sábado, 9 de maio de 2009

LUIZ MORGADINHO - pintor surrealista


*Existem vários e bons motivos para distinguir Luiz Morgadinho no contexto dos artistas senenses: em primeiro lugar, por ter representado esses artistas enquanto membro da direcção da Associação de Arte e Imagem de Seia, e a sua participação na organização de várias edições da ARTIS – Festa das Artes e das Ideias de Seia; depois, pela qualidade intrínseca da sua obra e os reflexos desta no prestígio global dos artistas senenses e das artes em Seia.

Luiz Morgadinho vive exclusivamente da sua arte, trabalhando simultaneamente para diferentes tipos de mercados, e esta liberdade espinhosa reforça a sua representatividade e bom exemplo.

Uma parte da sua obra plástica trata, assim, aspectos imediatos da realidade com interesse histórico e turístico, distinguindo-se sobretudo pela técnica adoptada: o desenho e pintura com café.

A sua obra criativa, ao inverso, utiliza técnicas de pintura convencionais para nos mostrar mais caminhos de comunicação, alargar as janelas e corredores do gosto artístico tradicional, ao mesmo tempo que desafia o acomodado entendimento da realidade.

Servindo-se de um dos métodos preferidos dos surrealistas, o ilusionismo fotográfico, e guiado pelo princípio da imaginação como motor da criação, Luiz Morgadinho constrói malabarismos filosóficos para desmascarar as incongruências do nosso tempo.

Os surrealistas revelam o sonho e o imaginário, fontes inesgotáveis e misteriosas de criatividade. O insólito, o cómico e o grotesco exprimem-se livremente nas suas obras e por isso o espírito e métodos deste movimento internacional, cujas bases teóricas foram estabelecidas por André Breton em 1924, continuam a atrair os artistas e poetas jovens. Nem todos, porém, persistem na infindável busca do ideal surrealista e Luiz Morgadinho faz parte do cada vez mais restrito e selecto grupo de continuadores do Surrealismo, uma opção que data da sua fixação em Seia, em 1999. Pode bem dizer-se que a parte mais significativa e divulgada da sua fase surrealista foi realizada por cá, entre nevões no alto da Serra e os prados férteis de Santa Comba de Seia.

Natural de Coimbra, onde nasceu em 1964, o artista assume-se como pintor autodidacta, apesar de ter frequentado o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra e o Curso de Artes e Técnicas do Fogo na Escola Avelar Brotero.

Nos anos 80, partiu para a capital em busca de espaço para a sua irreverência vanguardista, chegando a integrar “algumas formações na área do rock alternativo, performances, e de acção libertária”. Logo depois, decidiu quebrar com as rotinas do emprego certo e passou a dedicar-se exclusivamente às artes. Realizou algumas experiências na área da cerâmica e aprendeu diferentes técnicas de pintura com os artistas Jorge Marcel, António Montelhano e Jorge Carlos de Oliveira.

Pelo meio dos anos 90, a vida de Luiz Morgadinho estava definitivamente moldada pela agitação artística da Lisboa boémia e o artista desdobrava-se em projectos diversos. Para além da intensa produção de pinturas com café e aguarelas, publicou um livro em parceria com o pintor e escritor Jorge Carlos de Oliveira, ilustrou um livro do Prof. Luís Filipe Maçarico e a colectânea “Arte 98”, de Fernando Infante do Carmo.

Realizou então algumas exposições individuais em Portugal, Espanha e França, e participou em várias colectivas, tendo conquistado duas menções honrosas: em Lisboa (1996) e Torres Novas (1997).

A sua fixação em Seia não travou o seu envolvimento em projectos diversificados. Manteve ligações com a vida artística lisboeta e continuou a expor em colectivas, arrecadando nova menção honrosa, em Nisa, no último ano do milénio.

Participou em praticamente todas as mostras colectivas realizadas na região desde o início do novo século até à data, com destaque para as Exposições Colectivas dos Artistas Senenses, as várias edições da ARTIS e algumas AGIRARTE, realizadas na vizinha Oliveira do Hospital.

Representado no museu do café de Cadenazzo, na Suíça, em várias Câmaras Municipais portuguesas e no Ayuntamento de Olivenza, Espanha, para além de diversas colecções particulares dispersas pelos cinco continentes, Luiz Morgadinho é uma mais-valia para a Associação de Arte e Imagem de Seia e para a dinâmica cultural que se pretende intensificar na cidade e na região.

Sérgio Reis

(*Texto lido na homenagem a Luiz Morgadinho, incluída na cerimónia de abertura da ARTIS VIII, no dia 09 de Maio de 2009).


Desenho e pintura com café



"Retrato de uma essência", acrílico s/tela, 2006


"Depois do homem partir", acrílico s/tela, 2008


"Chapitôt da Vida", acrílico s/ tela, 2001
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"D. Peta após prolongamento", acrílico s/tela, 1999

quarta-feira, 6 de maio de 2009

JOSÉ DUARTE MIRANDA (1951-2009)

Adeus, Zé Miranda

“olhas: e separam-se de ti as terras:
Uma que vai para o céu, outra que cai”

Rainer Maria Rilke, “Poemas”

Ontem, 5 de Maio, desceu à terra o corpo do Zé Miranda. O seu espírito, esse, ficará ligado a muitos rostos e lugares, a uma multiplicidade de boas memórias, e continuará muito presente para os seus familiares e amigos. Um espírito aberto e livre, como sempre foi Zé Miranda em vida.

Muito mais que um grande amigo, o Zé Miranda era praticamente família. Amigo do seu amigo, cúmplice de viagens por caminhos e carreiros do gosto, embarcadiço da cultura popular, artes avulsas, artesanatos, vivia o mundo pelo lado do convívio com pessoas e lugares, sabores do mar e da terra, pessoas com histórias de vida, objectos com histórias de gente – sem fronteiras de terras nem de gentes nem de ideias.

Apreciava particularmente o fado castiço. Lia avidamente Mia Couto. Ele próprio era um grande contador de histórias, infelizmente pouco dado à escrita. Revelava dia a dia uma enorme confiança e esperança na juventude, que o respeitava e ouvia, e por isso gostou muito de ser professor – na EB 2, 3 de Mafra – até se sentir traído pelos políticos da educação.

Faleceu inesperadamente aos 58 anos e repousa agora no cemitério do Sobreiro (Mafra), sua aldeia natal – a mesma que viu nascer o ceramista e escultor José Franco (falecido no passado dia 14 de Abril, aos 89 anos) que o Zé Miranda admirava e cuja obra ajudou a divulgar, junto de amigos, conhecidos – e dos seus alunos, a quem procurou incutir o gosto pelas artes tradicionais ligadas ao barro e pelo artesanato em geral.
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Zé Miranda e Almerinda


O bom companheiro


O contador de histórias


O coleccionador - ou, como ele preferia dizer, "ajuntador"

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Prémio EDP Novos Artistas distingue Gabriel Marques e Mauro Cerqueira


Foi anunciado a 20 de Abril o vencedor do 8º Prémio EDP Novos Artistas, que pretende “incentivar o surgimento de novos criadores e, assim, manter e estimular os nossos valores do futuro”. Sem surpresa, o prémio foi atribuído ao jovem artista luso-americano Gabriel Marques.

Era praticamente impossível a um júri internacional (1), composto por personalidades habituadas a detectar os tais “valores do futuro” e a gerir em conformidade as tendências internacionais da arte actual, ignorar o currículo internacional e a modernidade do projecto de Gabriel Marques. Os restantes oito candidatos (2) ao prémio de 10.500 euros, apesar do interesse e valor intrínseco dos seus projectos, concorriam com assinalável desvantagem. Para além de mobilizar múltiplas linguagens contemporâneas (desenho, pintura, cinema, instalação, performance), Gabriel Marques reordena a realidade através de temas incómodos e polémicos da actualidade, com o objectivo de chocar os costumes e baralhar as consciências bem comportadas. Nem por acaso, o júri achou importante salientar a sua capacidade de criação de universos narrativos, assim como a energia criativa do projecto – e não por causa da energia eléctrica do prémio.

A energia é um termo adequado à vida e obra, para já, do franzino jovem nascido de pais africanos em Chapel Hill, Carolina do Norte, EUA, em 1984. Estudou cinema e artes plásticas na Cooper Union for the Advancement of Science and Art, em Nova Iorque, até 2006, frequentando depois a École Nationale des Beaux-Arts, em Paris, e o Le Fresnoy - Studio National des Arts Contemporains, em Tourcoing, França. Reside e trabalha actualmente em Lisboa. Expõe individualmente em Lisboa e Porto desde 2006, na Galeria 111 e na Houghton Gallery, em Nova Iorque. Participou em exposições colectivas em Portugal (Algés, Viana do Castelo, São João da Madeira), EUA (Washington, Miami), Londres, Berlim e Viena.

Assume-se como cineasta-artista, reconhecendo que se dedicou à arte para poder fazer filmes: “o cinema (…) foi a razão principal que me levou a trabalhar em arte” – ver artigo do Jornal de Letras e entrevista à Arte Capital. O seu filme Visionary Iraq participou no Festival Indie Lisboa (24 de Abril, no Cinema São Jorge, dias 26 e 30, no Cinema Londres) e cenas de alguns dos seus filmes foram integrados numa entrevista ao programa Fotograma, da RTP (12 de Abril de 2009).

O júri decidiu ainda atribuir merecidamente uma menção honrosa (o que acontece pela primeira vez) a Mauro Cerqueira, um jovem artista de 27 anos nascido e formado em Guimarães (licenciatura em artes e desenho pela Escola Superior Artística do Porto e bacharelato em pintura pela Escola Superior Artística do Porto, ambas na extensão de Guimarães), com uma obra bem sugestiva ao nível da encenação do real, experimentação de percursos absurdos e exploração de ritos e ritmos quotidianos, mas sem o “background” americano de Abrantes.

A proposta que o artista-músico (pela sua ligação a diversos projectos de música alternativa) Mauro Cerqueira apresentou a concurso exibia ao mesmo tempo, lado a lado, o registo vídeo de uma performance (o corte de painéis brancos com uma faca) e os referidos painéis.

Resumindo, o prémio e a menção honrosa foram bem atribuídas, verificando-se que a condição de artista “estrangeirado” pesa na atribuição do prémio EDP Jovens Artistas, considerando a experiência estrangeira dos premiados até à data (3), a começar naturalmente pela Joana Vasconcelos. Uma condição naturalmente prevista no regulamento do prémio, dirigido a artistas portugueses, residentes ou não em território nacional, e a artistas estrangeiros que residam em Portugal. Mesmo assim, sublinhe-se a enorme responsabilidade que pesou sobre o júri de selecção, cuja tarefa foi reduzir de 410 artistas admitidos a concurso para apenas nove o número de potenciais candidatos ao prémio.

Resta saber se, como escreveu Octávio Paz, a propósito dos prémios literários, “Os prémios domesticam o escritor independente, cortam as asas ao inspirado, castram o rebelde”? Ou seja, a rebeldia resistirá à consagração do artista na praça pública? Só o tempo o dirá.


(1) O júri do 8º Prémio EDP Novos Artistas foi constituído por José Manuel dos Santos (Director da Fundação), Bartolomeo Marí (Director do MACBA – Museu de Arte Contemporânea de Barcelona), Agnaldo Farias (Instituto Tomie Ohtake, São Paulo), Miguel von Haffe Pérez (crítico de arte e consultor da Fundação Ilídio Pinho, Porto) e Pedro Calapez (Artista Plástico vencedor do Prémio EDP.Arte/Pintura em 2001).
(2) Para além de Gabriel Abrantes (vídeo, pintura, fotografia), foram seleccionados António Bolota, (escultura), Bruno Cidra (escultura), Gonçalo Sena (desenho, instalação), Hernâni Gil (vídeo performativo), Margarida Paiva (vídeo), Mauro Cerqueira (escultura, instalação), Nuno Rodrigues de Sousa (pintura e vídeo) e Sónia Almeida (pintura), de entre 410 candidatos. Cada um destes nove artistas recebeu 2.500 euros para criar uma obra ou desenvolver um projecto, divulgados na exposição que decorre no Museu da Electricidade, em Lisboa, até 10 de Maio de 2009.
(3) O Prémio EDP Novos Artistas foi instituído em 2000 e já distinguiu os seguintes artistas: Joana Vasconcelos (2000), Leonor Antunes (2001), Vasco Araújo (2002), Carlos Bunga (2003), João Maria Gusmão/Pedro Paiva (2004), João Leonardo (2005), André Romão (2007). Em 2006, o prémio não foi atribuído e, a partir deste ano, será bienal.

Fontes, para além das indicadas no texto: Lusa, 22/12/2008; DN de 27 de Março 2009; revista Sábado nº256, 26 de Março a 1 de Abril de 2009; revista Visão 23 de Abril de 2009.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

AFONSO HENRIQUES - 900 ANOS (1109-2009)

Estátua de D. Afonso I em Guimarães, de Soares dos Reis (1887)


Várias cidades do país comemoram em 2009 os 900 anos do nascimento de D. Afonso Henriques, fundador da nacionalidade e primeiro rei de Portugal.

Guimarães é o palco privilegiado destas iniciativas, mas outras cidades indissociáveis da vida de Afonso Henriques e da fundação da nacionalidade, como Viseu e Santarém, também se associam às comemorações.


Em Guimarães, sob o lema “900 anos, 900 horas”, as mais diversas instituições da cidade, evocam o nascimento, a vida e a obra de D. Afonso Henriques: Biblioteca Municipal Raul Brandão, o Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, a Sociedade Martins Sarmento, o Museu de Alberto Sampaio e o Paço dos Duques de Bragança, para além da Câmara Municipal de Guimarães, que coordena o programa, e de quase todas as escolas do concelho.


O programa iniciou-se em Janeiro, com a 1ª Mostra de Música Moderna de Guimarães, e terá o seu ponto alto a 24 de Julho, com a cerimónia de homenagem a D. Afonso Henriques, que será presidida pelo Presidente da República.

Este intenso e exigente programa comemorativo em Guimarães serve ainda para preparar a Capital Europeia da Cultura de 2012.

Na apresentação do programa das comemorações, foi ainda anunciado o regresso da estátua de D. Afonso Henriques ao seu local primitivo, nos jardins da Alameda de S. Dâmaso. A estátua é da autoria de Soares dos Reis, considerado o maior escultor português do século XIX, que a realizou em 1887. Em Lisboa, no Castelo de S. Jorge, existe uma réplica da estátua de Soares dos Reis, oferecida pela cidade do Porto e inaugurada em 1947.

terça-feira, 21 de abril de 2009

OBRAS DE ARTE EM SEIA - 7


Dorita de Castel-Branco: Estátua de Afonso Costa

A menos de ano e meio das comemorações do centenário da República, evoquemos o senense Afonso Costa, o dirigente político que mais marcou a vida da I República até ao sidonismo. Chefe (“Presidente do Ministério”) de três governos republicanos, entre 1913 e 1917, duas vezes ministro (Finanças e Justiça), escolheu o exílio após o golpe de Sidónio Pais (5 de Dezembro de 1917). Ver busto da autoria de António Paiva e breve biografia publicada pela Assembleia da República.

Casa onde nasceu Afonso Costa (demolida nos anos 60) - desenho de Júlio Vaz Saraiva
Apesar de afastado da vida política nacional, Afonso Costa prestou importantes serviços à República no estrangeiro, como chefe da delegação portuguesa à Conferência da Paz e à Sociedade das Nações, chegando a presidir à assembleia geral da Sociedade das Nações.
Foi, aliás, uma das derradeiras esperanças dos republicanos para a salvação do regime, tendo sido convidado a formar governo no final de 1923, pelo recém-eleito presidente da República, Teixeira Gomes, mas a falta de apoio dos nacionalistas levou-o a regressar a Paris. Colaborou depois com outros exilados na Liga de Defesa da República, criada para combater internacionalmente a ditadura nascida do 28 de Maio de 1926.
Terá visitado Seia pela última vez no final de 1923 ou no início de 1924. Em 1971, no centenário do seu nascimento e 34 anos após a sua morte no exílio (Paris, 01 de Maio de 1937), vieram para o jazigo da família, em Seia, os restos mortais do político republicano (Seia Católica, Nº 424, Julho de 1971; Monografia de Seia, pág. 334).
Dez anos depois (08 de Novembro de 1981) foi inaugurada a sua estátua em Seia, pelo então Presidente da República, General Ramalho Eanes. Era Ministro da Cultura, Francisco Lucas Pires. Uma foto de Eanes discursando, da autoria do fotógrafo senense Serafim Correia, foi então capa do jornal “Diário de Notícias”.
Ainda sobreviviam, na época, alguns ressentimentos em relação às políticas anticlericais de Afonso Costa e ameaças anónimas impuseram a necessidade de guarda armada à estátua durante a noite.


DORITA
De aspecto frágil e sensível – muito diferente da figura tradicional do escultor, Dorita Castel-Branco afirmou-se como escultora de corpo inteiro, capaz de lidar criativamente com os materiais brutos da escultura, a pedra, o ferro, a madeira, para produzir a pequena peça, a medalha precisa e delicada, ou o grande conjunto escultórico destinado à praça pública. “Moça frágil, desmedido escultor” – assim a classificou Jorge Amado, após uma visita ao seu atelier, em 1982.
Em 1981, Dorita marcara o ano artístico graças à inauguração de duas importantes obras de sua autoria: o conjunto escultórico dedicado aos Emigrantes, no largo fronteiro à estação de Santa Apolónia, em Lisboa, e um grande monumento na ilha de Taipa, em Macau. Em Novembro, foi inaugurada em Seia a estátua de Afonso Costa.
No ano seguinte, a 20 de Dezembro, é inaugurado o Monumento ao Centenário da Cidade da Figueira da Foz, de sua autoria, na Rotunda do Centenário. A medalha comemorativa dos 100 anos da cidade também foi realizada pela escultora.
Para além da linguagem específica das formas (estilizadas, geometrizadas, muitas vezes exprimindo movimento) o que sobressai das suas obras é uma grande força interior. A sua obra criativa é muito vasta e as suas esculturas públicas (34 esculturas ou conjuntos escultóricos implantados em jardins e praças ou edíficios públicos), encontram-se dispersas por todo o país, no antigo território de Macau (Ilha da Taipa), no Brasil (Embaixada de Portugal em Brasília e Rio de Janeiro) e na Venezuela (Embaixada de Portugal em Caracas).
“A escultura de Dorita rejeita todos os elementos vinculados à escultura tradicional. Num trajecto que parte da figuração para a essencialidade da forma, o seu projecto artístico baseia-se num processo de simplificação gradual da figura, esquematizada e descaracterizada, até atingir uma síntese plástica não figurativa, inserindo-se numa tendência cada vez mais forte para a forma pura, perceptível e abstracta.” Prof.José Fernandes Pereira, in Dicionário de Escultura Portuguesa ,2005.
Dorita de Castel-Branco nasceu em Lisboa a 13 de Setembro de 1936. Em 1962, concluiu o curso superior de escultura na escola superior de Belas Artes de Lisboa. Em 1963 e 1964, frequentou em Paris a “École Supérieure de Beaux Arts” e a “Académie de Feu de Paris” com uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian,


Começou a expor em 1965, tendo realizado 25 exposições individuais em diversos espaços e galerias e participou em mais de uma centena de mostras colectivas, em Portugal e no estrangeiro.
Foi distinguida com diversos prémios – entre os quais o o 1º prémio da II Bienal Internacional del Deport, em Barcelona (1969) e o 1º Prémio Edinfor de Escultura (1993).
Professora do ensino liceal a partir de 1962, nos liceus D. Leonor, D. João de Castro e Maria Amália Vaz de Carvalho e nas escolas secundárias Patrício Prazeres e António Arroio, exercendo a docência durante 34 anos, em simultâneo com a actividade artística.
Faleceu em Lisboa em 23 de Setembro de 1996.
Está representada nos museus Nacional de Arte Moderna e Antoniano de Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian de Lisboa e Paris, Biblioteca Nacional de Lisboa e Museu Regional de Aveiro.
Em 2007, foi homenageada com uma grande exposição no Casino Estoril.
O espólio de Dorita Castel-Branco está a cargo da Câmara Municipal de Sintra, em exposição na Casa Dorita Castel-Branco, localizada na Quinta da Regaleira.
Fontes: Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses, Fernando de Pamplona, Livraria Civilização, Vol. II; Catálogo da Exposição de Homenagem a Dorita - Galeria de Arte do Casino Estoril, 2007; Correio da Manhã, 14 Fevereiro 2007, “Casino inaugura exposição de Dorita Castel’Branco”.
NB: as fotos deste post foram actualizadas em 2010, após as obras de limpeza e restauro do monumento realizadas pela CMS no âmbito das comemorações do Centenário da República.

No 35º Aniversário da Revolução dos Cravos


Trinta e cinco anos após o 25 de Abril de 1974, recordemos a Revolução dos Cravos (uma das mais pacíficas revoluções da História Universal) através de imagens e sons incontornáveis:

- O início do movimento foi anunciado no Rádio Clube Português pela senha 1 - a canção "E Depois do Adeus" (letra de José Niza e música de José Calvário), interpretada por Paulo de Carvalho no Festival Eurovisão da Canção.

- Para confirmar o movimento utilizou-se a senha 2 - a canção "Grândola Vila Morena" (letra e música de Zeca Afonso).

- Comunicado do posto de comando do Movimento das Forças Armadas - MFA.

- O herói de Abril, Salgueiro Maia, ocupa o Terreiro do Paço e cerca o Quartel do Carmo. Foram os momentos mais delicados da Revolução.

- Proclamação da Junta de Salvação Nacional, lida pelo General António de Spínola. Estava consumada a Revolução dos Cravos.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

250º Aniversário da Cidade de Aveiro

Cidade começou por se chamar Nova Bragança

Foto: www.uc.pt

Este ano, passam 1050 anos sobre a primeira referência escrita a Aveiro (doação testamentária da condessa Mumadona Dias do mosteiro de Guimarães, 26 de Janeiro de 959), e comemoram-se os 250 anos da sua elevação a cidade (1759), por D. José.

Na origem deste acontecimento esteve a condenação à morte do último duque de Aveiro, por traição, motivo que levou a nova cidade a ser então baptizada como Nova Bragança. Uma vez esquecido o lamentável episódio, que ajudou ao mau nome do Marquês de Pombal, a cidade voltou a denominar-se Aveiro.

Considerada “a Veneza portuguesa”, por comparação dos seus canais e barcos típicos, moliceiros e bateiras, aos canais venezianos e às típicas gôndolas, é terra de salinas, vareiras e ovos moles.
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Realiza anualmente a grandiosa Feira de Março, cuja origem remonta a 1434, ano em que D. Duarte concedeu às suas gentes o privilégio de ter uma feira franca anual. Em 1515, recebeu o seu primeiro foral.
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Outra data importante é a do feriado municipal, a 12 de Maio, que recorda a morte da Infanta D. Joana (filha do rei D Afonso V) no Convento de Jesus, nesse dia do ano de 1490. A estadia da Infanta em Aveiro, entre 1472 e 1490 deu relevo e proporcionou o desenvolvimento da vila.
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Caetano Veloso dedicou a Aveiro uma faixa do seu álbum mais recente, "Zii e Zie", lançado em Portugal a 20 de Abril de 2009. A faixa intitula-se "Menina da Ria", evocando "Menino do Rio", trinta anos depois.

No que me diz respeito, Aveiro era (é) capital de distrito da terra onde passei parte da infância e juventude, Santa Maria da Feira (então Vila da Feira). Na Escola Secundária José Estêvão, em Aveiro, realizei os exames de acesso à Universidade, e aí vivi no primeiro ano em que dei aulas, em Ílhavo, no ano lectivo de 1980/81.
No Museu da Cidade de Aveiro, decorre até 12 de Maio uma exposição sobre a história da cidade, intitulada "B.I. - Aveiro".