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domingo, 5 de maio de 2013

Fotografia de José Santos em Mangualde


Muito falada nos últimos tempos graças à sua praia artificial de água salgada e à fábrica da Peugeot-Citroën, Mangualde é terra de fundação antiga, situada junto da importante via romana que ligava Mérida a Braga e hoje no acesso à A5 (antiga IP5). Existem ruínas testemunhando a importância do seu castelo medieval, no sítio (aguardando classificação de interesse público) onde houve um castro em tempos remotos e se encontra hoje o Santuário de Nossa Senhora do Castelo, cuja devoção remonta pelo menos ao século XV. Vila de fundação medieval, Mangualde é cidade desde 1986.

A Biblioteca Municipal é um autêntico centro cultural, de oferta pluridisciplinar (consulta e leitura, exposições, formação e ocupação de tempos livres) localizada na zona escolar de Mangualde. Na sua sala de exposições temporárias, decorre até 31 de maio a exposição de fotografia “Luzes”, do senense José Santos.



José Santos, explicando como realiza as suas fotografias. A seu lado, João Lopes, vereador da Cultura da Câmara de Mangualde

Destacando alguns aspetos da fotografia de José Santos

domingo, 28 de abril de 2013

José Santos em Mangualde


José Santos vai mostrar os seus trabalhos em Mangualde, na Biblioteca Municipal, de 4 a 31 de maio 2013. Intitulada "Luzes", a exposição mostra novas fotografias da série "Luzes", que o autor vem acrescentando desde a sua primeira exposição individual, em 2009, no Museu Grão Vasco em Viseu.

A fotografia de José Santos enquadra-se na técnica "light painting" (mais propriamente, "camera painting", pois é a câmara que é usada como "pincel"), distinguindo-se pela qualidade da composição, dinamismo de formas e utilização efusiva da cor em fundos negros - o vazio onde tudo começa, o nada de onde tudo provém.

Inauguração a 4 de maio, pelas 16 horas.

sábado, 2 de março de 2013

José Santos e a "Light Painting"

O Cristo na cruz resplandece e o espírito liberta-se em forma de ave. Foto de José Santos

Pelo final da tarde de ontem, teve lugar a inauguração da exposição de fotografia de José Santos, na galeria de Herman Mertens e Magda Vervloet em Vale de Ferro, com muito público e a surpreendente participação musical do jovem tenor Renato Santos. Chamado a apresentar a exposição, contando com algum desconhecimento do fenómeno da “light painting”, preparei algumas notas sobre este tema e sobre a fotografia de José Santos, que tentei explicitar na ocasião.

A “light painting” é uma técnica fotográfica que consiste em obter imagens através de fotos de longa exposição, movendo uma fonte luminosa diante da câmara fotográfica (“light drawing, light graffiti”) ou movendo a própria câmara (“camera painting”). À primeira vista, parece o contrário da fotografia convencional, mas a “light painting” também trabalha temas e assuntos concretos, exigindo abordagens muito precisas e mobilizando grandes meios técnicos quando se trata, por exemplo, de reforçar os conteúdos emotivos da cor em fotografias de paisagens ou monumentos, que requerem desde logo condições extraordinárias de iluminação artificial.

O processo utilizado por José Santos enquadra-se mais na “camera painting”, pois recorre sobretudo a movimentos da câmara e do zoom. À noite ou num ambiente escuro, a câmara fotográfica torna-se pincel e as luzes são utilizadas como as cores na paleta, para dar a ver diferentes aspetos da realidade ou criar imagens totalmente abstratas. Na realidade, o processo da “light painting” é tão simples de entender e fácil de executar que abundam, na Internet, imagens de todos os tipos e para todos os gostos, desde a experiência mais elementar às obras de autênticos artistas – como os norte-americanos Brian Hart, Eric Staller,  Jason Page e Elizabeth Carmel, o argentino Arturo Aguiar, a canadense Tatiana Slenkhin, o francês Julien Breton ( Kaalam), o japonês Tokihiro Sato e, naturalmente, o português José Santos.


Um desenvolvimento do ato de fotografar (literalmente, “escrever com luz”), a “light painting” aproxima a fotografia da pintura e da performance. Ao longo do século XX, os artistas utilizaram criativamente os meios da fotografia. O primeiro artista a explorar a técnica da pintura com luz terá sido Man Ray, em 1935, e a novidade não escapou à curiosidade de Pablo Picasso, que integrou algumas experiências com luz na sua vasta obra multidisciplinar. Considerando que os desenvolvimentos da arte contemporânea permitiram à fotografia tornar-se abstrata, entre outras coisas ainda ontem inaceitáveis (como as espetaculares fotografias recortadas de Germán Gómez), não admira que o fotógrafo se assuma cada vez mais como artista. A arte contemporânea carateriza-se, sobretudo, pela articulação de linguagens artísticas, pela interação de conceitos, espaços e metodologias – por muito pouco permutáveis que pareçam. A “light painting” é hoje creditada ao mais alto nível (a Photographic Society of America, por exemplo, dispõe de consultores para essa área específica) e a vulgarização da fotografia, ao alcance do mero utilizador de telemóvel, tem levado os fotógrafos a procurar cada vez mais o espaço das galerias de arte para desenvolverem os seus projetos noutro patamar de exigência e manterem um estatuto diferenciado.

No caso particular das obras de José Santos, apesar de se assumir como autodidata da fotografia (1), sobressai imediatamente o sentido da composição, tal como o entendemos na pintura, e o elaborado uso da cor através da criteriosa manipulação da luz. Nos seus trabalhos abstratos, cujo melhor exemplo é a série "Luzes", predomina o diálogo das formas e harmonia das cores, despontando e evoluindo com ritmo e força visual no fundo negro – o nada de onde tudo emerge. Nos seus trabalhos mais figurativos (séries "Cristos" / "Paixão", por exemplo), é clara a preocupação de ir além de mera representação, do visível imediato, extraindo das formas efetivamente fotografadas algo mais que uma simples imagem, o seu halo mítico, a sua energia própria, a sua luz.

E por aqui entendemos a coleção de imagens que integram esta exposição, intitulada “Paixão” por abordar o momento crucial da paixão de Cristo, a morte na cruz. Na sua origem latina, o termo “paixão” significa “sofrer ou suportar uma situação difícil” mas usamos também este termo para designar o sentimento de entrega total a uma pessoa, a uma atividade ou a um ideal. O momento religioso que se aproxima, a Páscoa, os mais profundos sentimentos humanos do autor, José Santos, e a sua autêntica paixão pela fotografia, explicam o tempo e o modo desta exposição.

Simples cruzes, o símbolo máximo do cristianismo, grandes cruzes de altar ou figurações de Cristo crucificado, as fotografias “pintadas com luz” de José Santos destacam a convicção cristã de que Cristo é luz e redenção. Da cruz vibrante de luz, faiscando no fundo da noite escura, à imagem que parece contorcer-se na cruz ou acenar tristemente, vislumbra-se um complexo percurso de emoções, um mapa para a via-sacra mais interior de cada um. E a exposição de José Santos em vale de Ferro termina com uma proposta desconcertante, nada canónica, irradiando luz para as consciências: duas imagens da crucificação, lado a lado, uma no masculino e outra no feminino – evocando ao mesmo nível mítico a Paixão da mulher, a pouco dias do seu Dia Internacional, 8 de março.

Alguns sites sobre LPP:
Lightgraff (França)

(1) - Autodidata da fotografia, José Santos expõe individualmente desde 2009 (Museu Grão Vasco, Viseu, 14 de fevereiro a 21 de março). Em Maio de 2009, mostrou o seu trabalho em Seia, expondo depois no Museu de Lamego, Biblioteca Municipal de Cantanhede, Museu de Resende, Museu Diocesano de Lamego, Espaço João Abel Manta em Gouveia, Sede do Rancho Folclórico Pastores de São Romão, Posto de Turismo de Seia, Casa da Beira Alta no Porto e Casa da Cultura de Seia – uma exposição intitulada "Luzes", que decorre até final de março 2013.
Mais fotografias de José Santos em olhares.sapo.pt.

Vista parcial da inauguração



Algumas obras da série "Luzes" (2009):




Mariza, 2009

Guitarras, 2009

José Santos

sexta-feira, 1 de março de 2013

"Paixão" - fotografia de José Santos no Pátio-Velho


Hoje, dia 1 de março 2013, pelas 18:00 horas, será inaugurada na Galeria Pátio-Velho, em Vale de Ferro (Ervedal da Beira - Oliveira do Hospital), uma exposição de fotografia de José Santos, intitulada "Paixão".

Para além do interesse da obra de José Santos e da qualidade da receção que Herman Mertens e Magda Vervloet proporcionam habitualmente aos visitantes da sua galeria, a inauguração contará com a participação musical de Renato Santos, que interpretará algumas peças de música erudita.



sábado, 3 de novembro de 2012

Exposição de Pintura em Seia, 1989

Sérgio Reis, "Mon Diego", 1989, óleo s/tela (Col. José Santos)

Acontecimentos recentes levaram-me a recordar a segunda exposição que realizei em Seia, em 1989, ano em que fui colocado na Escola Secundária de Seia para profissionalização e ainda não contava fixar residência na então jovem cidade (desde 1986). Calhou dar-me com um grupo de pessoas de espírito aberto, vontade de trabalhar e gosto pela sua terra, que me acolheram muito bem e envolveram nas suas dinâmicas sociais e culturais.

Em 1989, Seia não dispunha de uma sala de exposições digna desse nome. Quando havia necessidade de realizar alguma exposição documental ou de arte, optava-se normalmente pelos Paços do Concelho ou pela antiga sala do bingo, no piso superior do cineteatro, onde hoje se encontra o auditório da Casa da Cultura. Quando se tratava de mostras e exposições de grande envergadura, procurava-se o salão de festas dos bombeiros voluntários (como aconteceu com a Exposição Nacional de Pintura “Prémio Tavares Correia”, que organizei em 1993 no âmbito dos Encontros de Arte’93) ou o pavilhão gimnodesportivo, junto ao parque municipal, onde se mostravam anualmente as potencialidades industriais e comerciais do concelho, o principal objetivo da FIAGRIS – Feira Industrial, Comercial e Agrícola de Seia. A feira de negócios completava-se com a feira popular, tal como a festa religiosa não dispensa os excessos profanos, atraindo muita gente dos concelhos vizinhos e turistas de verão, mas principalmente os emigrantes que vinham da Europa e das Américas matar saudades da sua terra natal e dar corda aos negócios familiares.

Em suma, interessava-me mostrar os meus trabalhos durante a FIAGRIS, perto do recinto da feira e em local digno. Como a Câmara organizava então a FIAGRIS (só em 1995, salvo erro, as associações setoriais passaram a organizar a feira), apresentei uma proposta ao vereador da Cultura, Victor Moura, que não só apoiou a ideia da exposição como apresentou uma solução que me agradou desde logo e foi determinante para o sucesso da exposição: uma ampla loja desocupada na cave do Edifício Europa (Construções Ventura), voltada para o anfiteatro e a dois passos de uma das entradas da feira. A loja onde se encontra hoje a AGRISEIA, na rua Dr. António Melo Mota Veiga.



Graças às amplas janelas, iluminação melhorada e porta aberta para a rua, a exposição suscitava curiosidade e foi muito visitada, mantendo-se aberta no horário da feira graças à colaboração de alguns jovens – entre os quais Beto Cruz, que vive presentemente na Amadora mas sem nunca esquecer a terra natal. Esteve presente nas últimas edições da ARTIS com os seus projetos fotográficos “Marcas de Amor” (2008) e “Não Lápide” (2009), que também expôs em diversos locais de Lisboa e em várias localidades do país.

Foram expostas 10 telas e 4 guaches. O quadro principal era uma pintura a óleo intitulada “Mon Diego”, inspirada numa das várias lendas sobre a origem do nome do rio Mondego, mas a sua maior particularidade nada tem a ver com o tema mas sim com a técnica, já que deixei de pintar a óleo por essa altura e essa foi, até hoje, a minha última pintura a óleo. Felizmente, faz parte da coleção de um bom amigo, à data da exposição um respeitável desconhecido, tal como os outros visitantes que distinguiram o meu trabalho adquirindo algumas obras.

A exposição decorreu em Julho e Agosto de 1989 e as obras expostas eram as seguintes:

1 – “Mon Diego”, óleo s/tela
2 – “Interioridade”, acrílico s/tela
3 – “O Camponês e Suas Propriedades”, acrílico s/tela
4 – “Pescadores”, acrílico s/tela
5 – “Marionetas”, acrílico s/tela
6 – “Caminhos de Névoa”, acrílico s/tela
7 – “Ao entardecer”
8 – “O Pastor e a Sua Atitude”, acrílico s/tela
9 – “Iluminações”, acrílico s/tela
10 – “Recordações da Penha do Gato”, acrílico s/tela
11 – “Arqueologia do Gesto - I”, guache s/papel
12 – “Mineiros”, guache s/papel
13 – “Primavera”, guache s/papel
14 – “Sombras”

Outra curiosidade desta exposição é que, no seguimento de uma entrevista, promovi um concurso através da rádio da feira (som local), com uma pergunta de algibeira sobre Pablo Picasso. A participação do público foi generosa mas não houve vencedor, pelo menos a cem por cento, e o participante que se aproximou mais da resposta certa recebeu uma pequena pintura como lembrança.


Sérgio Reis, "Interioridade", 1989, acrílico s/tela (Col. José Santos)

Sérgio Reis, "O Camponês e Suas Propriedades", 1989, acrílico s/tela (Col. José Santos)

Sérgio Reis, "Mineiros", 1989, guache s/papel (Col. João Fernandes)

sábado, 17 de dezembro de 2011

Fotografia de José Santos: do Presépio ao Calvário

José Santos, apresentando as suas obras.

Foi hoje inaugurada a exposição de fotografia de José Santos, intitulada "Do Presépio ao Calvário", na galeria de exposições temporárias do Posto de Turismo de Seia. As fotos expostas fazem parte da série "Senhor e Deus".

José Santos é natural de Vila Verde, Seia, e dedica-se à fotografia nos tempos livres. A sua primeira exposição individual teve lugar no Museu Grão Vasco, Viseu, no início de 2009, tendo depois exposto no Museu de Lamego, Biblioteca Municipal de Cantanhede, Espaço João Abel Manta em Gouveia, Museu Diocesano de Lamego, Museu de Resende, entre outros. A sua próxima exposição individual encontra-se marcada para março, na Casa Municipal da Cultura de Seia.

A exposição "Do Presépio ao Calvário" integra-se no programa de encerramento das comemorações dos 440 anos da Santa Casa da Misericórdia de Seia (1571-2011) e decorre até 31 de dezembro 2011. De referir, a propósito dos 440 anos da SCMS, a data da fundação é referida por Quelhas Bigotte na sua Monografia de Seia, embora não exista qualquer documento que a sustente. Sabe-se, porém, que a fundação é anterior a 1581, como é explicado no próprio site da Misericórdia de Seia.

O Presidente da Câmara de Seia, usando da palavra, ladeado pelo Provedor da SCMS, Fernando Béco, e pelo Presidente da Assembleia Geral, Alcides Henriques.

José Santos com Sérgio Amaral, ceramista de Mangualde conhecido pelos seus "matarrachos".

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Fotografia de José Santos no Posto de Turismo de Seia


Inaugura no próximo sábado, dia 17, na sala de exposições temporárias do Posto de Turismo de Seia, uma exposição de fotografia de José Santos.

A exposição intitula-se "Do Presépio ao Calvário" e integra-se nas comemorações dos 440 anos da Santa Casa da Misericórdia de Seia.

domingo, 10 de janeiro de 2010

José Santos expõe no Museu de Resende



Museu Diocesano

Fotografias de José Santos em Lamego
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No dia 20 de Fevereiro, pelas 15.30 horas, será inaugurada no Museu Diocesano de Lamego - Casa do Poço, uma exposição de fotografias de José Santos, da série "Senhor e Deus".



Fotografias de José Santos em Resende

A convite da Câmara Municipal de Resende, José Santos expõe no Museu Municipal dois conjuntos de fotografias com o nome genérico "2010 cores". A inauguração decorreu no Sábado, dia 16 de Janeiro e a exposição decorre até 28 de Fevereiro. Ver notícia no site do Museu.
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Entretanto, séries anteriores de fotografias de sua autoria podem ser (re)vistas em www.olhares.com/Jose210.

sábado, 18 de julho de 2009

"Senhor e Deus" em São Romão



Três meses após ter sido estreada fugazmente em São Romão, no encerramento das “Jornadas do Conhecimento”, a exposição de fotografia de José Santos intitulada “Senhor e Deus” regressa com mais tempo à Vila senense, encontrando-se patente na sede/Museu do Rancho Folclórico “Os Pastores de São Romão” até ao dia 26 de Julho.

Se o título da exposição retira qualquer dúvida sobre o sentido das peças fotográficas expostas, já a erudição da forma ao nível da “re-representação”, ou reinterpretação da figura do Cristo Crucificado, tomada de exemplares da arte sacra regional, atinge grande complexidade estética por via da depuração narrativa. É que, ao intensificar a carga dramática da imagem recorrendo a artifícios mecânicos da fotografia e movimentos da câmara digital, o autor restringe a descrição narrativa ao essencial da Paixão.
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No convite para a exposição, o autor ilustra o processo, colocando uma fotografia convencional ladeada por imagens de algumas das obras expostas. Trata-se, afinal, de uma outra perspectiva de abordagem deste tema, marcada pela modernidade, que tem recebido a melhor atenção e apoio das entidades eclesiásticas.

A exposição “Senhor e Deus” esteve já patente na galeria de exposições do Posto de Turismo de Seia (Abril 2009) e no Hotel Marialva, em Cantanhede (06 de Junho 2009), encontrando-se prevista a sua passagem por Gouveia e Moimenta da Beira.

terça-feira, 2 de junho de 2009

José Santos em Cantanhede

Fotografia de José Santos, do conjunto "Luzes"
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Continua a digressão da exposição "Luzes", de José Santos. Após a inauguração em Viseu, no Museu Grão Vasco, as fotografias foram mostradas no Museu de Lamego até 31 de Maio e encontram-se patentes ao público na Biblioteca Municipal de Cantanhede. A mostra prolonga-se até ao fim de Junho.
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No dia 06 de Junho, e só durante esse dia, esteve patente no Hotel Marialva, em Cantanhede, a sua exposição de fotografia "Senhor e Deus", que já esteve na Igreja Nova de São Romão e no Posto de Turismo de Seia. Esta série de fotografias tem por base a imagem de cristo crucificado, desfocada ou distorcida por métodos próximos da "light painting" (pintura com luz), termo que o autor considera insatisfatório para enquadrar o seu método fotográfico - que lhe permite obter resultados visuais muito próximos do desenho e da pintura.
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O conceito "light painting" é propositadamente amplo, não fazendo sentido criar subdivisões num método criativo que utiliza meios mecânicos, movimentos de máquina, iluminação artificial e até retoque digital recorrendo a software apropriado, tudo em interacção expressiva, ou separadamente, com preciosismos especializados. Os resultados podem variar - e ainda bem que a linguagem estética desta modalidade de fotografia artística permite múltiplas variações. Veja-se, por exemplo, os trabalhos de pura encenação ambiental de Brian Hart .
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Por outro lado, parece-me bem distinguir a expressão e produção artística da "light painting" de conceitos tecnológicos do género "Arrastar e Soltar" do sistema "Sense and Simplicity", desenvolvido pela Philips - pelo menos enquanto não evoluirem para propostas estéticas de renovação dos ambientes visuais. O sistema "Sense and Simplicity" permite transformar as paredes da nossa casa em telas com formas luminosas em movimento, utilizando um "pincel mágico".
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Numa visão parcelar do trabalho fotográfico de José Santos, que é multifacetado (como sugere a fotografia que apresenta na ARTIS 8 - em Seia), continua a parecer-me que as fotos de "Luzes" são únicas na forma e no conteúdo, valendo à priori pela sua riqueza plástica, e dispensam maior categorização. A procurar um termo específico seria no âmbito desses efeitos e não nos métodos, se é mais "pintura" ou mais fotografia, dúvida que já não acontece nos trabalhos de "Senhor e Deus". Aí, o autor explora os limites reconhecíveis da forma fotografável intensificando o dramatismo da crucificação com deformações intencionais - evocando em certa medida a gramática visual de Francis Bacon.
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A exposição "Senhor e Deus" tem convites para Gouveia e Moimenta da Beira, ainda sem data marcada. "Luzes" tem convite para Sernancelhe, ainda sem data, e para Resende, no próximo ano, havendo a possibilidade de passar por Idanha-a-nova ainda em 2009.

terça-feira, 31 de março de 2009

"Senhor e Deus" - fotografias de José Santos


Bem emoldurada pelo espírito pascal, surge esta nova exposição de fotografia de José Santos, que ainda há poucos dias encerrou a sua exposição de estreia, “Luzes”, no Museu de Grão Vasco em Viseu.

Intitulada “Senhor e Deus”, a mostra reúne quinze fotografias de grande formato, todas sobre a figura do Crucificado. O número 15 evoca as estações da Via-sacra.

Ao contrário das foto-pinturas de “Luzes”, estas fotografias perseguem assumidamente a figura do crucifixo, cuja forma difusa, etérea, acentua a espiritualidade da mera representação simbólica tradicional. Os efeitos da desfocagem e torção, desenhados pelo movimento da câmara em zoom- in e zoom-out, desdobram a imagem criando um original universo de novas leituras sugestivas.

A exposição abre ao público no dia 1 de Abril na sala de exposições do Posto de Turismo de Seia. No dia 4, a exposição será deslocada para a igreja nova de São Romão, integrando-se nas “II Jornadas do Conhecimento” , regressando no dia seguinte ao Posto de Turismo.
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sábado, 14 de fevereiro de 2009

Inauguração da exposição "Luzes" - Fotografias de José Santos, em Viseu

Com uma boa moldura humana, José Santos apresentou-se como artista e mostrou os seus trabalhos fotográficos no Museu Grão Vasco, em Viseu, a meio da tarde do dia 14 de Fevereiro.

A inauguração contou com a presença de algumas individualidades e amigos do empresário, agora artista, que apreciaram com admiração a qualidade visual e consistência técnica das fotografias expostas, algumas delas de grande formato.
Também esteve presente uma equipa de reportagem da VTV - Viseu TV (ver "Agenda Cultural" de 19 de Fevereiro em www.viseu.tv).














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No folheto de apresentação da exposição, José Santos escreveu:

"Aceitar fazer uma exposição pela primeira vez, pode ser uma decisão muito difícil, porque aquilo que se faz e de que se gosta pode ser atraente para nós e repulsivo para outros olhos.

O entusiasmo de alguns amigos entre os quais: Maria Encarnação Almeida (Senhora São) do Posto de Turismo de Seia, Mário Jorge Branquinho e os pintores Helena Abreu, António Joaquim e Sérgio Reis, ajudaram a minha tomada de decisão.

Da boca do Dr. Alberto Correia, antigo Director do Museu Grão Vasco, sempre parco em comentários, ouvi palavras que me animaram´.

Por outro lado, e ainda, o facto de se virem a abrir vários espaços de exposição mais ajudaram a reduzir o receio do possível ridículo da minha decisão em expor.

O profissionalismo do pintor Sérgio Reis constituiu o refúgio necessário para evitar alguns erros que por mim poderiam ser mais facilmente cometidos.

É quase só dele a selecção de peças exposta, assim como os títulos a elas atribuídos.

De si que vai apreciar as peças expostas, espero que seja benevolente comigo e releve o meu atrevimento."

josesantos.seia@gmail.com

"Luzes" ocupa duas salas de exposição temporária do Museu Grão Vasco, em Viseu, e decorre até ao dia 21 de Março.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

HELENA ABREU

Há dias, a propósito do centenário do nascimento de Tavares Correia, afirmei logo no início que “Tavares Correia e Helena Abreu são, sem qualquer dúvida, os mais importantes artistas senenses de sempre.” Natural de Santa Eulália, onde nasceu em 1924, Helena Abreu é de facto uma artista que engrandece o nome de Seia no exterior, sendo de longe a mais consagrada artista senense de sempre. O nome e alguma obra da artista são hoje conhecidos pelos senenses, sobretudo aqueles que melhor tratam os assuntos da sua terra.

Não era assim em 1993, quando o jornal Porta da Estrela (então dirigido por António Brito) publicou a 10 de Julho de 1993 um artigo de minha autoria intitulado - “Helena Abreu – uma artista de renome internacional natural de Santa Eulália”, que surpreendeu quase toda a gente. A artista tomou conhecimento do artigo e dirigiu-me uma carta muito amável, da qual transcrevo o seguinte:

“…estando eu há longos anos afastada da minha terra, não imaginava que nela fosse lembrada com palavras tão elogiosas e sentidas! Vivi em Santa Eulália e em S. Tiago até aos 11 anos; sobretudo de S. Tiago recordo com profunda saudade os cantinhos onde brinquei, a Escola onde meus pais foram professores e as amigas que tive, muitas já desaparecidas.”

Helena Abreu e Almeida Santos na sua exposição em Seia - 03/07/2001(JSM 16/07/01)
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Com vida familiar e profissional estabelecida no Porto desde 1935, os esparsos contactos com familiares (a artista é prima do Dr. Almeida Santos) e amigos de infância não foram suficientes para revelar localmente a artista que já era reconhecida além fronteiras. Não constava do exaustivo inventário de J. Quelhas Bigotte (“Escritores e Artistas Senenses”, Seia, 1986), muito menos da sua “Monografia da Cidade e Conselho de Seia” e nem aqueles que haviam estudado pelos seus livros, no Liceu, alguma vez sonharam que a desembaraçada autora de tão expressivas ilustrações e rigorosas composições geométricas era sua conterrânea, e muito menos sonhavam que seria uma das mais importantes artistas portuguesas, como ficou provado na exposição retrospectiva que realizou em 2004 na Câmara Municipal de Matosinhos. Também eu segui – no antigo Liceu de Santa Maria da Feira – os preceitos desses manuais, apreciando sobretudo as linhas fluidas e elegantes dos desenhos de Helena Abreu, que são aliás a base distintiva das suas obras. Folheando esses livros, verdadeiros manuais práticos de desenho e utilização da cor, percebe-se bem por que foram livros únicos durante 15 anos.



De resto, Helena Abreu colaborou como ilustradora na edição de outras obras. Logo em 1948, ano em que termina o Curso Especial de Pintura, é convidada pelo Mestre Joaquim Lopes a ilustrar o seu livro “Soares dos Reis”.


Capa de Helena Abreu - Livraria Civilização, 1961


Em 1999, o nome e currículo da artista foi naturalmente incluído no catálogo da I Exposição Colectiva de Artistas Senenses, que pretendia oferecer uma panorâmica exaustiva das artes em Seia, desde o artista mais antigo que se conhecia aos artistas senenses mais jovens. No ano seguinte, a pretexto de uma exposição colectiva do MAC em Seia (Dezembro de 2000), eu e o Mário Jorge Branquinho convidámos Helena Abreu a expor como representante dos artistas senenses no evento. As obras da artista destacaram-se naturalmente na exposição, pela qualidade do desenho e sentido da cor, impressionando os visitantes e os artistas de Coimbra, em particular o saudoso Pinho Dinis. Um dos senenses que se rendeu imediatamente à obra de Helena Abreu foi José Santos, então Presidente do Orfeão de Seia. Logo de seguida, o Orfeão de Seia editou uma serigrafia reproduzindo uma tela de Helena Abreu, colaboração repetida em 2007, com a edição de duas peças da Vista Alegre com desenhos da artista.


Serigrafia editada pelo Orfeão de Seia

Como ficou definitivamente provado na exposição retrospectiva de 2004, a obra de Helena Abreu possui características únicas e um lugar importante na História da Arte portuguesa do século XX – sendo citada sem favor na obra de referência do meio artístico nacional até 1990 (edição de actualização em 1991), o “Dicionário de Pintores e Escultores”, de Fernando Pamplona. De resto, a especificidade da sua obra tem sido sublinhada por diversos críticos e resultará da interacção de alguns princípios ordenadores, com destaque para as temáticas, que condicionam todo o trabalho. A preferência pela figura feminina e crianças, envoltas em serenidade, afectividade e alegria, deixa entrever uma concepção intimista de um mundo exterior agressivo e carregado de incertezas, mas transmite uma enorme ternura e redobrada esperança no próximo. “Esta tensão entre a objectividade e a interioridade, sempre perceptível nos seus trabalhos, manifesta-se principalmente na sua concepção de formas femininas” (Margarida Botelho, Diário de Lisboa, 06-04-1982).


Óleo de Helena Abreu


O elemento mais distintivo da sua obra, o desenho, está sempre visível e é estruturante, sem ser demasiado narrativo. Esquemático, com traços diluídos, o desenho define as formas, marcando a composição muito equilibrada, com fundos apenas sugeridos ou mesmo abstractos, jogando com as transparências e opacidades do claro-escuro para criar a ilusão da profundidade. Finalmente, a leveza e a luminosidade da cor percorre toda a obra. As cores frias predominam, reservando-se as cores quentes e os tons claros para as figuras principais.



Maria Helena Pais de Abreu nasceu em Santa Eulália, Seia, a 4 de Agosto de 1924. Reside no Porto desde 1935.

Licenciatura em Desenho – Escola Superior de Belas Artes do Porto e Universidade do Porto e Coimbra. Curso Especial de Pintura pela ESBAP. Curso de Pintura a Fresco dirigido pelo Mestre Dórdio Gomes.

Em 1952, inicia a sua actividade docente, que exerceu durante 36 anos. Publica entretanto o “Compêndio de Geometria Descritiva” (em parceria com o Dr. Ferrer Antunes), assim como o “Compêndio de Desenho” (em parceria com o Arq. Francisco Pessegueiro), que foi seleccionado como livro único durante quinze anos.

É mãe do arquitecto e pintor Abreu Pessegueiro.

Participou em mais de uma centena de exposições colectivas, de entre as quais: “Levantamento da Arte do Séc. XX”, Museu Soares dos Reis e Sociedade Nacional de Belas Artes (1975); “Salon des Artistes Français”, Grand-Palais, Paris (1977, 1980, 1985); “Salon d’Automne, Grand-Palais, Paris (1978); exposição em Charlotte (USA, 1981); XVIII Prix International d’Art Contemporain (Monte Carlo, Mónaco,1984); I, II, III, IV e V Bienal Internacional de Arte de V. N. Cerveira; I, II, III Bienal de Desenho, Cooperativa Árvore (Porto, 1983, 85, 87); Exposição da Cruz Vermelha, Expo’98; várias edições da Bienal dos Rotários de Vila Nova de Gaia; Estugarda (1991); várias exposições colectivas na Galeria de Arte do Casino Estoril.

Em 1968, realizou a sua primeira exposição individual, no Ateneu Comercial do Porto. Outras exposições individuais: Lourenço Marques (Maputo), 1972; Fundação Engº António de Almeida (1974, 78, 81, 83, 84, 86, 88); Vigo (Galiza) (1976); Museu de Aveiro (1986); Galeria Tempo, Lisboa (1987); Galeria de Arte do Casino Estoril (1992); Galeria Espaço d’Arte TLP, Porto (1993); Gonfilarte Galeria, Vila Praia de Âncora (1993); Biblioteca Municipal de Seia – CMS (1994); Paços do Concelho de Matosinhos (1995, 98, 2000); Sala de exposições do Posto de Turismo de Seia (2001- exposição integrada nas comemorações da elevação de Seia a cidade – 3 de Julho).

Em 2004, realizou uma importante exposição retrospectiva na Câmara Municipal de Matosinhos.
Em 2001, o Orfeão de Seia editou uma serigrafia a partir de uma obra da artista e, em 2007, duas peças em porcelana da Vista Alegre com desenhos de Helena Abreu, assinalando o 30º aniversário da colectividade.

Prémio Rodrigues Júnior em 1945 e 46. Menções Honrosas nos “Salon des Artistes Français”, Paris, 1978 e 1980; Prémio Almada Negreiros, 1994.

Membro da “Societé des Artistes Français” desde 1980.

Foi agraciada com as medalhas “Grau Prata” (1989) e Municipal de Mérito “Grau Ouro” pela Câmara Municipal do Porto.
Câmpanula de Mérito Cultural do Município de Seia, 03 de Julho de 2009.

Representada em Museus nacionais e em colecções oficiais e particulares, em Portugal e no estrangeiro, com destaque para: Fundação Engº António de Almeida, Porto; Museu de Arte Contemporânea, Lisboa; Museu Nacional de Aveiro; Ministério da Justiça; Câmara Municipal do Porto; Câmara Municipal de Matosinhos; Câmara Municipal de Maputo-Moçambique; Câmara Municipal de Seia; Palácio de São Bento (Assembleia da República), Lisboa.



Aguarela de Helena Abreu


Fontes: Helena Abreu, Bial, 1991 / “Dicionário de Pintores e Escultores”, de Fernando Pamplona / catálogos de exposições da artista / Jornal Porta da Estrela