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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

OBRAS DE ARTE EM SEIA - 3

OBRAS DE ERNÂNI OLIVEIRA EM SEIA
Painel de azulejos do Posto de Turismo de Seia
Serigrafia sobre Seia


Aproveitando o momento das obras de transformação do Solar de Santa Rita em Museu do Brinquedo, a Câmara Municipal construiu um pequeno edifício térreo, ao fundo desse espaço, para acolher o Posto de Turismo de Seia – que funcionava então num pequeno espaço do Mercado Municipal.

A obra, executada pela própria autarquia com apoio financeiro do programa comunitário Leader, através da ADRUSE, incluía uma sala de exposições – cujo objectivo era oferecer aos artesãos senenses um espaço nobre de exposição dos seus produtos – e a colocação, no exterior, de um painel de azulejos reproduzindo uma obra de Ernâni Oliveira, executado por Hernâni Cardoso. O novo Posto de Turismo foi inaugurado a 31 de Outubro de 2000.
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O painel inventaria sumariamente alguns locais de interesse turístico do concelho, (como a Cabeça da Velha, o centro histórico de Seia, a Serra da Estrela, a capela de São Pedro e a Igreja da Misericórdia), algumas actividades económicas típicas da região (pastorícia, produção de queijo da Serra e têxteis), sem esquecer a campânula (campânula herminii), planta característica da Estrela.

O painel regista alguns pequenos defeitos, fruto da precipitação na aplicação dos azulejos devido à apressada conclusão da obra.

A Câmara Municipal editara anos antes uma serigrafia de Ernâni Oliveira, que foi reproduzida num desdobrável promocional do concelho, em 1998.
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.Ernani Oliveira nasceu em Lisboa a 27 de Dezembro de 1936.
Licenciado em artes Plásticas, pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Foi bolseiro da Academia das Belas Artes de Lisboa em Paris.
Leccionou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, durante seis anos, e na Escola de Artes António Arroio, até 1998.
Participou em inúmeras exposições colectivas e individuais de pintura, em Portugal e no estrangeiro. Trabalha regularmente com as Galerias de Arte «A Grade» em Aveiro, «DITEC» e «Nova Imagem» em Lisboa.Autor de vários projectos de grandes dimensões, com destaque para os vitrais da Cadeia Civil do Porto, com 60 metros quadrados, e a pintura do Salão Nobre da Câmara Municipal de Tondela, com as dimensões de 2 por 6,5 metros. Realizou ainda vários painéis decorativos, entre os quais um painel alusivo aos Descobrimentos, para a EXPO/98, e o painel para o Posto de Turismo de Seia.
O artista tem editado serigrafias com regularidade e desenvolve igualmente a actividade de designer de comunicação em jornais diários, semanários e agências de publicidade.
Recebeu por duas vezes o Prémio Júlio Mardel, da Academia das Belas Artes de Lisboa.
Fontes:
Jornal de Santa Marinha nº 179, 01/11/2000 e JSM nº 206; desdobrável turístico “Seia – Porta aberta para a Serra da Estrela”, 1998.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

HELENA ABREU

Há dias, a propósito do centenário do nascimento de Tavares Correia, afirmei logo no início que “Tavares Correia e Helena Abreu são, sem qualquer dúvida, os mais importantes artistas senenses de sempre.” Natural de Santa Eulália, onde nasceu em 1924, Helena Abreu é de facto uma artista que engrandece o nome de Seia no exterior, sendo de longe a mais consagrada artista senense de sempre. O nome e alguma obra da artista são hoje conhecidos pelos senenses, sobretudo aqueles que melhor tratam os assuntos da sua terra.

Não era assim em 1993, quando o jornal Porta da Estrela (então dirigido por António Brito) publicou a 10 de Julho de 1993 um artigo de minha autoria intitulado - “Helena Abreu – uma artista de renome internacional natural de Santa Eulália”, que surpreendeu quase toda a gente. A artista tomou conhecimento do artigo e dirigiu-me uma carta muito amável, da qual transcrevo o seguinte:

“…estando eu há longos anos afastada da minha terra, não imaginava que nela fosse lembrada com palavras tão elogiosas e sentidas! Vivi em Santa Eulália e em S. Tiago até aos 11 anos; sobretudo de S. Tiago recordo com profunda saudade os cantinhos onde brinquei, a Escola onde meus pais foram professores e as amigas que tive, muitas já desaparecidas.”

Helena Abreu e Almeida Santos na sua exposição em Seia - 03/07/2001(JSM 16/07/01)
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Com vida familiar e profissional estabelecida no Porto desde 1935, os esparsos contactos com familiares (a artista é prima do Dr. Almeida Santos) e amigos de infância não foram suficientes para revelar localmente a artista que já era reconhecida além fronteiras. Não constava do exaustivo inventário de J. Quelhas Bigotte (“Escritores e Artistas Senenses”, Seia, 1986), muito menos da sua “Monografia da Cidade e Conselho de Seia” e nem aqueles que haviam estudado pelos seus livros, no Liceu, alguma vez sonharam que a desembaraçada autora de tão expressivas ilustrações e rigorosas composições geométricas era sua conterrânea, e muito menos sonhavam que seria uma das mais importantes artistas portuguesas, como ficou provado na exposição retrospectiva que realizou em 2004 na Câmara Municipal de Matosinhos. Também eu segui – no antigo Liceu de Santa Maria da Feira – os preceitos desses manuais, apreciando sobretudo as linhas fluidas e elegantes dos desenhos de Helena Abreu, que são aliás a base distintiva das suas obras. Folheando esses livros, verdadeiros manuais práticos de desenho e utilização da cor, percebe-se bem por que foram livros únicos durante 15 anos.



De resto, Helena Abreu colaborou como ilustradora na edição de outras obras. Logo em 1948, ano em que termina o Curso Especial de Pintura, é convidada pelo Mestre Joaquim Lopes a ilustrar o seu livro “Soares dos Reis”.


Capa de Helena Abreu - Livraria Civilização, 1961


Em 1999, o nome e currículo da artista foi naturalmente incluído no catálogo da I Exposição Colectiva de Artistas Senenses, que pretendia oferecer uma panorâmica exaustiva das artes em Seia, desde o artista mais antigo que se conhecia aos artistas senenses mais jovens. No ano seguinte, a pretexto de uma exposição colectiva do MAC em Seia (Dezembro de 2000), eu e o Mário Jorge Branquinho convidámos Helena Abreu a expor como representante dos artistas senenses no evento. As obras da artista destacaram-se naturalmente na exposição, pela qualidade do desenho e sentido da cor, impressionando os visitantes e os artistas de Coimbra, em particular o saudoso Pinho Dinis. Um dos senenses que se rendeu imediatamente à obra de Helena Abreu foi José Santos, então Presidente do Orfeão de Seia. Logo de seguida, o Orfeão de Seia editou uma serigrafia reproduzindo uma tela de Helena Abreu, colaboração repetida em 2007, com a edição de duas peças da Vista Alegre com desenhos da artista.


Serigrafia editada pelo Orfeão de Seia

Como ficou definitivamente provado na exposição retrospectiva de 2004, a obra de Helena Abreu possui características únicas e um lugar importante na História da Arte portuguesa do século XX – sendo citada sem favor na obra de referência do meio artístico nacional até 1990 (edição de actualização em 1991), o “Dicionário de Pintores e Escultores”, de Fernando Pamplona. De resto, a especificidade da sua obra tem sido sublinhada por diversos críticos e resultará da interacção de alguns princípios ordenadores, com destaque para as temáticas, que condicionam todo o trabalho. A preferência pela figura feminina e crianças, envoltas em serenidade, afectividade e alegria, deixa entrever uma concepção intimista de um mundo exterior agressivo e carregado de incertezas, mas transmite uma enorme ternura e redobrada esperança no próximo. “Esta tensão entre a objectividade e a interioridade, sempre perceptível nos seus trabalhos, manifesta-se principalmente na sua concepção de formas femininas” (Margarida Botelho, Diário de Lisboa, 06-04-1982).


Óleo de Helena Abreu


O elemento mais distintivo da sua obra, o desenho, está sempre visível e é estruturante, sem ser demasiado narrativo. Esquemático, com traços diluídos, o desenho define as formas, marcando a composição muito equilibrada, com fundos apenas sugeridos ou mesmo abstractos, jogando com as transparências e opacidades do claro-escuro para criar a ilusão da profundidade. Finalmente, a leveza e a luminosidade da cor percorre toda a obra. As cores frias predominam, reservando-se as cores quentes e os tons claros para as figuras principais.



Maria Helena Pais de Abreu nasceu em Santa Eulália, Seia, a 4 de Agosto de 1924. Reside no Porto desde 1935.

Licenciatura em Desenho – Escola Superior de Belas Artes do Porto e Universidade do Porto e Coimbra. Curso Especial de Pintura pela ESBAP. Curso de Pintura a Fresco dirigido pelo Mestre Dórdio Gomes.

Em 1952, inicia a sua actividade docente, que exerceu durante 36 anos. Publica entretanto o “Compêndio de Geometria Descritiva” (em parceria com o Dr. Ferrer Antunes), assim como o “Compêndio de Desenho” (em parceria com o Arq. Francisco Pessegueiro), que foi seleccionado como livro único durante quinze anos.

É mãe do arquitecto e pintor Abreu Pessegueiro.

Participou em mais de uma centena de exposições colectivas, de entre as quais: “Levantamento da Arte do Séc. XX”, Museu Soares dos Reis e Sociedade Nacional de Belas Artes (1975); “Salon des Artistes Français”, Grand-Palais, Paris (1977, 1980, 1985); “Salon d’Automne, Grand-Palais, Paris (1978); exposição em Charlotte (USA, 1981); XVIII Prix International d’Art Contemporain (Monte Carlo, Mónaco,1984); I, II, III, IV e V Bienal Internacional de Arte de V. N. Cerveira; I, II, III Bienal de Desenho, Cooperativa Árvore (Porto, 1983, 85, 87); Exposição da Cruz Vermelha, Expo’98; várias edições da Bienal dos Rotários de Vila Nova de Gaia; Estugarda (1991); várias exposições colectivas na Galeria de Arte do Casino Estoril.

Em 1968, realizou a sua primeira exposição individual, no Ateneu Comercial do Porto. Outras exposições individuais: Lourenço Marques (Maputo), 1972; Fundação Engº António de Almeida (1974, 78, 81, 83, 84, 86, 88); Vigo (Galiza) (1976); Museu de Aveiro (1986); Galeria Tempo, Lisboa (1987); Galeria de Arte do Casino Estoril (1992); Galeria Espaço d’Arte TLP, Porto (1993); Gonfilarte Galeria, Vila Praia de Âncora (1993); Biblioteca Municipal de Seia – CMS (1994); Paços do Concelho de Matosinhos (1995, 98, 2000); Sala de exposições do Posto de Turismo de Seia (2001- exposição integrada nas comemorações da elevação de Seia a cidade – 3 de Julho).

Em 2004, realizou uma importante exposição retrospectiva na Câmara Municipal de Matosinhos.
Em 2001, o Orfeão de Seia editou uma serigrafia a partir de uma obra da artista e, em 2007, duas peças em porcelana da Vista Alegre com desenhos de Helena Abreu, assinalando o 30º aniversário da colectividade.

Prémio Rodrigues Júnior em 1945 e 46. Menções Honrosas nos “Salon des Artistes Français”, Paris, 1978 e 1980; Prémio Almada Negreiros, 1994.

Membro da “Societé des Artistes Français” desde 1980.

Foi agraciada com as medalhas “Grau Prata” (1989) e Municipal de Mérito “Grau Ouro” pela Câmara Municipal do Porto.
Câmpanula de Mérito Cultural do Município de Seia, 03 de Julho de 2009.

Representada em Museus nacionais e em colecções oficiais e particulares, em Portugal e no estrangeiro, com destaque para: Fundação Engº António de Almeida, Porto; Museu de Arte Contemporânea, Lisboa; Museu Nacional de Aveiro; Ministério da Justiça; Câmara Municipal do Porto; Câmara Municipal de Matosinhos; Câmara Municipal de Maputo-Moçambique; Câmara Municipal de Seia; Palácio de São Bento (Assembleia da República), Lisboa.



Aguarela de Helena Abreu


Fontes: Helena Abreu, Bial, 1991 / “Dicionário de Pintores e Escultores”, de Fernando Pamplona / catálogos de exposições da artista / Jornal Porta da Estrela