quinta-feira, 9 de julho de 2009
"Retrospectiva" de Júlio Vaz Saraiva
MÉRITO MUNICIPAL 2009
Júlio Vaz Saraiva
O realizador e professor de cinema, Lauro António, e o actor Camacho Costa (a título póstumo), foram também distinguidos pelo seu trabalho no CineEco - Festival Internacional de Cinema e Video do Ambiente da Serra da Estrela, que se realiza em Seia desde 1995 e que serviu de modelo à criação de outros festivais de cinema do ambiente.
O realizador Lauro António
Na área da Cultura, foram ainda distinguidos Sérgio Pinto Miranda (Rancho Folclórico de Seia), Gracinda Silva Rodrigues (Conservatório de Música de Seia), Alexandre da Mota Veiga Dolgner (LICRASE - Liga dos Criadores e Amigos do Cão da Serra da Estrela) e o Centro Cultural "Os Serranos" - Newark, EUA.
As restantes individualidades distinguidas (Mérito Empresarial), foram: Alberto Trindade Martinho (Casas do Cruzeiro, Conjunto Turístico da Quinta do Crestelo), Ana Filipa Osório Mayer de Carvalho Sacadura Botte (Quinta da Bica), António Cardoso Simão (produtor de queijo artesanal), Cândido Abrantes da Silva (MAGUIR), Jorge Manuel Saraiva Camelo (Hotel Camelo), Luís Filipe Mendes Coelho (Colégio de Línguas e Artes), Paulo Alexandre Santos (RISCUS), Vítor Manuel Costa Caetano (construção civil); e Paulo Jorge da Silva Abrantes Fontes (Mérito Desportivo, a título póstumo).
As Campânulas de Mérito atribuídas a título póstumo, ao actor Camacho Costa, Padre Francisco Assunção e ao desportista Paulo Fontes, foram entregues a familiares.
FONTES: "Mérito Municipal - 03 Julho 2009", edição da CMS; imprensa local e regional.
sábado, 4 de julho de 2009
Henri Fantin-Latour (1836-1904)
A grande exposição de Verão do Museu da Fundação Calouste Gulbenkian mostra pela primeira vez na Península Ibérica um conjunto significativo de obras do pintor e litógrafo francês do século XIX, Henri Fantin-Latour (1836-1904).
Apesar da sua convivência com artistas e escritores progressistas, e de ter vivido numa época em que Paris era a Capital Cultural do mundo ocidental (1), Fantin-Latour era um pintor conservador, caracterizado por um estilo muito detalhado e intimista. Os seus detractores referem que nunca pintou a nova realidade das cidades nem a revolução industrial, construindo uma obra desfasada do seu tempo, mas os seus defensores alegam que pintou de modo único “a intimidade da família moderna da sua época”(2).
Já no seu tempo, Émile Zola procurara conciliar ambas as perspectivas, escrevendo que as pinturas do amigo “não saltam aos olhos, não nos fazem virar a cabeça ao passar” mas “a sua consciência, a sua verdade simples, tomam conta de nós e prendem-nos”.
A verdade é que Fantin-Latour ficou célebre pelas suas naturezas-mortas (entre as quais há a destacar os exuberantes arranjos florais) mas sobretudo por ter pintado os retratos de amigos como Claude Monet, Arthur Rimbaud, Paul Verlaine, Émile Zola, Charles Baudelaire, Gustave Courbet ou Pierre-Auguste Renoir. Mais do que testemunhos do relacionamento do artista com personalidades da cultura da época, os retratos de Fantin-Latour são documentos históricos.
No quadro “Homenagem a Delacroix” (Paris, 1864) vê-se o próprio Fantin-Latour com Baudelaire, Édouard Manet, James Whistler (3), Champfleury e outros, à volta de um quadro de Delacroix.
A exposição retrospectiva da obra de Fantin-Latour, comissariada por Vincent Pomarède (curador do Departamento de Pintura do Louvre, ex-Director do Museu de Belas Artes de Lyon), é composta por 60 pinturas e 20 desenhos e gravuras distribuídas por 10 núcleos. Decorre até 6 de Setembro, das 10:00 às 18:00 horas, na Galeria de Exposições da Sede da Fundação (45-A da Av. De Berna, Lisboa).
(1)-“A capital do século XIX”, segundo Walter Benjamin. A família Fantin-Latour mudou-se de Grenoble para Paris quando Henri Jean Théodore tinha seis anos de idade.
(2)-Vincente Pomarède, em entrevista ao Diário de Notícias, 26 de Junho 2009.
(3)-James Mac Neil Whistler (1834-1903) mudou o rumo da tradição realista anglo-saxónica com o quadro “Retrato da Mãe do Artista” (ou “Harmonia em cinzento e preto nº 1”, título original, de 1872), que se tornou mundialmente conhecido ao ser parodiado por Rowan Atkinson no filme de Mel Smith “Bean” (1997).
sábado, 27 de junho de 2009
OBRAS DE ARTE EM SEIA - 8
Nascido em Seia em 1960, António Jorge Ménagé Melo Mota Veiga é um dos artistas senenses menos visto em exposições. Tal como Maria Emília Gil (Castelo Bom, Guarda, 1956), por exemplo, Ménagé tem desenvolvido a sua actividade criativa no âmbito do ensino (sendo ambos Professores de Educação Visual) e familiar.
Os meus registos apontam-me apenas duas exposições de Ménagé em Seia, uma individual em 1996 (15 obras de pintura a acrílico, na sala de exposições da Biblioteca Municipal de Seia, entre 15 e 31 de Janeiro), e outra colectiva (duas obras, a óleo e técnica mista, na Exposição Nacional de Pintura/Prémio Tavares Correia, Salão dos Mombeiros Voluntários de Seia, 1993).
Ao tempo, o artista praticava uma pintura de estilo clássico mas optando por temas e conteúdos comunicativos com alguma carga humorística, um estilo que classificou como “hiper-realismo regional”.
“A liberdade de ensinar
O direito de aprender
O infinito por limite”
Presentemente, apenas existe parte do monumento, como se pode ver na fotografia abaixo, mas ele merece figurar todo inteiro e por direito próprio no roteiro das Artes em Seia.
Fontes
Porta da Estrela Nº 418 , 10/01/1996.
Jornal de Santa Marinha Nº 70, 16/01/1996.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
ANTÓNIO JÚLIO VAZ SARAIVA (J.V.S)
Helena Abreu vai receber, finalmente, uma distinção oficial da autarquia senense, sete anos após ter recebido o prémio “Senense no Exterior” na I Gala do Concelho de Seia, organizado pelo Jornal Notícias da Serra e Orfeão de Seia, em 29 de Junho de 2002.
Também já tardava o reconhecimento público (ver imagens) do trabalho diversificado de António Júlio Vaz Saraiva na valorização e promoção de Seia, onde nasceu a 09 de Maio de 1928. Terminou a sua vida profissional como chefe da secção de desenho da E.H.E.S.E. (Empresa Hidro-Eléctrica da Serra da Estrela), para onde entrou aos 16 anos como desenhador.
Desenhador e ilustrador com vasta obra dispersa, grande parte dela reproduzida em jornais locais, iniciou-se nas lides culturais ainda muito jovem, em 1946, fundando com o seu amigo Hermano Marques dos Santos (Seia, 1929) um semanário juvenil, “O Viriato” (Jornal do Centro Extra-Escolar Nº1, 1946), editado em papel heliográfico.
Participou em algumas exposições colectivas de desenho e de fotografia, entre as quais a Exposição Nacional de Desenho/Prémio Tavares Correia/EPSE (Seia e Oliveira do Hospital, 1996) e na I e II Exposição Colectiva de Artistas Senenses (1999 e 2000).
Ilustrou obras do poeta de Seia, Fernando de Melo Sequeira Mendes (1925-2001), com destaque para os livros “Seia, Terra que Canto” (edição dos autores, 1994, e 2ª edição da Câmara M. de Seia, em 1995), “Raízes” (edição do autor, Julho de 1998), “Postais coloridos – Luís Ferreira Matias” (Câmara Municipal de Seia, 1996), selecção e organização de José Alberto Ferreira Matias e fotos de Eduardo Correia, “A Vila de Seia: subsídios históricos”, de Manuel da Mota Veiga Casal (edição do Clube de Pessoal da EDP-Seia, 1999), juntamente com José Alberto Ferreira Matias; 90º Aniversário da Fundação da EHESE – Empresa Hidroeléctrica da Serra da Estrela (Câmara Municipal de Seia, 1999), juntamente com Carlos Marrão dos Santos e Humberto Manuel Sena Mota Veiga, e para a rubrica “Figuras e Figurões”, publicada no Jornal de Santa Marinha nos anos 90, da qual resultou o livro “Figuras e Figurões” – 25 figuras senenses, tratadas em verso por Sequeira Mendes e caricaturadas por Júlio Vaz Saraiva (Seia, 1999).
“Artistas Senenses – Júlio Vaz Saraiva”, Sérgio Reis, jornal Ecos da Nossa Escola, nº 7, Dezembro de 1999.
Porta da Estrela nº 385, 31/01/95;
“Ainda Os Viriatos e o jornal O Viriato”, de Hermano M. Santos, Jornal de Santa Marinha nº 123, 01 de Maio de 1998; “Histórias de Sena Serra” - Edição de autor, Março 2006, 327 pág.s – colectânea de crónicas publicadas no JSM desde Agosto de 1997 a 2004 e crónicas “A Partir Pedra”, publicadas na revista bimensal da Associação dos Industriais das Rochas Ornamentais;
Jornal de Santa Marinha nº431, 18/06/2009 (Alminhas do Concelho de Seia);
Porta da Estrela nº865. 22 de Junho de 2009 (Mérito Municipal).
segunda-feira, 22 de junho de 2009
4ª COLECTIVA DE PINTURA DE NELAS

A exposição reúne 47 obras de 27 artistas, que abordam temas consensuais da pintura, ao gosto popular, como a paisagem/património local, o retrato, pintura de flores e composições abstractas mais ou menos geométricas.
No conjunto de obras expostas, destacam-se: “Ladies”, de Elsa Neves; “Salvem o Planeta” e “A Fuga”, de Jorge Figueiredo; “Ponte da Felgueira”, de Jorge Pinheiro; “Ao Cair da Noite” e “3º Milénio”, de Paulo Cruz – pelo tratamento plástico do tema, originalidade e/ou diversidade técnica.
Destes quatro artistas, os trabalhos de Jorge Figueiredo, Jorge Pinheiro e Paulo Cruz parecem-me os mais coerentes, revelando um estilo individual e uma concepção muito própria da dimensão artística e sua interacção com o mundo em que vivemos.
Jorge Pinheiro prossegue a abordagem de temas regionais, paisagens e costumes, que retrata com grande minúcia. Outro pormenor distintivo de Jorge Pinheiro são as fartas manchas de verde com que emoldura o assunto central.
As Colectivas de Pintura dos artistas de Nelas realizam-se desde 2006, primeiro ano do mandato da Dr.ª Isaura Pedro na presidência da Câmara Municipal de Nelas, sucedendo aos Salões de Pintura, igualmente realizados em Junho na Praça do Município, mas com participação alargada a artistas convidados, nacionais e estrangeiros. Em 2005, realizou-se o 11º Salão Internacional de Pintura de Nelas.
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Capa do catálogo do 8º Salão de Pintura, 2002De referir ainda que, no centro da Praça do Município, dominada pelo belo edifício da Câmara Municipal, pode ver-se uma escultura de Aureliano Lima, “O Grito”, com 4,30m de altura. Aureliano Lima nasceu em Carregal do Sal em 1916 e faleceu em 1984 em Vila Nova de Gaia.
Artistas participantes na 4ª Colectiva: Alexandra Henriques; Ana Moniz; Angélica Camacho; António Dias; Arlete Garcia; Bella da Sousa; Benjamim Pedro; Bi; Cardoso; Delfim Costa; Deo; Duarte; Elsa Neves; Fátima Sampaio; J. Gaspar; Jorge Figueiredo; Jorge Pinheiro; Jorge Santos; Lia Alvadia; Lucinda Teixeira; Nélida Cruz; Norma Monteiro; Orlando da Silva; Paulo Cruz; Pintto; Sofia Pereira; Vera Chaves.
domingo, 14 de junho de 2009
AMÍLCAR HENRIQUE (1979-1999)
É infelizmente longa a lista de artistas portugueses que nos deixaram muito cedo, uns no auge da carreira (como Amadeo de Souza-Cardoso, Santa-Rita Pintor ou Pimenta Nunes) e outros ainda no final de uma prometedora aprendizagem artística, como sucedeu com Amílcar Henrique, que teria completado 21 anos no passado dia 8 de Março.
Amílcar Henrique Rodrigues Marques nasceu em 1979, em Oliveira do Hospital, mas mantinha uma forte ligação a Seia, onde deixou muitos amigos e grandes saudades. Residia desde criança em Nogueirinha, Meruje, onde frequentou a escola primária. Estudou depois em Oliveira do Hospital, até ao 9º ano, e em Aveiro, até ao 11º ano, onde descobriu novos horizontes e um novo conceito de luz, pois ali a luz natural rebrilha com a proximidade do mar. Voltou a Meruge para completar o 12º ano na Escola Secundária de Seia, mas já trazia no olhar a fixação dos grandes horizontes. A sua primeira obra, “O Farol de Aveiro”, pintada em 1995, mostra já essa enormidade de cor a que artista algum consegue ficar indiferente.
O jovem Amílcar começou a mostrar o seu trabalho com a humildade que caracteriza as almas maiores e os bons artistas. Em 1996, participa numa exposição colectiva na Biblioteca Municipal de Aveiro, certamente com as dúvidas próprias de quem mostra pela primeira vez o seu trabalho ao público. Continuou depois a participar noutras exposições colectivas: no restaurante-bar “Onde Quiseres” (Aveiro, 1997); Colectiva de Jovens Pintores (Biblioteca Municipal de Aveiro, 1997); Casa da Cultura de Oliveira do Hospital (1998); I Exposição Colectiva de Artistas Senenses (1999).
A morte levou-o antes da tão almejada primeira exposição individual, primeiro marco da carreira de qualquer artista, e o Gabinete Cultural da Câmara Municipal de Seia decidiu, e muito bem, realizar esta exposição de homenagem, integrada na exposição de trabalhos dos artistas senenses. E retrospectiva, pois o que foi jamais poderá deixar de o ser, e por esta medida a História nunca se repete.”
(1) -Texto de Sérgio Reis publicado no desdobrável da exposição de homenagem integrada na II Exposição Colectiva dos Artistas Senenses – Galeria do Salão dos Congressos, 13 a 28 de Maio de 2000.












