quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

LAGOA HENRIQUES (1923-2009)

Autor de desenhos e esculturas, poeta, conferencista, inspirador de sucessivas gerações de criadores artísticos, Mestre Lagoa Henriques faleceu na noite de 21 de Fevereiro de 2009, em Lisboa, aos 85 anos, após doença prolongada.

António Augusto Lagoa Henriques nasceu em Lisboa a 27 de Dezembro de 1923.

Diplomou-se na Escola Superior de Belas Artes do Porto, com nota máxima, e participou nas Exposições Gerais de Artes Plásticas (1946-51), na Bienal de São Paulo e na Exposição Internacional de Bruxelas (1957) antes de ser nomeado assistente de Barata Feyo em 1959.

Entre 1960 e 1963, trabalhou em Itália com o escultor Marino Marini. De regresso a Portugal, aceitou o cargo de professor de desenho e escultura (1963) na EBAP. Em 1966, mudou-se para a ESBAL.

Um grande incêndio destruiu o seu atelier no início dos anos 70. O incidente marcou-o e representou um momento de viragem na sua obra, caracterizada pela ligação das formas eruditas ao quotidiano, o contacto com as pessoas, a cidade e a natureza. “O grande problema do nosso tempo é conciliar a técnica com a ética, a estética e a poética”, disse.
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A sua obra mais conhecida é a estátua de Fernando Pessoa, na esplanada do Café Brasileira, no Chiado, exemplo emblemático do seu conceito de intervenção artística. É autor das estátuas de Ferreira Borges, no Palácio da Justiça, Porto, de Guerra Junqueiro, em Lisboa, e de Alves Redol em Vila Franca de Xira - famosa sobretudo pelo polémica que suscitou ao retratar o escritor nu, apenas com a boina na cabeça.
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Estátua de Alves Redol

Recebeu os Prémios Soares dos Reis, Teixeira Lopes e o Prémio do Real Gabinete Português de Leitura, 1ª Medalha SNBA e o Prémio de Escultura da II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian.

Representado no MNAC, M. Soares dos Reis, FCG, MAM em São Paulo, entre muitos outros.

Fontes: Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses, Fernando de Pamplona, Ed. Civilização; Arte Portuguesa-Anos Quarenta, vol. 2, FCG, 1982; Jornal Público, 22/02/2009

OBRAS DE ARTE EM SEIA - 3

OBRAS DE ERNÂNI OLIVEIRA EM SEIA
Painel de azulejos do Posto de Turismo de Seia
Serigrafia sobre Seia


Aproveitando o momento das obras de transformação do Solar de Santa Rita em Museu do Brinquedo, a Câmara Municipal construiu um pequeno edifício térreo, ao fundo desse espaço, para acolher o Posto de Turismo de Seia – que funcionava então num pequeno espaço do Mercado Municipal.

A obra, executada pela própria autarquia com apoio financeiro do programa comunitário Leader, através da ADRUSE, incluía uma sala de exposições – cujo objectivo era oferecer aos artesãos senenses um espaço nobre de exposição dos seus produtos – e a colocação, no exterior, de um painel de azulejos reproduzindo uma obra de Ernâni Oliveira, executado por Hernâni Cardoso. O novo Posto de Turismo foi inaugurado a 31 de Outubro de 2000.
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O painel inventaria sumariamente alguns locais de interesse turístico do concelho, (como a Cabeça da Velha, o centro histórico de Seia, a Serra da Estrela, a capela de São Pedro e a Igreja da Misericórdia), algumas actividades económicas típicas da região (pastorícia, produção de queijo da Serra e têxteis), sem esquecer a campânula (campânula herminii), planta característica da Estrela.

O painel regista alguns pequenos defeitos, fruto da precipitação na aplicação dos azulejos devido à apressada conclusão da obra.

A Câmara Municipal editara anos antes uma serigrafia de Ernâni Oliveira, que foi reproduzida num desdobrável promocional do concelho, em 1998.
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.Ernani Oliveira nasceu em Lisboa a 27 de Dezembro de 1936.
Licenciado em artes Plásticas, pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Foi bolseiro da Academia das Belas Artes de Lisboa em Paris.
Leccionou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, durante seis anos, e na Escola de Artes António Arroio, até 1998.
Participou em inúmeras exposições colectivas e individuais de pintura, em Portugal e no estrangeiro. Trabalha regularmente com as Galerias de Arte «A Grade» em Aveiro, «DITEC» e «Nova Imagem» em Lisboa.Autor de vários projectos de grandes dimensões, com destaque para os vitrais da Cadeia Civil do Porto, com 60 metros quadrados, e a pintura do Salão Nobre da Câmara Municipal de Tondela, com as dimensões de 2 por 6,5 metros. Realizou ainda vários painéis decorativos, entre os quais um painel alusivo aos Descobrimentos, para a EXPO/98, e o painel para o Posto de Turismo de Seia.
O artista tem editado serigrafias com regularidade e desenvolve igualmente a actividade de designer de comunicação em jornais diários, semanários e agências de publicidade.
Recebeu por duas vezes o Prémio Júlio Mardel, da Academia das Belas Artes de Lisboa.
Fontes:
Jornal de Santa Marinha nº 179, 01/11/2000 e JSM nº 206; desdobrável turístico “Seia – Porta aberta para a Serra da Estrela”, 1998.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Censura em Braga?

Dois dias após uma decisão pouco informada e precipitada do Ministério Público ter criado um caso de censura no carnaval de Torres Vedras, que foi prontamente remediado, chega a notícia de novo acto de “censura” a “pornografia” em Braga, desta vez na Feira do Livro que se realizou na cidade dos arcebispos por ocasião do carnaval. No seguimento de uma queixa, a PSP invadiu o recinto da feira e apreendeu cinco exemplares de “Pornocracia”, um livro da controversa escritora francesa Catherine Breillat, que exibia na capa a reprodução de um quadro famoso de Gustave Courbet (1819-1877), “A Origem do Mundo” (1866), afinal a representação hiper-realista do aspecto exterior do órgão sexual feminino. Alguns bracarenses mais pudicos, ofendidos com tal pornografia, decidiram proteger o mundo do pecado (original) e, de caminho, exigir a punição dos responsáveis.

A estória saltou para a comunicação social como pulga em cachorro, despertando razões e emoções. Vieram depois os juristas classificar como erro a apreensão dos livros e a PSP apressou-se a dar o feito por não feito com a maior desculpa de ser a imagem a reprodução de uma obra de arte.

O peculiar báculo de D. João Peculiar

Outra estória curiosa ocorrida igualmente em Braga tardou a saltar para as notícias. Em Agosto de 2007, causou polémica a estátua de um antigo bispo de Braga, D. João Peculiar (que coroou D. Afonso Henriques como primeiro rei de Portugal), a segurar um báculo com formas que lembravam um pénis. O embaraço foi tanto que nem a Câmara, nem a diocese nem a Junta de Freguesia quiseram assumir a propriedade da estátua, que foi retirada. O povo divertiu-se com o pormenor peculiar da estátua de D. João Peculiar, arquitectada por um tal "Escultor Raul Xavier" (?), que deve ter levado um belo puxão de orelhas dos autarcas e do clero.

O "Escultor Raul Xavier" deve ter-se inspirado, afinal, numa obra menos conhecida do controverso artista alemão Thomas Palme (Immenstadt, 1967).

"A Verdade Desvelada pelo Tempo" foi novamente velada por Berlusconi

Porém, como acontece com tudo, os portugueses (no caso, os de Braga) não são os piores. Em Agosto do ano passado, o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, mandou retirar o quadro “A Verdade Desvelada pelo Tempo” de Giambattista Tiepolo da sede do governo italiano, em Roma, e substituiu-o por uma cópia em que a Verdade aparece com o seio tapado. Segundo explicou o porta-voz do primeiro-ministro italiano, o seio e o mamilo da Verdade apareciam mesmo no meio das imagens televisivas durante as conferências de Berlusconi, conhecido internacionalmente pelo seu pudor e rectidão, e de outros membros do seu governo de centro-direita. Comentando a decisão de Berlusconi, o director do Museu do Vaticano fez questão de sublinhar que “Temos mais nus que qualquer outro museu do mundo”.

Claro que há limites para tudo, e aí os Berlusconi de Braga poderão ter alguma razão. Basta ver que o site do Ministério da Cultura italiana abre com a imagem de Dafne, um nu de Gian Lorenzo Bernini (ver em http://www.beniculturali.gov.it/). Imagine-se se abrisse com "A Origem do Mundo", de Courbet.

Fontes: “Báculo fálico suscita polémica”, Jornal de Notícias, 26/08/2007; “Director do Museu do Vaticano repreende Berlusconi”, Diário de Notícias, 10/08/2008.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Exposição "Centenário de Tavares Correia"

Foi inaugurada no dia 21 de Fevereiro, na sala de exposições do Posto de Turismo de Seia, uma exposição comemorativa do centenário de Tavares Correia (1908-2008).

Apesar de tardia, a comemoração tem o mérito de proporcionar uma importante exposição, que reune algumas obras interessantíssimas e bem representativas da melhor fase da pintura de Tavares Correia.

Para além de alguns desenhos realizados durante a sua formação na Sociedade Nacional de Belas Artes, nos anos 20, a exposição mostra obras que Tavares Correia exibiu em Paris, de pequeno formato, assim como apontamentos de viagem (desenhos, aguarelas) e um bom conjunto de retratos: sua mãe, a esposa e o avô materno - que Tavares Correia recordava com saudade - para além dos auto-retratos.

O Dr. José Albano do Couto Tavares Segurão (1844-1932) era Sub-Delegado de saúde à data do nascimento do neto - no antigo Solar de Pedro de Cêa, situado na cerca do castelo. Chegou a Presidente da Câmara Municipal (1914) e Administrador do Concelho. Foi o Dr. Albano quem ofereceu a Tavares Correia os primeiros materiais de desenho e pintura, em 1925.

À entrada da sala de exposições, pode ver-se um auto-retrato da última fase da pintura de Tavares Correia, baseado numa foto de que o artista gostava particularmente. Esta foto foi reproduzida em catálogos das suas exposições anuais e no cartaz do Prémio Nacional de Pintura Tavares Correia, a seu pedido, por ocasião dos Encontros de Arte '93. No quadro pode ainda ver-se o brasão dos Corrêa de Carvalho.
Aqui ficam algumas imagens da exposição.

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D. Esther Tavares do Couto Segurão Corrêa




Dr. José Albano do Couto Tavares Segurão

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Ano Internacional da Astronomia


No ano em que se comemoram os 200 anos do nascimento de Charles Darwin, os 150 anos da publicação do seu revolucionário livro "A Origem das Espécies" e o 400º aniversário da invenção do telescópio e das primeiras observações astronómicas de Galileu Galilei, são inevitáveis as associações entre a teoria darwinista da evolução e a teoria heliocêntrica no processo de construção do Homem contemporâneo, no conhecimento de si próprio e do Mundo que possui e mobiliza para gerar mais conhecimento, rumo às estrelas.

Na cronologia das Espécies, foi apenas ontem que a descoberta de horizontes cada vez mais largos e fundos levou o Homem a erguer-se (homo erectus), deixando de olhar o chão para olhar em frente, e depois para as estrelas. Com o tempo, compreendeu a influência dos astros no quotidiano da Terra e entendeu finalmente o seu exacto lugar no Universo. Não foi por acaso que a compreensão dos fenómenos celestes registou grandes avanços no século XIX, originando uma significativa revolução das mentalidades e consequente descrédito do criacionismo (teoria bíblica da criação do mundo por Deus em sete dias).

Recordar Galileu Galilei significa, igualmente, evocar um exemplo da clarividência e persistência - que teve elevados custos: obrigado a abjurar perante a Inquisição, para salvar a vida, acabaria por morrer em prisão domiciliária nove anos depois, em 1642. Pressionada pelas evidências científicas, a Igreja absorveu as teorias defendidas por Galileu, mas a Igreja Anglicana só em Setembro de 2008 reconheceu publicamente que tratou mal Charles Darwin, pedindo desculpa por não o ter então entendido e por ter encorajado outros a não o entender.
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O Ano Internacional da Astronomia possui um interesse adicional para Portugal, em especial para o Interior, já que o Coordenador Global é o português Pedro Russo (prusso@eso.org), natural de Figueira de Castelo Rodrigo. Outra figura em destaque é Rosa Doran (rosa.doran@nuclio.pt), responsável internacional pelo Galileo - Teacher Training Program.
A abertura oficial do AIA 2009 decorreu no dia 31 de Janeiro na Casa da Música, no Porto, com um programa aberto à comunidade.

Consultar programa das actividades em Portugal.
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Espaço: a última fronteira?


“Este ano é o ano da astronomia. É também um bom ano para passar a gostar de astronomia. Eu não disse saber, embora o saber venha pelo mesmo caminho. Eu disse “gostar”, olhar com gosto, com espanto, com curiosidade, para o mundo. (...)” - José Pacheco Pereira, “A lagartixa e o jacaré”, revista ´Sábado” nº 249, 05 de Fevereiro de 2009.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

ARCO 09 - Crise passou ao lado


Encerrou hoje, no Parque Ferial Juan Carlos I, em Madrid, a 28ª edição da ARCO - Feira de Arte Contemporânea.

A Feira decorreu entre os dias 11 e 16 de Fevereiro (13 a 16 para o público em geral), apresentando 238 galerias de 32 países de todo o mundo, além dos Solo Projects (participantes independentes) e diversas actividades de divulgação das artes: conferências, palestras, livrarias e revistas especializadas em arte contemporânea. Nestas últimas, incluía-se uma revista portuguesa, a "Artes&Leilões".

A Índia foi o país convidado, representada por 15 galerias. Das obras de artistas indianos, destacou-se o “Aquasaurus” de Jitish Kallat, um camião feito com ossos de dinossauro.

Portugal foi representado por 12 Galerias já conhecidas da organização, incluindo uma galeria de arte de Viseu, a António Henriques (Pavilhão 10, stand 10ª40-23) e uma galeria açoriana, a Fonseca Macedo. Este ano, devido ao mau momento económico internacional, a participação portuguesa recebeu um apoio do Ministério da Cultura, materializado num "seguro de risco”.

Realizada sob o signo da crise mundial, não se esperava muito desta Feira em matéria de vendas, mas os primeiros balanços, da organização e dos galeristas, apontam para uma repetição das vendas de 2008. Registou-se uma quebra nas compras das instituições, compensada pelos compradores privados – que apostaram em valores seguros. De resto, dada a imprevisibilidade das vendas, as galerias optaram por apresentar mais artistas consagrados. No que respeita a visitantes, mais de 250 mil pessoas passaram pelo portão do Parque Ferial Juan Carlos I.

Para a edição de 2010, foi já anunciado novo corte no número de expositores e uma alteração de monta, que visa reduzir custos: em vez de um país convidado, será uma cidade a merecer destaque. Para a 29ª edição, em 2010, foi escolhida a cidade de Los Angeles.

A próxima grande feira internacional será a TEFAF 2009 - Feira Mundial de Arte e Antiguidades de Maastricht, em Março.

Mais dados sobre a ARCO 09 em:
http://www.ifema.es/ferias/arco/in.html.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Inauguração da exposição "Luzes" - Fotografias de José Santos, em Viseu

Com uma boa moldura humana, José Santos apresentou-se como artista e mostrou os seus trabalhos fotográficos no Museu Grão Vasco, em Viseu, a meio da tarde do dia 14 de Fevereiro.

A inauguração contou com a presença de algumas individualidades e amigos do empresário, agora artista, que apreciaram com admiração a qualidade visual e consistência técnica das fotografias expostas, algumas delas de grande formato.
Também esteve presente uma equipa de reportagem da VTV - Viseu TV (ver "Agenda Cultural" de 19 de Fevereiro em www.viseu.tv).














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No folheto de apresentação da exposição, José Santos escreveu:

"Aceitar fazer uma exposição pela primeira vez, pode ser uma decisão muito difícil, porque aquilo que se faz e de que se gosta pode ser atraente para nós e repulsivo para outros olhos.

O entusiasmo de alguns amigos entre os quais: Maria Encarnação Almeida (Senhora São) do Posto de Turismo de Seia, Mário Jorge Branquinho e os pintores Helena Abreu, António Joaquim e Sérgio Reis, ajudaram a minha tomada de decisão.

Da boca do Dr. Alberto Correia, antigo Director do Museu Grão Vasco, sempre parco em comentários, ouvi palavras que me animaram´.

Por outro lado, e ainda, o facto de se virem a abrir vários espaços de exposição mais ajudaram a reduzir o receio do possível ridículo da minha decisão em expor.

O profissionalismo do pintor Sérgio Reis constituiu o refúgio necessário para evitar alguns erros que por mim poderiam ser mais facilmente cometidos.

É quase só dele a selecção de peças exposta, assim como os títulos a elas atribuídos.

De si que vai apreciar as peças expostas, espero que seja benevolente comigo e releve o meu atrevimento."

josesantos.seia@gmail.com

"Luzes" ocupa duas salas de exposição temporária do Museu Grão Vasco, em Viseu, e decorre até ao dia 21 de Março.