terça-feira, 13 de outubro de 2009

A Cidade digital de Renato Paz


"Cidade", arte digital de Renato Paz - 17 de Outubro a 29 de Novembro de 2009, no Foyer do Cine-Teatro da Casa Municipal da Cultura de Seia. Entrada livre.

A imagem mais imediata e acessível da cidade, com os seus espaços de ocupação e circulação, superfícies verticais, contrastes de luz e de cor, foi utilizada como campo de exploração criativa e comunicativa de Renato Paz para esta exposição de arte digital.

A escolha de imagens de edifícios e espaços reconhecíveis, onde intervém para modificar o seu sentido global recorrendo sobretudo a texturas e cores, reforça não só a ligação ao observador como um certo posicionamento crítico do artista perante a sociedade, bem evidentes em trabalhos anteriores (ver obras de Renato Paz).

A arte digital é uma modalidade artística relativamente recente que consiste na criação de obras originais através da modificação ou reconstrução criativa de imagens (fotografias, pinturas, desenhos) no computador.

Como seriam os espaços, as cores e texturas da cidade se cada um de nós pudesse interagir com ela, (re)vesti-la, (re)decorá-la, intervir criticamente ou já com espírito criativo, através de pesquisas de novas soluções formais e estéticas? Em certa medida é isto que os artistas do graffiti / graffiters fazem, em contextos muito localizados e com forte sentido social e até político, utilizando os meios que estão ao seu alcance. Os verdadeiros artistas, claro.

Renato Paz

Jorge Renato Arnatuh Pereira Esperança da Paz nasceu na Guarda em 1982 e reside em Seia, onde estudou e trabalha. Tem colaborado com a empresa “Varius” na edição de álbuns digitais e desenvolve trabalhos de composição gráfica de autor.

Expôs pela primeira vez na ARTIS 2009, em Seia.

Fontes: catálogo ARTIS 09, Agenda Cultural – CMS Set/Out, blog seiaportugal, e outras, incluídas no texto.

sábado, 10 de outubro de 2009

OBRAS DE ARTE EM SEIA - 9


Ângelo Ribeiro: Monumento aos Trabalhadores Têxteis (2009)

Localizada na rotunda de acesso ao Centro Escolar de Seia, em plena Rua José Tavares Correia de Carvalho, o Monumento aos Trabalhadores Têxteis foi inaugurado juntamente com o edifício concebido pelo arquitecto Miguel Krippahl, no dia 11 de Setembro de 2009.

Alguns anos após a colocação de um tear industrial na rotunda da Praça Fernandes Simões, junto à Beira Lã (ex-Fisel), evocando a ligação histórica de Seia à indústria têxtil, a autarquia decidiu, segundo disse Eduardo Brito na inauguração, “homenagear uma geração de mulheres e homens que trabalharam na indústria têxtil” (…) e “que em circunstâncias muito difíceis ajudaram a construir aquilo que somos hoje”.


Para homenagear esses senenses, foi escolhida uma obra de Ângelo Ribeiro, o escultor de Gaia que tem colaborado com a autarquia de Seia na área da escultura pública.


Em 2005 e 2008, Ângelo Ribeiro expôs em Seia, primeiro na Casa Municipal da Cultura e, depois, no espaço verde da quinta do Carvalhal, no CISE - Centro de Interpretação da Serra da Estrela, juntamente com o escultor Moisés Tomé. O escultor gaiense concebeu o Monumento aos Combatentes do Ultramar, inaugurado no dia 25 de Abril de 2008, e o troféu Campânula de Mérito Municipal, atribuído anualmente pelo Município de Seia a personalidades e instituições do concelho.





A escultura inspira-se nas obras de Claes Oldenburg, escultor da Pop Art americana, famoso por reproduzir objectos de uso corrente a uma escala incomum, sendo composta por duas formas dinâmicas simplificadas e uma terceira estática, quase vertical. Uma primeira observação mostra-nos claramente uma tira de tecido e uma agulha de coser com a linha (vermelha) enfiada. No entanto, outra leitura mais abrangente é possível, já que a conjugação das formas dinâmicas sugere um navio (casco/mastro/vela), representando a determinação para o futuro (viagem, descoberta, conquista). A orientação do monumento também é significativa (voltada para a ex-Fisel e Fercol, com a paisagem aberta a servir de fundo), mesmo considerando que, nessa posição, tem melhor visibilidade de ambos os lados da referida rua.
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A área envolvente da escultura foi cuidada e o monumento completa-se com alguns dados evocativos.

O Monumento aos Trabalhadores Têxteis e o Centro Escolar de Seia foram as últimas obras inauguradas por Eduardo Brito, que deixa este ano a autarquia senense, após mais de trinta anos de actividade autárquica.

domingo, 4 de outubro de 2009

Novo edifício com forma de diamante no Porto


No dia em que se comemora o Dia Mundial da Arquitectura (primeira 2ª feira de Outubro, coincidindo com o Dia Mundial do Habitat), destacarei mais uma obra recente de arquitectos portugueses: o edifício Sede da Vodafone no Porto, recentemente concluído, que não deixa indiferente quem sobe ou desce a Avenida da Boavista.
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Erigido no cruzamento da Avenida da Boavista com a Rua Correia de Sá, quase em frente ao Colégio Nossa Senhora do Rosário, os seus volumes surpreendentes sugerem globalmente um “diamante em bruto”, sendo o segundo grande edifício em forma de diamante no Porto – e na zona da Boavista, após a construção da Casa da Música (1).

A sede da Vodafone em Lisboa (Parque das Nações) impressiona pelo tratamento da superfície e cobertura das janelas – que mudam o aspecto do edifício conforme estejam tapadas ou destapadas. O edifício da Vodafone no Porto possui uma estrutura mais complexa (base aproximadamente rectangular, dois núcleos de geometria rectangular no interior do edifício e apenas dois pilar-parede no centro do edifício) e a sua configuração dinâmica “tenta reflectir a atitude vodafone live – a vida em movimento"(2).

“A solução arquitectónica da fachada desenvolvida para este edifício, resulta num conceito estrutural pouco habitual mas não menos eficiente. A estrutura do seu interior é resolvida com sistemas correntes mas, a geometria da fachada, torna-a única. O comportamento da fachada enquadra-se num princípio estrutural milenar - o Arco - que, complementado por outro princípio estrutural mais recente - o triângulo - permite gerar um elevado valor arquitectónico e, simultaneamente, um eficaz desempenho estrutural”.
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Com uma área de cerca de 3.500 metros quadrados e oito pisos (3 abaixo do solo e cinco acima), o edifício é da autoria dos arquitectos José António Barbosa e Pedro Guimarães (Barbosa & Guimarães Arquitectos), os vencedores de um concurso de ideias realizado em 2006, no qual participaram 50 arquitectos.

A nova sede da Vodafone no Porto acolherá cerca de 250 funcionários, distribuídos por áreas de trabalho (do tipo open-space) nos pisos 1, 2, 3,e 4. No rés-do-chão e piso inferior, funcionará uma galeria comercial (Megastore), um auditório para 70 pessoas e o apoio ao cliente.

O edifício pertence ao Millennium BCP, proprietário dos terrenos e financiador da construção, que estabeleceu com a Vodafone um contrato de arrendamento de longo prazo.

Notas
(1)-A obra polémica do arquitecto holandês Rem Koolhaas foi encomendada para o Porto 2001. As obras começaram em 1999 mas o edifício só foi inaugurado em Abril de 2005.
(2)-Jornal de Notícias, 22/01/2007



sexta-feira, 2 de outubro de 2009

3 Arquitectos Senenses

Seia dispõe hoje de uma boa oferta de arquitectos, atendendo à dimensão do concelho, alguns deles trabalhando a tempo inteiro. Para além das preocupações funcionais, as suas obras são produtos artísticos que reflectem as realidades locais e regionais. Desse grupo, destacam-se Fritz Wessling e Miguel Krippahl, pela projecção da sua obra, embora outros valores seguros não devam ser esquecidos, como Pedro Albano ou Carlos Brito.

Em Abril de 2006, a Câmara Municipal de Seia deu a conhecer a obra destes quatro arquitectos através de uma exposição denominada “Viver a Arquitectura”. No Dia Mundial da Arquitectura de 2009, recordo aqui três destes arquitectos.

Pedro Albano
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Natural de Seia, formou-se em Arquitectura em 1995.

Para Pedro Albano, “os arquitectos são técnicos que tentam, de uma forma artística, resolver e solucionar os problemas de cada cliente”, trabalhando os aspectos práticos e funcionais da arquitectura, pois, “quando se compra uma casa, normalmente é para uma vida inteira”.
“É preciso cada vez mais promover e divulgar os valores da arquitectura junto daqueles que mais interagem com ela – O cidadão comum. No entanto deverá ser quem os representa, que terá de tomar consciência que os lugares e as cidades não são só nós rodoviários, vias de circulação externa, viadutos ou outros sinais de uma errada contemporaneidade. (…) Uma arquitectura de qualidade tanto ao nível do planeamento como das obras edificadas, pode contribuir eficazmente para a coesão social, para a promoção do turismo regional, da cultura e consequentemente para a criação de emprego e desenvolvimento económico regional” (Pedro Albano, “Ouse Arquitectura, com arquitectos, claro!”, Porta da Estrela nº669 - 20/07/2003).

Miguel Krippahl


Natural de Lisboa, Miguel Krippahl licenciou-se em arquitectura em 1988, ano em que veio para Seia frequentar um estágio de pós-graduação no PNSE. Gostou da terra e por cá ficou. Trabalhou 12 anos no ICN e, em 2001, criou o atelier Arquitecto Miguel Krippahl Lda, que desenvolve projectos de arquitectura e especialidades com recurso a tecnologias BIM - Building Information Model.

Para além do ensino de ArchiCAD no curso de arquitectura da Universidade Católica (desde 2004) e na ArchiCAD University Europe,como tutor convidado pela Universidade de Nottingham (2004, 2005, 2007 e 2009), integra um grupo de investigação industrial que desenvolve o PLAGE, Plataforma electrónica para a contratualização e a gestão integrada e sustentável de projectos ou empreendimento baseada em bases de dados BIM, e colabora com a Mota-Engil e a VICO na implementação de modelos tridimensionais para planeamento e gestão de obra.

Realizou diversos projectos de arquitectura na região da Serra da Estrela, de que são exemplo a Estância de Esqui da Torre, a ampliação do Hotel das Penhas da Saúde e da Estalagem dos Carqueijais (Covilhã), o novo cemitério municipal de Seia, a ampliação do cinema, o Centro Escolar de Seia e o Centro Escolar de São Romão.

Para Krippahl, “a qualidade é a mais-valia de um projecto feito por um arquitecto”. Pode encontrar e acompanhar o seu trabalho no seu site ou no blog architruques.

De Abril a Setembro de 2004, publicou uma série de tiras desenhadas no Jornal de Santa Marinha, intituladas “Serrano & Bordaleira”.

Juntamente com Bruno Krippahl, recebeu uma Menção Honrosa no CIneEco 2000, na categoria de Video Não-profissional, pelo seu trabalho "Blocos Erráticos da Serra da Estrela".


Centro Escolar de Seia (2009)

Fritz Wessling

Nasceu em Essen, Alemanha, e formou-se na Universidade Técnica de Braunscheweig.

Veio para Portugal em 1987, fixando-se em São Romão – Seia, colaborando com a Casa de Santa Isabel. No início dos anos 90, criou a empresa Arquitecto Fritz Wessling Unipessoal Lda.

Autor de numerosos projectos e mais de meia centena de obras construídas (moradias unifamiliares, recuperação de edifícios antigos, equipamentos sociais, …) nos concelhos de Seia, Oliveira do Hospital e Mangualde. Em 2008, realizou o projecto da Galeria de Arte que a Câmara Municipal pretende instalar no centro histórico de Seia, ocupando três casas antigas degradadas.

Participou em diversas conferências sobre a pedagogia Waldorf e arquitectura. Autor da obra Arquitectura Orgânica, cujo primeiro capítulo pode ler
AQUI, divulgada em Portugal, Brasil, Espanha e Alemanha.

Para Fritz Wessling, a sensibilidade e a qualidade deveriam ser as linhas orientadoras da arquitectura, sendo fundamental envolver os arquitectos nos processos de expansão e renovação das localidades.

Projecto de Galeria de Arte (2008)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

ARTE NO METRO

Jovens artistas nos bilhetes de Metro

O novo projecto (1) do Metro do Porto e o Metropolitano de Lisboa designa-se “Próxima Paragem Cultura” e pretende dar a conhecer ao grande público 20 obras de pintura, desenho e fotografia de jovens artistas nacionais. Foi apresentado no dia 9 de Setembro na Estação de Metro de S. Bento, no Porto, com a presença da secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino.
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Numa primeira fase, com início em Outubro, serão divulgadas 5 obras dos artistas Ana Sério, Domingos Loureiro, Joana Rego, Mónica Oliveira e Pedro Pires, através de imagens reproduzidas nos títulos de viagem e nos placards electrónicos das estações. Os restantes artistas serão seleccionados por uma Comissão de Arte e Cultura do Metropolitano de Lisboa, presidida por Salvato Telles de Menezes - Administrador-Delegado da Fundação D. Luís.

A divulgação de conteúdos através dos bilhetes de Metro é uma novidade em Portugal mas já foi testada noutros países. No entanto, é a primeira vez que se recorre a bilhetes de transporte para promover jovens artistas.

E porquê estes artistas e não outros? Uma possível resposta a esta pergunta pode ser encontrada num texto de Salvato Telles de Menezes, publicado a propósito de uma exposição de Ana Sério (2):

“(…) Há artistas assim. Artistas que gerem a sua carreira no estrito quadro das linhas de força muito precisas, rigorosas, em que a discrição atinge um valor central, inviolável. Agem metodicamente, desenvolvem as suas buscas estéticas, plasmam as suas ideias em tela, papel ou outro suporte qualquer, no refúgio dos seus locais de trabalho, sem desvios oportunistas, sem estarem preocupados com benefícios alheios às suas próprias exigências intelectuais e à obrigação que sentem de se exprimirem libertos de quaisquer constrangimentos sejam eles desta ou daquela índole. São seres delicados, frequentemente ariscos e inseguros, um pouco desatentos à necessidade, imposta pela sociedade de consumo actual, de se exporem ao reconhecimento público. (…)”
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Já agora, uma curiosidade: em 2007, apareceram no blogue wishes-heros uma série de desenhos que o jovem ilustrador Ricardo Rodrigues (“Desejos de Natal”, da Civilização) ia fazendo nos bilhetes durante as viagens de Metro. A 18 de Maio de 2007, Paula Costa deixou o seguinte comentário:

“Esses bilhetes do metro são o máximo! Se os senhores do metropolitano te "apanham" ainda te pedem para fazer o novo design dos mesmos!!”

Parece que alguém aproveitou (?) a ideia. Mais de dois anos depois, foram “apanhados” – para já – os artistas Domingos Loureiro, Joana Rego, Pedro Pires, Mónica Oliveira e Ana Sério. Ricardo Rodrigues será um dos próximos?

Simples e efémeros, os bilhetes de Metro entram agora (em Portugal) na lista de suportes alternativos de promoção, juntando-se os selos de correio, caixas e carteiras de fósforos, pacotes de açúcar, calendários de bolso e cartões telefónicos - que são hoje típicos objectos de colecção (3).

Mas quem são os 5 artistas seleccionados para inaugurar a “colecção de arte” nos bilhetes do Metro “Próxima Paragem Cultura”?

Ana Sério nasceu em Oeiras em 1976. Licenciatura em Pintura pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa (2001-2002). Mestrado em Pintura na Norwich School of Art and Design, Inglaterra.
Participou em diversas exposições colectivas desde 1998. Entre as várias exposições individuais que realizou, destacam-se as da Galeria Barata (Prémio de Pintura João Barata, 2001, e “A Forma das Cores”, 2004), a MA FA Exhibition 2002, na Norwich School of Art e Design, e na Galeria Municipal Paços do Concelho de Torres Vedras (2006).
Distinguida com o Prémio de Pintura João Barata em 2000 e com o Prémio Artur Bual em 2005, a artista recebeu Menções Honrosas no Salão de Primavera do Casino Estoril em 2002 e 2003, no Prémio Fundação Marquês de Pombal em 2003 e 2005, e no Prémio D. Fernando II da Câmara Municipal de Sintra em 2004.

Domingos Loureiro nasceu em Valongo em 1977. Licenciado em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (1996 a 2001). Em 2001, frequentou a Kunst Akademy em Karlsruhe, Alemanha. Mestrado de Pintura da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.
Começou a expor em 1998, em mostras colectivas, tendo participado na ARCO de Madrid e na Feira de Arte de Basileia, através da galeria Plumba, de Madrid, e da Galeria 24B, de Oeiras. Expôs individualmente em Ermesinde, Sintra, Braga, Porto, Oeiras.
Prémios: Prémio Sousa Pinto – Artvallis, 1999 e 2001; Prémio de Revelação D. Fernando II, 2003; Prémio de Pintura D. Fernando II, 2004.
Realiza trabalhos de grande dimensão, em Mdf escavado, que funcionam como “grandes matrizes de xilogravura” com “um aspecto próximo de objectos cerâmicos e de design relegando para segundo plano a imagem”, permitindo o contacto táctil do público com a obra de arte.

Joana Rêgo nasceu no Porto em 1970. Licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas Artes do Porto (1995). Mestrado em Pintura no San Francisco Art Institute, EUA (1999). Doutoramento pela Universidade de Vigo / Pontevedra e ESAP.
Pintora e Professora do Ensino Superior, expõe colectivamente desde 1993, tendo participado em várias edições da ARCO de Madrid (1999 a 2004) através da Galeria Fernando Santos. Realizou a sua primeira exposição individual em 1996, na Cooperativa Árvore, tendo exposto depois em Amarante, San Francisco (EUA), Vila Nova de Cerveira, Porto, Roterdão (Holanda), Lisboa, Olhão, Vigo (Espanha), Viana do Castelo, Guimarães, Aveiro.

Mónica Oliveira nasceu no Porto em 1971. Vive e trabalha actualmente no Porto. Licenciatura em Escultura na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (1994). Doutoramento em Escultura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Salamanca (2000).
Entre 1995 e 1996, foi bolseira do Ministério dos Negócios Estrangeiros e, de 1996 a 1999, do Ministério da Educação - Gabinete de Gestão Prodep.

Pedro Pires nasceu em Luanda em 1978. Reside e trabalha actualmente em Albarraque. Licenciado em Escultura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (2005). Em 2004, frequentou em Atenas a escola superior de artes Anotati Scholi Kalon Texnon como bolseiro do programa Erasmus.
Autor da escultura pública “Homem Muralha”, no Parque das Nações, Lisboa (2008), foi distinguido com uma Menção Honrosa na X Edição do Prémio D. Fernando II, em 2008.
Participou em várias exposições colectivas e projectos em diversos pontos do país. Entre as suas exposições individuais, destacam-se: “Desenhos de Pólvora” (Oeiras, 2007); as exposições na Galeria Arte Periférica (Lisboa, 2007 e 2008); “Gunpowder Men” (Galeria Designersdotgallery, Atenas, Grécia, 2008); “Habitar” (Centro Cultural Mestre José Rodrigues, Alfândega da Fé e Braga, 2008).

(1)-Tal como acontece noutros países, alguns deles com mais e melhores tradições artísticas, o Metro nacional tem concedido um importante espaço de divulgação à arte e aos artistas portugueses, sobretudo nos amplos espaços das estações de Metro, “intrometendo” diversas propostas artísticas no quotidiano das duas maiores cidades do nosso país. No entanto, essa ligação às artes tem privilegiado artistas consagrados.

(2)- Galeria Municipal dos Paços do Concelho de Torres Vedras, 14 de Setembro a 13 de Outubro de 2006.

(3)-Sem esquecer que podem ser igualmente reutilizados para habilidades mais ou menos artísticas, como fizeram em 2007 os funcionários do metro de Osaka - ou o ilustrador Hubert de Lartigue, que explica no seu site como fazer origami com bilhetes de Metro.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Casa das Histórias - o "museu" de Paula Rego

A Casa das Histórias, o primeiro museu dedicado à obra de Paula Rego, tem inauguração marcada para o dia 18 de Setembro de 2009, às 18 horas.

O espaço projectado pelo arquitecto Eduardo Souto Moura receberá mais de uma centena de obras da artista e do seu falecido marido, Victor Willing.

Ver fotos da Casa das Histórias (Avenida da República, Cascais).

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Emília Nadal homenageada em Lamego


Inserido na dinâmica do primeiro festival de cinema Douro Film Harvest, decorreu nos dias 12 e 13 de Setembro, em Lamego, um encontro multidisciplinar de artes, o “Plast&Cine”.

Organizado pela Câmara Municipal de Lamego, em parceria com as Edições Cão e participação da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, o encontro homenageou Emília Nadal. Algumas das obras produzidas pela artista ao longo de décadas, desenho, pintura e objectos, foram reunidas numa exposição com curadoria de Dalila Rodrigues (1) e reinterpretadas por alunos da FBAUP em intervenções de arte pública.


As obras patentes ao público no centro histórico de Lamego inspiram-se no trabalho desenvolvido por Emília Nadal nos anos 70 (talvez a fase mais interventiva da artista, veiculando uma crítica implacável à sociedade de consumo) mas apelando à promoção e consumo de produtos regionais. Por exemplo, a bôla (“bolla heart”) com imagem da “Pizza Hut” – entre vinte “embalagens” gigantes cuja presença e conteúdo comunicativo alterou por completo o quotidiano dos lamecenses, ainda mal recuperados das Festas da Nossa Senhora dos Remédios, que terminaram a 9 de Setembro.

A obra "Slogan's" (1979), na exposição Serralves 2009: A Colecção (30 MAI-05OUT 2009)

Emília Nadal nasceu em Lisboa em 1938, com ascendência catalã por parte do pai. Frequentou a Escola de Artes Decorativas António Arroio e a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, onde se licenciou em Pintura em 1960.

Admiradora de Almada Negreiros, não seguiu tendências, explorando temas e técnicas do seu exclusivo interesse, como deveria fazer qualquer artista. Em grande parte por esta razão, manteve-se à margem do mercado de arte, orientando a sua vida profissional para outras áreas da Cultura, sendo actualmente directora do Museu de Belas Artes de Lisboa e presidente da Sociedade Nacional de Belas Artes.

Foi uma pintora “figurativa numa época em que o abstracto estava muito em voga entre nós” (Manuel Rio-Carvalho, 1986), sendo depois considerada uma pintora “abstracta ou abstractizante de estilo Pop” (Fernando de Pamplona, 1988), “Filtrada, é óbvio, pela sensibilidade de uma pintora que não se deixaria aprisionar por completo, nem para sempre, por nenhuma dessas doutrinas ou experiencias, por muito libertadoras que fossem” (Yvette Centeno, 2006).

Nos anos 70, entregou-se fora de tempo à arte Pop, interpretando os artistas americanos no contexto europeu, mais elaborado e filosófico, enveredando pela crítica ao consumo das ideias, denunciando o poder encantatório e manipulador da publicidade através de slogans irónicos, “em metáfora irónica, em lúcida mas amena expressão anedótica de tom doméstico” (Fernando Pernes). Foi, segundo a própria artista, o período mais importante da sua obra (2), destacando-se nesta fase a sua exposição no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, intitulada «Embalagens para Produtos Naturais e Imaginários Liofilizados». São também da década de 70 as suas fases “Paisagens imaginárias” (1974-76) e “Ovnis” (1976-78).

Desde o início dos anos 80, desenvolveu o tema da paisagem (“Paisagens oblíquas”), num regresso “se não ao espírito, pelo menos ao sentimento da paisagem” (Bernardo Pinto de Almeida, Colóquio-Artes, Março de 1983).

Em cerca de 50 anos de actividade artística, dedicou-se à pintura, desenho, gravura, objectualismo e cenografia para teatro e ballet (Ballet Gulbenkian, Teatro Nacional D. Maria II e ACARTE). É autora do mural no exterior da Biblioteca João Paulo II, em Lisboa. Foi ainda bolseira da Fundação Gulbenkian para investigação em artes visuais, sendo autora de diversos ensaios e artigos sobre educação estética e ensino artístico.

Participou em numerosas exposições colectivas em Portugal e no estrangeiro. Realizou diversas exposições individuais em Lisboa, Porto, Coimbra, Vila Real, Évora, Funchal, Macau, Madrid e Paris.

Prémios: Prémios Anunciação e Lupi de Pintura, Academia Nacional de Belas Artes de Lisboa; XVIº Prémio de Desenho Joan Miro, em Barcelona.

Encontra-se representada nas colecções do Museu de Arte Moderna de Serralves, do Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian, da Galeria de Arte Contemporânea do Funchal , Colecção Berardo, CGD, BCP, e outras colecções particulares.


Notas

(1) - O envolvimento de Dalila Rodrigues na homenagem a Emília Nadal em Lamego, sendo compreensível não deixa de ser curiosa. Doutorada em História da Arte pela Universidade de Coimbra (especialização em História da Pintura Portuguesa), Dalila Rodrigues dirigiu o Museu de Grão Vasco, em Viseu, desde 2001 a 2004, sendo responsável pela renovação e revitalização deste importante espaço de Cultura. Afastada do cargo, foi logo depois nomeada directora do Museu Nacional de Arte Antiga pela ministra Maria João Bustorff, do PSD. No MNAA, angariou prestígio (organizando grandes exposições e as festas da Noite dos Museus, para além de captar importantes mecenatos) mas foi demitida em Agosto de 2007 pela ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima (PS), após criticar o modelo de gestão dos museus, sem autonomia financeira e administrativa. A demissão da directora do MNAA teve enorme repercussão política e esta foi prontamente colocada na Casa da Música, como responsável pela Direcção de Comunicação, Marketing e Desenvolvimento da Fundação Casa da Música, cargo até então desempenhado por Guta Moura Guedes, directora da bienal Experimenta Design. Dalila Rodrigues foi também a responsável pela exposição das obras de Paula Rego no "Museu" Casa das Histórias, a inaugurar brevemente em Cascais. Enfim,… curiosidades do mundo dos museus e não só. Resta acrescentar que o Museu de Grão Vasco continua sem director próprio, sendo orientado em acumulação pelo director do Museu de Lamego.

(2) - "Foi a fase das embalagens para produtos imaginários. A minha ideia era de que tudo era passível de ser consumido", recordou, contando que "havia de tudo", desde "detergente para lavagem ao cérebro" a "discursos políticos em flocos" e "Algarve enlatado". (JN 03/09/2009)

Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses, Fernando de Pamplona, vol. IV, Civilização, 1988.