segunda-feira, 1 de setembro de 2014
Aqueles que não podem morrer sem dizer tudo
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Inimigos duplicados
sábado, 11 de dezembro de 2010
JOSÉ RODRIGUES HOMENAGEADO EM lAMEGO E NA PÓVOA

No dia 10 de Dezembro, o escultor José Rodrigues recebeu o Prémio de Artes Casino da Póvoa 2010, pelo seu “alto contributo para a Arte e a Cultura em Portugal”.
Considerado o “Casino do Norte”, o Casino da Póvoa de Varzim regista nos últimos anos uma importante animação cultural, sobretudo nas Artes e Letras, promovendo diversas iniciativas culturais e instituindo importantes prémios nacionais.
Apesar de ser natural de Luanda, onde nasceu em 1936, e da sua paixão por Angola, que visita com frequência, José Rodrigues é uma figura incontornável da história da cultura portuense – e das Artes nacionais – dos últimos 40 anos. Juntamente com mais três grandes artistas (Armando Alves, Ângelo de Sousa e Jorge Pinheiro) integrou em 1968 o grupo “Os Quatro Vintes” – que não perdurou, em grande parte por ter sido um produto da concorrência entre Escolas Superiores de Belas Artes (Porto e Lisboa), diluída nos clamores revolucionários de 1974.
Artista com letra maiúscula bem sublinhada, José Rodrigues é na prática escultor, desenhador, gravador. Como professor, orientou várias gerações de artistas. Foi um dos fundadores da Cooperativa Árvore, no Porto, e da Bienal de Vila Nova de Cerveira. Para além de tudo isso, é uma excelente pessoa.
Recentemente homenageado em Lamego (setembro 2010), no âmbito da 2ª edição do Plast&Cine (1), é o autor do monumento a José Saramago em Azinhaga do Ribatejo (2008). Curiosamente, José Rodrigues recebe o Prémio Casino da Póvoa no mesmo dia em que José Saramago recebeu o Prémio Nobel da Literatura (2), mas com uma diferença de 12 anos.
(1) - Em 2009, a homenageada foi Emília Nadal, pintora e presidente da Sociedade Portuguesa de Belas Artes.
(2) - Em 10 de Dezembro de 1998.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
JOSÉ SARAMAGO (1922-2010)
Hoje, 18 de Junho de 2010, morreu na árida Lanzarote o escritor português que mais longe levou a língua portuguesa, Prémio Camões em 1995 e não só o primeiro português a receber o Prémio Nobel da Literatura, como muitas notícias adiantam, mas, sublinhe-se, o primeiro Prémio Nobel – e para já o único - concedido a um escritor de língua portuguesa.
domingo, 11 de janeiro de 2009
TODOS OS NOMES - OS OUTROS SÉRGIO REIS
A fixação doentia num nome é o fio condutor do romance de José Saramago, “Todos os Nomes” (1997). Ao contrário do Sr. José, protagonista dessa obra, não sou coleccionador de nomes nem estou disposto a correr todos os riscos para desembrulhar vidas alheias. Limitei-me a uma breve pesquisa no Google, completada com outras consultas mais convencionais, e terminei com seis Sérgios Reis, três dos quais ligados à criação e expressão artísticas.
Escultura de Sérgio Reis - eu - 1994 
O fotógrafo Sérgio Reis
Outro Sérgio Reis é conhecido no Brasil pelos seus livros sobre os caminhos de Santiago e é uma figura da rádio e da TV de Porto Alegre. Ver mais dados sobre este Sérgio Reis em www.geocities.com/alkaest_2000/sergioreis.htm

Os dois restantes Sérgio Reis – o Director de Marketing de uma grande empresa brasileira e o Director Geral do Hotel Altis Belém – não me dizem tanto, por desenvolverem a sua actividade em áreas que não me interessam particularmente, mas registe-se que a sua nomeação para estes cargos ocorreu em 2008.
O Sérgio Reis Escultor
É membro do Centro de Investigação de Medalha Contemporânea “Volte Face”, da Associação de Artistas Plásticos do Concelho de Vila Franca de Xira e membro fundador dos D’Forma 4.
Participou em diversas exposições colectivas em Portugal (Alhandra, Arruda dos Vinhos, Caxias, Horta – Faial, Lisboa, Moura, Parede, Seixal, Sobral de Monte Agraço, Vila Franca de Xira, Vila Verde), EUA (Filadélfia, Nova Iorque), Brasil (Rio de Janeiro), Finlândia, Áustria (Viena), Japão.
O artista tem desenvolvido um trabalho interessante no campo da escultura de espaços abertos, privilegiando a forma humana em posições dinâmicas ou de relacionamento.

O artista é autor da maior parte das suas canções. Uma delas, intitula-se “O Pincel e o Criador”:
Se Desenhar O Céu Colorir O Mar
Navegar Num Barquinho De Papel
Seguindo O Brilho Da Imaginação
Que Sai Do Pincel
Vai Ver A Lua Dançar E O Sol Sorrir
A Terra Com O Sonho Se Encontrar
A Vida Acordar Para Aplaudir
O Amor Cantar
Cada Passo Que Se Dá
Pra Sempre Em Sua Historia As Marcas Vão Ficar
Faça O Bem E O Bem Terá
É Só Acreditar Ter Fé Pra Tudo Realizar
Deixe A Luz De Cada Ser
Mostrar O Solo Que Ainda Não Pisou
Faça O Que Quiser Fazer
Sem Esquecer Que O Amor A Sua Imagem O Criou
Sorrindo, Cantando
Um Pedacinho De Papel
Na Mão Um Lápis E Um Pincel
Pra Retocar A Emoção
Fazer Feliz Um Coração
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Günter Grass: o Artista Plástico na Guarda
Günter Grass nasceu em Danzig, actual Gdansk, na Polónia, a 16 de Outubro de 1927. Autor de obras marcantes na área do romance e do teatro, caracterizadas pela sua força lírica. A sua obra teatral começou por enquadrar-se na corrente designada por teatro do absurdo. No romance, alcançou projecção internacional com O Tambor, adaptado ao cinema em 1979 por Volker Schlondörff. Posteriormente, optou por uma produção literária de carácter polémico e de compromisso político.
Em 2006, por ocasião do lançamento do seu livro "Descascando a Cebola - Autobiografia 1939-1959" (editado em Portugal em 2007, Casa das Letras) esteve no centro de uma intensa polémica após confessar numa entrevista ao diário alemão "Frankfurter Allgemeine Zeitung" que pertencera à Waffen-SS, as tropas especiais do III Reich, no final da II Guerra Mundial. Então um jovem idealista levado pela onda nazi, tal como a maioria dos alemães dessa época, Grass acompanhou a mudança das mentalidades imposta pelo resultado do conflito e pelo esforço de reconstrução da Alemanha, partida em duas pelo vergonhoso Muro de Berlim. Em 1955, iniciou a sua actividade literária juntando-se ao Grupo 47.
José Saramago, o nosso Nobel da Literatura (enquanto Lobo Antunes vai aguardando a vez e coleccionando distinções literárias como consolação) saiu em defesa de Grass, contribuindo para uma maior compreensão da atitude, em minha opinião muito digna, do Nobel alemão. Saramago lembrou que, na altura, Grass tinha apenas 17 anos, questionando de seguida "E o resto da vida não conta? Que juiz pode dizer que uma confissão vem demasiado tarde? A verdade é que o admitiu, fez a sua confissão" (Jornal de Notícias, 21 de Agosto de 2006).
