
Nascido a 6 de Junho de 1936 na vila de Matalana, então território português, a sua vida é um exemplo de persistência e compromisso na luta por um futuro melhor para todos. Após diversas ocupações e empregos modestos(1), teve a sorte de conhecer homens como o arquitecto Garizo do Carmo (que lhe despertou o gosto pelas artes), Augusto Cabral e Zé Júlio (que o apoiaram nos primeiros passos como artista) e o arquitecto “Pancho” Guedes (2) (que patrocinou a sua estreia e primeiros sucessos como artista profissional), mas Malangatana também soube corresponder – e bem – às expectativas. Uma vida preenchida, que se estendeu por vários países, sempre com Moçambique e Portugal no centro de todos os rumos e no coração, prestigiando Moçambique e desenvolvendo culturalmente a sua terra natal, sobretudo através da Fundação Malangatana e do Centro Cultural de Matalana, graças a protocolos e colaboração diversa com organismos e entidades internacionais. E também como deputado nacional (1990) e membro da Assembleia Municipal de Maputo (1998, 2003).
As suas temáticas acompanharam a situação colonial de Moçambique até 1975, incluindo toda a guerra colonial (realizou a primeira exposição individual em 1961), a independência e a guerra civil, passando depois a destacar a dureza da vida quotidiana enquadrada por valores humanistas e, desde a década de 80, a sensualidade e o amor. Os seus textos e poemas (Malangatana foi também músico e poeta, encontrando-se representado na “Antologia da Poesia Moderna Africana”), assim como as entrevistas que concedeu, reafirmam paralelamente as preocupações dominantes em cada fase da sua obra, o que reforça a sua consistência global, confrmando-o não só como o “Picasso” africano mas, sobretudo, como figura incontornável da Cultura africana do século XX.
Notas
(1) - Relance sobre a vida de Malangatana (Fundação José Saramago).
Nos anos 50 e 60, viveu em Moçambique, onde realizou mais de 500 projectos de arquitectura - e conheceu Malangatana. Começou a pintar quando ainda era estudante de arquitectura em Joanesburgo. Participou na Bienal de S. Paulo, Brasil, em 1961, e na Bienal de Veneza em 1975.
Comendador da Ordem de Santiago e Espada, recebeu a Medalha de Ouro de Arquitetura do Instituto dos Arquitectos Sul-africanos. Doutor “honoris causa” pelas universidades de Pretória e Wits, na África do sul.








