sábado, 27 de setembro de 2014
Pintura Surrealista de Luiz Morgadinho no Museu Abel Manta - Gouveia
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Liberdade às Imagens e Palavras – pintura de Luiz Morgadinho na Casa da Cultura de Seia
sábado, 16 de março de 2013
Luiz Morgadinho na República Checa com o movimento surrealista internacional
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Surrealismo internacional em Conímbriga
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
DOIS ARTISTAS SENENSES NA "SURREALISM 2012", EM READING, EUA

Capa do catálogo da exposição
Oito artistas portugueses, entre os quais se contam dois artistas senenses, Luiz Morgadinho e Marta Peres, vão representar o surrealismo português numa grande exposição internacional nos EUA. A inaugurar a 6 de janeiro, a “Surrealism 2012” decorre até 19 de fevereiro de 2012 em Reading, uma das principais cidades do Estado da Pensilvânia, próxima de Filadélfia.
A exposição evoca o início do quinto ciclo solar no calendário Maia e é organizada por Joseph Jablonski, elemento ativo do Grupo Surrealista de Chicago. Este grupo foi fundado por Franklin e Penelope Rosemont no início dos anos 60, após uma viagem a Paris, onde contactaram com André Breton (1896-1966), o líder do grupo de intelectuais franceses que deu origem ao movimento surrealista nos anos 20 do século passado. A organização da mostra pretende dar ao público norte-americano da costa nordeste dos EUA, polarizada pela proximidade geográfica de cidades como Nova Iorque, Filadélfia e Baltimore, uma visão abrangente do movimento surrealista internacional desde os anos 60 do século XX à atualidade (1). Para tal, contou com a colaboração do movimento surrealista norte-americano e de grupos surrealistas internacionais, entre os quais a Secção do Cabo Mondego do Grupo Surrealista Português, o grupo holandês CAPA, o francês Mordysabbath (de Thomas Mordant e Ody Sabon), ou o britânico SLAG (Surrealist London Action Group).
Instalada no grandioso e moderno espaço do complexo cultural GoggleWorks, a exposição reúne 248 obras de artistas surrealistas oriundos de 23 países, com uma expressiva representação europeia (Bélgica, Espanha, França, Grã-Bretanha, Holanda, Irlanda, Noruega, Portugal, República Checa, Sérvia, Suécia) e a participação de artistas iraquianos, japoneses e indonésios. As representações mais numerosas são, naturalmente, a norte-americana e a canadiana, assinalando-se a presença de vários países da América Latina: Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, Cuba, México e Porto Rico.
Os artistas que representam Portugal, à exceção de Cruzeiro Seixas, têm todos ligações à Secção do Cabo Mondego do Grupo Surrealista Português: João Rasteiro (poeta), Luiz Morgadinho (pintor), Marta Peres (pintora), Miguel de Carvalho (poeta e colagista), Pedro Prata (pintor), Rik Lina (pintor e poeta) e Seixas Peixoto (pintor). Rik Lina é um holandês radicado em Portugal que também colabora com o grupo CAPA (Collective Automatic Painting Amsterdam) de que foi um dos fundadores.

Luiz Morgadinho, “A Marcha dos Homens de Pensamento Empalhado”/“The hay march of the intellectuals”, óleo s/tela - obra exposta em Reading, EUA.
Os artistas participam com trabalhos individuais e obras coletivas de desenho, pintura, colagem, aguarela, fotografia, gravura e escultura, seguindo a estética do surrealismo. As linhas orientadoras da estética surrealista, foram estabelecidas por André Breton em 1924, com a publicação do primeiro manifesto surrealista, e explicitadas em 1929, no segundo manifesto. O Surrealismo é um movimento literário e artístico de origem francesa, hoje difundido a nível mundial. Reconhecendo a internacionalização do movimento, Breton publicou em 1942 uma espécie de terceiro manifesto, mas o surrealismo bretoniano foi progressivamente enriquecido e fortalecido com contributos estéticos das culturas dos diversos países onde se desenvolveu, tendo sobrevivido a diversas cisões e regenerações – o que também aconteceu em Portugal em 1948 (cisão do Grupo Surrealista de Lisboa).
A ligação dos surrealistas portugueses ao grupo surrealista de Chicago teve início nos anos 70, por intermédio de Mário Cesariny e posteriormente através de Cruzeiro Seixas, Raul Perez e Mário Botas. No grande encontro de surrealistas realizado em Chicago em 1976, denominado "Marvelous Freedom/Vigilance of Desire", a secção portuguesa foi fortemente representada e aplaudida pela elevada qualidade poética dos seus trabalhos. Em 2005, por intermédio de Mário Cesariny, Miguel de Carvalho estabelece contactos com o Grupo de Chicago. Três anos depois, convida os surrealistas de Chicago a participarem numa das maiores exposições internacionais de surrealismo realizadas nos últimos anos na Europa, "O Reverso do Olhar", que teve lugar em Coimbra em 2008, depois apresentada na Amadora (“A Voz dos Espelhos”), ainda em 2008, e em Lagoa (“Iluminações Descontínuas”) já em 2009. A participação portuguesa na mostra de Reading vem, sobretudo, na continuidade dessas exposições (2) e da presença dos surrealistas portugueses na mostra internacional “El Umbral Secreto, 2009-2010”, em Santiago do Chile – graças à ligação de Rik Lina e de Miguel Carvalho ao grupo chileno do movimento PHASES.
Luiz Morgadinho nasceu em Coimbra em 1964. Reside em Santa Comba de Seia. Pintor autodidata, de inspiração surrealista, regista no seu currículo diversas exposições coletivas e individuais em Portugal e no estrangeiro. Em 2010, recebeu o Prémio Município de Oliveira do Hospital, na AGIRARTE 13 e Menções Honrosas em Lisboa (1996), Torres Novas (1997) e Nisa (2000). Foi homenageado em 2009 na ARTIS VIII – Festa das Artes e Ideias de Seia. Participa atualmente (até 29 de fevereiro) numa exposição de surrealistas em Lisboa, na Leya/Barata.
Marta Peres nasceu em Coimbra em 1989. Reside em Seia. Iniciou a sua atividade artística em 2007, na área do surrealismo, tendo participado em algumas exposições coletivas, com destaque para o ARTIS – X Festival de Artes Plásticas de Seia. Realizou a primeira exposição individual em 2010. É o membro mais recente da Secção do Cabo Mondego do Grupo Surrealista Português.

segunda-feira, 26 de abril de 2010
O INFINITO SEGREDO DE CRUZEIRO SEIXAS NA GUARDA
Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas nasceu na Amadora em 1920. Frequentou a Escola de Artes Decorativas António Arroio mas é o convívio com outros artistas (Marcelino Vespeira, Mário Cesariny, Fernando de Azevedo, etc.) que o leva ao neo-realismo, em meados dos anos 40, e logo depois ao Surrealismo. No final da década, integra o grupo “Os Surrealistas” (Mário Cesariny, Mário-Henrique Leiria, Pedro Oom, Eurico da Costa, Carlos Calvet, António Maria Lisboa, Fernando José Francisco, Risques Pereira e Fernando Alves dos Santos) e participou na sua primeira exposição colectiva, em 1949.
No início da década de 50, viajou pelo mundo ao serviço da marinha mercante. Acabou por fixar-se em Angola, onde iniciou a sua produção poética e realizou a sua primeira exposição individual, em 1953. Regressou ao continente em 1964.
Ao longo dos anos 60, expôs individualmente em diversas galerias, participou em importantes exposições surrealistas internacionais e contactou com surrealistas europeus. Trabalhou como programador para várias galerias mesmo após se mudar para o Algarve, nos anos 80. Foi programador da Galeria São Mamede até 1974, promovendo artistas como Vieira da Silva, Paula Rego, Mário Botas, Raúl Perez, António Areal, Mário Botas, Carlos Calvet, Mário Cesariny ou Júlio (Reis Pereira.
A partir de 1990 rejeitou a pintura sobre tela, optando pelo suporte de papel.
Em 1999, doa a sua colecção pessoal à Fundação Cupertino de Miranda com vista à criação do Museu do Surrealismo em Vila Nova de Famalicão.
Em 2001, a Galeria Sacramento, de Aveiro, e a Fundação Eugenio Granell, em Santiago de Compostela, organizaram importantes mostras da sua obra.
Aos 90 anos, o pintor e poeta continua activo.
Texto de Rocha de Sousa sobre Cruzeiro Seixas.
"Poema", de Cruzeiro Seixas











