quinta-feira, 5 de maio de 2011

BALBINA MENDES NA ARTIS X

Casa Municipal da Cultura de Seia, 07 de Maio a 5 de Junho 2011


Balbina Mendes, "O Chocalheiro da Bemposta"


As Máscaras de Balbina Mendes


Depois das paisagens transmontanas e durienses, os usos e costumes do nordeste de Trás-os-Montes ligados às máscaras tradicionais e costumes rituais dessa mesma região portuguesa servem de tema e inspiração aos trabalhos mais recentes de Balbina Mendes.


Trata-se de uma realidade com raízes intemporais e que a artista conhece bem, sendo natural de Malhadas, Miranda do Douro. Se as paisagens pintadas são um tributo da artista às belezas naturais, dominadas pelos impressionantes volumes topográficos e lonjura de horizontes, estes trabalhos representam uma homenagem da artista à cultura da sua região, uma viagem às raízes culturais transmontanas. Um dos principais atrativos das manifestações populares transmontanas posteriores ao Natal e até ao Entrudo, com destaque para as festas dos caretos ou dos rapazes (pelo Santo Estêvão), as máscaras determinaram a criação em Bragança da Bienal da Máscara.


Uma das obras mais emblemáticas de Balbina Mendes é o “Chocalheiro da Bemposta”, que resume o colorido sedutor e traquinice dos mascarados quando saem a terreiro para chocalhar as moças que encontrem no seu caminho. Pintada com dimensões muito superiores ao seu tamanho real, como acontece na maioria das pinturas desta série temática, a obra é marcada pela forma ovalada da máscara, que preenche todo o espaço da tela, coberta de cores vivas e brilhantes. O tamanho da máscara pintada reforça os contrastes de cor e elementos visuais utilizados, típicos da arte popular, conferindo à composição uma dimensão plástica notável e grande impacto visual.


No âmbito desta série temática, a pintora editou um livro com reproduções das suas obras e textos de diversos autores, alguns dos quais em mirandês, e dois contos inéditos do escritor vilarealense A.M. Pires Cabral.


Balbina Mendes nasceu em 1955 em Malhadas, Miranda do Douro. Realizou a sua primeira exposição em 1989, no Porto. Dedica-se exclusivamente à pintura, expondo regularmente em Portugal e no estrangeiro.

Participou em inúmeras exposições coletivas no Porto, Santa Maria da Feira, Guimarães, Vila Nova de Gaia, Braga, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Vila Real, Lisboa, Mirandela, Espinho, Alcanena, Queluz, Alfândega da Fé, Madrid, Coimbra, Leiria, Guarda, Évora, Estoril, Lion, entre outras.

Foi distinguida com o 1º Prémio no “Primer Certamen Internacional de Pintura Rápida”, Programa Rirra.

Realizou exposições individuais em várias localidades e galerias portuguesas e estrangeiras: Portugal• Miranda do Douro: Museu da Terra da Miranda e Casa da Cultura• Vila Real: Galeria Átrio da Câmara Municipal, Galeria da Biblioteca da UTAD, Galeria do Teatro e Museu da Vila Velha• Vila Nova de Gaia: Posto de Turismo, Auditório Municipal, Biblioteca Municipal e Casa Museu Teixeira Lopes • Lisboa: Galeria da RTP• Carnaxide: Galeria Exclusive • Oeiras: Galeria Exclusive - Oeiras Park• Vimioso: Casa da Cultura• Porto: Galeria da UNESCO e Galeria do Palácio• Braga: Biblioteca Pública da Universidade do Minho• Moita: Biblioteca Municipal• Alijó: Centro Cultural• Chaves: Galeria do Forte de São Francisco e Biblioteca Municipal• Valpaços: Centro Cultural• Guimarães: Paço dos Duques de Bragança• Bragança: C C Paulo Quintela e Centro Cultural• Freixo de Espada à Cinta: Centro Cultural• Lamego: Espaço de Arte Municipal e Museu de Lamego• Santa Marta de Penaguião: Centro Cultural • Viseu: Hotel Montebelo• Torre de Moncorvo: Museu do Ferro. Tabuaço: Biblioteca Macedo Pinto• Penafiel: Assembleia Penafidelense• Marco de Canaveses: Museu Carmen Miranda• Cascais: Quinta da Marinha• Baião: Posto do Turismo e Douro Palace Hotel• Vinhais: Salão Nobre da Câmara Municipal• Alfândega da Fé: Casa da Cultura• Espinho: Museu Municipal• Peso da Régua: Museu do Douro
Espanha• Sória –Palacio de la Audiencia• Aranda de Duero – Casa de Cultura• Zamora- Fundación Rei Afonso Henriques Estados Unidos• Newark- Public Library Bélgica• Bruxelas: - Galeria Orpheu Áustria• Viena – Europasaal- LAI.

Site de Balbina Mendes: Loja das Ideias
Máscaras de Balbina Mendes na RTP

terça-feira, 3 de maio de 2011

ARTIS X ABRE A 7 DE MAIO


Artistas seleccionados para o Salão de Artes Plásticas, artistas senenses presentes na XIII Colectiva, fotógrafos locais participantes na Mostra de Fotografia, AQUI.

ARTIS X ABRE A 7 DE MAIO (*)

Mil e um bons motivos para visitar o X Festival de Artes Plásticas de Seia

Para além da nova designação, que marca a mudança de rumo da ex-Festa das Artes e Ideias, o agora Festival de Artes Plásticas apresenta-se centrado num Salão de Artes Plásticas, cujas obras participantes são admitidas por concurso. Substituindo a antiga curadoria, com artistas de renome convidados para uma exposição colectiva, optou-se pela estratégia do concurso, com prémios, para alargar o espectro da participação e permitir ao júri seleccionar um conjunto representativo de obras para a exposição colectiva. Integraram o júri de selecção o artista plástico e professor do ensino superior politécnico, Luís Calheiros, o programador cultural da Casa da Cultura e mestrando em animação artística, Mário Jorge Branquinho, e Sérgio Reis, artista plástico e professor do ensino básico e secundário.
Concorreram 92 artistas nas modalidades de pintura e escultura, oriundos de 43 localidades portuguesas, e um artista brasileiro, de Fortaleza. De grande diversidade estética e com diferentes níveis de exigência artística, as obras foram apreciadas uma a uma tomando em consideração todos os dados fornecidos pelos respectivos autores e o número desejável de obras a seleccionar atendendo ao espaço disponível para a exposição – as galerias da Casa da Cultura. Após algumas horas de trabalho, ficou reunido um conjunto de obras com acentuado interesse estético e comunicativo, marcada originalidade e desenvoltura técnica. Algumas obras combinam criativamente vários materiais, no âmbito da técnica mista, despertando a sua tridimensionalidade em suportes tradicionais ou mesmo fora deles, procurando articular linguagens distintas em soluções criativas de grande espacialidade e impacto visual. Entre as principais características da arte actual contam-se precisamente essa intenção espacial informada, a experimentação de materiais e a fusão das fronteiras entre disciplinas, promovendo a multiplicidade e interacção de linguagens diversas. Foram seleccionadas 52 obras de 38 artistas, 15 dos quais na modalidade de Escultura. Entre as obras seleccionadas, contam-se 12 da autoria de artistas senenses: Carina Alexandra, Pedro Ribeiro e Ricardo Cardoso, na pintura; Adelino Cunha, Ana Carvalhal, António Nogueira, Daniel Lopes, Lucas Ressurreição e Virgínia Pinto, na escultura. Os premiados (Pintura, Escultura) e as menções honrosas serão anunciados na abertura oficial do Festival, a 7 de Maio.
Os artistas locais nunca foram esquecidos na ARTIS, que teve origem nas grandes colectivas de artistas senenses (1999, 2000 e 2001). A edição de 2011 mantém a exposição colectiva de artistas locais, a realizar no “foyer” do cine-teatro, e serão homenageados mais um artista e um fotógrafo senenses. Em 2010, foram distinguidos José Carlos Calado (Fotografia) e Ricardo Cardoso (Artes Plásticas). São mais algumas dezenas de bons motivos para visitar o X Festival de Artes Plásticas de Seia.
Este ano, a exposição colectiva de Fotografia trocará os espaços tradicionais de exposição para se destacar nas montras de Seia, naturalmente com a preciosa colaboração dos comerciantes. Trata-se de uma maneira diferente de levar a arte da fotografia ao grande público, muito dele avesso a frequentar exposições. Montra das artes do concelho, a ARTIS vai andar pelas montras da cidade, a revelar-se, insinuar-se, cativar.
A ARTIS X apresenta ainda obras recentes de Balbina Mendes, uma artista natural de Miranda do Douro. Conhecida pelas suas paisagens (transmontanas e durienses) a óleo, que apresenta geralmente em exposições itinerantes, Balbina Mendes explora actualmente o tema das máscaras, pintadas em grande formato. Tem mostrado as suas pinturas de máscaras em diversas exposições em Portugal e no estrangeiro e editou um livro sobre a mesma temática. As máscaras transmontanas (e a indumentária dos mascarados), com toda a sua cor e ecos ancestrais, adquirem particular presença e força nas telas de Balbina Mendes – só por si razão suficiente para uma visita à ARTIS X.
José Pessoa passará por uma das noites da ARTIS para falar do seu trabalho de várias décadas a inventariar e documentar através da fotografia as obras de arte que fazem parte do Património português. Um trabalho de ciência e arte, oportunamente chamado a mais uma edição das conversas informais – “Novos Olhares, Novos Percursos”.
Anunciam-se ainda oficinas criativas, dimensionadas para o recato da reflexão e criação artística, em contraponto com a música e o teatro, espectáculos concebidos para grandes plateias. Destaque ainda para a estreia cinematográfica de “O Voo da Papoila”, um filme do jovem realizador português natural de Seia, Nuno Portugal.
Ao todo, e por junto, são mil bons motivos para visitar o X Festival de Artes Plásticas de Seia. Falta referir mais um, que faz toda a diferença, o de ser a ARTIS (**) o grande evento artístico que mais se tem aguentado no Interior beirão e que lembra e honra Seia nos mais diversos recantos do espaço nacional.

Sérgio Reis

(*)-Publicado no jornal Porta da Estrela nº 922, 30 de Abril 2011

(**)-Especialmente a Colectiva de Artistas Senenses, que via na XIII edição.

domingo, 1 de maio de 2011

Grito Para Me Fazer Ouvir


Ricardo Cardoso expõe novos trabalhos em Almeida, no Posto de Turismo. Intitulada "Grito Para Me Fazer Ouvir", a exposição decorre até ao fim de Maio.

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Ricardo Cardoso e o "Manifesto do Nada"

domingo, 24 de abril de 2011

Textos recentes de SR no Porta da Estrela

Dorita Castel-Branco, autora da estátua de Afonso Costa em Seia, PE nº 921, 15/04/2011, pág 6 (Clicar na imagem para ampliar ou ler em Arquivo PE).



“As três faces da Deusa” Exposição de Victor Mota e Carlos Oliveira no Posto de Turismo, PE nº 920, 30/03/2011, pág. 13 (Clicar na imagem para ampliar ou ler em Arquivo PE).

Uma obra surpreendente

Encontra-se em fase de acabamentos o novo Palácio da Justiça de Gouveia, uma obra de arquitectura invulgar, em betão branco e cinza.


A obra é também marcada por algum arrojo técnico, que exigiu mão de obra muito especializada ao nível da execução e escoramento de lajes.


Um pouco à margem das qualidades da obra, volta a velha questão da designação destes edifícios públicos: Palácios da Justiça, Casas da Justiça ou Tribunais da Justiça? Já ouvi até certo ministro da justiça afirmar que o palácio é para ricos e que a justiça deve ser igual para todos – uma excelente ideia, acrescento eu, aliás antiga.


À falta de melhor, vai servindo a designação “Domus Justitiae”, que tem boa musicalidade mas a desvantagem de ser Latim, uma língua morta. O novo Palácio da Justiça de Gouveia, como a maioria dos seus congéneres, ostenta assim orgulhosamente, em caracteres gigantes, a expressão DOMUS JUSTITIAE.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Observadores - Revelações, Trânsitos e Distâncias


Um novo percurso pela colecção Berardo


A exposição “Observadores – Revelações, Trânsitos e Distâncias”, um novo percurso pela Colecção Berardo, tem como ideia orientadora “considerar o lugar do sujeito/espectador na sua afinidade com o objecto artístico”, à luz do “paradoxo do espectador” - enunciado pelo filósofo francês Jacques Rancière no livro “O Espectador Emancipado” (1). Segundo Rancière, “não há teatro sem espectador”, uma afirmação que também se aplica às artes visuais.

Cerca de uma centena de obras de artistas nacionais e estrangeiros, entre valores consagrados e outros mais jovens, integram os de seis núcleos temáticos que exploram o “paradoxo do espectador” nas artes visuais: Humanos; Objeto para para Ser Construído; Do Quotidiano; Conceito Espacial; Paisagem Negra; The Show Must Go On.

Sem condicionantes cronológicas nem geográficas, a exposição inclui obras de Pablo Picasso, Marcel Duchamp, Kurt Schwitters, Max Ernest, Claes Oldenburg, Frank Stella, Robert Mangold, Yves Klein, ... e obras de Damien Deroubaix, Mariko Mori, Julião Sarmento, João Maria Gusmão e Pedro Paiva – estes com a interessante instalação “Horizonte de Acontecimentos” (2008), de grande sentido cénico.

A exposição decorre no Centro de Exposições do Centro Cultural de Belém, piso -1, até 29 de Maio 2011.


Marcel Duchamp, "Boîte (Série C)", 1958, cartão, madeira, papel, tecido, cerâmica, vidro e plástico.


Kurt Schwitters, "Rudol #333", 1939, lápis e colagem sobre papel de embrulho


Pablo Picasso, "Femme dans un Fauteuil", 1929


Frank Stella, "Severambia", 1995, técnica mista sobre fibra de vidro



Alexandre Farto, #15 (Série Empety Faces), 2008, posters de rua colados em layer, tinta branca


Robert Mangold


Edward Kienholz, "Drawing for the Soup Course at the She She Café", 1982


George Segal, "Flesh Nude Behind Brown Door", 1978


Vista parcial da exposição


Helena Almeida, s/título, 1996-97, fotografia a preto e branco
Anselm Kieffer, "Elisabeth von Österreich", 1991, técnica mista e objectos de chumbo montados em madeira



Damien Deroubaix, "World Downfall", 2007, aguarela, acrílico e colagem sobre papel


Obra de Joana Vasconcelos,na entrada do Centro de Exposições - Museu Colecção Berardo, uma das duas peças em forma de castiçal ou candelabro, com 7 metros de altura, intituladas "Nectar" - estruturas de ferro com garrafas de vidro verde iluminadas.

(1)- Jacques Rancière, “O Espectador Emancipado”, Orfeu Negro, Lisboa, 2010.