A exposição oferece ainda dois videos, o primeiro dos quais sobre a reunião com o artista para escolher os projetos, materiais e cores. O segundo, apresenta imagens da montagem da exposição no Museu da Eletricidade, em fevereiro de 2011.

(1)- Textos de apresentação da exposição no Museu da Eletricidade, CCL e Allgarve’11.
(2)-Maria João Avillez, “Os Pintores do Levante”, Público Magazine, 24 de julho 1994.
(3)- Em declarações à Lusa por ocasião da exposição no Museu da Eletricidade.

Vista parcial da exposição (sala do r/c). Em primeiro plano, "Porta-arbustos" (1968-70/2011, acrílico e alumínio)

"Arbusto 1" (sem data/2011, alumínio)

Cadernos de desenhos (1961-1993)

"Arbusto 2" (1968-1970/2011, acrílico). Ao fundo, "Envelope 1" (1968-70/2011 - acrílico)

"Mesa Posta" (sem data/2011, madeira)

"Corbeille" (1973/2011, alumínio e néon)