sábado, 11 de julho de 2009

"A Crise saiu à rua" em Coimbra


Quem percorrer Coimbra até 30 de Setembro, encontrará em nove locais da cidade diversos conjuntos de figuras recortadas em tamanho natural, reunidas sob o tema da Crise.

A quem passa, as silhuetas negras que enchem, por exemplo, o Largo da Portagem, parecem adequadas aos tempos magros da actual crise internacional, mas observando melhor, a Crise que essas figuras evocam ocorreu há 40 anos, ou seja, é uma das tais crises que já acabaram.

"A Crise saiu à rua – Um olhar sobre a Academia de Coimbra em 1969” evoca a crise académica de 1969, um marco histórico da Associação Académica de Coimbra, da cidade de Coimbra e da Democracia em Portugal. A Instalação – pois é de uma grande instalação que se trata – foi organizada pela empresa municipal Turismo de Coimbra com a colaboração da AAC e pretende recriar o ambiente vivido na cidade durante a crise, com recurso a figuras e fotografias da época à escala humana, completadas por diversos elementos visuais e sonoros.

Existem núcleos expositivos na Via Latina, Largo D. Dinis e Sala 17 de Abril, Largo da Portagem, Praça da República, antiga sede da PIDE/DGS, edifício da Associação Académica de Coimbra, Av. Sá da Bandeira e na Baixa da cidade, para além de dois núcleos centrais que permitem conhecer a crise estudantil de 1969 (Pateo das Escolas) e o seu contexto sociopolítico (Largo da Sé Velha).

Largo da Portagem

Largo da Portagem - lançamento de balões com palavras de ordem


A Crise Estudantil de 1969

O descontentamento e inquietação de um grande número de estudantes a propósito da situação do ensino e da guerra colonial, permitiu a eleição de uma lista de unidade antifascista para a direcção da Associação Académica de Coimbra e criou uma tensão acrescida para a aguardada inauguração do Edifício da Matemática.

Na manhã de 17 de Abril de 1969, a Universidade de Coimbra recebeu a comitiva liderada pelo Presidente da República, Almirante Américo Tomás, acompanhado pelos ministros da Educação (José Hermano Saraiva) e das Obras Públicas. O Presidente do Conselho, Marcelo Caetano, encontrava-se ausente de metrópole.
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"A Crise saiu à rua" - Chegada do Presidente da República e ministros, com escolta militar. O Ministro da Educação, José Hermano Saraiva, é o quarto a contar da esquerda.

"A Crise saiu à rua" - manifestantes
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Durante a cerimónia, o novo presidente da AAC, Alberto Martins (actual líder parlamentar da bancada do PS na AR) pediu a palavra para falar em nome dos estudantes. Após alguma perplexidade e embaraço das autoridades, foi-lhe respondido que falaria após o discurso do Presidente da República, mas Américo Tomás abandonou a sala logo depois de discursar, ignorando o legítimo representante dos estudantes. Estes, indignados, vaiaram o Presidente da República e ministros, acentuando o pretexto para a imediata intervenção da Polícia de Intervenção e Defesa do Estado (PIDE/DGS). O ministro da Educação, José Hermano Saraiva, fez um discurso intimidatório na RTP (ainda a preto e branco, como era então o país), com palavras muito diferentes das que usaria anos depois nos seus programas televisivos, mas as ameaças veladas revelaram-se inúteis, assim como falharam todas as habituais medidas repressivas do regime. Pelo contrário, a violência da sua reacção reforçou a unidade estudantil e a simpatia da população de Coimbra pela revolta dos estudantes, mergulhando a cidade num estado generalizado de desobediência cívica.


"A Crise saiu à rua" - estudantes em protesto


A Associação Académica foi demitida e, a 02 de Junho de 1969, começou a greve aos exames, que terminou apenas em Setembro. A GNR e a PSP foram chamadas a controlar os estudantes, que foram perseguidos, cercados, agredidos, presos e interrogados pela PIDE/DGS. Às cargas de cavalaria da GNR, pelotões de choque, jipes anti-motim, os estudantes respondiam sabotando a acção policial (calçadas ensebadas e armadilhas de pregos para os pneus dos jipes), realizando grandes plenários e desconcertando as autoridades com distribuição de flores à polícia e lançamento de balões com palavras de ordem. O mais grave de tudo, na perspectiva do regime, é que não se tratava de estudantes, no abstracto, mas sim dos filhos das elites nacionais – que então acediam mais facilmente ao ensino liceal e superior. Muitos deles viriam depois a ser incorporados compulsivamente nas Forças Armadas com destino à guerra colonial.

Tentando acalmar a revolta, escolheu-se um professor catedrático da Universidade de Coimbra, José Veiga Simão (n. Guarda, 1929), para substituir José Hermano Saraiva no Ministério da Educação Nacional, e o novo ministro apressou-se a nomear um reitor menos comprometido com os ideais do regime, Gouveia Monteiro. A crise terminou finalmente a 11 de Abril de 1970, quando uma comissão de estudantes presidida pelo mesmo Alberto Martins foi a Lisboa pedir a “compreensão e benevolência” do Chefe de Estado, com o apoio do novo Reitor, que fez um discurso apaziguador, e de professores como Paulo Quintela, Teixeira Ribeiro e Sebastião Cruz. Há quem considere vexatória e patética a missão de retratação liderada por Alberto Martins, mas urgia restituir a paz à Universidade, evitando maiores danos para a secular instituição e para os estudantes, que acabaram por ser amnistiados. De resto, a coragem dos estudantes abriu caminho ao espírito de Abril e a escolha de Veiga Simão para Ministro da Educação revelou-se acertada – para resolver a crise estudantil de 1969 (pois outras houve, como a revolta estudantil de 1907, ou o Luto Académico de 1962) mas sobretudo para impulsionar o ensino público em Portugal.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

"Retrospectiva" de Júlio Vaz Saraiva


Depois de ter mostrado no Cine-Teatro uma selecção dos trabalhos que vem realizando desde os anos 40, reunidos numa Exposição Retrospectiva que integrou o programa do Dia do Município, o artista senense Júlio Vaz Saraiva (J.V.S.) reabriu essa exposição no Posto de Turismo de Seia, onde ficará patente até 31 de Julho. Ver artigo sobre Júlio Vaz Saraiva .
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Aqui ficam algumas imagens da exposição no Posto de Tursimo.

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MÉRITO MUNICIPAL 2009

No dia 03 de Julho, Dia do Município de Seia, decorreu a cerimónia de atribuição das Campânulas de Mérito Municipal a 21 individualidades e uma instituição que "com o seu esforço, dedicação e muito trabalho, conseguem atingir os seus objectivos, e por essa via, dão um contributo relevante para a afirmação da comunidade onde vivem ou trabalham", segundo o Presidente da Câmara, Eduardo Brito.

Foram distinguidos dois artistas senenses nascidos nos anos 20 do século XX, com quatro anos de diferença, mas com percursos de vida diversos: Maria Helena Pais de Abreu (Santa Eulália, Seia, 1924) e António Júlio Vaz Saraiva (Seia, 1928).



Júlio Vaz Saraiva

O realizador e professor de cinema, Lauro António, e o actor Camacho Costa (a título póstumo), foram também distinguidos pelo seu trabalho no CineEco - Festival Internacional de Cinema e Video do Ambiente da Serra da Estrela, que se realiza em Seia desde 1995 e que serviu de modelo à criação de outros festivais de cinema do ambiente.

O realizador Lauro António

Na área da Cultura, foram ainda distinguidos Sérgio Pinto Miranda (Rancho Folclórico de Seia), Gracinda Silva Rodrigues (Conservatório de Música de Seia), Alexandre da Mota Veiga Dolgner (LICRASE - Liga dos Criadores e Amigos do Cão da Serra da Estrela) e o Centro Cultural "Os Serranos" - Newark, EUA.

Na área social (Mérito e Dedicação), destacaram-se: Carlos João Teodoro Tomás, José Pinto Mendes, Manuel Teixeira Plácido, Padre Francisco Borges de Assunção (a título póstumo), Padre Joaquim Teixeira. São tão importantes, embora diversos, os contributos que estas individualidades têm dado para o desenvolvimento social de Seia que quaiquer comentários ficarão sempre aquém dos elogios que merecem.

As restantes individualidades distinguidas (Mérito Empresarial), foram: Alberto Trindade Martinho (Casas do Cruzeiro, Conjunto Turístico da Quinta do Crestelo), Ana Filipa Osório Mayer de Carvalho Sacadura Botte (Quinta da Bica), António Cardoso Simão (produtor de queijo artesanal), Cândido Abrantes da Silva (MAGUIR), Jorge Manuel Saraiva Camelo (Hotel Camelo), Luís Filipe Mendes Coelho (Colégio de Línguas e Artes), Paulo Alexandre Santos (RISCUS), Vítor Manuel Costa Caetano (construção civil); e Paulo Jorge da Silva Abrantes Fontes (Mérito Desportivo, a título póstumo).

Foi a última escolha do presidente Eduardo Brito, a mais numerosa desde 2007, primeiro ano da atribuição das Campânulas de Mérito: nove em 2007, doze em 2008 e vinte e duas em 2009.















As Campânulas de Mérito atribuídas a título póstumo, ao actor Camacho Costa, Padre Francisco Assunção e ao desportista Paulo Fontes, foram entregues a familiares.

FONTES: "Mérito Municipal - 03 Julho 2009", edição da CMS; imprensa local e regional.

sábado, 4 de julho de 2009

Henri Fantin-Latour (1836-1904)

Auto-retrato de Fantin-Latour *

Retratos de grupo - testemunhos de cumplicidades

A grande exposição de Verão do Museu da Fundação Calouste Gulbenkian mostra pela primeira vez na Península Ibérica um conjunto significativo de obras do pintor e litógrafo francês do século XIX, Henri Fantin-Latour (1836-1904).

Apesar da sua convivência com artistas e escritores progressistas, e de ter vivido numa época em que Paris era a Capital Cultural do mundo ocidental (1), Fantin-Latour era um pintor conservador, caracterizado por um estilo muito detalhado e intimista. Os seus detractores referem que nunca pintou a nova realidade das cidades nem a revolução industrial, construindo uma obra desfasada do seu tempo, mas os seus defensores alegam que pintou de modo único “a intimidade da família moderna da sua época”(2).

Já no seu tempo, Émile Zola procurara conciliar ambas as perspectivas, escrevendo que as pinturas do amigo “não saltam aos olhos, não nos fazem virar a cabeça ao passar” mas “a sua consciência, a sua verdade simples, tomam conta de nós e prendem-nos”.

A verdade é que Fantin-Latour ficou célebre pelas suas naturezas-mortas (entre as quais há a destacar os exuberantes arranjos florais) mas sobretudo por ter pintado os retratos de amigos como Claude Monet, Arthur Rimbaud, Paul Verlaine, Émile Zola, Charles Baudelaire, Gustave Courbet ou Pierre-Auguste Renoir. Mais do que testemunhos do relacionamento do artista com personalidades da cultura da época, os retratos de Fantin-Latour são documentos históricos.

"Hommage a Delacroix" (1864)*

No quadro “Homenagem a Delacroix” (Paris, 1864) vê-se o próprio Fantin-Latour com Baudelaire, Édouard Manet, James Whistler (3), Champfleury e outros, à volta de um quadro de Delacroix.

"An studio in Batignolles" (1870)*

Outra obra famosa, “Um Estúdio em Batignolles”, também conhecida como “Homenagem a Manet” (Paris, 1870), retrata Monet, Renoir e outros, no estúdio de Manet.

"Un coin de table" (1872)*

“Ao canto da mesa” (1872) retrata o grupo de poetas amantes da arte que fundou a revista “La Renaissance Littéraire et Artistique”. Da esquerda para a direita, sentados: Verlaine, Rimbaud, Valade, Hervilly, Pelletant. De pé, atrás, Bonnier, Blémont, Aicard.


"Autour du piano" (1885)*

Na fase final da sua carreira artística, dedicou-se também à litografia. Era um admirador de Richard Wagner, cuja obra musical promoveu em França e ilustrou com litografias imaginativas. Retratou, inclusive, outros admiradores da obra de Wagner, como no quadro “À Volta do Piano” (1885). Da esquerda para a direita, à volta do piano, Emmanuel Chabrier, Edmond Maître, Amédée Pigeon. De pé, Adolphe Julien, Arthur Boisseau, Camille Benoit, Antoine Lascoux e Vinvent d’Indy.

A exposição retrospectiva da obra de Fantin-Latour, comissariada por Vincent Pomarède (curador do Departamento de Pintura do Louvre, ex-Director do Museu de Belas Artes de Lyon), é composta por 60 pinturas e 20 desenhos e gravuras distribuídas por 10 núcleos. Decorre até 6 de Setembro, das 10:00 às 18:00 horas, na Galeria de Exposições da Sede da Fundação (45-A da Av. De Berna, Lisboa).

(1)-“A capital do século XIX”, segundo Walter Benjamin. A família Fantin-Latour mudou-se de Grenoble para Paris quando Henri Jean Théodore tinha seis anos de idade.
(2)-Vincente Pomarède, em entrevista ao Diário de Notícias, 26 de Junho 2009.
(3)-James Mac Neil Whistler (1834-1903) mudou o rumo da tradição realista anglo-saxónica com o quadro “Retrato da Mãe do Artista” (ou “Harmonia em cinzento e preto nº 1”, título original, de 1872), que se tornou mundialmente conhecido ao ser parodiado por Rowan Atkinson no filme de Mel Smith “Bean” (1997).
*Utilização de reprodução de obra de arte bidimensional em domínio público, segundo a lei em vigor na União Europeia.

sábado, 27 de junho de 2009

OBRAS DE ARTE EM SEIA - 8

António Ménagé Mota Veiga
Monumento à Liberdade

Nascido em Seia em 1960, António Jorge Ménagé Melo Mota Veiga é um dos artistas senenses menos visto em exposições. Tal como Maria Emília Gil (Castelo Bom, Guarda, 1956), por exemplo, Ménagé tem desenvolvido a sua actividade criativa no âmbito do ensino (sendo ambos Professores de Educação Visual) e familiar.

Os meus registos apontam-me apenas duas exposições de Ménagé em Seia, uma individual em 1996 (15 obras de pintura a acrílico, na sala de exposições da Biblioteca Municipal de Seia, entre 15 e 31 de Janeiro), e outra colectiva (duas obras, a óleo e técnica mista, na Exposição Nacional de Pintura/Prémio Tavares Correia, Salão dos Mombeiros Voluntários de Seia, 1993).

Ao tempo, o artista praticava uma pintura de estilo clássico mas optando por temas e conteúdos comunicativos com alguma carga humorística, um estilo que classificou como “hiper-realismo regional”.
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Em 1999, um projecto de sua autoria, o monumento à Liberdade, foi concretizado pelos alunos de Educação Tecnológica da Escola EB 2,3 Nº1 de Seia (actual EB 2, 3 Dr. Guilherme Correia de Carvalho), onde leccionava, e inaugurado em Junho de 1999 pelo Governador Civil da Guarda. Colocada no largo principal da escola, enquadrada por um pequeno lago, a estátua representava uma criança a voar no dorso de uma ave do paraíso. O monumento completava-se com uma placa na qual se lia:

“A liberdade de ensinar
O direito de aprender
O infinito por limite”

Presentemente, apenas existe parte do monumento, como se pode ver na fotografia abaixo, mas ele merece figurar todo inteiro e por direito próprio no roteiro das Artes em Seia.



Fontes
Porta da Estrela Nº 418 , 10/01/1996.
Jornal de Santa Marinha Nº 70, 16/01/1996.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

ANTÓNIO JÚLIO VAZ SARAIVA (J.V.S)

Exposição retrospectiva:
Cine-Teatro da Casa Municipal da Cultura, 3 a 5 de Julho 2009
Posto de Turismo de Seia, 6 a 31 de Julho de 2009 - Ver imagens desta exposição
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Foi recentemente divulgada a lista de personalidades do concelho a distinguir no dia 03 de Julho, Dia do Município de Seia, com a Campânula de Mérito Municipal. Entre as 22 personalidades da cultura, desenvolvimento social, indústria e desporto, figuram dois artistas: Maria Helena Pais de Abreu (Mérito Cultural) e António Júlio Vaz Saraiva (Mérito e Dedicação).

Helena Abreu vai receber, finalmente, uma distinção oficial da autarquia senense, sete anos após ter recebido o prémio “Senense no Exterior” na I Gala do Concelho de Seia, organizado pelo Jornal Notícias da Serra e Orfeão de Seia, em 29 de Junho de 2002.

Também já tardava o reconhecimento público (ver imagens) do trabalho diversificado de António Júlio Vaz Saraiva na valorização e promoção de Seia, onde nasceu a 09 de Maio de 1928. Terminou a sua vida profissional como chefe da secção de desenho da E.H.E.S.E. (Empresa Hidro-Eléctrica da Serra da Estrela), para onde entrou aos 16 anos como desenhador.

Desenhador e ilustrador com vasta obra dispersa, grande parte dela reproduzida em jornais locais, iniciou-se nas lides culturais ainda muito jovem, em 1946, fundando com o seu amigo Hermano Marques dos Santos (Seia, 1929) um semanário juvenil, “O Viriato” (Jornal do Centro Extra-Escolar Nº1, 1946), editado em papel heliográfico.


Hermano Marques dos Santos emigrou logo depois para África (Congo Belga, actual Zaire) e Júlio Vaz Saraiva entregou-se a outros desafios, a começar pela direcção artística de “A Voz dos Novos”, separata do jornal “A Voz da Serra”, publicada no início dos anos 50 do século XX.
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Em 1964, elaborou o Mapa Turístico da Serra da Estrela, para a Residência Serra da Estrela (então inaugurada em Seia, no edifício hoje ocupado pela Caixa de Crédito Agrícola).

Participou em algumas exposições colectivas de desenho e de fotografia, entre as quais a Exposição Nacional de Desenho/Prémio Tavares Correia/EPSE (Seia e Oliveira do Hospital, 1996) e na I e II Exposição Colectiva de Artistas Senenses (1999 e 2000).
Como fotógrafo amador, desde os anos 40, participou em vários concursos regionais e nacionais de fotografia. É também coleccionador, tendo reunido ao longo de décadas um vasto espólio fotográfico.
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O Património local é o tema principal dos seus desenhos, através dos quais evoca frequentemente a memória de recantos e lugares já desaparecidos, que o artista conheceu. Amante da sua terra natal, tem participado em diversos trabalhos de valorização e defesa do Património histórico de Seia e do concelho, colaborou na reconstrução do pelourinho de Loriga, em 1998, elaborando um projecto a partir da descrição do antigo pelourinho pelo Capitão Dr. António Dias, dos anos 50, e, com José Alberto Ferreira Matias, realizou o levantamento (medições e desenhos) de dois pequenos elementos do primitivo pelourinho de Seia (Porta da Estrela, 28-02-2006) que permitiram esclarecer as dúvidas sobre a sua forma original.
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Antiga cadeia de Seia - desenho de J.V.S.

Ilustrou obras do poeta de Seia, Fernando de Melo Sequeira Mendes (1925-2001), com destaque para os livros “Seia, Terra que Canto” (edição dos autores, 1994, e 2ª edição da Câmara M. de Seia, em 1995), “Raízes” (edição do autor, Julho de 1998), “Postais coloridos – Luís Ferreira Matias” (Câmara Municipal de Seia, 1996), selecção e organização de José Alberto Ferreira Matias e fotos de Eduardo Correia, “A Vila de Seia: subsídios históricos”, de Manuel da Mota Veiga Casal (edição do Clube de Pessoal da EDP-Seia, 1999), juntamente com José Alberto Ferreira Matias; 90º Aniversário da Fundação da EHESE – Empresa Hidroeléctrica da Serra da Estrela (Câmara Municipal de Seia, 1999), juntamente com Carlos Marrão dos Santos e Humberto Manuel Sena Mota Veiga, e para a rubrica “Figuras e Figurões”, publicada no Jornal de Santa Marinha nos anos 90, da qual resultou o livro “Figuras e Figurões” – 25 figuras senenses, tratadas em verso por Sequeira Mendes e caricaturadas por Júlio Vaz Saraiva (Seia, 1999).

Desenho de J.V.S para a capa de Seia, Terra que Canto

Em 1996, concebeu o painel de azulejos que envolvem a Fonte Nova, no início da avenida 1º de Maio, e assinou alguns cartoons em jornais senenses antigos e actuais (Voz da Serra, Jornal de Santa Marinha, Porta da Estrela), abordando (in)decisões controversas e outros temas da actualidade.

Projecto (1996) e foto do arranjo final da fonte

Coloriu uma gravura do pintor senense Lucas Marrão, que foi editada em serigrafia pela Câmara Municipal de Seia em 1997.

A litografia de Lucas Marrão colorida por J.V.S. (Edição CMS)

Tem colaborado com o Museu do Brinquedo de Seia, sendo o autor de um interessante desenho reconstituindo a zona da actual Praça da República antes do devastador incêndio de 27 de Outubro de 1916, editado pelo museu em formato postal – a propósito da exposição de Homenagem aos Bombeiros (2004). Ainda em 2004, editou o livro para colorir “A Minha Freguesia”, com 24 páginas de divulgação do património do concelho, uma obra que dedicou “a todos os jovens dos oito aos oitenta anos”. Eu acrescentaria “oitenta e muitos…” pois Júlio Vaz Saraiva, jovem de 81 anos, acaba de ver editado o seu álbum “Alminhas da Freguesia de Seia” (Junta de Freguesia de Seia, Junho de 2009) com prefácio de Júlio Rocha e Sousa.
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Retrato de Luís Ferreira Matias, por J.V.S

Fontes:
“Artistas Senenses – Júlio Vaz Saraiva”, Sérgio Reis, jornal Ecos da Nossa Escola, nº 7, Dezembro de 1999.
Porta da Estrela nº 385, 31/01/95;
“Ainda Os Viriatos e o jornal O Viriato”, de Hermano M. Santos, Jornal de Santa Marinha nº 123, 01 de Maio de 1998; “Histórias de Sena Serra” - Edição de autor, Março 2006, 327 pág.s – colectânea de crónicas publicadas no JSM desde Agosto de 1997 a 2004 e crónicas “A Partir Pedra”, publicadas na revista bimensal da Associação dos Industriais das Rochas Ornamentais;
Desdobrável da Exposição Temporária de Homenagem aos Bombeiros - Museu do Brinquedo de Seia, 2004.
Biblioteca Nacional de Portugal;
Jornal de Santa Marinha nº431, 18/06/2009 (Alminhas do Concelho de Seia);
Porta da Estrela nº865. 22 de Junho de 2009 (Mérito Municipal).
Porta da Estrela nº866, 30 de Junho de 2009.
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Jornal Ecos da Nossa Escola, Nº7, Dezembro de 1999
(clicar na imagem para ampliar)

segunda-feira, 22 de junho de 2009

4ª COLECTIVA DE PINTURA DE NELAS


Entre 19 e 24 de Junho, decorre a 4ª Colectiva de Pintura dos artistas do concelho de Nelas, iniciativa integrada nas Festas do Município.

A exposição reúne 47 obras de 27 artistas, que abordam temas consensuais da pintura, ao gosto popular, como a paisagem/património local, o retrato, pintura de flores e composições abstractas mais ou menos geométricas.

No conjunto de obras expostas, destacam-se: “Ladies”, de Elsa Neves; “Salvem o Planeta” e “A Fuga”, de Jorge Figueiredo; “Ponte da Felgueira”, de Jorge Pinheiro; “Ao Cair da Noite” e “3º Milénio”, de Paulo Cruz – pelo tratamento plástico do tema, originalidade e/ou diversidade técnica.

Destes quatro artistas, os trabalhos de Jorge Figueiredo, Jorge Pinheiro e Paulo Cruz parecem-me os mais coerentes, revelando um estilo individual e uma concepção muito própria da dimensão artística e sua interacção com o mundo em que vivemos.


Jorge Figueiredo, "A Fuga", técnica mista, 55X65 cm

Jorge Figueiredo utiliza a pintura tradicional como fundo, pedaços de plástico e restos de brinquedos para abordar um tema incontornável do nosso tempo: a poluição. Parece-me que obteria melhores resultados utilizando fundos não figurativos, com cores e/ou texturas pensados em função do impacto criado pela assemblage de objectos no primeiro plano.

Jorge Pinheiro prossegue a abordagem de temas regionais, paisagens e costumes, que retrata com grande minúcia. Outro pormenor distintivo de Jorge Pinheiro são as fartas manchas de verde com que emoldura o assunto central.
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Paulo Cruz, "Terceiro Milénio", óleo s/tela, 65X35 cm
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Paulo Cruz reinterpreta as cores das formas ao cair da noite, apostando em abordagens incomuns do pôr-do-sol para fundo e realçando os volumes com as mais diversas tonalidades de cor, sem receio de recorrer a manchas negras para enquadrar o elemento principal.

As Colectivas de Pintura dos artistas de Nelas realizam-se desde 2006, primeiro ano do mandato da Dr.ª Isaura Pedro na presidência da Câmara Municipal de Nelas, sucedendo aos Salões de Pintura, igualmente realizados em Junho na Praça do Município, mas com participação alargada a artistas convidados, nacionais e estrangeiros. Em 2005, realizou-se o 11º Salão Internacional de Pintura de Nelas.

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Capa do catálogo do 8º Salão de Pintura, 2002
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Nos pavilhões instalados na Praça do Município para as Festas do Município de 2009, que terminam a 24 de Junho (dia do Município), podem encontrar-se mais obras artísticas em exposição, inclusive três desenhos de Jorge Braga da Costa sobre monumentos do concelho.

De referir ainda que, no centro da Praça do Município, dominada pelo belo edifício da Câmara Municipal, pode ver-se uma escultura de Aureliano Lima, “O Grito”, com 4,30m de altura. Aureliano Lima nasceu em Carregal do Sal em 1916 e faleceu em 1984 em Vila Nova de Gaia.

Artistas participantes na 4ª Colectiva: Alexandra Henriques; Ana Moniz; Angélica Camacho; António Dias; Arlete Garcia; Bella da Sousa; Benjamim Pedro; Bi; Cardoso; Delfim Costa; Deo; Duarte; Elsa Neves; Fátima Sampaio; J. Gaspar; Jorge Figueiredo; Jorge Pinheiro; Jorge Santos; Lia Alvadia; Lucinda Teixeira; Nélida Cruz; Norma Monteiro; Orlando da Silva; Paulo Cruz; Pintto; Sofia Pereira; Vera Chaves.