sexta-feira, 29 de julho de 2011

RUI MONTEIRO NA 16ª BIENAL DE CERVEIRA


Entre as escassas dezenas de artistas portugueses selecionados para a 16ª Bienal de Cerveira, que abriu no passado dia 16 e decorre até 17 de setembro em Vila Nova de Cerveira, conta-se um artista de Oliveira do Hospital, Rui Monteiro.

É a segunda vez que o artista participa na prestigiada bienal portuguesa, uma estreia que remonta a 2001. Nesse ano, a Bienal de Cerveira realizou-se sob o tema da Arte, Tecnologia e Ciência. Em 2011, integrado na proposta curatorial do fotógrafo Carlos Casteleira, “Ecúmeno”, Rui Monteiro apresenta no Fórum Cultural de Cerveira uma curiosa instalação digital audio visual em formato video intitulada “Land Scape”, assim como uma performance audio visual, “Diat0m”. “Land Scape” apresenta a correspondência entre a interpretação matemática da paisagem natural e a representação digital tridimensional desses dados, utilizando sistemas de observação e identificação próprios da visão artificial. Foi ainda apresentada pelo artista, no dia de abertura da Bienal, a nova versão de “2handmotion”, “2hand12cc3d” (2011), um projeto na área dos novos instrumentos eletroacústicos que pode ser conhecido mais em pormenor no site do artista: www.ruimonteiro.net

Licenciado em Design pelas Belas Artes do Porto, Rui Monteiro chegou a trabalhar como designer gráfico mas dedica-se atualmente à investigação em novas tecnologias nas áreas da música eletroacústica e digital, visão por computador e programação. Um aspeto fundamental da sua obra é a interação entre Arte, Ciência e Tecnologia, traduzida em performances sonoras, instalações Interativas e composições audiovisuais, especialmente desde o surpreendente “Spectrum portrait “ (2005).
As suas obras já foram apresentadas no Porto 2001, Bienal de Cerveira, Futurartes (Caldas da Rainha) e Agirarte (Oliveira do Hospital), entre outros acontecimentos e festivais em Portugal, França e EUA.

O projeto curatorial “Ecúmeno” propõe-se “questionar a nossa relação com a natureza e o meio ambiente” (...) num momento em que “a Arte é inspirada pela cooperação entre as ciências da vida, o natural, o artificial e a tecnologia”. Para além de Rui Monteiro, apresenta os artistas franceses Erick Samakh e Victoria Klotz, os brasileiros Rodrigo Braga e Paulo Meira e a portuguesa Laetitia Morais.

Na sua 16ª edição, a Bienal de artes mais antiga de Portugal oferece um conjunto diversificado de iniciativas centradas nas exposições em Vila Nova de Cerveira, conhecida no norte de Portugal e na vizinha Galiza como a “Vila das Artes”. As obras do concurso internacional e artistas convidados (cerca de centena e meia de obras de pintura, escultura, instalação, fotografia, desenho, video, cerâmica, arte digital) distribuem-se pelo Fórum Cultural e Castelo de Cerveira. No Convento de San Payo, pode ser visitada uma exposição de homenagem ao escultor José Rodrigues. A Bienal integra ainda exposições em Vigo e no Porto, para promover e alargar o âmbito do evento.

VER este texto na edição Internet do jornal Correio da Beira Serra

sábado, 23 de julho de 2011

LUCIAN FREUD (1922-2011)

Francis Bacon, "Três estudos para um retrato de Lucian Freud".

Lucian Freud nasceu em Berlim em 1922. Quando ele tinha 11 anos, a sua família emigrou para Londres voluntariamente. Era neto de Sigmund Freud, que também partiu para Londres em 1938, depois da anexação da Áustria pela Alemanha – ao contrário das suas quatro irmãs, que pereceram em campos de extermínio nazis. Lucian Freud adquiriu a nacionalidade britânica em 1939 e serviu brevemente na marinha mercante britânica durante a II Guerra Mundial, tendo sido devolvido aos estudos de Belas-Artes por uma doença incapacitante. Viria a tornar-se um dos mais famosos pintores neofigurativos contemporâneos.

A pintura que o tornou conhecido privilegia o retrato com modelo, cujos volumes preferencialmente nus trabalhou com pinceladas expressivas. Para muitos, as suas melhores obras foram realizadas nos anos 50, antes dos primeiros nus (anos 60) e nus masculinos (finais dos anos 70) e, por isso, é considerado um pintor do pós-guerra. Pintou também naturezas mortas e retratos de família e amigos, sem restrições nem pudor, apresentando inperpretações plásticas muito próprias, às vezes crueis, outras vezes grotescas, mas sempre perturbantes “pelas razões de sempre - a presença real (mais do que realista) da figura humana nos seus quadros, a excessiva veemência física dos corpos representados como carne, a nudez crua dos seus modelos femininos e masculinos observados sem complacência e sem pudor, a desmesura e a deselegância de algum desses modelos, a relação pessoal do pintor com os corpos devassados e expostos das suas mulheres, amantes, filhos e amigos.”(1) Recorde-se, a propósito, o polémico retrato da rainha Elizabeth II, que o artista pintou em 2001, por ocasião dos 50 anos do seu reinado. A rainha pousou para o retrato, posteriormente doado pelo artista à Royal Collection, mas a crítica conservadora não apreciou a obra de pequeno formato, apresentando a rainha com feições distorcidas e excessivo envelhecimento da face.

Freud realizou a sua primeira exposição individual em 1944, na Alex Reid and Lefevre Gallery, em Londres. Representou a Inglaterra na 27ª Bienal de Veneza (com Ben Nicholson e Francis Bacon) em 1954, mas só em 1987 ganhou visibilidade internacional graças à retrospetiva organizada pelo British Council na capital norte-americana. Foi a sua primeira grande exposição fora de Inglaterra, mostrada depois em Paris, Londres e Berlim. A sua obra teve grande projeção internacional nos anos 90 e na primeira década do século XXI, com grandes exposições e várias retrospetivas na Europa, Japão, Austrália e EUA. Uma das suas obras (“Naked Girl with Egg”, 1980-81) encontra-se atualmente exposta no Porto, integrada na exposição “My Choice”, na sede da EDP no Porto, até 23 de outubro. Não está representado na Coleção Berardo. Muitos dos seus trabalhos atingiram valores impressionantes, especialmente "Benefits Supervisor Sleeping", um retrato de 1995, foi vendido em 2008 por 33,6 milhões de dólares.

Lucian Freud viveu e trabalhou sempre em Londres. Aí faleceu, no passado dia 2o de julho, em consequência de uma doença não divulgada.


(1) – Alexandre Pomar, AQUI.
VER FOTOS E FILMES sobre Lucian Freud.

OFF THE WALL


Arte "fora da parede" e obras de arte ativadas pelo visitante

“Off the Wall” é o título da exposição patente no Museu de Serralves até 02 de outubro 2011, reunindo diversas ações performativas de artistas internacionais de referência, realizadas principalmente na segunda metade do século XX. Trata-se de uma versão da mostra apresentada em 2010 no Whitney Museum of American Art, em Nova Iorque, acrescentada com novas obras, sobretudo de artistas portugueses - Helena Almeida, Alberto Carneiro e Fernando Calhau, e prolongada com a exposição de obras de Robert Morris.

Umas das principais características da arte do século XX é o cruzamento de géneros artísticos e formas de expressão, o que permite reinventar os modos de produção artística, alargar o conceito de arte e integrá-la mais diretamente no quotidiano. A obra de arte deixa de ser apenas um quadro para pendurar na parede, ou uma escultura, mas sim o próprio acontecimento artístico, gestos e atos performativos onde interagem as artes visuais, as artes do movimento, a música e a experimentação sonora. Porém, o caráter sempre efémero desses atos é minimizado através de registos fotográficos, cinema e video – e são estes registos que se apresentam em Serralves, quase todos na parede.

Os dadaístas, que pregavam a não-arte e criavam obras totalmente ao arrepio das conceções artísticas da época, estão na origem de todas as irreverências, mas a performance, enquanto género artístico, nasce com a compreensão e valorização do próprio ato criativo e não exclusivamente na obra final, exposta para ser contemplada no plano vertical da parede. Artistas como Jackson Pollock transformaram o ato de criar em autênticas performances, enquanto outros preferem intervir mais diretamente no espaço real da vida, para veicular mensagens filosóficas e poéticas de redescoberta da individualidade e sentido da existência, muitas vezes com intuitos de crítica social. O que o artista procura é romper os limites opressivos do quadro (formatos, bidimensionalidade, imobilidade, silêncio) e dos espaços artísticos convencionais (sala de exposição, galeria, museu), também no sentido que lhe dá Michael Jackson no seu tema de 1979 “Off the Wall”, (“Live life off the wall”, etc.), de rotura com os padrões e normas sociais, o que implicou um desenvolvimento do conceito de Arte e de museu. Nem por acaso, a exposição abre com uma obra de John Baldessari, de 1971, com uma só frase escrita centenas de vezes nas paredes da entrada: “I will not make any more boring art” (Nunca mais farei arte aborrecida).

Off the Wall / Fora da Parede, apresenta o desenvolvimento da Performance desde 1948, ano de realização da obra mais antiga da exposição (o filme de Maya Deren, “Meditation on Violence”) até aos anos 80 – um percurso resumido de modo simples e claro por Chrissie Iles (curadora do Whitney Museum of American Art) no texto de apresentação da exposição.

A partir de hoje, 23 de julho, pode também ser visitada em Serralves a exposição “Robert Morris: filmes, vídeos e “BodySpaceMotionThings”. Robert Morris (Kansas City, EUA, 1931), engenheiro de formação e um dos fundadores do Judson Dance Theater em Nova Iorque, desenvolveu uma obra centrada nos novos materiais e novas perspetivas artísticas, criando esculturas com materiais reciclados, intervenções artísticas de grandes dimensões na paisagem (“earthworks”), performances relacionando o corpo e o espaço e experiências inovadoras conjugando o cinema e as artes visuais. Representado na exposição “Off the Wall”, Morris foi o primeiro artista a conceber uma exposição cujas obras de arte são ativadas pela participação física do visitante – que deixa, assim, de ser um mero espectador passivo para se tornar parte integrante da obra.

Artistas representados na exposição Off the Wall (por ordem alfabética do apelido): Vito Acconci; Helena Almeida; Carl Andre; John Baldessari, Lynda Benglis, Dara Birnbaum; Jonathan Borofsky; James Lee Byars; Fernando Calhau; Alberto Carneiro; John Coplans, Maya Deren; Jimmy DeSana; Trisha Donnelly; Simone Forti; Dara Friedman; Jack Goldstein; Dan Graham, Scott Grieger; Walter Gutman; David Hammons; Lyle Ashton Harris; Jenny Holzer; Peter Hujar; Joan Jonas; Richard Kostelanetz; Elad Lassry; Roy Lichtenstein; Kalup Linzy, Robert Longo; Nate Lowman; Robert Mapplethorpe; Anthony McCall; Paul McCarthy; Ray K. Metzker; MICA-TV; Robert Norris; Bruce Nauman, Claes Oldenburg; Yoko Ono; Dennis Oppenheim, Tony Oursler & Sonic Youth; Frank Owen; Jack Pierson; Yvone Rainer; Charles Ray; Martha Rosler; David Salle; Lucas Samaras; Raymond Saroff; Carolee Schneemann; Richard Serra; Cindy Sherman; Laurie Simmons; Jack Smith; Keith Sonnier; Rudolf Stingel; Francesc Torres; Andu Warhol; Hannah Wilke; Jordan Wolfson; Francesca Woodman.

Para quando, já agora, uma exposição de John Baldessari em Serralves?


John Baldessari "I will not make any more boring art", 1971


John Baldessari, "6 Colorful Inside Jobs", 1977 - filme 16 mm, 30 m, cor, mudo.

Jack Goldstein, "A Suit of Nine 7'' inch Records with Sound Effects", 1976,



Alberto Carneiro, "A Floresta", 1978 - fotografia e desenho s/papel (24 elementos)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

DESENHAR LISBOA

Nos dias 21, 22 e 23 de Julho, decorre em Lisboa o II International Urban Sketching Symposium. Cerca de 200 desenhadores de 20 países percorrerão o centro de Lisboa (consultar itinerários e horários) registando nos seus cadernos de esboços, diários gráficos ou diários de viagem, a tipicidade da paisagem urbana da nossa capital, os pormenores visuais, histórios e culturais que mais os surpreendam. Paralelamente, decorrerão workshops, palestras e exposições centradas no desenho, em particular esta modalidade – que reúne um significativo número de adeptos e praticantes em Portugal, entre os quais: Eduardo Salavisa, Jorge Colombo, Manuel San Payo, Mário Linhares, Mónica Cid, Luís Ançã, António José Gonçalves.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

16ª BIENAL DE CERVEIRA

Inês Osório distinguida com o Prémio Bienal de Cerveira
Presidente da República na homenagem a José Rodrigues
Artista de Oliveira do Hospital presente na Bienal

O escultor José Rodrigues foi homenageado na abertura da bienal

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, inaugurou este ano a mais antiga bienal de artes portuguesa, que se realiza desde 1978. Na ocasião solene, recebeu das mãos do Presidente da Câmara de Vila Nova de Cerveira, José Manuel Vaz Carpinteira, a chave de ouro do município. A criação da Bienal deve-se principalmente a Jaime Isidoro (1924-2009) mas um dos artistas mais ligados às suas origens e consolidação é o escultor José Rodrigues, homenageado na cerimónia de abertura e através de uma exposição no Convento de San Payo. José Rodrigues, que fará 75 anos em outubro, recebeu o maior troféu da Bienal, o Cervo de ouro, das mãos do Presidente da República. A exposição de homenagem no Convento de San Payo permite conhecer uma faceta menos divulgada do escultor, a de cenógrafo. Recordo-me bem da sua colaboração com o Teatro Experimental do Porto nos anos 80, quando vários escultores portuenses decidiram experimentar a cenografia e conceberam diversos cenários e objetos cénicos para o TEP e Seiva Trupe.

O júri da 16ª Bienal de Cerveira deliberou atribuir o Prémio Bienal de Cerveira (10 000 euros) a Inês Osório. O júri foi composto por Ana Luísa Barão (crítica de arte), Augusto Canedo (diretor da Bienal), Silvestre Pestana (artista plástico), Xurxo Oro Claro (artista plástico) e Carlos Casteleira (curador), a substituir Fátima Lambert, que não pôde comparecer. Na apresentação da Bienal, Augusto Canedo referiu a prioridade do júri de selecionar e distinguir jovens artistas.

A artista portuense Inês Osório foi distinguida pela sua instalação com tiras de borracha preta e anilhas metálicas patente no castelo de Cerveira

Inês Osório nasceu no Porto em 1984. Licenciatura em Artes Plásticas – Escultura (2008) e Mestrado em Escultura (2009) pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto – com a Tese “Do Espaço à Escultura: Transferências de um Corpo” – a base teórica da instalação patente no castelo de Cerveira, a obra vencedora do Grande Prémio da 16ª Bienal.
A artista desenvolve diversas correspondências e interações artísticas sobretudo nas áreas da escultura e instalação – um processo dinâmico que extrai contributos da sua formação multifacetada (Ballet Clássico e Dança Contemporânea, Design de Produto-especialização em cerâmica, fotografia, escultura, artes digitais, desenho técnico assistido por computador e, recentemente, teatro). Leciona em Matosinhos e dinamiza, no Porto, o Espaço João Pedro Rodrigues – Oficina de Artes. Mostra publicamente o seu trabalho desde 2006, através de intervenções/instalações em espaços públicos e galerias, individualmente ou integrada em projetos coletivos.


Nuno Nunes Ferreira – “Camouflage”, técnica mista s/tela, 250X180 cm – Prémio IPJ

Nuno Nunes Ferreira nasceu em Lisboa em 1976. Licenciado em Arquitetura pela Universidade Lusíada de Lisboa. Participou em diversas exposições coletivas na Alemanha e sobretudo em Espanha, com presença nas feiras de arte internacionais Arte Lisboa, Arco, Arte Santander e Valência Art. A obra premiada na Bienal de Cerveira, da série “Camouflage”, representa o trabalho plástico do jovem artista, que recorre de modo obsessivo a imagens de árvores e florestas para explorar “a temática da memória retratando o horror com uma estética de belo, invertendo o que é do senso comum”.

Na sua 16ª edição, a Bienal oferece um conjunto diversificado de iniciativas (ver programa completo), centradas nas exposições de arte. As obras do concurso internacional e artistas convidados (cerca de centena e meia de obras de pintura, escultura, cerâmica, instalação, fotografia, video, desenho) distribuem-se pelo Forum Cultural e Castelo de Cerveira. No Forum Cultural e na vizinha Casa Vermelha, podem ser visitados vários projetos curatoriais. Num deles, intitulado “Ecúmeno”, participa um artista de Oliveira do Hospital, Rui Monteiro, ao lado dos artistas franceses Erick Samakh e Victoria Klotz, dos brasileiros Rodrigo Braga e Paulo Meira e da portuguesa Laetitia Morais.

O interessante projeto de Rui Monteiro apresentado na Bienal de Cerveira

Rui Monteiro reside em Oliveira do Hospital. Licenciado em Design pelas Belas Artes do Porto, chegou a trabalhar como designer gráfico mas dedica-se atualmente à investigação das novas tecnologias nas áreas da Música Eletroacústica e Digital, Visão por Computador e Programação. Um aspeto fundamental da sua obra é a interação entre Arte, Ciência e Tecnologia, traduzida em Performances Sonoras, Instalações Interativas e Composições Audiovisuais. Na Bienal de Cerveira, apresenta uma curiosa correspondência entre a interpretação matemática da paisagem natural e a representação tridimensional desses dados. No site de Rui Monteiro, podemos conhecer outros projetos curiosos, entre os quais “Spectrum portrait “ (2005) e “2handmotion” (2010).
As suas obras já foram apresentadas no Porto 2001, XI Bienal de Cerveira, na Futurartes (Caldas da Rainha) e Agirarte (Oliveira do Hospital), entre outros acontecimentos e festivais em Portugal, França e EUA.

Organizada pela primeira vez pela Fundação Bienal de Cerveira (reconhecida pelo Governo em janeiro 2010), sob o tema “Redes 2011”, a Bienal alarga-se este ano a Vigo e ao Porto - uma aposta iniciada em 2007 através da realização de atividades paralelas nos concelhos vizinhos e nos municípios galegos de Porriño, Tuy e Goyan. Na sua intervenção, Cavaco Silva referiu o contributo das Artes para o desenvolvimento de Vila Nova de Cerveira, justamente designada “Vila das Artes”, e para a projeção internacional de Portugal. Dessa intervenção, que pode ser lida na íntegra no
site da Presidência da República, gostaria de destacar alguns parágrafos que podem servir de exemplo ou de motivação para outros municípios.

“Já havia, é verdade, muito antes da Bienal, boas razões para visitar Vila Nova de Cerveira, desde o castelo à paisagem, passando pelas igrejas e solares de frontaria apalaçada.
O património natural e histórico, um pouco à semelhança do que acontece em outros lugares do nosso País, reveste-se aqui de uma exuberância e riqueza que impressionam o visitante.
Não basta, porém, termos herdado um património do qual podemos legitimamente orgulhar-nos. É preciso também saber geri-lo, dinamizá-lo, de forma a que as populações possam usufruir dele, quer do ponto de vista cultural e estético, quer do ponto de vista do desenvolvimento e da qualidade de vida. E, desse ponto de vista, a Bienal veio acrescentar uma dimensão completamente nova às potencialidades já existentes em Vila Nova de Cerveira.
A princípio, foi apenas um acontecimento efémero, aparentemente insólito, que surgia só de longe em longe. Com o correr do tempo, a música e outras artes associaram-se à pintura; o número de artistas e de visitantes foi aumentando; surgiram galerias e, muito em breve, será inaugurado um museu com obras apresentadas na Bienal. Damo-nos, pois, conta de que Vila Nova de Cerveira, além do local aprazível que sempre foi, é também um pólo internacional de arte contemporânea e um destino turístico para quem quiser conhecer os movimentos e tendências da arte nas últimas três décadas.
A importância que a Bienal adquiriu é bem visível no facto de ela se desenvolver, este ano, simultaneamente, aqui em Cerveira, no Porto e em Vigo. Mas o seu alcance vai muito para lá dessa dimensão local e regional. Ao projetar-se como iniciativa sem fronteiras, onde concorrem artistas de todo o Mundo, é também a imagem de Portugal que Cerveira projeta: a imagem de um País com um profundo enraizamento histórico e uma forte identidade, mas um País, também, onde a contemporaneidade tem lugar cativo.”

A 16ª Bienal Internacional de Cerveira decorre até 17 de Setembro 2011.


IMAGENS DA ABERTURA DA BIENAL (FORUM CULTURAL)



A Bienal de Cerveira à espera de Cavaco Silva.


O Presidente da República assina o livro de honra


O Presidente da Câmara Municipal de Cerveira, José Manuel Vaz Carpinteira, entrega ao Presidente da República a chave de ouro do município


O diretor da Bienal, Augusto Canedo


"Ó Kartistas" (Andrea Inocencio e Ana Maria)



Muito público


Vista parcial da exposição


A inauguração incluía uma prova de sabores locais.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

PAULA REGO NO PORTO


Com a presença de Paula Rego, abriram no Porto, na nova sede da EDP, as exposições “My Choice” e “A Caçadora Furtiva”. Estas exposições resultam de parcerias entre a Fundação EDP, a Fundação Paula Rego/Casa das Histórias e British Council.

Na sala de entrada, encontra-se exposto um conjunto de pinturas e desenhos de Paula Rego, intitulado “A Caçadora Furtiva”. Estas obras são produto de uma residência artística de Paula Rego na National Gallery, no início da década de noventa, como Artista Associada. Durante 18 meses, a artista portuguesa trabalhou num atelier na cave do museu, inspirando-se e absorvendo as obras dessa coleção: “(...) o que trago aqui para baixo varia imenso, mas trago sempre alguma coisa (...). Aqui sou uma espécie de caçadora furtiva” (1). Em alguns trabalhos, é possível vislumbrar essas influências e inferências, “quadros dentro dos quadros”, que a artista manipula e utiliza para contar outras histórias: “a minha única saída é tirar um bocado aqui e um bocado acolá e esperar que as histórias mantenham tudo unido” (1). Esta exposição resulta da colaboração entre a Fundação EDP e a Fundação Paula Rego/Casa das Histórias Paula Rego.


“My Choice” reune 87 obras (desenho, gravura, fotografia e pintura) de 51 artistas, selecionadas por Paula Rego do vasto espólio do British Council – uma instituição que promove a cultura britânica no mundo, tal como acontece com Instituto de Camões, em Portugal, ou com o Instituto Cervantes, na Espanha.

Os 51 artistas cujas obras foram escolhidas por Paula Rego são os seguintes: Michael Andrews, Frank Auerbach, Robert Sargent Austin, Michael Ayrton, Sir Cecil Beaton, Tony Bevan, Edmund Blampied, David Bomberg, Gerald Leslie Brockhurst, Edward Burra, Patrick Caulfield, Jake And Dinos Chapman, Prunella Clough, Robert Colquhoun, Charles Conder, John Copley, John Craxton, Ken Currie, Roy De Maistre, Lucian Freud, Harold Gilman, Charles Ginner, Richard Hamilton, Colin Hayes, David Hockney, Leonard Huskinson, Augustus John, Gwen John, R B Kitaj, Leon Kossoff, Percy Wyndham Lewis, Laurence Stephen Lowry, Jock McFadyen, Henry Moore, Paul Nash, Sir William Nicholson, Paul Noble, Chris Ofili, Sir William Orpen, Chris Orr, Grayson Perry, Raymond Ray-Jones, Albert Richards, Paul Shelving, Walter Richard Sickert, Sir Stanley Spencer, Graham Sutherland, Gerald Wilde, Victor Willing, Christopher Wood, Madame Yevonde.

Em outubro, a exposição “My Choice” será apresentada na Universidade de Coimbra (Casa das Caldeiras).

A galeria da nova sede da EDP no Porto, ao lado da Casa da Música, é composta por dois espaços amplos e agradáveis. A sala de entrada, de menores dimensões, fica ao nível da rua Ofélia Diogo da Costa e voltada para a entrada dos artistas na Casa da Música. O segundo espaço situa-se no nível inferior, com muito espaço e boa iluminação, lembrando as salas do piso inferior do CCB ocupadas pelas exposições da Coleção Berardo. Este espaço comunica com um pequeno jardim - onde foram servidos cocktails a todos os presentes na inauguração das exposições.


Nota:

(1)- Excertos de depoimentos de Paula Rego, no texto de Catarina Alfaro no desdobrável da exposição.
Paula Rego no Artes Vivas: Exposição no Porto; Casa das Histórias; "Les Planches Courbes".









quarta-feira, 13 de julho de 2011

PROCURAM-SE SKAPINAKIS

Museu Berardo procura obras de Skapinakis para retrospetiva em outubro


O Museu Coleção Berardo prepara atualmente uma exposição antológica de Nikias Skapinakis, pintor português (Lisboa, 1931) de ascendência grega, com vasta obra abrangendo a pintura, desenho, litografia, serigrafia e ilustração. Da sua obra pública, destacam-se o painel do Café "A Brasileira" do Chiado (1971) e o painel em cerâmica para o Metropolitano de Lisboa (2005). Nesse ano, foi-lhe atribuído o Grande Prémio Amadeo de Souza Cardoso, em Amarante.
Nikias Skapinakis teve já exposições retrospetivas da sua obra nos principais museu de arte contemporânea nacionais (Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1985, Museu de Arte Moderna da Fundação de Serralves, Porto, 2000) mas esta restrospectiva do Museu Coleção Berardo quer ser mesma “A Retrospetiva” e a organização procura os proprietários de algumas obras de Nikias Skapinakis, descritas AQUI.
A abertura da Exposição Antológica Nikias Skapinakis está agendada para 24 de outubro e decorre até 22 de janeiro de 2012. Para qualquer esclarecimento, o MCB indica os seguintes contactos: 213612918 / 927990219.


"A Sedução de Miss Europa", 1970 - uma das obras listadas pelo MCB