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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Surrealismo internacional em Conímbriga


Durante o mês de setembro, o surrealismo vai conviver com a arqueologia no Museu Monográfico de Conímbriga, o que não deixa de ser uma situação… surrealista. Claro que muito boa gente, entre os quais um punhado de “entendidos”, remete frequentemente o surrealismo para a arqueologia do modernismo e faz tudo para o manter por lá. No entanto, o surrealismo mantém-se vivo e atuante um pouco por todo o mundo, a partir de grupos de artistas que seguem os ideais estabelecidos e difundidos por André Breton nos anos 20 e 30 do século XX (1). Esses grupos promovem com regularidade grandes exposições internacionais (2), sublinhando a universalidade e atualidade do movimento, inclusive em Portugal (3). Nos últimos anos, Coimbra tem sido palco de importantes exposições surrealistas internacionais, promovidas e organizadas por Miguel de Carvalho/Secção do Cabo Mondego do Grupo Surrealista Português e pelo pintor surrealista Santiago Ribeiro, promotor e comissário desta exposição – no seguimento da primeira “Surrealism Now”, que organizou em 2010 (maio/junho) na Casa Museu Bissaya Barreto e Convento de Santa Ana. Em 2011, Santiago Ribeiro organizou em Coimbra a exposição "Surrealismo Português e Argentino" no Recordatório da Rainha Santa Isabel (Coimbra, setembro/outubro) e, em 2012, participou na organização de importantes mostras europeias de surrealismo, como as "Surrealism Russian-Iberico in Madrid" (2012) e “Héritages Surréalistes” (Paris, 2012).

São 25 (apenas 24 referidos no cartaz) os artistas representados, com uma ou duas obras, oriundos de 15 países: Azerbeijão (Mehriban Efendi); Canadá (Daniel Hanequand); EUA (Magi Calhoun, Keith Wigdor, Shahla Rosa e Steve Smith); Espanha (Naiker Roman); Filipinas (Gromyko Semper);  França (Hugues Gillet e Liba WS); Holanda (Majisme Majo e Ton Haring); Indonésia (Sio Shisio), México (Hector Pineda); Polónia (Maciej Hoffman); Portugal (Francisco Urbano, Paula Rosa, Rui Silvares, Santiago Ribeiro e Victor Lages), Reino Unido (Brigid Marlin), Roménia (Dan Neamu); Rússia (Yuri Tsetaev e Maria Aristova); Vietname (Vu Huyen Thuong).

Integrada nas comemorações dos 50 anos do segundo museu mais visitado de Portugal, a mostra estará patente de 01 a 30 de setembro.

Notas:
(1)- Já agora, aproveito para destacar um interessante site sobre os anos 20, “Anos Loucos”, da autoria de “Cris Valmont”, onde não poderia faltar o Surrealismo. 
(2)- As primeiras grandes exposições internacionais realizaram-se nos anos 30: “International Surrealist Exhibition” (New Burlington Galleries, Londres, junho/julho 1936);  “Fantastic Art, Dada and Surrealism” (Museum of Modern Art, Nova Iorque, 1936); Exposition Internationale du Surréalism” (Galérie Beaux-Arts, Paris, janeiro e fevereiro de 1938).
(3)- Entre as mais recentes: Ciclo de exposições Phases em Portugal, em Castelo Branco (1977), Coimbra (Museu Machado de Castro, 1978), Estoril e Lisboa (1979), coorganizado por Cruzeiro Seixas e Edouard Jaguer, do movimento internacional Phases; Surrealismo e Pintura Fantástica  (Teatro Ibérico, Lisboa, 1984) com organização de Mário Cesariny e Carlos Martins; “Reverso do Olhar - exposição internacional de surrealismo atual” (Edifício do Chiado e Casa da Cultura de Coimbra, maio e junho 2008), organizadas por Miguel de Carvalho. “International Exhibition Surrealism Now” (Casa Museu Bissaya Barreto e Convento de Santa Ana, 2010), idealizada e coordenada por Santiago Ribeiro.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

DOIS ARTISTAS SENENSES NA "SURREALISM 2012", EM READING, EUA

Capa do catálogo da exposição

Oito artistas portugueses, entre os quais se contam dois artistas senenses, Luiz Morgadinho e Marta Peres, vão representar o surrealismo português numa grande exposição internacional nos EUA. A inaugurar a 6 de janeiro, a “Surrealism 2012” decorre até 19 de fevereiro de 2012 em Reading, uma das principais cidades do Estado da Pensilvânia, próxima de Filadélfia.

A exposição evoca o início do quinto ciclo solar no calendário Maia e é organizada por Joseph Jablonski, elemento ativo do Grupo Surrealista de Chicago. Este grupo foi fundado por Franklin e Penelope Rosemont no início dos anos 60, após uma viagem a Paris, onde contactaram com André Breton (1896-1966), o líder do grupo de intelectuais franceses que deu origem ao movimento surrealista nos anos 20 do século passado. A organização da mostra pretende dar ao público norte-americano da costa nordeste dos EUA, polarizada pela proximidade geográfica de cidades como Nova Iorque, Filadélfia e Baltimore, uma visão abrangente do movimento surrealista internacional desde os anos 60 do século XX à atualidade (1). Para tal, contou com a colaboração do movimento surrealista norte-americano e de grupos surrealistas internacionais, entre os quais a Secção do Cabo Mondego do Grupo Surrealista Português, o grupo holandês CAPA, o francês Mordysabbath (de Thomas Mordant e Ody Sabon), ou o britânico SLAG (Surrealist London Action Group).

Instalada no grandioso e moderno espaço do complexo cultural GoggleWorks, a exposição reúne 248 obras de artistas surrealistas oriundos de 23 países, com uma expressiva representação europeia (Bélgica, Espanha, França, Grã-Bretanha, Holanda, Irlanda, Noruega, Portugal, República Checa, Sérvia, Suécia) e a participação de artistas iraquianos, japoneses e indonésios. As representações mais numerosas são, naturalmente, a norte-americana e a canadiana, assinalando-se a presença de vários países da América Latina: Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, Cuba, México e Porto Rico.

Os artistas que representam Portugal, à exceção de Cruzeiro Seixas, têm todos ligações à Secção do Cabo Mondego do Grupo Surrealista Português: João Rasteiro (poeta), Luiz Morgadinho (pintor), Marta Peres (pintora), Miguel de Carvalho (poeta e colagista), Pedro Prata (pintor), Rik Lina (pintor e poeta) e Seixas Peixoto (pintor). Rik Lina é um holandês radicado em Portugal que também colabora com o grupo CAPA (Collective Automatic Painting Amsterdam) de que foi um dos fundadores.

Luiz Morgadinho, “A Marcha dos Homens de Pensamento Empalhado”/“The hay march of the intellectuals”, óleo s/tela - obra exposta em Reading, EUA.

Os artistas participam com trabalhos individuais e obras coletivas de desenho, pintura, colagem, aguarela, fotografia, gravura e escultura, seguindo a estética do surrealismo. As linhas orientadoras da estética surrealista, foram estabelecidas por André Breton em 1924, com a publicação do primeiro manifesto surrealista, e explicitadas em 1929, no segundo manifesto. O Surrealismo é um movimento literário e artístico de origem francesa, hoje difundido a nível mundial. Reconhecendo a internacionalização do movimento, Breton publicou em 1942 uma espécie de terceiro manifesto, mas o surrealismo bretoniano foi progressivamente enriquecido e fortalecido com contributos estéticos das culturas dos diversos países onde se desenvolveu, tendo sobrevivido a diversas cisões e regenerações – o que também aconteceu em Portugal em 1948 (cisão do Grupo Surrealista de Lisboa).

A ligação dos surrealistas portugueses ao grupo surrealista de Chicago teve início nos anos 70, por intermédio de Mário Cesariny e posteriormente através de Cruzeiro Seixas, Raul Perez e Mário Botas. No grande encontro de surrealistas realizado em Chicago em 1976, denominado "Marvelous Freedom/Vigilance of Desire", a secção portuguesa foi fortemente representada e aplaudida pela elevada qualidade poética dos seus trabalhos. Em 2005, por intermédio de Mário Cesariny, Miguel de Carvalho estabelece contactos com o Grupo de Chicago. Três anos depois, convida os surrealistas de Chicago a participarem numa das maiores exposições internacionais de surrealismo realizadas nos últimos anos na Europa, "O Reverso do Olhar", que teve lugar em Coimbra em 2008, depois apresentada na Amadora (“A Voz dos Espelhos”), ainda em 2008, e em Lagoa (“Iluminações Descontínuas”) já em 2009. A participação portuguesa na mostra de Reading vem, sobretudo, na continuidade dessas exposições (2) e da presença dos surrealistas portugueses na mostra internacional “El Umbral Secreto, 2009-2010”, em Santiago do Chile – graças à ligação de Rik Lina e de Miguel Carvalho ao grupo chileno do movimento PHASES.

Luiz Morgadinho nasceu em Coimbra em 1964. Reside em Santa Comba de Seia. Pintor autodidata, de inspiração surrealista, regista no seu currículo diversas exposições coletivas e individuais em Portugal e no estrangeiro. Em 2010, recebeu o Prémio Município de Oliveira do Hospital, na AGIRARTE 13 e Menções Honrosas em Lisboa (1996), Torres Novas (1997) e Nisa (2000). Foi homenageado em 2009 na ARTIS VIII – Festa das Artes e Ideias de Seia. Participa atualmente (até 29 de fevereiro) numa exposição de surrealistas em Lisboa, na Leya/Barata.

Marta Peres nasceu em Coimbra em 1989. Reside em Seia. Iniciou a sua atividade artística em 2007, na área do surrealismo, tendo participado em algumas exposições coletivas, com destaque para o ARTIS – X Festival de Artes Plásticas de Seia. Realizou a primeira exposição individual em 2010. É o membro mais recente da Secção do Cabo Mondego do Grupo Surrealista Português.

Entrada do GoggleWorks, em Reading

(1) - Segundo o texto de apresentação da exposição no site oficial.
(2) - "Reverso do Olhar" (no Museu da Cidade de Coimbra, Edifício Chiado, e na Galeria Pinho Diniz, Casa Municipal da Cultura de Coimbra, 03 de maio a 28 de junho 2008), "A Voz dos Espelhos" (Galeria Artur Bual, Amadora, de 6 de setembro a 19 de outubro de 2008) e "Iluminações Descontínuas" (Convento de S. José, Lagoa, 17 de janeiro a 28 de fevereiro de 2009).