segunda-feira, 22 de novembro de 2010

ARTE LISBOA 2010


De 24 a 28 de Novembro, vai realizar-se em Lisboa a 10ª edição da ARTE LISBOA.

Muito condicionada pela cimeira da NATO, a ARTE LISBOA 2010 decorre excepcionalmente no Pavilhão do Rio, no Centro de Congressos de Lisboa, um espaço mais limitado que a FIL, no Parque das Nações, onde se realizaram as edições anteriores. As limitações de espaço impuseram uma redução do número de galerias (de 67 em 2009 para 41 em 2010) mas o evento continua a ser a única feira de arte internacional realizada em Portugal.

A ARTE LISBOA 2010 contará assim com uma selecção de 41 galerias de arte moderna e contemporânea, entre as quais 14 espanholas e uma inglesa, que apresentarão obras dos seus artistas, assim como revistas e publicações especializadas.

domingo, 14 de novembro de 2010

EDUARDO BATARDA - "Bicos" na Galeria 111

"Polen", 2009 - CAMB

Intitula-se “Bicos” a exposição de pintura de Eduardo Batarda na Galeria 111, em Lisboa. Sob a vaga provocação do título, as diversas obras em acrílico sobre tela remetem para uma visão crítica particular do mundo mediada pela sintetização das formas e depuração cromática e sublinhada pelas inscrições nas telas e pelos títulos, muitas vezes com trocadilhos irónicos.

O artista desenvolveu a abordagem da forma através de sobreposições em composições irradiantes, já apresentadas na exposição no CAMB (Oeiras, Setembro de 2009 a Janeiro 2010) com Lourdes Castro – uma artista que trabalhou as interacções entre os conceitos de cheio/vazio, presença/ausência, através da exploração da forma delimitada pela linha de contorno e silhueta.

Longe de ser cristalizada, a obra de Eduardo Batarda mantém-se aberta à mudança e aos ecos da realidade exterior, como afirmação individual da diferença, sem carácter panfletário nem programa ideológico. “O seu percurso constitui-se – como ele mesmo deseja e a crítica vai entendendo – “fora do jogo”, ou contra o jogo das conjecturas”, deixou escrito João Pinharanda (1). Características das suas obras são as evocações e alusões culturais mais ou menos submersas, a vocação provocatória expressa através do desabafo irónico, sugestões eróticas e humor – como nos títulos em “poltuguês”, ou a problemática da interpretação chinesa da cultura ocidental e da sua crescente presença e influência económica na Europa. “Nas minhas pinturas não há citações, as coisas estão presentes sem serem citadas” – Eduardo Batarda (1).

A exposição decorre até 31 de Dezembro 2010 (2).
Ver as obras expostas.




Eduardo Manuel Batarda Fernandes nasceu em Coimbra em 1943.

Formado pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, após ter frequentado durante três anos o curso de Medicina na Universidade de Coimbra. Realizou uma pós-graduação no Royal College of Art, Londres. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. Leccionou na Escola de Belas Artes do Porto. Actualmente, vive e trabalha em Lisboa.

Premiado em Inglaterra e Portugal. Prémio EDP em 2007. Em 2009, no Centro de Arte Manuel de Brito, em Algés, teve lugar uma exposição retrospectiva da sua obra – que abrange a gravura, ilustração ou a BD e “é imensamente complexa, com leituras de segundo e terceiro grau” (João Pinharanda). Muito respeitado nos meios artístico e académico, os interesses de Eduardo Batarda estendem-se à literatura, filosofia/estética e arte antiga, sendo um especialista em desenho do Renascimento.

As suas obras integram diversas colecções públicas e privadas na Europa e nos EUA.


(1) – Entrevista com Eduardo Batarda, jornal Público, 03 de Abril 1992.
(2) - Encontra-se patente na mesma Galeria a exposição “Casa-Carrossel” de Fátima Mendonça (n. Lisboa, 1964)

POP UP LX 2010

(Divulgação Pop Up Lx 2010)

Até 11 de Dezembro, o Palácio Verride (Palácio de Santa Catarina) é o centro do Pop Up Lisboa 2010, um evento que contempla as mais diversas expressões da cultura urbana – com destaque para a as artes plásticas e performativas, novos media, arte urbana, arquitectura, fotografia, música – sob o tema “Nómadas Urbanos” e o lema “viver a cidade, celebrar a cultura”.

Nesse espaço central do Pop Up 2010 decorre uma exposição colectiva multidisciplinar, reunindo obras que exploram a condição e perspectivas urbanas em contexto de modernidade, assim como apresentações temáticas, performances e workshops. O evento contempla ainda intervenções de arte pública e alarga-se a espaços culturais alternativos, locais abandonados ou desocupados e em “não-lugares” da cidade de Lisboa. Ver programa.

O Pop Up Lisboa 2010 desenvolve-se em torno de quatro eixos conceptuais:

"Não Lugares - À luz do conceito desenvolvido pelo antropólogo Marc Augé (1992), o projecto pretende intervir e apropriar-se de espaços urbanos anónimos, descaracterizados, impessoais, de passagem ou desprovidos de vivências e utilidades.

Cultura Mundo - Segundo o filósofo Gilles Lipovetsky, a noção de cultura alterou-se profundamente, na época da hipermodernidade ser artista não é apenas criar obras de arte que sejam reconhecidas no futuro, é comunicar uma imagem, uma marca e através dela criar um suplemento de alma, de sonho e identidade vendáveis.
Novos Valores - A reflexão prioritária sobre os novos valores da sociedade contemporânea, em confronto com conceitos de ética, moral e cultura, no contexto do posicionamento de Lisboa, enquanto cidade dinâmica e catalisadora de expressões, tendências e fluxos artísticos.
Promoção cultural e artística - Determinante para o desenvolvimento sustentável e para a afirmação da identidade de qualquer cidade, seja Lisboa, Berlim, Paris, Nova Iorque, Rio de Janeiro ou outras. " (1)

O Pop Up Lisboa 2010 desenvolveu ainda uma dimensão internacional, com “embaixadores” nas principais cidades de diversos países: Barcelona - Espanha, Beirute - Líbano, Berlim - Alemanha, Buenos Aires – Argentina, Cidade da Praia – Cabo Verde , Cidade do México – México, Istambul - Turquia, Londres – Reino Unido, Pequim – China, Milão – Itália, Nova Iorque – EUA, Quito - Equador, São Paulo – Brasil. A eles compete recomendar novos criadores e projectos para o evento, assim como estabelecer uma plataforma internacional de partilha de informação e intercâmbio cultural.

(1) - texto de apresentação do Pop Up Lx 2010.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

JOANA RÊGO - Entre a Pintura e as Palavras

(Divulgação Museu M. Amadeo de Souza-Cardoso)

Joana Rêgo expõe actualmente no Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, em Amarante, uma série de 15 acrílicos sobre tela de linho. A artista portuense participou nas diversas edições do Prémio Amadeo de Souza-Cardoso e já expôs no museu amarantino em 1996/97. Licenciada em Pintura pela FBAUP, tem um mestrado em pintura pelo San Francisco Art Institute e é doutoranda pela Universidade de Vigo.

Intitulada “Entre a Pintura e as Palavras...”, a exposição coloca-nos perante o desafio do conhecimento e reconhecimento, o jogo da significação. Faz ecoar memórias da aprendizagem das letras relacionando a forma com o som e alguns significados correlativos (nas antigas Cartilhas e em inúmeros jogos didácticos), mas também de algumas obras de René Magritte (1898-1967), que desafiou os limites do conhecimento baralhando as possibilidades da identificação da representação com o real. Magritte recorria a metáforas e paradoxos visuais para provar a insustentabilidade do conceito tradicional de realidade, a lembrar que a “realidade” tem níveis, perspectivas, escalas, jogos de espelhos, armadilhas visuais, “a traição das imagens” (1928-29): “Ceci n’est pas une pipe”, “Ceci n’est pas une pomme”.
Com as suas obras, Joana Rêgo questiona a sobreposição de sentidos que nos levam a identificar um aglomerado de ninhos artificiais com o “Lugar” ou a velha máquina de escrever com a ideia de “Obsoleto” (ele próprio um termo obsoleto) ou lembra que um livro pintado não é um livro, é pintura, mas também que a pintura pode ser escrita e que as letras/palavras podem ser pintura. Tal como o cachimbo que não é um cachimbo, o livro que é pintura perde identidade.

As problemáticas da identidade e da subjectividade marcaram a segunda metade do século XX, condicionando a relação entre poder e conhecimento e a produção/reprodução de normas e de valores, com enormes consequências políticas e sociais.

A exposição pode ser visitada até ao dia 09 de Janeiro de 2011.

Ver currículo completo da artista aqui.

domingo, 10 de outubro de 2010

TRICENA, TRISENA, TRÊS ARTISTAS DE SEIA


"Três artistas de Seia, unidos pela arte – enquanto expressão de uma vontade ou aspiração criativa – e reunidos pela curiosidade de comparar e complementar experiências artísticas, percursos andados e rumos a seguir.Embora enquadráveis em géneros distintos (pintura, fotografia, arte digital), as obras de Luiz Morgadinho, José Calado e Renato Paz dialogam subtilmente estabelecendo múltiplas correspondências. A liberdade técnica da arte digital parece influenciar as fotografias de José Calado e desvela-se totalmente nas narrativas surrealistas de Luiz Morgadinho, enquanto os trabalhos de Renato Paz resumem as virtualidades expressivas das duas primeiras, conjugando as suas especificidades estéticas numa abordagem digital.Recusam em uníssono o vazio narrativo de boa parte das obras de arte actual. O tema orquestrador de “Tricena”, o seu núcleo irradiante e a sua respiração, é o absurdo, com o intuito de desorganizar todas as representações tradicionais através da fantasia e das evidências perturbadoras da realidade, procurando transmitir o que Artaud designava por “magnetismo ardente” das imagens.Com origens geograficamente díspares (Coimbra, Covilhã, Guarda), os caminhos destes três artistas cruzaram-se em Seia, onde ajudaram à diversidade enriquecedora do actual momento artístico. Só por isso, mereceriam espaço e tempo para se exporem e explicarem." (1)
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Sérgio Reis

(1) - Texto do folheto da exposição em Penamacor.

AGIRARTE 13

O cartaz do AGIRARTE 13 reproduz a obra vencedora em 2009


Encontra-se em fase de divulgação o AGIRARTE 13 – Festival de Artes Plásticas de Oliveira do Hospital 2010, um evento organizado pela OHs.21 – Associação Cultural e Multimédia de Oliveira do Hospital.

“O número 13, como é sobejamente conhecido, está carregado de forte simbolismo, andando quase sempre de mãos dadas com essa coisa chamada azar. Mas chegar até à 13ª edição do AGIRARTE, o Festival de Artes Plásticas de Oliveira do Hospital, será tudo menos azar. Aliás, para se chegar até aqui foi preciso também muita sorte. Sorte em estarmos unidos, sorte em podermos trabalhar juntos, sorte em termos sempre artistas interessados em participar, sorte em termos os parceiros certos para o sucesso do certame, enfim, sorte em podermos ser bafejados com a arte ao virar da esquina, sempre presente durante o mês de Dezembro, como tem sido habitual ao longo de todos estes anos.

Desde a sua fundação que a OHs.21 tem tido uma palavra a dizer no mês que se avizinha e este ano, naturalmente, não é excepção. Prometemos pintar os espaços públicos do concelho com outras cores e tudo faremos para que tal seja uma realidade.”

Luís Antero (Presidente da Direcção da Ohs.21)


terça-feira, 5 de outubro de 2010

ANA MARIA NA GALERIA SÃO MAMEDE - LISBOA

Pintura de Ana Maria


“Se me desses um jardim de amor pintava flores de chá e abrigava as minhas memórias
Fazia crescer impressões para transportar num colar que me ensinava a amar”
(Ana Maria)

A Galeria de São Mamede em Lisboa anuncia uma importante exposição da artista Ana Maria, a partir de 14 de Outubro. Intitulada “Pintura, Chá e Amor” a exposição composta por 13 pinturas e 15 desenhos estará patente até 11 de Novembro.

Ana Maria, pintora neofigurativa abstratizante, nasceu em Lisboa, em 1959. Licenciou-se em Filosofia. Expõe individualmente desde 1983 tendo sido distinguida no decurso da sua carreira com diversos prémios, entre os quais o «Prémio Nacional de Pintura Júlio Resende» (1990) duas menções honrosas na Bienal de Vª Nª de Cerveira (1991 e 2003), e o importante Prémio Amadeo de Souza-Cardoso em 2005.

Como refere o Arqº Joaquim Carvalho Mota no texto de apresentação do catálogo (cujo texto integral se anexa), “Cada uma das composições inventa um tempo diferente, sem medo, aborrecimento, passado ou futuro. Novas e moderníssimas formas, para criar múltiplas encenações com figuras, todas vivas, todas prontas para o movimento, ao mínimo sinal de agilidade mental. (…)Neste universo de realismo mágico, onde a lei é o desejo, tudo é promessa de felicidade, objecto belo, espirais arco-íris, perpetuamente tempestades de afectividades, libertação da lógica, viagens. As emoções, profundas, juntam-se ao fantástico, em melancolia romântica, pelo apelo forte das imagens, formas aparentemente sinceras, amistosas, difíceis de elucidar.”

Ana Maria convida o espectador a entrar no seu mundo através de um texto muito interessante do qual reproduzimos as primeiras linhas:

“Foi no dia da passagem de todas as passagens que olhou a margem, expôs rios coloridos e descobriu a transparência, a leveza, e todas as coisas belas que puderes esperar. Não tinha medo de pintar.
Nem sempre foi assim, noutros tempos vivia na ingenuidade, preocupada apenas com a evidência, produzia para existir. Não sabia que o tempo tornava a arte num mar grandioso de ondas contínuas sem descansar, sem sossegar, que o seu ”ser” se revelaria numa espiritualidade resistente, combatente, à custa de luta, da tensão e do desejo. ( ...)”

Como referiu Rogério Ribeiro, “Ana Maria tem o sentido maior deste caminhar numa sublime paisagem – quase aérea, quase etérea – como se de um imenso rendilhado se tratasse. (...),espécie de continentes flutuantes que não procuram nenhum porto como morada.
É um trabalho de minúcia exaustiva, de contenção cromática, caminhos de fragmentos que se alinham e desalinham, que se aproximam e se afastam, numa lógica que a própria pintura sustenta e alimenta. É um trabalho que não procura diluir fronteiras entre elementos – a terra e a água (o mar) – aqui assumidos como lugares simbólicos: a pintura alastra, quase tentacular, na tela.”

Francisco Pereira Coutinho
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R. da Escola Politécnica, 1671250-101 Lisboa, de segunda a sexta das 10 às 20,00h e aos sábados das 11 às 19,00 horas.