segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O BUSTO DO COMENDADOR

João R. Duarte - Busto do Comendador Evaristo Martins Nogueira - São Romão



Evaristo Martins Nogueira - e suas irmãs, D. Ana e D. Alfreda - foi um grande benemérito, tendo contribuído decisiva e generosamente para a modernização e desenvolvimento da sua terra natal, São Romão, onde nasceu a 17 de Junho de 1891. Muito novo, emigrou para o ex-Congo Belga (actual República Democrática do Congo), onde fez fortuna no sector da exportação e importação.

Pessoalmente ou por intermédio da sua irmã D. Ana Martins Nogueira, apoiou os mais carenciados, instituindo a sopa dos pobres e atribuindo bolsas de estudo a alunos sem recursos. Foi o grande benemérito dos Bombeiros Voluntários de São Romão e da Banda da Academia de Santa Cecília e cedeu terrenos à Junta de Freguesia para urbanização da zona do Outeiro. Aí, promoveu a construção do Estádio da Nossa Senhora da Conceição e o Colégio de Nossa Senhora da Conceição - hoje Escola Evaristo Nogueira. A família Nogueira criou ainda o Patronato da Sagrada Família, que confiou às Servas de Jesus - onde professava a irmã mais nova, D. Alfreda (1).

Evaristo Martins Nogueira (1891-1983)

Evaristo Nogueira "constitui um exemplo de raro humanismo e de preocupação pelo bem estar das populações e sua riqueza cultural" (2) e foi justamente agraciado com diversas condecorações, medalhas e comendas no país e no estrangeiro, com destaque para a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique. O povo de São Romão prestou-lhe grata homenagem em 1980, através da colocação de um busto no jardim com o seu nome, fronteiro ao quartel dos Bombeiros Voluntários e à sede da Banda da Academia de Santa Cecília. A escultura foi realizada por João R. Duarte.

Evaristo Martins Nogueira faleceu em Lisboa a 6 de Julho de 1983.




(1) - J. Quelhas Bigotte, Monografia da Cidade de Concelho de Seia, 2ª edição, 1986.
(2) - Carlos Manuel R. S. Dobreira, Personalidades Ilustres e Figuras Típicas da Vila de São Romão, 1993.

domingo, 15 de agosto de 2010

RETROSPECTIVA DE JORGE MEALHA EM LAGOS

"Jorge Mealha 1960-2010 - Reinventando uma arte" - Exposição retrospectiva de escultura - cerâmica, Centro Cultural de Lagos, de 07 de Agosto a 16 de Outubro.




Até 16 de Outubro (1), decorre no Centro Cultural de Lagos uma das mais interessantes exposições do programa “Arquipélago” - ALLGARVE 2010 (2). Intitulada “Reinventando uma arte”, a exposição permite uma visão retrospectiva da obra do escultor/ceramista Jorge Mealha nos últimos 50 anos, desde os trabalhos realizados ainda em Moçambique às obras mais recentes, que se destacam no contexto da cerâmica contemporânea nacional.

Jorge Mealha, Miriam Tavares, Xana e Maria Joaquina Quintans de Matos

Na abertura, Xana (3) apresentou a exposição e Miriam Tavares, comissária da retrospectiva, contextualizou a obra de Jorge Mealha, cabendo a Maria Joaquina Quintans de Matos (Vice-presidente da Câmara e vereadora da Cultura) referir o empenhamento da autarquia na pomoção e divulgação das artes e sublinhar o facto de um artista residente em Lagos integrar o programa de arte contemporânea “Arquipélago” do Allgarve’10.

A mostra retrospectiva ocupa duas salas, havendo também a projecção de diapositivos de peças que não integraram a exposição e de uma entrevista recente com o artista. Na entrada da sala principal, pode ver-se a reprodução de um mural realizado por Jorge Mealha em 1960 em Moçambique. Apresenta-se ainda um cronograma da história da cerâmica que culmina com a biografia do artista (4).

A obra de Jorge Mealha, que nasceu em Moçambique e reside no Algarve desde 1975, caracteriza-se pela abordagem contemporânea de temas e formas privilegiada pela arte africana, desde a estatuária com atributos mágico-religiosos à cerâmica utilitária. Os seus trabalhos revelam um elevado domínio técnico, sobretudo na modelação rigorosa das formas – preferencialmente geométricas – e na utilização verdadeiramente poética das texturas. O artista trabalha com pastas de grés e forno a gás desde 1982, com resultados notáveis, reforçando também a resistência e durabilidade das peças.

O Centro Cultural de Lagos é um espaço muito interessante e agradável, localizado no centro da cidade. Pertencente à Câmara Municipal de Lagos, possui uma boa área expositiva, auditório e bar, organizados em torno de um pátio – que também serve de palco a diversas iniciativas culturais. Foi a primeira vez que consegui estar presente na inauguração de uma exposição no Centro Cultural. Gostei sobretudo do espírito do lugar e do ambiente, e senti-me (mais uma vez) orgulhoso das minhas raízes maternas.

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Jorge Mealha

Jorge Mealha nasceu em 1934 em Maputo, Moçambique.

Iniciou a sua actividade artística em 1960. Até 1974, residiu em Lourenço Marques, onde se dedicou à cerâmica, escultura e decoração de interiores. Em 1970, realizou intervenções escultóricas em diversos edifícios em Moçambique.

Fixou-se no Algarve em 1975. Reside e trabalha em Lagos desde 1981.

De 1965 a 1970 frequentou os cursos de desenho e gravura do Núcleo de Arte de Lourenço Marques, sob orientação do pintor António Quadros.
Como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, para aperfeiçoamento em cerâmica, estagiou no atelier do escultor Querubim Lapa, em 1979, e visitou vários centros europeus de cerâmica, no ano seguinte.

Artista convidado no I Simpósio Internacional de Cerâmica (Alcobaça, 1987). Em 1993, organizou em Lagos, com Janet Mealha, um workshop internacional de cerâmica.

Expõe individualmente desde 1964. Entre as suas exposições individuais mais importantes, salientam-se a que realizou em 1995 no Museu Nacional do Azulejo – Lisboa e a retrospectiva no Centro Cultural de Lagos (2010).


O mural da entrada


Projecção de diapositivos de peças ausentes

(1) – Esta exposição regista algum desaguisado de datas e horas. Há folhetos que referem as datas 05 de Junho a 01 de Agosto de 2010 para a mesma exposição e a inauguração, marcada para as 18 horas do dia 07 de Agosto (agenda cultural e convite 1), foi posteriormente adiada para as 22 horas (convite 2). O anunciado catálogo também não se viu na abertura.
(2) – Para além da colectiva "Algarve Visionário, Excêntrico e Utópico" (Museu Regional do Algarve, Museu Municipal de Faro e Galeria Trem). Nas exposições individuais, o destaque vai para os “consagrados” portugueses José de Guimarães (n. 1939), Pancho Guedes (n. 1925) e René Bertholo (1935-2005). Dos estrangeiros, mais jovens, destaco Jaroslaw Flicinski (Museu Municipal de Faro), artista polaco que procura suportes menos convencionais para a sua pintura.

(3) - O artista plástico Xana encontra-se ligado às artes em Lagos desde os anos 80. Natural de Lisboa, onde nasceu em 1959 e se licenciou, na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, reside em Lagos desde 1984. Participa na exposição "Algarve Visionário, Excêntrico e Utópico" (Faro).
(4) - Verificando-se um desfasamento entre as datas referidas e o currículo oficial (ver site de Jorge Mealha).
Outras referências à exposição de Jorge Mealha:

FOTOGRAFIA "À FLOR DA ÁGUA"

Foto: blogue À flor da ÁGUA
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Até 29 de Outubro de 2010, pode ser vista em Aveiro uma invulgar exposição de fotografia, de grande dimensão e recorrendo a suportes tradicionalmente utilizados pela publicidade, em espaços abertos, tendo como elemento aglutinador a água. As 17 fotografias são de José Maria Pimentel, fotógrafo freelancer natural de Coja, radicado em Aveiro. A designer Sara Silva Biaia concebeu a original exposição. A produção e montagem deve-se à Via Publicitária, que também patrocinou o projecto. Esta empresa utilizou tintas não poluentes e recorreu às mais modernas técnicas de impressão digital sobre vinil, telas e tecidos de alta resistência e durabilidade.

Dispersas pela cidade (ver mapa), a maioria das fotografias encontra-se autenticamente “à flor da água”, pairando ou boiando, mas as fotografias verticais colocadas em locais de passagem (Ponte de São João, Passagem subterrânea para o Forum Aveiro) e no emblemático edifício da Capitania, são igualmente sugestivas e têm grande impacto visual.

O autor das fotografias avisa que elas “não têm a pretensão de tratar um tema tão vasto no seu todo, mas apenas fazer-vos sentir a presença, a beleza e a força desse elemento que aqui sempre nos acompanha”. Abundante na zona de Aveiro (a ria, a proximidade do mar, o rio Vouga), a água domina a paisagem, cria condições particulares de luminosidade, marca a vida dos bichos e das gentes, regula os ritmos de trabalho e de lazer, é fonte de vida e de riqueza.
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Mapa da exposição (1), com a localização das 17 fotos e sugestão de percurso: 1-Ponte de S. João; 2-Canal Central; 3-Edifício da Capitania; 4-Passagem subterrânea para o Forum Aveiro; 5, 6, 7-Cais da Fonte Nova.

José Maria Pimentel nasceu em Coja em 1953. Estudou fotografia na École de Photo CE3P – Centre d’Enseignement et Perfectionement Photographique Prifissionel em Ivry s/ Seine, França.
Em 2000 deu a volta ao mundo como navegador e fotógrafo num rally para automóveis clássicos - “Around the World in 80 Days”.
É autor dos livros de fotografia “Monsenhor Nunes Pereira - O Percurso de uma Vida” (2001), “Coimbra Fora d’ Horas” e “Imagens que os vinhos Dão”.
Expôs em Portugal, Espanha, França e Suíça. Encontra-se representado na colecção de fotografia da sociedade de advogados PLMJ.
Em 2002 e 2003 foi distinguido com duas Menções Honrosas do prémio da revista VISÃO.
Organiza e dirige regularmente workshops de fotografia.


Sara Silva Biaia é Directora Criativa do “Atelier de Decoração de Interiores- loja com amor” de Aveiro e de Lisboa.






(1) - Fonte: http://aflordaagua.blogspot.com/

PINTURA NO PÁRA-VENTO NO PORTO

Vista parcial da exposição de Pára-ventos. Mais fotos nos blogues de:
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Ver filme de André Castro
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Um projecto artístico que coloca a arte fora de portas, e que consiste em pintar um pára-vento e expô-lo na praia.
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Ideia e organização de Miriam Rodrigues e Renata Carneiro, com o apoio da Câmara Municipal do Porto / Porto Lazer, Esteta Galeria, Edifício Transparente.

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11 e 12 de Setembro. Inauguração às 17 horas.

Artistas que abraçaram este projecto:

Miriam Rodrigues

Renata Carneiro (no blog de Emília Viana)

Teresa Pedroso (blog da artista)

Julia Pintão (no blog da artista)

Ana Maria (no blog da artista)

Emília Viana (no blog da artista)

Céu Costa (no blog da artista)

Manoel Bonabal (no blog do artista)

Inma Doval (no blog de João Menéres)

Alexandre Ribeiro

Rui Anahory

Sílvia Carreira (no blog da artista)

Henrique do Vale

Filipe Rodrigues (no blog do artista)

Carla Marques (no blog da artista)

Cristina Camargo

Carmen Cierto

Carina Constantino

Agostinho Santos

Ana Carvalho

Sofia Lages

Paulo Neves (no blog de João Menéres)

Acácio de Carvalho

Manuela Bronze

José Emídio

Carla Faro Barros

Armando Alves (no blog de João Menéres)

Margarida Leão

Catarina Machado

Conceição Rios

Isabel Braga

Kchão Gagean

Paula Fidalgo

Teresa Santos Silva (no blog de João Menéres)

Ernesto Ricou

Paula Leite

Sobral Centeno

António Carvalho

Emília Carvalho

Julieta Albuquerque

Susana Bravo (blog da artista)

Sérgio Reis

Alexandra Duque (no blog de João Menéres)

Ludmila (blog da artista)

Nuno Canelas (site do artista)

Rosa Puente

Inês Gonçalves

Ricardo Silva (blog do artista)

Isabel Bartolomeu


Esteta Galeria
Edifício Transparente
Porto Lazer

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A ÚLTIMA CEIA NO MUSEU DE ÉVORA

ÚLTIMA CEIA – Instalação com fotografias de Jorge de Sousa, Marcos López e escultura de Noémia Cruz, Museu de Évora, 01 de Julho a 30 de Setembro.
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Jorge de Sousa, "A Última Ceia" (1)

Integrado no programa do Festival de Performance e Artes da Terra “Escrita na Paisagem” 2010, encontra-se patente no Museu de Évora, até 30 de Setembro, uma Instalação intitulada “Última Ceia”. A mostra junta duas fotografias de Jorge de Sousa (n. Moçambique, 1962) e do argentino Marcos López (n. Santa Fé, Argentina, 1958) com a escultura de Noémia Cruz (n. Ourique, 1948), “Isto é o meu corpo”. A escultura subverte o sentido da última ceia ao jogar com o conceito de corpo, oferecido, partido, partilhado, anexando a esse sentido o seu próprio historial acidentado: exposta pela primeira vez em 1979, a obra foi vandalizada; no ano seguinte, ficou parcialmente destruída num incêndio no atelier da artista; finalmente, foi recuperada e exposta três décadas depois.
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Leonardo da Vinci, “L’Ultima Cena”, 1495-1498
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O tema da última ceia de Cristo com os apóstolos tem sido muito tratado na arte ocidental, sobretudo através da pintura, nas mais diversas épocas e contextos artísticos. A obra mais conhecida é a pintura mural realizada por Leonardo da Vinci no refeitório do Convento de Santa Maria delle Grazie, em Milão, mas essa obra teve precursores como Andrea de Castagno (Castagno, 1423-Firenze, 1457).

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Andrea de Castagno, “L’Ultima Cena”, 1447, Sant’Apollonia, Florença

Ao longo dos séculos seguintes, inúmeros pintores foram sensíveis ao tema, também abordado no século XX por artistas como Salvador Dali (“O Sacramento da Última Ceia”, 1955), Andy Warhol (série “The Last Supper”, 1986), Francine LeClercq ("Mise en S(cène)", Instalação, 2007) ou Devorah Sperber (Instalação, 2007). O próprio Museu de Évora, que alberga a instalação, inclui no seu acervo duas pinturas da última ceia, uma da autoria do Mestre do Retábulo da Sé e outra do pintor flamengo Martin de Vos (Antuérpia, 1532-1603).

Há últimas ceias desenhadas, gravadas, impressas, esculpidas, modeladas, colagens, assemblagem de objectos inusitados, e até construídas em Lego, sendo igualmente um tema recorrente da arte popular dos mais diversos países e culturas tocadas pelo cristianismo. Finalmente, a fotografia agarrou o tema e recriou-o com a liberdade possível em contextos modernos, impulsionada pela publicidade e abençoada pelos media. Não é por acaso que imagens relacionáveis com este tema serviram para promover filmes e séries televisivas como "M.A.S.H." (Robert Altman, 1970), “Battlestar Galactica” (2003), “Star Wars”, “House” (2004), “Shameless” (2004), “Asao” (Hong Kong, 2005), “The Sopranos” (uma belíssima foto de Annie Liebovitz), “The Simpsons”, “Lost” (última temporada, 2010).


Doménikos Theotokópoulos, El Greco, “A Última Ceia”, 1567-1570

Na pintura, a minha última ceia preferida é a de El Greco (1541–1614), obra pintada entre 1567 e 1570. No quadro, tudo parece pairar, com uma estranha leveza e dinâmica, desde a mesa da ceia às figuras esvoaçantes. A lembrar que a pintura de El Grego não se enquadra em qualquer estilo artístico do seu tempo.

Para além da unidade e equilíbrio da composição e encenação bem sugestiva, as fotografias de Jorge de Sousa e de Marco López estão recheadas de pormenores bem contextualizados: o estilo “urbano” de Jorge de Sousa em contraste com uma ceia tipicamente argentina.

O fotógrafo português procura fixar, sem qualquer fotomontagem, “imagens que se comportam como máquinas do tempo, construídas a partir de elementos contemporâneos, para viagens a um passado por vezes muito mais distante do que a minha própria existência”. O argentino, pelo seu lado, não quis fotografar a “refeição da tristeza, suspeição e ira que caracteriza a obra-prima italiana, mas sim a refeição do encontro da comunidade, da hospitalidade e da amizade”. “Tento que o meu trabalho tenha a dor e o despojamento da América mestiça" (2).
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A exploração de temas religiosos na arte – e na literatura, como sucedeu, por exemplo, com Salman Rushdie ou José Saramago - pode ser um assunto delicado e gerar polémicas. A Última Ceia, padronizada pela obra paradigmática de Leonardo da Vinci, é um dos temas mais abordados, glosados e abusados, especialmente por não encerrar um conceito fundamental e por isso intocável, como acontece com a Divina Trindade ou a Sagrada Família, mas sim pela efervescência dramática da cena, que pode ser decalcada noutros contextos, o caldeirão de emoções que anuncia a Paixão de Cristo. A competição de imagens na publicidade e a democratização da imagem graças às novas tecnologias da informação e comunicação intensificou a manipulação da obra-prima de Leonardo, com reacções pontualmente intransigentes. Em 2005, por exemplo, um anúncio encomendado pelos estilistas franceses Marithé e François Girbaud com uma foto inspirada na última ceia foi proibida em França e em Milão. Já nos EUA, a utilização da última ceia serve inclusive para anunciar feiras de rua e pizzarias. Por cá, nem estaremos muito mal se nos lembrarmos da reacção do mundo islâmico à publicação das célebres caricaturas de Maomé no jornal dinamarquês Jyllands-Posten, nesse mesmo ano (2005). Em Portugal, o desacato ficou-se pela controversa caricatura do papa João Paulo II, de António Antunes (“Preservativo Papal”, 1992), engrossando as ondas de choque produzidas pela publicação de “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” (1991), de José Saramago, mas ainda hoje existem críticas e pressões. Em entrevista ao site frrrkguys.com , Jorge de Sousa reconhece ter “recebido algumas críticas oriundas dos sectores mais conservadores e fundamentalistas do Cristianismo, mas talvez, pelo carácter sério com que abordo este tema, acaba por não sobrar muito espaço para os argumentos dessas pessoas ofendidas pelo meu trabalho” (3). Já Marcos López parece mais ambientado aos meandros e contingências da publicidade na Argentina. Vive em Buenos Aires, onde trabalha como fotógrafo e realizador de filmes independente, encontrando-se actualmente envolvido em projectos de arte e direcção fotográfica para anúncios de televisão.


De entre os diversos fotógrafos que trataram este tema, gosto particularmente das últimas ceias do israelita Adi Nes (n. 1966), do americano David La Chapelle (o “Fellini da fotografia”, segundo o New York Times, n. 1963), da sueca Elisabeth Ohlson Wallin (n. 1961), e do americano Howard Schatz (n. 1940).
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(1) - frrrkguys.com
(2) – Texto da instalação – Évora, 2010.
(3) – “
O Corpo como Templo da Alma” – T. Angel entrevista Jorge De Sousa, 2009.

domingo, 25 de julho de 2010

3ª BIENAL DE CHAVES ATÉ SETEMBRO


Decorre até 10 de Setembro, em Chaves, a 3ª edição da Bienal de Artes, este ano organizada pela Associação Chaves Viva, Cooperativa Árvore e Câmara Municipal de Chaves, com o apoio do Turismo de Portugal. A primeira edição (2006) foi organizada pela Associação de Artistas do Alto Tâmega e do Vale de Monterei, a Tamagani, e a segunda (2008) pela Cooperativa Árvore, que assim ampliou a sua influência artística no norte de Portugal.

A edição de 2010, que se iniciou a 01 de Junho, organiza-se em torno de três exposições importantes, destacando dois artistas flavienses: João Vieira (Vidago, 1934-Lisboa, 2009), com uma exposição de homenagem no espaço multiusos do Centro Cultural, reunindo obras de grande formato do artista; e Nadir Afonso (Chaves, 1920), na sala de exposições da Biblioteca Municipal. A terceira exposição , “Sinais da Arte Ibérica no Século XX”, no Pavilhão Expoflávia, pretende destacar o relevo actual de Chaves no contexto artístico nacional (terra de artistas, Bienal, Fundação Nadir Afonso – com o edifício sede projectado por Siza Vieira) e a sua relação de proximidade com Espanha. Integram esta exposição obras de grandes nomes das artes ibéricas o século XX: Amadeo de Souza-Cardoso, Dominguez Alvarez, Domingos Pinho, Jaime Isidoro, Joaquim Rodrigo, Jorge Pinheiro, José de Guimarães, Júlio Pomar, Mário Cesariny, Nikias Skapinakis, Antoni Claves, Carmen Calvo, Eduardo Arroyo, Jorge Castillo, Juan Miró, Luis Feito, Manolo Millares, Miguel Barceló, Pablo Picasso, Rafael Canogar. As obras dos artistas portugueses foram seleccionadas considerando a relação que elas estabelecem com a cultura espanhola, e vice-versa.
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Do programa da 3ª Bienal de Artes de Chaves fazem ainda parte uma conferência, "As indústrias criativas: cultura, economia e desenvolvimento", de Joaquim Azevedo e Cristina Azevedo, e um atelier de pintura, a funcionar de 6 a 10 de Setembro, no Centro Cultural.

FERNANDA FREIRE NA VÍCIO DAS LETRAS

“Boas Consonâncias” – Pintura de Fernanda Freire na Vício das Letras – Santa Maria da Feira, de 03 de Julho a 20 de Agosto 2010.


A pintora Fernanda Freire – que é também dada à escrita – regressa ao espaço Vício das Letras, onde expôs em Março de 2007 (“Unidade na Diversidade”), com um conjunto de obras genericamente intitulado “Boas Consonâncias”.

A artista apresenta agora uma pintura mais espontânea, gestual, neo-expressionista, muito diferente da pintura reflectida e trabalhada que praticava há poucos anos atrás. A profusão de cores e de elementos figurativos, assim como a variação da escala e do ritmo e a violência da pincelada, sugerem um emaranhado de ideias e de recordações em conflito, paisagens caóticas, visões complexas do Amor Universal que a artista pretende transmitir em “Boas Consonâncias”. Como escreveu Artur Manso, “Na pintura de Fernanda Freire cabe o mundo todo porque o que mais lhe interessa não é o caminho já percorrido, mas sim a busca interminável de graus mais elevados do sentir o do Ser. “

Fernanda Freire nasceu em Vide, concelho de Seia. Reside no Porto.

Participou em inúmeras exposições colectivas em Caldas da Rainha, Coimbra, Lisboa, Oliveira do Hospital, Paços de Ferreira, Porto, Santa Maria de Lamas, Santa Maria da Feira, Seia, Setúbal, Tábua, Tui (Galiza) e Vila Nova de Gaia.

Participou nas ARTIS III e IV (Seia, 2004 e 2005). Encontra-se representada em várias colecções particulares em Portugal, Espanha, Inglaterra, Holanda e Alemanha.
Ilustrou livros de literatura juvenil e de poesia.

Referências:
Seiaportugal