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domingo, 3 de maio de 2015

Abriu a ARTIS XIII


 Abertura das exposições coletivas de artes plásticas e de fotografia do Artis XIII, com obras de desenho, pintura, escultura, colagem, instalação, homenagens a artistas e um excelente espetáculo da Orquestra Juvenil de Seia.


 Pintura de Sérgio Reis e Virgínia Pinto. Interessante combinação de materiais e de formas. Depois de surpreender na escultura, combinando diferentes materiais, Virgínia Pinto regressa à pintura para novas e felizes experimentações.

 "Imag ' in ' Action", do 7ª Sena - Núcleo Cinéfilo de Seia, "Geometria Cromática", de Glória Reis, "Natureza morta", de Alberto Alves

 Vista parcial da exposição de fotografia, no foyer do cineteatro da Casa da Cultura.

Natureza Mágica - fotografias de Pedro Ribeiro

No Porta da Estrela de 30 de abril, Pedro Ribeiro e o Espaço Museológico da Misericórdia de Seia.



Igreja da Misericórdia e Casa do Despacho, Seia. Óleo s/tela de Tânia Antimonova, Col. CMS.


quarta-feira, 8 de abril de 2009

Entre a Terra e o Céu - Fotografia de Carlos Marques


Encontra-se patente desde o início do mês de Abril, no Foyer do Cine-Teatro da Casa Municipal da Cultura, uma exposição de fotografia de Carlos Marques, intitulada “Da Serra e do Mar”.

Composta por 16 fotografias a preto e branco e 13 a cores, a exposição é bastante interessante (se abstraimos do objectivo indicado, "mostrar a diferença das tonalidades obtidas nas diferentes horas do dia") pois dá-nos a ver dois grupos de fotos diametralmente opostos:

- fotos a preto e branco / mar / homem presente / faina;
- fotos a cores / serra / homem ausente / paisagem.

No primeiro grupo, sem cor, assistimos a uma série de imagens da faina da pesca com arte da xávega. Nessa técnica ancestral, as redes são lançadas a curta distância da praia por um barco e depois puxadas para terra com a ajuda de bois e à força de braços. Praticamente extinta, a arte da xávega encontra-se muito ligada à história das comunidades piscatórias do litoral Norte e centro, pautada por constantes tragédias familiares originadas pelos naufrágios. Nessas comunidades, o ambiente psicológico continua a ser, em boa medida, a preto e branco, e o preto não é apenas a cor do luto mas sobretudo a marca da tragédia.

A embarcação que aparece nas fotos a romper as ondas é uma versão reduzida do extinto “barco do mar”, possante e bojudo, com quilha em forma de meia-lua e proa elevada, característico do litoral centro, de Espinho a Mira. Parece-me que as fotos foram tiradas no Furadouro.

A serra também tem recantos físicos e psicológicos a preto e branco, para não falar nos inevitáveis contrastes das paisagens nevadas, que também inegram a exposição. Porém, o contraste destacado por Carlos Marques mostra as cores da serra em fotos que nos fazem lembrar certas tardes da Primavera serrana. Algumas delas são, de facto, imagens belíssimas a propósito da serra - como as primeiras, a propósito do mar.

Convirá notar que a água é um elemento (quase) omnipresente, servindo de elo de ligação entre os dois conjuntos de fotografias. Num extremo, o mar imenso e profundo. No outro, os rios e lagos cuja superfície espelhada reflecte o envolvimento das margens e o tecto celeste. Nas belíssimas fotos em que a água do canal/levada funciona como um espelho, reflectindo o arvoredo e duplicando o céu, revela-se até ao mais distraído dos observadores uma surpreendente interactividade dos mundos: o real, o seu reflexo e a representação de ambos (nas fotografias de Carlos Marques) mais a negação de tudo isso (o vazio, o caos), não só coexistem como se explicam mutuamente.

Carlos Manuel Rodrigues Marques nasceu em Salreu, Estarreja, em 1954.
Frequentou vários cursos e workshops de fotografia.
Prefere a fotografia de natureza e paisagem.
A sua paixão pela fotografia levou-o a formar um Clube de Fotografia com alguns amigos, em 2002.
Várias exposições individuais e colectivas.
Os seus trabalhos receberam duas Menções Honrosas nos concursos “Ambiente em Imagens”, uma iniciativa da Câmara Municipal de Estarreja.




terça-feira, 31 de março de 2009

"Senhor e Deus" - fotografias de José Santos


Bem emoldurada pelo espírito pascal, surge esta nova exposição de fotografia de José Santos, que ainda há poucos dias encerrou a sua exposição de estreia, “Luzes”, no Museu de Grão Vasco em Viseu.

Intitulada “Senhor e Deus”, a mostra reúne quinze fotografias de grande formato, todas sobre a figura do Crucificado. O número 15 evoca as estações da Via-sacra.

Ao contrário das foto-pinturas de “Luzes”, estas fotografias perseguem assumidamente a figura do crucifixo, cuja forma difusa, etérea, acentua a espiritualidade da mera representação simbólica tradicional. Os efeitos da desfocagem e torção, desenhados pelo movimento da câmara em zoom- in e zoom-out, desdobram a imagem criando um original universo de novas leituras sugestivas.

A exposição abre ao público no dia 1 de Abril na sala de exposições do Posto de Turismo de Seia. No dia 4, a exposição será deslocada para a igreja nova de São Romão, integrando-se nas “II Jornadas do Conhecimento” , regressando no dia seguinte ao Posto de Turismo.
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domingo, 11 de janeiro de 2009

TODOS OS NOMES - OS OUTROS SÉRGIO REIS

É certo que os nomes interessam menos que as pessoas mas também é certo que passamos imenso tempo em busca de traços comuns, gostos ou interesses ou assuntos que nos associem uns aos outros, principalmente para não nos sentirmos sós ou isolados no meio da multidão.

A não ser que a associação onomástica seja ditada por mera comodidade de arrumação, como acontece nas enciclopédias, ela terá sempre consequências positivas. Mesmo que seja restrita, no caso dos nomes e apelidos raros, invulgares e condicionados pela genealogia, ou mais alargada, como acontece com os nomes vulgares e os apelidos comuns (os nossos Antónios e Josés Silvas, equivalentes ao John Smith britânico). Não me refiro evidentemente ao nome completo, que escapou inteiro ao arbítrio do nomeado, mas sim ao nome efectivamente utilizado pelas pessoas, geralmente um nome e um apelido, incluindo nomes artísticos e pseudónimos. Esses sim, foram escolhidos e até melhorados pelos próprios com vista a uma maior identificação – até ao exagero dos heterónimos, que se enquadram melhor nos distúrbios de personalidade, mesmo que forjados em contexto criativo, artístico ou literário.

A fixação doentia num nome é o fio condutor do romance de José Saramago, “Todos os Nomes” (1997). Ao contrário do Sr. José, protagonista dessa obra, não sou coleccionador de nomes nem estou disposto a correr todos os riscos para desembrulhar vidas alheias. Limitei-me a uma breve pesquisa no Google, completada com outras consultas mais convencionais, e terminei com seis Sérgios Reis, três dos quais ligados à criação e expressão artísticas.


Escultura de Sérgio Reis - eu - 1994

O Sérgio Reis mais famoso é nome artístico de Sérgio Bavine, cantor sertanejo muito popular no Brasil, mas interessei-me particularmente pelos dois Sérgios Reis portugueses, também naturais de Lisboa, com obras mais que interessantes nas áreas da Escultura/Medalhística e da Fotografia - ver olhares.aeiou.pt/o_outono_repousa_foto256335.html por exemplo. O Sérgio Reis Escultor tem uma curiosa ligação a Seia.


O fotógrafo Sérgio Reis

Outro Sérgio Reis é conhecido no Brasil pelos seus livros sobre os caminhos de Santiago e é uma figura da rádio e da TV de Porto Alegre. Ver mais dados sobre este Sérgio Reis em www.geocities.com/alkaest_2000/sergioreis.htm



Os dois restantes Sérgio Reis – o Director de Marketing de uma grande empresa brasileira e o Director Geral do Hotel Altis Belém – não me dizem tanto, por desenvolverem a sua actividade em áreas que não me interessam particularmente, mas registe-se que a sua nomeação para estes cargos ocorreu em 2008.


O Sérgio Reis Escultor

Nasceu na Lapa, Lisboa, a 1 de Julho de 1980 e reside em Vialonga. Curso de Escultura da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e formação específica na área da Medalhística e Artes Visuais para Monitores e Educadores de Expressão Plástica. Frequenta actualmente o Mestrado em Museologia e Museografia da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e tem exercido funções docentes de Educação Tecnológica e Educação Visual no ensino oficial.


O artista tem algumas ligações a Seia, em termos de experiência profissional, pois desempenhou funções de monitor numa colónia de férias em Seia na Quinta do Crestelo em 2006 e 2007.
É membro do Centro de Investigação de Medalha Contemporânea “Volte Face”, da Associação de Artistas Plásticos do Concelho de Vila Franca de Xira e membro fundador dos D’Forma 4.
Escultura de Sérgio Reis, 2008

Participou em diversas exposições colectivas em Portugal (Alhandra, Arruda dos Vinhos, Caxias, Horta – Faial, Lisboa, Moura, Parede, Seixal, Sobral de Monte Agraço, Vila Franca de Xira, Vila Verde), EUA (Filadélfia, Nova Iorque), Brasil (Rio de Janeiro), Finlândia, Áustria (Viena), Japão.
O artista tem desenvolvido um trabalho interessante no campo da escultura de espaços abertos, privilegiando a forma humana em posições dinâmicas ou de relacionamento.


Parque da Serafina, Monsanto, 2005

Tem obtido particular sucesso na área da Medalhística, com Menções Honrosas em diversos concursos nacionais e internacionais de Medalhas, com destaque para a Bienal Internacional de Medalha Contemporânea do Seixal (2003) e Bienal Internacional de Medalha Contemporânea Dorita Castel-Branco (2005 e 2007), assim como alguns prémios em concursos de troféus: Troféu FIKE (Festival Internacional de Curtas Metragens de Évora) em 2001; Troféu para o “Prémio Literário Fernando Namora” da Estoril Sol em 2004; troféu para o “Mundial de Pirotecnia de Lisboa 2006”.


O Sérgio Reis Cantor

Sérgio Bavine nasceu em São Paulo (Bairro de Santana*), a 23 de Junho de 1940.

Começou na Jovem Guarda, onde obteve sucesso com “Coração de papel” (1967) e gravou o seu primeiro disco de música sertaneja em 1972. O seu disco "O Melhor de Sérgio Reis", lançado em 1981, vendeu mais de 1 milhão de cópias.


O cantor sertanejo ficou conhecido em Portugal desde a sua participação na telenovela “O Rei do Gado” (Rede Globo, 1996/1997), onde desempenhou o papel de cantor num dueto sertanejo de ficção denominado "Pirilampo & Saracura" e assinou algumas músicas da trilha sonora. Na telenovela “Pantanal” (1990, Rede Manchete) fez o papel de Tibério.

Em 2003, gravou seu primeiro DVD, "Sérgio Reis e filhos - violas e violeiros". Grandes nomes da música popular brasileira gravaram duetos com Sérgio Reis, que possui um disco de homenagem a Roberto Carlos.

Mais dados na página oficial: http://www.sergioreis.com.br

O artista é autor da maior parte das suas canções. Uma delas, intitula-se “O Pincel e o Criador”:

O Pincel E O Criador (Sérgio Reis)

Se Desenhar O Céu Colorir O Mar
Navegar Num Barquinho De Papel
Seguindo O Brilho Da Imaginação
Que Sai Do Pincel
Vai Ver A Lua Dançar E O Sol Sorrir
A Terra Com O Sonho Se Encontrar
A Vida Acordar Para Aplaudir
O Amor Cantar
Cada Passo Que Se Dá
Pra Sempre Em Sua Historia As Marcas Vão Ficar
Faça O Bem E O Bem Terá
É Só Acreditar Ter Fé Pra Tudo Realizar
Deixe A Luz De Cada Ser
Mostrar O Solo Que Ainda Não Pisou
Faça O Que Quiser Fazer
Sem Esquecer Que O Amor A Sua Imagem O Criou
Sorrindo, Cantando
Um Pedacinho De Papel
Na Mão Um Lápis E Um Pincel
Pra Retocar A Emoção
Fazer Feliz Um Coração


Fontes: indicadas no texto; Câmara Municipal de Sobral de Monte Agraço; Parque Recreativo do Alto da Serafina.

domingo, 4 de janeiro de 2009

José Santos e a “pintura com luz”

"Luzes" - Exposição no Museu Grão Vasco, Viseu, de 14 de Fevereiro a 21 de Março 2009.
"Senhor e Deus" - Exposição no Posto de Turismo de Seia, de 01 a 15 de Abril 2009.
Referência: Fernando Aznar (São Paulo, Brasil) em croquideluz.blogspot.com. Ver conteúdo.

A “pintura com luz” (ver texto em baixo) é uma modalidade recente mas cada vez mais explorada da fotografia, caracterizada pela utilização “plástica” da cor para exprimir conteúdos estéticos e poéticos da realidade. O termo “plástico” é a chave do conceito, na medida em que acciona uma identificação com a pintura (cuja matéria primordial é a cor), o que se compreende perfeitamente contemplando os trabalhos de José Santos.

Foto de José Santos

As fotografias de José Santos, que me parece ser um excepcional representante da actual “light painting”, caracterizam-se pelo elevado nível de utilização da cor, muitas vezes apresentada como corpo dinâmico, sugerindo ritmos, movimento, realçando os valores da cor e a interacção entre cores em composições abstractas de grande dinamismo e equilíbrio cromático. “Abstractas” no sentido em que valem por si próprias ao dispensarem qualquer sentido ou carga narrativa, mas com o poder de inspirar emoções, invocar memórias, induzir viagens imaginárias, fomentar o sonho – provando uma vez mais que são inúmeras as possibilidades de apreensão e exploração estética do real.

Estes resultados surpreendentes, acima das melhores expectativas, são alcançados com o mínimo de material e nenhum outro artifício para além da criteriosa selecção do objecto luminoso a fotografar e manipulação exclusiva dos meios mecânicos ao seu dispor, valendo-se do seu sentido estético sensível e de uma técnica fotográfica de experiência feita, sempre aberta a novas experimentações. Aí sobressai o melhor do artista, o entusiasmo com que explora de modo instintivo e emocional realidades apenas possíveis em universos que estão fora do alcance da visão humana comum.
Não se trata de uma fotografia “arranjada”, “manipulada”, “fabricada” em laboratório ou com recurso a programas informáticos – a denominada “fotografia fabricada”, uma das vertentes da “Fotografia manipulada”, que surgiu em meados dos anos 70 do século XX nos Estados Unidos e na Europa. José Santos recusa a utilização de software de optimização da imagem a nível da cor e até a tentação de alterar o enquadramento, com a preocupação de manter intacta a imagem inicial. Esta é, aliás, uma das condições da “light painting”, havendo quem vigie e critique estes procedimentos – como a artista canadense de origem russa, Tatiana Slepukhin, conselheira da “Photographic Society of America” na área da “light painting”.

Como artista, Tatiana Slepukhin pratica manipulações luminosas selectivas dos elementos a fotografar, geralmente monumentos e paisagens, intensificando o poder emotivo da cor no objecto fotográfico. A uma outra escala, as fotografias de José Santos impressionam igualmente pelo sentido poético da cor mas os conteúdos plásticos abstractos remetem para contextos estéticos marcados por uma enorme liberdade expressiva. Observando as fotografias de José Santos encontramos com facilidade as ambiências estéticas e as linhas definidoras da obra de Mikhaïl Larionov (Rayonismo), Willem de Kooning e Mark Rothko (Expressionismo abstracto), Jackson Pollock (Action Painting), Georges Mathieu (Arte informal), Frank Stella e Sol LeWitt (Minimal art).
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foto José Santos

Para os mais exigentes, a contemplação dos seus trabalhos de “pintura com luz” reclamará continuamente os parâmetros de interpretação plástica e usufruto estético próprios da pintura, numa saudável correspondência entre artes e géneros artísticos, concedendo à sua fotografia novos sentidos e horizontes. Uma interacção nada acidental, pois José Santos mantém há muitos anos uma relação pessoalíssima com a pintura. Conhecendo-se o Homem – de espírito jovem, curioso e dinâmico – compreende-se que a sua entrada no mundo das artes, como autor, não poderia ter sido de outra forma.


José Rodrigues Lopes dos Santos nasceu em Vila Verde e estudou no Porto, na Escola Raul Dória. Viveu seis anos nos Estados Unidos da América, onde frequentou a Union College, a Rutger’s University e participou activamente em várias iniciativas no campo cultural e nos media.
Foi Presidente do Orfeão de Seia, promovendo e dinamizando diversas acções de índole cultural e associativa, notavelmente o Primeiro Congresso Nacional de Coros (donde veio a ser criada a Federação Portuguesa de Coros), a promoção do Orfeão a Instituição de Utilidade Pública, a co-organização (com Mário Jorge Branquinho / jornal “Notícias da Serra”) da 1ª Gala do Concelho de Seia, preparação e apresentação de várias exposições, edição de serigrafias de Helena Abreu e António Joaquim, entre outras.

Dedica-se à fotografia nos tempos livres. A sua primeiríssima exposição decorrerá entre 14 de Fevereiro e 21 de Março de 2009 no Museu Grão Vasco, Viseu.

Foi distinguido, em 2008, com a Campânula de Mérito Empresarial, pelo Município de Seia, pelo trabalho de “mais de 50 anos na fábrica de curtumes que seu pai fundou, (…) acompanhando a evolução tanto do mercado como das técnicas de preparação das peles, protagonizando algumas acções que são marcos decisivos para que a empresa ainda hoje possa continuar a laborar.”

Fonte: “Mérito Municipal – Município de Seia – 03 JULHO 2008, edição CMS.


Desenhar e pintar com a luz

No período entre as duas grandes guerras do séc. XX, alguma fotografia já beneficiava de estatuto artístico e integrava as vanguardas artísticas internacionais, após a bem sucedida “batalha” dos “picturalistas”. No final do século XIX, os “picturalistas” justificavam a sua fotografia subjectiva, emocional, com as limitações da fotografia dita objectiva na apreensão do momento estético do real e exigiram a promoção da sua fotografia à categoria de Arte.

Robert Demachy, 1904

Artistas polivalentes como Man Ray, Robert Tatlin, Hans Bellmer, César Domela ou Alexandre Rodchenko integraram as suas experiências fotográficas na própria obra, praticando uma fotografia com preocupações artísticas e processos inovadores (fotomontagens, polarizações) que ficou conhecida por fotografia “plástica”.

Picasso desenhando com uma lanterna, 1924

Pablo Picasso realizou algumas experiências com luz, movido pela sua famosa curiosidade por tudo o que lhe parecia novo e diferente, a ponto de ser considerado um dos artistas mais polivalentes do séc. XX. Numa série de fotografias datadas de 1924, Picasso aparece a desenhar com uma lanterna. Utilizando recursos exclusivamente mecânicos (velocidade do obturador/tempo de exposição, abertura do diafragma), o fotógrafo de Picasso registou o movimento da lâmpada no escuro apreendendo e capturando todo o sentido do desenho do gesto, o percurso do ponto de luz, e finalmente o autor quando o flash dispara. Picasso chamou a este exercício “light graffitti” (rabisco de luz), sublinhando o desenho fotografado, designação que evoluiu para “Luminografia”, expressão que retoma a importância do processo fotográfico (foto+grafia = escrever com luz) na fixação do desenho de luz, e para “light paiting” (pintura com luz).