terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Censura em Braga?

Dois dias após uma decisão pouco informada e precipitada do Ministério Público ter criado um caso de censura no carnaval de Torres Vedras, que foi prontamente remediado, chega a notícia de novo acto de “censura” a “pornografia” em Braga, desta vez na Feira do Livro que se realizou na cidade dos arcebispos por ocasião do carnaval. No seguimento de uma queixa, a PSP invadiu o recinto da feira e apreendeu cinco exemplares de “Pornocracia”, um livro da controversa escritora francesa Catherine Breillat, que exibia na capa a reprodução de um quadro famoso de Gustave Courbet (1819-1877), “A Origem do Mundo” (1866), afinal a representação hiper-realista do aspecto exterior do órgão sexual feminino. Alguns bracarenses mais pudicos, ofendidos com tal pornografia, decidiram proteger o mundo do pecado (original) e, de caminho, exigir a punição dos responsáveis.

A estória saltou para a comunicação social como pulga em cachorro, despertando razões e emoções. Vieram depois os juristas classificar como erro a apreensão dos livros e a PSP apressou-se a dar o feito por não feito com a maior desculpa de ser a imagem a reprodução de uma obra de arte.

O peculiar báculo de D. João Peculiar

Outra estória curiosa ocorrida igualmente em Braga tardou a saltar para as notícias. Em Agosto de 2007, causou polémica a estátua de um antigo bispo de Braga, D. João Peculiar (que coroou D. Afonso Henriques como primeiro rei de Portugal), a segurar um báculo com formas que lembravam um pénis. O embaraço foi tanto que nem a Câmara, nem a diocese nem a Junta de Freguesia quiseram assumir a propriedade da estátua, que foi retirada. O povo divertiu-se com o pormenor peculiar da estátua de D. João Peculiar, arquitectada por um tal "Escultor Raul Xavier" (?), que deve ter levado um belo puxão de orelhas dos autarcas e do clero.

O "Escultor Raul Xavier" deve ter-se inspirado, afinal, numa obra menos conhecida do controverso artista alemão Thomas Palme (Immenstadt, 1967).

"A Verdade Desvelada pelo Tempo" foi novamente velada por Berlusconi

Porém, como acontece com tudo, os portugueses (no caso, os de Braga) não são os piores. Em Agosto do ano passado, o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, mandou retirar o quadro “A Verdade Desvelada pelo Tempo” de Giambattista Tiepolo da sede do governo italiano, em Roma, e substituiu-o por uma cópia em que a Verdade aparece com o seio tapado. Segundo explicou o porta-voz do primeiro-ministro italiano, o seio e o mamilo da Verdade apareciam mesmo no meio das imagens televisivas durante as conferências de Berlusconi, conhecido internacionalmente pelo seu pudor e rectidão, e de outros membros do seu governo de centro-direita. Comentando a decisão de Berlusconi, o director do Museu do Vaticano fez questão de sublinhar que “Temos mais nus que qualquer outro museu do mundo”.

Claro que há limites para tudo, e aí os Berlusconi de Braga poderão ter alguma razão. Basta ver que o site do Ministério da Cultura italiana abre com a imagem de Dafne, um nu de Gian Lorenzo Bernini (ver em http://www.beniculturali.gov.it/). Imagine-se se abrisse com "A Origem do Mundo", de Courbet.

Fontes: “Báculo fálico suscita polémica”, Jornal de Notícias, 26/08/2007; “Director do Museu do Vaticano repreende Berlusconi”, Diário de Notícias, 10/08/2008.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Exposição "Centenário de Tavares Correia"

Foi inaugurada no dia 21 de Fevereiro, na sala de exposições do Posto de Turismo de Seia, uma exposição comemorativa do centenário de Tavares Correia (1908-2008).

Apesar de tardia, a comemoração tem o mérito de proporcionar uma importante exposição, que reune algumas obras interessantíssimas e bem representativas da melhor fase da pintura de Tavares Correia.

Para além de alguns desenhos realizados durante a sua formação na Sociedade Nacional de Belas Artes, nos anos 20, a exposição mostra obras que Tavares Correia exibiu em Paris, de pequeno formato, assim como apontamentos de viagem (desenhos, aguarelas) e um bom conjunto de retratos: sua mãe, a esposa e o avô materno - que Tavares Correia recordava com saudade - para além dos auto-retratos.

O Dr. José Albano do Couto Tavares Segurão (1844-1932) era Sub-Delegado de saúde à data do nascimento do neto - no antigo Solar de Pedro de Cêa, situado na cerca do castelo. Chegou a Presidente da Câmara Municipal (1914) e Administrador do Concelho. Foi o Dr. Albano quem ofereceu a Tavares Correia os primeiros materiais de desenho e pintura, em 1925.

À entrada da sala de exposições, pode ver-se um auto-retrato da última fase da pintura de Tavares Correia, baseado numa foto de que o artista gostava particularmente. Esta foto foi reproduzida em catálogos das suas exposições anuais e no cartaz do Prémio Nacional de Pintura Tavares Correia, a seu pedido, por ocasião dos Encontros de Arte '93. No quadro pode ainda ver-se o brasão dos Corrêa de Carvalho.
Aqui ficam algumas imagens da exposição.

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D. Esther Tavares do Couto Segurão Corrêa




Dr. José Albano do Couto Tavares Segurão

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Ano Internacional da Astronomia


No ano em que se comemoram os 200 anos do nascimento de Charles Darwin, os 150 anos da publicação do seu revolucionário livro "A Origem das Espécies" e o 400º aniversário da invenção do telescópio e das primeiras observações astronómicas de Galileu Galilei, são inevitáveis as associações entre a teoria darwinista da evolução e a teoria heliocêntrica no processo de construção do Homem contemporâneo, no conhecimento de si próprio e do Mundo que possui e mobiliza para gerar mais conhecimento, rumo às estrelas.

Na cronologia das Espécies, foi apenas ontem que a descoberta de horizontes cada vez mais largos e fundos levou o Homem a erguer-se (homo erectus), deixando de olhar o chão para olhar em frente, e depois para as estrelas. Com o tempo, compreendeu a influência dos astros no quotidiano da Terra e entendeu finalmente o seu exacto lugar no Universo. Não foi por acaso que a compreensão dos fenómenos celestes registou grandes avanços no século XIX, originando uma significativa revolução das mentalidades e consequente descrédito do criacionismo (teoria bíblica da criação do mundo por Deus em sete dias).

Recordar Galileu Galilei significa, igualmente, evocar um exemplo da clarividência e persistência - que teve elevados custos: obrigado a abjurar perante a Inquisição, para salvar a vida, acabaria por morrer em prisão domiciliária nove anos depois, em 1642. Pressionada pelas evidências científicas, a Igreja absorveu as teorias defendidas por Galileu, mas a Igreja Anglicana só em Setembro de 2008 reconheceu publicamente que tratou mal Charles Darwin, pedindo desculpa por não o ter então entendido e por ter encorajado outros a não o entender.
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O Ano Internacional da Astronomia possui um interesse adicional para Portugal, em especial para o Interior, já que o Coordenador Global é o português Pedro Russo (prusso@eso.org), natural de Figueira de Castelo Rodrigo. Outra figura em destaque é Rosa Doran (rosa.doran@nuclio.pt), responsável internacional pelo Galileo - Teacher Training Program.
A abertura oficial do AIA 2009 decorreu no dia 31 de Janeiro na Casa da Música, no Porto, com um programa aberto à comunidade.

Consultar programa das actividades em Portugal.
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Espaço: a última fronteira?


“Este ano é o ano da astronomia. É também um bom ano para passar a gostar de astronomia. Eu não disse saber, embora o saber venha pelo mesmo caminho. Eu disse “gostar”, olhar com gosto, com espanto, com curiosidade, para o mundo. (...)” - José Pacheco Pereira, “A lagartixa e o jacaré”, revista ´Sábado” nº 249, 05 de Fevereiro de 2009.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

ARCO 09 - Crise passou ao lado


Encerrou hoje, no Parque Ferial Juan Carlos I, em Madrid, a 28ª edição da ARCO - Feira de Arte Contemporânea.

A Feira decorreu entre os dias 11 e 16 de Fevereiro (13 a 16 para o público em geral), apresentando 238 galerias de 32 países de todo o mundo, além dos Solo Projects (participantes independentes) e diversas actividades de divulgação das artes: conferências, palestras, livrarias e revistas especializadas em arte contemporânea. Nestas últimas, incluía-se uma revista portuguesa, a "Artes&Leilões".

A Índia foi o país convidado, representada por 15 galerias. Das obras de artistas indianos, destacou-se o “Aquasaurus” de Jitish Kallat, um camião feito com ossos de dinossauro.

Portugal foi representado por 12 Galerias já conhecidas da organização, incluindo uma galeria de arte de Viseu, a António Henriques (Pavilhão 10, stand 10ª40-23) e uma galeria açoriana, a Fonseca Macedo. Este ano, devido ao mau momento económico internacional, a participação portuguesa recebeu um apoio do Ministério da Cultura, materializado num "seguro de risco”.

Realizada sob o signo da crise mundial, não se esperava muito desta Feira em matéria de vendas, mas os primeiros balanços, da organização e dos galeristas, apontam para uma repetição das vendas de 2008. Registou-se uma quebra nas compras das instituições, compensada pelos compradores privados – que apostaram em valores seguros. De resto, dada a imprevisibilidade das vendas, as galerias optaram por apresentar mais artistas consagrados. No que respeita a visitantes, mais de 250 mil pessoas passaram pelo portão do Parque Ferial Juan Carlos I.

Para a edição de 2010, foi já anunciado novo corte no número de expositores e uma alteração de monta, que visa reduzir custos: em vez de um país convidado, será uma cidade a merecer destaque. Para a 29ª edição, em 2010, foi escolhida a cidade de Los Angeles.

A próxima grande feira internacional será a TEFAF 2009 - Feira Mundial de Arte e Antiguidades de Maastricht, em Março.

Mais dados sobre a ARCO 09 em:
http://www.ifema.es/ferias/arco/in.html.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Inauguração da exposição "Luzes" - Fotografias de José Santos, em Viseu

Com uma boa moldura humana, José Santos apresentou-se como artista e mostrou os seus trabalhos fotográficos no Museu Grão Vasco, em Viseu, a meio da tarde do dia 14 de Fevereiro.

A inauguração contou com a presença de algumas individualidades e amigos do empresário, agora artista, que apreciaram com admiração a qualidade visual e consistência técnica das fotografias expostas, algumas delas de grande formato.
Também esteve presente uma equipa de reportagem da VTV - Viseu TV (ver "Agenda Cultural" de 19 de Fevereiro em www.viseu.tv).














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No folheto de apresentação da exposição, José Santos escreveu:

"Aceitar fazer uma exposição pela primeira vez, pode ser uma decisão muito difícil, porque aquilo que se faz e de que se gosta pode ser atraente para nós e repulsivo para outros olhos.

O entusiasmo de alguns amigos entre os quais: Maria Encarnação Almeida (Senhora São) do Posto de Turismo de Seia, Mário Jorge Branquinho e os pintores Helena Abreu, António Joaquim e Sérgio Reis, ajudaram a minha tomada de decisão.

Da boca do Dr. Alberto Correia, antigo Director do Museu Grão Vasco, sempre parco em comentários, ouvi palavras que me animaram´.

Por outro lado, e ainda, o facto de se virem a abrir vários espaços de exposição mais ajudaram a reduzir o receio do possível ridículo da minha decisão em expor.

O profissionalismo do pintor Sérgio Reis constituiu o refúgio necessário para evitar alguns erros que por mim poderiam ser mais facilmente cometidos.

É quase só dele a selecção de peças exposta, assim como os títulos a elas atribuídos.

De si que vai apreciar as peças expostas, espero que seja benevolente comigo e releve o meu atrevimento."

josesantos.seia@gmail.com

"Luzes" ocupa duas salas de exposição temporária do Museu Grão Vasco, em Viseu, e decorre até ao dia 21 de Março.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Dez Anos sem Maluda (1934-1999)

Este texto está redigido de acordo com as novas normas do Acordo Ortográfico

Telhados de Lisboa, 1996, serigrafia

Passam hoje (10 de fevereiro) dez anos sobre a morte de Maluda, a pintora apaixonada pelo espaço, geometria e cores da paisagem urbana, animadora de tertúlias, conhecida do grande público pelos belíssimos selos dos CTT reproduzindo obras suas.

Maluda (Maria de Lurdes Ribeiro), nasceu em Goa, antigo Estado Português da Índia, em 1934. “Vim do Oriente, onde nasce a luz; passei por África, onde aprendi a amar a vida; cheguei à Europa, onde estudei pintura na cidade das luzes; depois fixei-me em Lisboa. Gradualmente refiz o percurso labiríntico em direção à luz. Cada passo revela, à sua maneira, esse jogo de sombras e de luz que é a vida e a morte, a sabedoria e a ignorância. Eu pinto. É uma aventura que não troco por nenhuma outra.” (Maluda - Revista Galeria de Arte, nº 5, julho/agosto de 1996).

Em Lisboa, onde se fixou em 1967, Maluda chegou à síntese da paisagem – formas simplificadas, bem definidas e ritmadas, cores luminosas, fundos / espaços abertos. Em 1968, pinta os seus primeiros quadros sobre Lisboa. Dois anos depois, realizou a sua primeira exposição individual – na Galeria do Diário de Notícias, em Lisboa. No ano seguinte, instalou a sua casa-atelier na Rua das Praças, em Lisboa.
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Em 1974, pintou o retrato de Ana Zanatti (foto Homem Cardoso, "Gente" Nº 23, Abril de 1974)

Em 1986, pintou a obra “Portel”, provavelmente a sua melhor obra, eleita por José-Augusto França como um dos “100 Quadros Portugueses do Século XX”.

A partir de 1985, realizou alguns desenhos para selos dos CTT. A primeira série, “Quiosques portugueses” viria a receber um prémio mundial em 1987, nos EUA, num concurso em que participaram vinte países). Em 1989, o seu selo “Évora Património Mundial” recebeu em Périgaud (França) o prémio mundial para o melhor selo. A sua última exposição individual, em 1998, é precisamente sobre “Os selos de Maluda”, patrocinada pelos CTT.


“Quiosques portugueses”, 1985

Prémio de pintura da Academia Nacional de Belas Artes de Lisboa (1979). Prémio de artes plásticas Bordalo Pinheiro, atribuído pela Casa da Imprensa (1994).

São igualmente obras de sua autoria os logótipos do “Estoril Open” de ténis (1989) e do “Portugal Open” de golfe (1992), assim como o retrato do Professor Victor Crespo para a galeria de Presidentes da Assembleia da República (1997). Sobre a artista, escreveu Vieira da Silva: “Os quadros de Maluda são um hino, um louvor à vida, ou seja à construção do abrigo humano”. Mais dados sobre Maluda e a sua obra em http://maludablog.umnomundo.eu/

Ponte de Lima, 1978

Fontes (para além das que se encontram referidas no texto): "Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses", Vol. IV, Fernando de Pamplona; Correio da Manhã - revista CM, 1985; Jornal de Notícias 30/9/1987.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

OBRAS DE ARTE EM SEIA - 2

Este texto encontra-se redigido de acordo com as normas do novo Acordo Ortográfico
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Obras de Soares Branco em Seia
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Bustos do Dr. Guilherme Correia de Carvalho (1989) e do Dr. António Melo Sena M. Veiga (1996)
Monumento aos Bombeiros (Seia, 1997) e Monumento ao Pastor (São Romão, 1998)

A verdadeira História de Seia, em matéria de monumentos, não passava até há bem pouco tempo de um rol de incúria e maus tratos - com algumas exceções redentoras. Ainda hoje parca em estátuas, não deixa de ser curiosa a presença esmagadora de obras de Soares Branco na cidade de Seia: os bustos do Dr. Guilherme Correia de Carvalho (1989) e do Dr. António Melo Mota Veiga (1996), o monumento aos Bombeiros (1997) e ao Pastor (1998). E só não tem mais pois não chegou a realizar o busto do Dr. Manuel de Almeida Sousa, que a respetiva Comissão de Homenagem lhe tinha encomendado. Esse trabalho foi posteriormente concretizado por Henadzi Lazakovich, o escultor bielorrusso radicado em Seia, que seguiu as linhas de composição de Soares Branco, bem patentes numa comparação estrutural entre os bustos do Dr. Guilherme e de Manuel Sousa.

Em 1989, Seia homenageou o Dr. Joaquim Guilherme de Carvalho, que falecera em março de 1988, após doença prolongada. Conhecido como "o médico dos pobres", pela sua disponibilidade e bondade, "o verdadeiro médico de família" (J. Quelhas Bigotte, Monografia de Seia), deu nome à Escola EB 2,3 Nº1 de Seia em Junho de 2000.

Soares Branco completou o busto do Dr. Guilherme em maio de 1989. A figura (da cintura para cima, seguindo o conceito rigoroso de busto e não a conceção tradicional) tem uma estrutura triangular, a modelação dos volumes é pouco efusiva mas elegante e o conteúdo é sugestivo, destacando-se a serenidade da expressão e o relevo dado às mãos.

O busto do Dr. Guilherme foi tão apreciado que, sete anos mais tarde, Soares Branco foi chamado a realizar o busto do Dr. António Melo Sena Mota Veiga (1896-1988) - outro médico amigo do povo e falecido 21 dias após o Dr. Guilherme. Permitam-me sublinhar a evidência de Seia possuir, ontem e hoje, muito bons e dedicados médicos, havendo também a destacar o Dr. Simões Pereira e o Dr. António Maria de Senna, que teve a virtude acrescida de nascer em família humilde, e outros igualmente desaparecidos, como o pediatra Pessoa Mendes.

O busto do Dr. António Melo foi integrado no arranjo do espaço envolvente por ocasião das obras de ampliação do Hospital de Seia e a homenagem póstuma, no centenário do seu nascimento, foi o ponto alto das comemorações do feriado muncipal, a 3 de julho de 1996.
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Nos dois anos seguintes, foram inauguradas em Seia e São Romão duas obras de Domingos Soares Branco: o Monumento aos Bombeiros (1997) e o Monumento ao Pastor (1998). Enquanto Gouveia e Oliveira do Hospital já tinham, à data, as suas estátuas / monumentos ao pastor, o monumento aos bombeiros foi o primeiro da região, inaugurado com grande pompa no feriado municipal (3 de julho) pelo então Ministro da Administração Interna, Armando Vara, com a presença de várias delegações de bombeiros do distrito – que desfilaram com as bandeiras baixas e fitas pretas em sinal de protesto pelo conteúdo da reportagem televisiva “País em chamas”, transmitido pela RTP a 25 de junho. O Monumento ao Bombeiro em Oliveira do Hospital foi inaugurado em março de 2008 e é da autoria do escultor Luís Queimadela, que também concebeu o Monumento ao Empresário (2007).
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Soares Branco criou dois conjuntos escultóricos com várias peças interrelacionadas, destinados a pequenos espaços ajardinados. O Monumento aos Bombeiros Portugueses, junto ao quartel dos Voluntários de Seia, tem como elemento principal a figura em bronze de um bombeiro atacando o fogo - representado por outro elemento do conjunto. O Monumento ao Pastor ocupa uma rotunda na entrada da Vila de São Romão e é composto por três figuras (um pastor de capa e chapéu, um cão Serra da Estrela e uma ovelha) e foi inaugurado no dia 18 de julho de 1998, numa iniciativa conjunta da Câmara Municipal, Junta de Freguesia de São Romão e Rancho Folclórico “Os Pastores de São Romão”.

Soares Branco com Eduardo Brito, na inauguração do Monumento ao Pastor



Domingos de Castro Gentil Soares Branco nasceu em Lisboa em 1925.
Discípulo de Leopoldo de Almeida e Simões de Almeida, distinguiu-se na escultura e no desenho anatómico, de modelo ou estátua. Dedicou-se ainda à medalhística e lecionou na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa durante 43 anos.
Na escultura, Soares Branco desenvolveu um estilo próprio com diversas fases, sempre com base em elementos figurativos. Em 1951, obteve o 2º prémio Soares dos Reis, do Secretariado Nacional de Informação.
Entre as suas diversas obras de índole religiosa, militar, histórica, desportiva, destacam-se: monumento a Sá Carneiro, Lisboa; estátua de Pio XII, em Fátima; busto de Adelino Amaro da Costa (Assembleia da República); estátua de Santo António de Lisboa (Lisboa); monumento comemorativo da Escola Prática de Infantaria, monumento a Beatriz Costa e monumento ao Soldado Infante (Mafra); esculturas dedicadas à Tauromaquia em Alcochete e Santarém. É também o autor da águia do Benfica, em Lisboa.
A sua obra, composta por mais de 13.000 peças (incluindo estudos, maquetas e esboços), encontra-se dispersa por várias localidades do país e um pouco por todo o mundo (Angola, Alemanha, África do Sul, Arábia Saudita, Cabo Bojador, Canadá, EUA, Hawai, Itália, Japão, Macau, Marrocos, Moçambique e Suécia). Após a realização, em Mafra, de uma importante exposição retrospetiva da sua escultura religiosa (dezembro de 2006-março de 2007), Soares Branco doou grande parte do seu espólio à Câmara Municipal de Mafra, que criou um museu com o seu nome, situado no Complexo Cultural Quinta da Raposa. Em dezembro de 2008, por ocasião do 83º aniversário do Mestre escultor, foi editado um livro sobre a sua vida e obra, intitulado “Conhecer Domingos Soares Branco”. Ver em http://www.cm-mafra.pt/arquivo/noticia.asp?noticia=1142.
Fontes: Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses, vol. I; Jornal de Santa Marinha nº 81 (julho de 1996), nº 105 (julho de 1997) e nº 129; Porta da Estrela nº 435 (30 de Junho de 1996); “Conhecer Domingos Soares Branco” (C. M. Mafra, 2008).