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sábado, 27 de setembro de 2014

Pintura Surrealista de Luiz Morgadinho no Museu Abel Manta - Gouveia

Luiz Morgadinho

Foi hoje inaugurada a exposição de Pintura de Luiz Morgadinho, no espaço que o Museu Municipal de Arte Moderna Abel Manta reserva às exposições temporárias. Sem maiores formalidades, a ocasião reuniu um vasto grupo de amigos do artista, muitos deles também artistas, algum público local e contou com a presença do Presidente da Câmara, Luís Tadeu Marques, e esposa, do Presidente da Junta de Freguesia de Gouveia, João Amaro, e da Diretora do Museu Abel Manta.

A exposição reúne obras de pintura a acrílico sobre tela e técnica mista (pintura e colagem) produzidas desde 2011. As obras mais recentes, de 2014, demonstram o elevado grau de exigência técnica do artista, como na tela “Núpcias” (um forte comentário visual aos costumes populares), com a novidade das colagens – recortes de fotos combinadas com a pintura, uma ligação que resulta em formas bem trabalhadas, sendo necessária uma observação atenta para perceber onde acaba a fotografia e começa a pintura, e vice-versa. Destaca-se ainda a série “Tudo vê”, um conjunto de acrílicos s/tela de pequeno formato explorando o conceito de “big brother” (difundido por George Orwell no último romance que escreveu, “1984”, em 1949) com amplas conotações, sociais, políticas e religiosas que remetem para este nosso tempo de liberdades aparentes, irreverências controladas, felicidade pré-fabricada.

Como se sabe, não existe apenas um surrealismo, cada artista propõe e explora a sua ideia de surrealismo. A ideia surrealista, mais que um conceito, é um sinónimo de liberdade. O surrealismo moderno de Luiz Morgadinho combina o realismo (e mesmo o hiper-realismo) com grafismos populares e caricaturas, muitas vezes em ambientes oníricos ou exóticos, combinando a pintura clássica com o cartoon para elaborar mensagens de caráter social e político, inspiradas e inspiradoras.

De resto, mantenho o que escrevi em 2009 sobre a pintura de Morgadinho, um texto reproduzido parcialmente na promoção que a Câmara Municipal de Gouveia faz à exposição na sua página oficial:

Luiz Morgadinho, na sua obra criativa, utiliza técnicas de pintura convencionais para nos mostrar mais caminhos de comunicação, alargar as janelas e corredores do gosto artístico tradicional, ao mesmo tempo que desafia o acomodado entendimento da realidade. Servindo-se de um dos métodos preferidos dos surrealistas, o ilusionismo fotográfico, e guiado pelo princípio da imaginação como motor da criação, constrói malabarismos filosóficos para desmascarar as incongruências do nosso tempo.” 

A exposição decorre até 26 de outubro 2014.


Vista parcial da exposição.

Vista parcial da esxposição.


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Liberdade às Imagens e Palavras – pintura de Luiz Morgadinho na Casa da Cultura de Seia

Luiz Morgadinho, “Reformados de Portugal”, 2011, acrílico s/tela. ©LM

Decorre até final de outubro, nas galerias da Casa da Cultura, a primeira exposição individual de Luiz Morgadinho em Seia. Intitulada “Liberdade às Imagens e Palavras”, a exposição reune 41 obras realizadas nos últimos anos, entre as quais duas séries de 7 pequenos quadros,“Tudo vê” e “Aldeia”, de 2013. Para além de uma linguagem plástica própria, deliberadamente fixada na área do “naïf”, o traço comum destas obras é o seu poder narrativo visual, irreverente e trocista, aliando uma estrutura comunicativa muito próxima do "cartoon" ao delírio imagético e culto do bizarro - hoje entendido como “surrealismo”.

Fundado há cerca de 90 anos em França por André Breton, o Surrealismo apresentava-se então como “Automatismo psíquico puro, pelo qual se pretende exprimir, quer verbalmente, quer pela escrita, ou por qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento (…) na  ausência do controle  exercido pela razão, sem qualquer preocupação  estética ou moral”. As novas propostas de apreensão da realidade (1), a irreverência e liberdade criativa defendidas pelo movimento, em parte herdadas da revolução dadaísta, agrada sobretudo aos jovens artistas, o que ajudou à difusão internacional do movimento. No entanto, as obras estranhas dos surrealistas e a personalidade complexa dos principais ideólogos e artistas do movimento, transformaram o termo “surrealismo” em sinónimo de estranho, bizarro, absurdo. Em muitos países, os ideais ortodoxos do Surrealismo adaptaram-se às realidades locais e Portugal não foi exceção. Alguns artistas sobreviventes do Grupo  Surrealista de Lisboa, de Os Surrealistas e dos grupos do Café Gelo e do Café Royal, mantiveram aceso o culto do surrealismo original mas o surrealismo tem recebido, na última  década, um forte impulso renovador de artistas naturais e residentes na região centro. Com boas  relações com outros grupos surrealistas, sobretudo americanos e europeus, alguns destes artistas agruparam-se e viajam atualmente nas carruagens da frente do surrealismo internacional, expondo em diversos países da Europa e Américas ao lado dos seus congéneres locais.

Luiz Morgadinho é um desses artistas, um pintor de inspiração surrealista, ou, como ele próprio prefere dizer, um "operário plástico do naife e do bizarro". Em 2012, participou na exposição coletiva internacional “Surrealism in 2012”, realizada em Reading, EUA, com trabalhos individuais e obras coletivas executadas em parceria com elementos da Secção  surrealista do Mondego. Em 2013, participou na exposição coletiva itinerante “Somos todos criados pelo amor”, que levou obras surrealistas a  várias cidades da República Checa.

Natural de Coimbra (1964), Morgadinho reside em Santa Comba de Seia e dirige a Associação de Arte e Imagem de Seia. Em 2009, foi homenageado na ARTIS VIII - Festa das Artes e Ideias de Seia e recebeu em 2010 o Prémio Município de Oliveira do Hospital no âmbito do AGIRARTE 13, pela obra "No País dos Lambe Botas”. Este  título ilustra adequadamente o posicionamento crítico do artista relativamente ao seu tempo, como salienta Miguel de Carvalho: “Morgadinho é um desses arcanjos, um poeta da imagem que se aproxima subtilmente da crítica social e política, questionando a pertinência e a capacidade simbólica da vida tradicional, desfigurando profundamente os seus clichés e as suas convenções” (2).

Depois da exposição individual de pintura em Oliveira do Hospital, “Ontogénese do Quotidiano” e da exposição individual itinerante “Ad Instar… à semelhança de…”, que esteve patente em Trancoso e na Guarda, Luiz Morgadinho realiza finalmente uma grande exposição individual em Seia.


Notas:
(1)-Mais do que um movimento artístico, o surrealismo é uma maneira de ver, sentir e pensar o mundo. A experiência surrealista privilegia a imaginação, tentando por diversos meios superar a contradição entre objetividade e subjetividade, conciliar sonho e realidade numa sobre-realidade, a “surrealidade” (“surrealité”). Ou, nas palavras de Mário Cesariny, evocando o Primeiro Manifesto: "E para a idéia da Totalidade duma Vida Única nós acreditamos na conjugação futura desses dois estados, na aparência tão contraditórios, que são o Sonho e a Realidade. Acreditamos numa Realidade Absoluta, numa SURREALIDADE, se é lícito dizer-se assim." (“A Afixação Proibida”, Mario Cesariny de Vasconcelos)
(2)-Miguel de Carvalho, texto de apresentação da exposição.

Luiz Morgadinho, “Tudo vê – I”, 2013, acrílico s/cartão telado. ©LM

Luiz Morgadinho, “Civilização”, 2012, acrílico s/tela. ©LM

Luiz Morgadinho, “Olhando o futuro”, 2012, acrílico s/tela. ©LM

sábado, 16 de março de 2013

Luiz Morgadinho na República Checa com o movimento surrealista internacional


Morgadinho mostrará na República Checa 4 trabalhos a preto e branco da série “Na Aldeia”. 

Desde a primeira Exposição Internacional Surrealista (Londres, 1936), o Surrealismo impôs-se progressivamente como um importante movimento internacional. Em Portugal, a primeira exposição data de 1949 (1ª Exposição do Grupo Surrealista de Lisboa – a primeira e única do grupo) mas as coletivas surrealistas têm recebido, nos últimos anos, um forte impulso de artistas naturais ou residentes na região centro. Com boas relações com outros grupos surrealistas, sobretudo americanos e europeus, alguns destes artistas viajam atualmente nas carruagens da frente do surrealismo internacional, expondo em diversos países da Europa e Américas ao lado dos seus congéneres locais.

Um desses artistas é Luiz Morgadinho, natural de Coimbra (1964) e residente em Seia. Depois da exposição individual de pintura em Oliveira do Hospital, “Ontogénese do Quotidiano” (Casa da Cultura do Dr. César de Oliveira, fevereiro 2013), participa em março na coletiva “Surrealizar o Sonho”, em Vizela, e na exposição internacional do surrealismo que irá percorrer importantes cidades da República Checa ainda em 2013. Uma agenda cheia – e “em cheio” – que dá bem a ideia da importância da obra de Morgadinho no contexto do surrealismo atual.

Surrealizar o Sonho

Hoje, dia 16 de março, pelas 16 horas, abre nas Termas de Vizela a exposição coletiva “Surrealizar o Sonho”, reunindo obras de Adias Machado, Alberto D’Assumpção, Alua Pólen, André Ribeiro, António Porto, Arnaldo Macedo, Carlos Godinho, Dina de Souza, Kim Molinero, Luís Fernando Graça, Luiz Morgadinho, Marco Santos, Pedro Prata, Sílvia Marieta, Susana Bravo e Vítor Zapa. Promovida pela Fundação Jorge Antunes com o apoio da Câmara Municipal  de Vizela, a exposição decorre até 12 de abril.

Exposição Internacional do Surrealismo na República Checa

Os artistas surrealistas portugueses Cruzeiro Seixas, João Rasteiro, Luiz Morgadinho, Miguel de Carvalho e Pedro Prata integram o grupo internacional de surrealistas que irá mostrar as suas obras em várias cidades da República Checa, com destaque para Praga, Brno (capital da região da Moravia), Jihlava (capital da região de Vysočina), Ostrava (a terceira maior cidade da R. Checa), Třebíč (a terceira cidade da Moravia), e também em Prostějov, Žďár nad Sázavou, Rajhrad e Mohelno, uma pequena cidade próxima de Třebíč.

Sob o lema “Somos todos criados pelo amor”, a exposição é inaugurada em Praga no dia 8 de abril, na Galeria de Arte AzeReT (Tereza ao contrário) da bailarina e atriz checa Tereza Pokorná Herz, e fica pela capital da República Checa até 30 de abril.



terça-feira, 14 de agosto de 2012

Surrealismo internacional em Conímbriga


Durante o mês de setembro, o surrealismo vai conviver com a arqueologia no Museu Monográfico de Conímbriga, o que não deixa de ser uma situação… surrealista. Claro que muito boa gente, entre os quais um punhado de “entendidos”, remete frequentemente o surrealismo para a arqueologia do modernismo e faz tudo para o manter por lá. No entanto, o surrealismo mantém-se vivo e atuante um pouco por todo o mundo, a partir de grupos de artistas que seguem os ideais estabelecidos e difundidos por André Breton nos anos 20 e 30 do século XX (1). Esses grupos promovem com regularidade grandes exposições internacionais (2), sublinhando a universalidade e atualidade do movimento, inclusive em Portugal (3). Nos últimos anos, Coimbra tem sido palco de importantes exposições surrealistas internacionais, promovidas e organizadas por Miguel de Carvalho/Secção do Cabo Mondego do Grupo Surrealista Português e pelo pintor surrealista Santiago Ribeiro, promotor e comissário desta exposição – no seguimento da primeira “Surrealism Now”, que organizou em 2010 (maio/junho) na Casa Museu Bissaya Barreto e Convento de Santa Ana. Em 2011, Santiago Ribeiro organizou em Coimbra a exposição "Surrealismo Português e Argentino" no Recordatório da Rainha Santa Isabel (Coimbra, setembro/outubro) e, em 2012, participou na organização de importantes mostras europeias de surrealismo, como as "Surrealism Russian-Iberico in Madrid" (2012) e “Héritages Surréalistes” (Paris, 2012).

São 25 (apenas 24 referidos no cartaz) os artistas representados, com uma ou duas obras, oriundos de 15 países: Azerbeijão (Mehriban Efendi); Canadá (Daniel Hanequand); EUA (Magi Calhoun, Keith Wigdor, Shahla Rosa e Steve Smith); Espanha (Naiker Roman); Filipinas (Gromyko Semper);  França (Hugues Gillet e Liba WS); Holanda (Majisme Majo e Ton Haring); Indonésia (Sio Shisio), México (Hector Pineda); Polónia (Maciej Hoffman); Portugal (Francisco Urbano, Paula Rosa, Rui Silvares, Santiago Ribeiro e Victor Lages), Reino Unido (Brigid Marlin), Roménia (Dan Neamu); Rússia (Yuri Tsetaev e Maria Aristova); Vietname (Vu Huyen Thuong).

Integrada nas comemorações dos 50 anos do segundo museu mais visitado de Portugal, a mostra estará patente de 01 a 30 de setembro.

Notas:
(1)- Já agora, aproveito para destacar um interessante site sobre os anos 20, “Anos Loucos”, da autoria de “Cris Valmont”, onde não poderia faltar o Surrealismo. 
(2)- As primeiras grandes exposições internacionais realizaram-se nos anos 30: “International Surrealist Exhibition” (New Burlington Galleries, Londres, junho/julho 1936);  “Fantastic Art, Dada and Surrealism” (Museum of Modern Art, Nova Iorque, 1936); Exposition Internationale du Surréalism” (Galérie Beaux-Arts, Paris, janeiro e fevereiro de 1938).
(3)- Entre as mais recentes: Ciclo de exposições Phases em Portugal, em Castelo Branco (1977), Coimbra (Museu Machado de Castro, 1978), Estoril e Lisboa (1979), coorganizado por Cruzeiro Seixas e Edouard Jaguer, do movimento internacional Phases; Surrealismo e Pintura Fantástica  (Teatro Ibérico, Lisboa, 1984) com organização de Mário Cesariny e Carlos Martins; “Reverso do Olhar - exposição internacional de surrealismo atual” (Edifício do Chiado e Casa da Cultura de Coimbra, maio e junho 2008), organizadas por Miguel de Carvalho. “International Exhibition Surrealism Now” (Casa Museu Bissaya Barreto e Convento de Santa Ana, 2010), idealizada e coordenada por Santiago Ribeiro.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

DOIS ARTISTAS SENENSES NA "SURREALISM 2012", EM READING, EUA

Capa do catálogo da exposição

Oito artistas portugueses, entre os quais se contam dois artistas senenses, Luiz Morgadinho e Marta Peres, vão representar o surrealismo português numa grande exposição internacional nos EUA. A inaugurar a 6 de janeiro, a “Surrealism 2012” decorre até 19 de fevereiro de 2012 em Reading, uma das principais cidades do Estado da Pensilvânia, próxima de Filadélfia.

A exposição evoca o início do quinto ciclo solar no calendário Maia e é organizada por Joseph Jablonski, elemento ativo do Grupo Surrealista de Chicago. Este grupo foi fundado por Franklin e Penelope Rosemont no início dos anos 60, após uma viagem a Paris, onde contactaram com André Breton (1896-1966), o líder do grupo de intelectuais franceses que deu origem ao movimento surrealista nos anos 20 do século passado. A organização da mostra pretende dar ao público norte-americano da costa nordeste dos EUA, polarizada pela proximidade geográfica de cidades como Nova Iorque, Filadélfia e Baltimore, uma visão abrangente do movimento surrealista internacional desde os anos 60 do século XX à atualidade (1). Para tal, contou com a colaboração do movimento surrealista norte-americano e de grupos surrealistas internacionais, entre os quais a Secção do Cabo Mondego do Grupo Surrealista Português, o grupo holandês CAPA, o francês Mordysabbath (de Thomas Mordant e Ody Sabon), ou o britânico SLAG (Surrealist London Action Group).

Instalada no grandioso e moderno espaço do complexo cultural GoggleWorks, a exposição reúne 248 obras de artistas surrealistas oriundos de 23 países, com uma expressiva representação europeia (Bélgica, Espanha, França, Grã-Bretanha, Holanda, Irlanda, Noruega, Portugal, República Checa, Sérvia, Suécia) e a participação de artistas iraquianos, japoneses e indonésios. As representações mais numerosas são, naturalmente, a norte-americana e a canadiana, assinalando-se a presença de vários países da América Latina: Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, Cuba, México e Porto Rico.

Os artistas que representam Portugal, à exceção de Cruzeiro Seixas, têm todos ligações à Secção do Cabo Mondego do Grupo Surrealista Português: João Rasteiro (poeta), Luiz Morgadinho (pintor), Marta Peres (pintora), Miguel de Carvalho (poeta e colagista), Pedro Prata (pintor), Rik Lina (pintor e poeta) e Seixas Peixoto (pintor). Rik Lina é um holandês radicado em Portugal que também colabora com o grupo CAPA (Collective Automatic Painting Amsterdam) de que foi um dos fundadores.

Luiz Morgadinho, “A Marcha dos Homens de Pensamento Empalhado”/“The hay march of the intellectuals”, óleo s/tela - obra exposta em Reading, EUA.

Os artistas participam com trabalhos individuais e obras coletivas de desenho, pintura, colagem, aguarela, fotografia, gravura e escultura, seguindo a estética do surrealismo. As linhas orientadoras da estética surrealista, foram estabelecidas por André Breton em 1924, com a publicação do primeiro manifesto surrealista, e explicitadas em 1929, no segundo manifesto. O Surrealismo é um movimento literário e artístico de origem francesa, hoje difundido a nível mundial. Reconhecendo a internacionalização do movimento, Breton publicou em 1942 uma espécie de terceiro manifesto, mas o surrealismo bretoniano foi progressivamente enriquecido e fortalecido com contributos estéticos das culturas dos diversos países onde se desenvolveu, tendo sobrevivido a diversas cisões e regenerações – o que também aconteceu em Portugal em 1948 (cisão do Grupo Surrealista de Lisboa).

A ligação dos surrealistas portugueses ao grupo surrealista de Chicago teve início nos anos 70, por intermédio de Mário Cesariny e posteriormente através de Cruzeiro Seixas, Raul Perez e Mário Botas. No grande encontro de surrealistas realizado em Chicago em 1976, denominado "Marvelous Freedom/Vigilance of Desire", a secção portuguesa foi fortemente representada e aplaudida pela elevada qualidade poética dos seus trabalhos. Em 2005, por intermédio de Mário Cesariny, Miguel de Carvalho estabelece contactos com o Grupo de Chicago. Três anos depois, convida os surrealistas de Chicago a participarem numa das maiores exposições internacionais de surrealismo realizadas nos últimos anos na Europa, "O Reverso do Olhar", que teve lugar em Coimbra em 2008, depois apresentada na Amadora (“A Voz dos Espelhos”), ainda em 2008, e em Lagoa (“Iluminações Descontínuas”) já em 2009. A participação portuguesa na mostra de Reading vem, sobretudo, na continuidade dessas exposições (2) e da presença dos surrealistas portugueses na mostra internacional “El Umbral Secreto, 2009-2010”, em Santiago do Chile – graças à ligação de Rik Lina e de Miguel Carvalho ao grupo chileno do movimento PHASES.

Luiz Morgadinho nasceu em Coimbra em 1964. Reside em Santa Comba de Seia. Pintor autodidata, de inspiração surrealista, regista no seu currículo diversas exposições coletivas e individuais em Portugal e no estrangeiro. Em 2010, recebeu o Prémio Município de Oliveira do Hospital, na AGIRARTE 13 e Menções Honrosas em Lisboa (1996), Torres Novas (1997) e Nisa (2000). Foi homenageado em 2009 na ARTIS VIII – Festa das Artes e Ideias de Seia. Participa atualmente (até 29 de fevereiro) numa exposição de surrealistas em Lisboa, na Leya/Barata.

Marta Peres nasceu em Coimbra em 1989. Reside em Seia. Iniciou a sua atividade artística em 2007, na área do surrealismo, tendo participado em algumas exposições coletivas, com destaque para o ARTIS – X Festival de Artes Plásticas de Seia. Realizou a primeira exposição individual em 2010. É o membro mais recente da Secção do Cabo Mondego do Grupo Surrealista Português.

Entrada do GoggleWorks, em Reading

(1) - Segundo o texto de apresentação da exposição no site oficial.
(2) - "Reverso do Olhar" (no Museu da Cidade de Coimbra, Edifício Chiado, e na Galeria Pinho Diniz, Casa Municipal da Cultura de Coimbra, 03 de maio a 28 de junho 2008), "A Voz dos Espelhos" (Galeria Artur Bual, Amadora, de 6 de setembro a 19 de outubro de 2008) e "Iluminações Descontínuas" (Convento de S. José, Lagoa, 17 de janeiro a 28 de fevereiro de 2009).

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O INFINITO SEGREDO DE CRUZEIRO SEIXAS NA GUARDA

“O Infinito Segredo” - Exposição de Cruzeiro Seixas, Teatro Municipal da Guarda, de 27 de Março a 16 de Maio 2010
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O pintor, cenógrafo e poeta Cruzeiro Seixas, uma das figuras incontornáveis do Surrealismo português, expõe na galeria do Teatro Municipal da Guarda, até 16 de Maio, um conjunto de obras intitulado “O Infinito Segredo”.


Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas nasceu na Amadora em 1920.

Frequentou a Escola de Artes Decorativas António Arroio mas é o convívio com outros artistas (Marcelino Vespeira, Mário Cesariny, Fernando de Azevedo, etc.) que o leva ao neo-realismo, em meados dos anos 40, e logo depois ao Surrealismo. No final da década, integra o grupo “Os Surrealistas” (Mário Cesariny, Mário-Henrique Leiria, Pedro Oom, Eurico da Costa, Carlos Calvet, António Maria Lisboa, Fernando José Francisco, Risques Pereira e Fernando Alves dos Santos) e participou na sua primeira exposição colectiva, em 1949.

No início da década de 50, viajou pelo mundo ao serviço da marinha mercante. Acabou por fixar-se em Angola, onde iniciou a sua produção poética e realizou a sua primeira exposição individual, em 1953. Regressou ao continente em 1964.

Ao longo dos anos 60, expôs individualmente em diversas galerias, participou em importantes exposições surrealistas internacionais e contactou com surrealistas europeus. Trabalhou como programador para várias galerias mesmo após se mudar para o Algarve, nos anos 80. Foi programador da Galeria São Mamede até 1974, promovendo artistas como Vieira da Silva, Paula Rego, Mário Botas, Raúl Perez, António Areal, Mário Botas, Carlos Calvet, Mário Cesariny ou Júlio (Reis Pereira.

A partir de 1990 rejeitou a pintura sobre tela, optando pelo suporte de papel.

Em 1999, doa a sua colecção pessoal à Fundação Cupertino de Miranda com vista à criação do Museu do Surrealismo em Vila Nova de Famalicão.

Em 2001, a Galeria Sacramento, de Aveiro, e a Fundação Eugenio Granell, em Santiago de Compostela, organizaram importantes mostras da sua obra.


Aos 90 anos, o pintor e poeta continua activo.

Texto de Rocha de Sousa sobre Cruzeiro Seixas.
"Poema", de Cruzeiro Seixas