quarta-feira, 21 de setembro de 2011

JÚLIO RESENDE (1917-2011)

“Os tubos de tinta estão em aparente desalinho sobre o chão. No cavalete, um espaço num desafio. Os pincéis estão ao alcance da mão.” (1)

Faleceu hoje em Valbom, Gondomar, o pintor Júlio Resende. Uma referência cultural da cidade do Porto e uma figura de relevo no panorama artístico nacional da segunda metade do século XX, Resende completaria 94 anos em 23 de outubro. Para amanhã, 22 de setembro, estava prevista a sua presença em Lisboa, na inauguração da exposição "Resende, uma mão cheia de cor: um pintor de mão cheia", na galeria São Roque.

Como artista, Resende iniciou-se no neorrealismo, na peugada de Dórdio Gomes e tendo por companheiros artistas como Júlio Pomar, Manuel Guimarães (que se destacou no cinema) ou Fernando Lanhas. Foi grande amigo de Vergílio Ferreira (que escreveu um belíssimo texto para o primeiro documentário sobre J.R., realizado em 1968 por Manuel Guimarães), Roger Avermaete, Angel Crespo, Júlio Charrua, Eugénio de Andrade, José Régio, Jorge Amado, Mário Cravo Fillho, entre muitas outras destacadas figuras da cultura francesa, belga, brasileira e espanhola, havendo ainda a referir a sua presença em Osaka em 1970, para a direção plástica do Espetáculo de Portugal na Exposição Mundial de Osaka, liderando uma equipa constituída por Amândio Silva, Ângelo de Sousa e José Rodrigues.

Realizou a primeira exposição individual em 1944, no Salão Silva Porto, dois anos antes de completar o curso da ESBAP e de seguir para Paris com uma bolsa do Instituto para a Alta Cultura, que conseguiu renovar até 1948. Aí lançou as fundações de uma carreira artística internacional, muito diversificada (desenho, pintura, gravura, pintura a fresco, vitral, painéis cerâmicos, ilustração de obras literárias e cenários teatrais), com diversos prémios (Prémio Nacional de Pintura da Academia de Belas-Artes, Prémios Armando de Basto e Sousa Cardoso, Prémio Especial da Bienal de Arte de S. Paulo, 1º lugar no Concurso para o Monumento ao Infante D. Henrique, Medalha de Prata na Exposição Internacional de Bruxelas, 1º Prémio de Artes Gráficas na X Bienal de S. Paulo, entre outros) e distinções, com destaque para: Medalha de Ouro da Cidade do Porto, o Grau de Oficial da Ordem de Santiago de Espada em Portugal e da Ordem de Mérito Civil do Rei de Espanha, etc. As suas obras públicas mais conhecidas em Portugal são os murais "Ribeira Negra", na Ribeira do Porto, e o da estação de Sete Rios do Metropolitano de Lisboa.

Enquanto professor, Júlio Resende foi uma referência fundamental para sucessivas de gerações de estudantes de arte – muitos deles futuros artistas – que passaram pela Escola Superior de Belas Artes do Porto entre 1963 (quando entrou para a ESBAP como primeiro assistente de Pintura, após ter sido aprovado “em mérito absoluto” em concurso para professor dessa escola superior) e 1987 (quando atinge o limite de tempo de serviço no ensino e profere a última lição). Quando era estudante acalentava a ideia de seguir a carreira artística, de modo a que a arte pudesse ser o seu modo de vida, mas logo percebeu que haveria de seguir uma carreira no ensino, por “emergência”, como ele próprio confessou na sua autobiografia. Em 1948, assumiu um horário de professor numa escola de olaria em Viana do Alentejo, pouco tempo depois de ter regressado de Paris, onde residiu dois anos com a família - a esposa Maria da Conceição e a filha Marta Maria. Após concluir o Curso de Ciências Pedagógicas na Faculdade de Letras de Coimbra, no início dos anos 50, e depois de alguns anos a lecionar no ensino secundário, concorreu para professor da ESBAP. Essa carreira atingiu o seu auge a partir de 1975/76, quando se dedica por inteiro à gestão escolar na ESBAP, sendo o iniciador das “Exposições Encontro”, visando levar as artes ao interior do país, e o grande impulsionador das comemorações dos 200 anos da ESBAP (1980).

Criou em 1996 “O Lugar do Desenho – Fundação Júlio Resende”, para divulgar o seu volumoso acervo (mais de duas mil obras, principalmente desenhos) e "promover acções culturais com a comunidade".


(1)-Júlio Resende, “Autobiografia”, edição “O Jornal”, Lisboa, 1987.

Currículo completo no site de Vitor Marcelino.

Júlio Resende, "Avô e Neta", óleo s/tela, 1943



Júlio Resende, "Kathiv", óleo s/tela, 1998

terça-feira, 13 de setembro de 2011

JOÃO ALVES NA CASA DA CULTURA DE SEIA

No Foyer do cineteatro da Casa da Cultura, encontra-se patente uma exposição de pintura de João Alves, com obras de grande interesse graças à sobreposição de conteúdos simbólicos e abordagem técnica. João Alves é natural de São Romão, Seia, onde nasceu há 38 anos.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Prémio EDP Novos Artistas 2011 distingue Priscila Fernandes

Artista é natural de Coimbra mas reside em Roterdão


Mais uma vez, o prémio EDP Novos Artistas foi atribuído a um artista nacional com formação no estrangeiro e em início de carreira internacional. No caso, uma artista, Priscila Fernandes. Justamente, acrescente-se, embora o mesmo pudesse dizer-se em relação a muitos dos 407 candidatos iniciais, mas, seguramente, dos restantes 8 finalistas: Ana Manso (Lisboa, 1984); André Trindade (Lisboa, 1981); Carla Filipe (Aveiro, 1973); Catarina Botelho (Lisboa, 1981); Catarina Dias (Londres, 1979); João Serra (Lisboa, 1976); Nuno da Luz (Lisboa, 1984); Vasco Barata (Lisboa, 1974). Ver obras dos finalistas em ARTECAPITAL.

Os nossos maiores artistas internacionais (mas também cinestas, arquitetos, escritores, estilistas) só se tornaram famosos no seu país natal após anos de luta pela consagração no estrangeiro, sobretudo em Paris e Londres, mas também em Tóquio, Hong Kong, Nova Iorque. Basta lembrar alguns dos mais conhecidos artistas da diáspora (Amadeo de Souza-Cardoso, Vieira da Silva, Lourdes Castro e René Bertholo, Manuel Alvess, Paula Rego, João Penalva, ...). Alguns, nasceram no seio de famílias de emigrantes – como o Prémio EDP 2000, Joana Vasconcelos (Paris, 1971) ou o Prémio EDP 2009, Gabriel Abrantes (Chapel Hill, Carolina do Norte, E.U.A., 1984). Trata-se, afinal, de um prémio destinado a promover em Portugal artistas portugueses em começo de carreira no estrangeiro. Fala-se mesmo em “recurso legitimador das carreiras artísticas”, se bem que o valor do prémio (10.500€) tenha destino fixo e acertado: “prosseguimento ou desenvolvimento dos seus estudos” ou “concretização de um projeto artístico específico”. Percebe-se que estes prémios pretendem agitar e promover as artes nacionais fomentando a emigração de jovens artistas, o que até faz sentido considerando as dificuldades que vivemos. A verdade é que nunca tivemos artes relevantes no contexto ibérico e muito menos no europeu, precisamente por causa desta mentalidade fechada, que despromove e desmotiva o que é nacional e elege como bitola ou já exemplo a seguir, digno das mais esmeradas cópias e seguidismos nacionais, “o melhor que se faz lá fora” – seja esse “melhor” o que for, no entendimento de cada um. Parabéns a todos.

Os nove artistas finalistas receberam 2.500€ para concretizarem os projetos que se encontram expostos no Museu da Eletricidade em Belém, Lisboa, até ao dia 18 de setembro. A exposição foi comissariada por Delfim Sardo e Nuno Crespo (comissários independentes) e João Pinharanda (representando a EDP), que selecionaram os artistas. O júri internacional de premiação foi constituído por Alexandre Melo (curador e crítico de arte), José Pedro Croft (artista plástico e vencedor do Prémio EDP de Desenho 2001), Lynne Cooke (subdiretora do Museu Reina Sofia, em Madrid), Moacir dos Anjos (curador da 29ª Bienal de S. Paulo, Brasil) e José Manuel dos Santos (diretor de cultura da Fundação EDP).

O prémio foi atribuído a Priscila Fernandes pelas suas propostas no campo da Instalação, Pintura e Vídeo. A artista nasceu em Coimbra, em 1981, e vive em Roterdão, Holanda. Licenciou-se em Pintura no National College of Art and Design, em Dublin, na República da Irlanda, e fez o mestrado em Belas-Artes no Piet Zwart Institute, Willem de Kooning Academy da Universidade de Roterdão.

André Trindade foi distinguido com uma menção honrosa pela sua obra “Sem a cabeça estar bem cosida, não vale a pena comer a língua”, combinando Escultura, Instalação e Vídeo.

O maior prémio nacional destinado a “distinguir artistas em início de carreira com propostas criativas originais e inovadoras no contexto nacional e internacional”, foi criado em 2000 e é bienal. Nas 8 edições anteriores, foram premiados: Joana Vasconcelos (2000), Leonor Antunes (2001), Vasco Araújo (2002), Carlos Bunga (2003), e João Maria Gusmão / Pedro Paiva (2004), João Leonardo (2005), André Romão (2007) e Gabriel Abrantes (2009).

Notícia dos premiados no Site da EDP.

PINTURA DE JOSÉ AGUILAR


Nas galerias da Casa Municipal da Cultura de Seia, decorre até final do mês de setembro a exposição retrospetiva que José Santos Aguilar tem levado, com mais ou menos obras, a diversas localidades do centro do país.

A pintura de José Aguilar tem uma matriz geométrica e abtracta, não sendo decididamente um abstracionista geométrico e mostrando-se frequentemente insatisfeito com o puro abstracionismo. Sem pretensiosismos nem conteúdos complexos. Como ele próprio diz, “Quando pinto faço-o com o coração e não apenas com os olhos. O que pretendo é criar algo belo e colorido que seja facilmente identificável”.

Na verdade, trata-se de uma pintura poética, inspirando sensações de equilíbrio e harmonia através do desenho das formas e da simbologia da cor. Sobretudo quando se abstrai da tentação indecisa de representar, o artista assume o quadro como janela de acesso a um mundo paralelo de formas geometrizadas vibrantes de cor, territórios coloridos, rios de luz. José Aguilar entende a arte como o mais puro exercício criativo, que faculta experiências únicas e abre novas dimensões humanas – uma perspetiva que enquadra os títulos das exposições mais recentes (“A Leveza do Ser”, “Paisagens do Imaginário”, “I Love the Light”) e também sugerida por Lídia Soares no texto de apresentação da exposição: "Sairmos de nós para observarmos e para que outros observem mundos de sonhos e de vivências que por vezes o próprio tem ignorados, é uma missão fascinante reservada aos artistas.”

Nascido em Dominguiso, Covilhã, em 1948, José Santos Aguilar começou a pintar como autodidata em 1975. Frequentou em Lisboa o curso de Desenho do I.A.T.A. e um curso de Gravura na Ar.Co. ministrado por João Hogan, entre outros cursos de Desenho, Pintura e História da Arte.

Participou em exposições coletivas no Salão de Turismo da Covilhã (1984), no Lyons Clube da Covilhã (1985), no Espaço Lapin (1986) e na Galeria Mistral, Paris (1987). A sua primeira exposição individual teve lugar no Centro Hospitalar da Cova da Beira, em 2008. Desde então, realizou várias exposições individuais, destacando-se as seguintes: “10 Anos de Pintura”, Casa dos Magistrados da Covilhã (agosto 2010); “Pintura 2000-2010”, Casa Municipal da Cultura de Arganil (novembro 2010); “A Leveza do Ser”, Casa da Cultura César de Oliveira - Oliveira do Hospital (janeiro 2011); Biblioteca Municipal de Tábua (março 2011); “Paisagens do Imaginário", Casa da Cultura Santa Comba Dão (maio, 2011), Biblioteca Municipal Dr. Motta & Moura, Nisa (junho 2011); “I Love the Light”, Casa de Artes e Cultura do Tejo, Vila Velha de Ródão (agosto 2011).

Pintura de José Aguilar, Galerias da Casa Municipal da Cultura de Seia, 01 a 30 de setembro, de Segunda a Sexta-Feira, das 10 às 18 horas e aos Domingos das 15 H às 17:30 Horas.

Vista parcial da exposição


José Aguilar, "A Leveza do Ser IV", óleo s/tela


José Aguilar, "Desalento", óleo s/tela

terça-feira, 6 de setembro de 2011

TRIBUTO


As ruas e becos da Mouraria lisboeta servem de palco há dois anos a uma curiosa exposição de rua da fotógrafa britânica Camilla Watson, que reside em Lisboa há cerca de quatro anos.

O projeto “Tributo” pretende homenagear os residentes do Beco das Farinhas, vizinhos do seu atelier no Largo dos Trigueiros, e consiste na impressão e afixação dos seus retratos e nomes na fachada do respetivo prédio. As imagens foram impressas em suportes duradouros (VER exemplos). Atualmente, Camilla Watson realiza impressões de grande formato diretamente em paredes (com uma câmara escura móvel), madeiras (incluindo portas) e mosaicos. Um trabalho respeitado até pelos grafiteiros, que têm poupado as suas fotografias.

O tema principal da fotógrafa são as pessoas na sua comunidade e, nesse sentido, tem colaborado em diversos projetos da Associação Renovar a Mouraria, da qual é sócia, assim como em iniciativas da Junta de Freguesia de São Cristóvão e São Lourenço e Câmara Municipal de Lisboa (“Todos, Caminhada de Culturas, 2009 e 2010, “Dentro-Fora/Passado-Presente”, 2010). A exposição alargou-se assim a outros sítios da Mouraria e tornou-se conhecida no estrangeiro, divulgada por amigos e turistas. Em 2010, realizou uma exposição individual no Museu da Cidade de Almada, intitulada “Gente de Almada”.

Nascida no Reino Unido em 1967, Camilla Watson começou como fotógrafa de cena de teatro, passando depois para o retrato e fotografia de reportagem, que a levou a diversas paragens. Em 2001, aceitou trabalhar num projeto de uma ONG (Associação Meninos do Morumbi) em São Paulo, Brasil, e por lá ficou três anos, a ensinar fotografia a crianças e jovens das favelas. Esta experiência foi o tema de uma exposição individual de fotografia na Fábrica Braço de Prata (outubro 2007).

Links:


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

MANUEL BAPTISTA

“Fora de Escala: Desenhos e Esculturas (1960-1970)” no Centro Cultural de Lagos

Graças à colaboração da Fundação EDP com o Centro Cultural de Lagos e ao seu envolvimento no Allgarve’11, a exposição Fora de Escala: desenhos e esculturas de Manuel Baptista (1960-1970) realizada no Museu da Eletricidade entre 26 de fevereiro e 15 de maio de 2011, pode ser vista em Lagos até 8 de outubro.

A exposição reune desenhos e projetos menos conhecidos do artista algarvio, realizados desde meados dos anos 60 a meados dos anos 70. Alguns desses projetos só recentemente foram concretizados em esculturas, para a exposição homónima no Museu da Eletricidade, o que amplia o interesse da exposição em Lagos. O crítico e curador da exposição/Fundação EDP, João Pinharanda, fala mesmo em “rara oportunidade histórica”, a propósito da exposição de Lisboa, classificando justamente a exposição como “uma das mais significativas exposições nacionais deste ano” (1)

Joaquim MANUEL Guerreiro BAPTISTA nasceu em 1936 em Faro, cidade onde reside. Em 1957, matriculou-se na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa para frequentar Arquitetura mas acabou por se licenciar em Pintura, em 1962. Foi bolseiro da FCG em Paris (1962-63) e do IAC em Ravena (1968). Lecionou pintura na Escola de Belas Artes de Lisboa até 1972.
Artista abstrato geometrizante, a sua obra é marcada pelos grandes espaços iluminados e cores do Algarve, em formas justapostas que lembram a “confluência da luz e da sombra” (Rocha de Sousa, “Manuel Baptista – relato duma pesquisa coerente”, Colóquio-Artes, junho de 1974), relevos e “formas recortadas que dá origem a um subtil claro-escuro e que permite sucessivas leituras das superfícies” (Fernando Azevedo, catálogo da exposição “Pintura Portuguesa de Hoje, Abstratos e Neo-Figurativos”, Lisboa, Salamanca, Barcelona, 1973). Uma obra que se alarga à tapeçaria e à gravura.

Realizou a sua primeira exposição individual em 1957, no Círculo Cultural do Algarve, Faro. Apresentou a sua primeira exposição retrospetiva de desenho e pintura (1956-1988) em Loulé, no Convento do Espírito Santo. Até 2011, realizou mais de trinta exposições individuais e participou em largas dezenas de exposições coletivas.

Nos anos 60, passou a registar o seu pensamento estético em cadernos diversos, ideias expressas pelo desenho, com uma sequência lógica e datada. Alguns desses registos e cadernos (1961-1993) integram a exposição, relacionados com as esculturas finalmente realizadas em 2011: “Porta-arbustos” (1968-70/2011); “Arbusto 1” (sem data/2011); “Duplo Arbusto” (1968-70/2011); “Envelope 1” (1968-70/2011); “Arbusto 2” (1968-70/2011); “Camisa e Gravata” (1973/2011 - Alumínio); “Camisa e Gravata” (1973/2011 – Néon e alumínio); “Objeto Suspenso (Metal)” (1968-70/2011); “Novelo” (1968-70/2011); “Mesa Posta (sem data/2011); “Objeto Suspenso” (1968-70/2011 – réguas de madeira); “Duplo Objeto” (sem data/2011); “Casulo” (1968-70/2011); Arbusto Paisagem (sem data/2011); “Ball of Thread” (1968-70/2011); “Corbeille” (1973/2011). A exposição permite, assim, redescobrir uma faceta pouco conhecida do artista e contribuir para a reescrita da história da escultura portuguesa da década anterior a 1974. Nessa década, vários artistas não conseguiram concretizar os seus projetos e, segundo João Pinharanda (3), “a História da Arte em Portugal teria sido diferente" se as tivessem concretizado.
Em 1990, realizou uma exposição retrospetiva de pintura (1963-1990) na SNBA. Em 1996, teve lugar da Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea , em Almada, a primeira exposição antológica. A exposição “Fora de Escala” no Museu da Eletricidade (2011) representou, para o artista, “a concretização de um sonho”(3).

Foi distinguido com vários prémios, entre os quais: 1º Prémio de Pintura no I Salão de Vila Franca de Xira (1960); 1º Prémio de Pintura na Exposição Guérin (1968); Prémio Soquil (1970); 2º Prémio ARÚS (1982); Grande Prémio de Pintura da IV Bienal de Vila Nova de Cerveira (1984); Prémio de Aquisição na II Mostra de Lagos (1984).

A exposição oferece ainda dois videos, o primeiro dos quais sobre a reunião com o artista para escolher os projetos, materiais e cores. O segundo, apresenta imagens da montagem da exposição no Museu da Eletricidade, em fevereiro de 2011.

(1)- Textos de apresentação da exposição no Museu da Eletricidade, CCL e Allgarve’11.
(2)-Maria João Avillez, “Os Pintores do Levante”, Público Magazine, 24 de julho 1994.
(3)- Em declarações à Lusa por ocasião da exposição no Museu da Eletricidade.

Vista parcial da exposição (sala do r/c). Em primeiro plano, "Porta-arbustos" (1968-70/2011, acrílico e alumínio)

"Arbusto 1" (sem data/2011, alumínio)

Cadernos de desenhos (1961-1993)

"Arbusto 2" (1968-1970/2011, acrílico). Ao fundo, "Envelope 1" (1968-70/2011 - acrílico)

"Mesa Posta" (sem data/2011, madeira)

"Corbeille" (1973/2011, alumínio e néon)

Sugestões para um verão de artes


O verão português é tradicionalmente animado por eventos artísticos de grande dimensão e projeção, a juntar ao sem número de acontecimentos culturais que compõem – e bem - a oferta turística nacional. Pode até dizer-se que não há terra sem a sua exposição, feira, museu, todas de visita recomendada a quem desejar sentir de facto o espírito local e compreender verdadeiramente essas terras e as suas gentes. No entanto, essas mostras de autênticos tesouros locais são para se descobrir com surpresa, saboreando o encanto e a maravilha, e por isso eu nunca as incluiria num roteiro de viagem. Abundam acontecimentos artísticos de verão que, tal como os festivais de música ou de gastronomia, justificam por si só uma viagem ou um desvio, ou mesmo uma aventura de férias no Portugal desconhecido. Alguns deles são mesmo imperdíveis, por via de uma certa dimensão histórica (pelo que trazem de novo ou de irrepetível) ou devido à sua periodicidade bienal - especialmente quando se avizinham tempos difíceis, que podem baralhar as pintas dos dados da cultura e abalar o futuro de alguns destes eventos culturais.

Assim, deixo aqui algumas sugestões para um verão de artes, de norte a sul do continente, Madeira e Açores.

16ª Bienal de Cerveira - vista parcial da exposição no Forum Cultural

A 16ª edição da Bienal de artes mais antiga de Portugal oferece até 17 de setembro um conjunto diversificado de iniciativas centradas nas exposições em Vila Nova de Cerveira, a “Vila das Artes”. Cerca de 150 obras do concurso internacional e artistas convidados distribuem-se pelo Fórum Cultural, Castelo de Cerveira e Casa Vermelha. Se necessitar de um bom motivo para seguir até Vigo, a Bienal alargou-se esta ano à maior cidade da Galiza.

O Festival Internacional dos Jardins de Ponte de Lima é um evento paisagista que se realiza anualmente desde 2005 na vila mais antiga de Portugal, com objetivos vanguardistas e ambientais. Decorre de maio a outubro, na margem direita do Lima, este ano sob o tema “A Floresta no Jardim”. Concorreram 58 projetos de 12 países para os 11 espaços disponíveis. É também um dos poucos festivais pensados com um ano de antecedência e, para 2012, o tema é surpreendente e inspirador: “Jardins p’ra Comer”.


"My Choice" inaugurou a sede da EDP no Porto


Exposição “My Choice”, na nova sede da EDP no Porto. Até outubro, mostram-se 87 obras de 51 artistas, selecionadas por Paula Rego da vasta coleção de arte do British Council. Entre elas, obras pouco conhecidas de David Hockney e uma obra de Lucian Freud, recentemente falecido. Visite também a exposição “Off the Wall” no Museu de Serralves, ali perto, organizada pelo Whitney Museum of American Art, de Nova Iorque.

Coimbra continua a fazer boa figura com o seu Festival das Artes, este ano dedicado às “Paixões”. O festival termina a 31 de julho mas a exposição coletiva “A Pulsão do Amor”, que reune 20 artistas portugueses e estrangeiros, decorre até 17 de setembro, no Edifício do Chiado. Uma boa oportunidade para ver parte da coleção do Millenium BCP.

Lisboa mostra a exposição “Ecos do Fado na Arte Portuguesa”, uma viagem pela arte portuguesa dos séculos XIX a XXI. Dotado de características únicas e marcantes, candidato a Património Cultural Imaterial da Humanidade, pela Unesco, o Fado inspirou diversos artistas nacionais de renome e essas obras podem ser apreciadas até 17 de setembro na Sala do Risco, no Terreiro do paço. Ainda em Lisboa, no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, decorre até 09 de outubro uma importante exposição retrospetiva de João Penalva, um dos artistas portugueses mais internacionais, radicado em Londres há cerca de 40 anos.

O Festival de Performance e Artes da Terra, Escrita na Paisagem, decorre até setembro em Évora e outras localidades alentejanas, com várias exposições, teatro, dança, música, performance, workshops. Duas instalações inspiradas em Christo e Sam Spencer transformam o centro de Évora, palco central do festival e ponto de encontro de cumplicidades culturais com Avis, Estremoz, Montemor-o-Novo e Moura.



A programação das artes no âmbito do ALLGARVE’11 continua insuficiente e sem uma linha orientadora – para além de exibir as principais coleções institucionais portuguesas. Nesta 5ª edição, mostram-se obras da coleção da Fundação EDP em três exposições, duas das quais com particular interesse. “Da discussão nasce a luz”, reune em Loulé grandes nomes da escultura portuguesa contemporânea, muito bem representada na colecção da EDP. De notar, a feliz conjugação das esculturas com a vocação religiosa do espaço do Convento de Santo António dos Capuchos de Loulé. No Centro Cultural de Lagos, não deve perder-se a exposição de desenhos e esculturas do artista algarvio Manuel Batista (n. Faro, 1936). Foi também acertada a colocação da obra de Joana Vasconcelos (“Tutti Frutti”) no Aeroporto de Faro, uma importante porta de entrada no Algarve. Em Faro, mostra-se fotografia de Francisco Tropa e Eduardo Gageiro.


No Porto Santo, Madeira, decorre até final de agosto a IV Bienal Internacional de Arte Contemporânea, com obras de artistas de 35 países expostas nos mais diversos edifícios públicos e jardins. No início desse mês, a Feira dos Petiscos vai ajudar à festa.


Nos Açores, as Festas da Praia da Vitória, na Ilha Terceira (29 de julho a 7 de agosto), serão marcadas este ano por uma forte aposta nas artes plásticas devido à recente formação da Academia da Juventude e das Artes. Na Ilha do Faial, a exposição do Concurso Multiartes Porto PIMtado será inaugurada a 27 de agosto e decorrerá até 25 de setembro, na Fábrica da Baleia.


Exposição de aguarelas de António Cavaco Silva (Boliqueime, 1947-2010), na Galeria de Arte Pintor Samora Barros, Albufeira - 6 a 30 de Agosto 2011