domingo, 3 de maio de 2015
Abriu a ARTIS XIII
Natureza Mágica - fotografias de Pedro Ribeiro
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Entre a Terra e o Céu - Fotografia de Carlos Marques
Composta por 16 fotografias a preto e branco e 13 a cores, a exposição é bastante interessante (se abstraimos do objectivo indicado, "mostrar a diferença das tonalidades obtidas nas diferentes horas do dia") pois dá-nos a ver dois grupos de fotos diametralmente opostos:
- fotos a preto e branco / mar / homem presente / faina;
- fotos a cores / serra / homem ausente / paisagem.
No primeiro grupo, sem cor, assistimos a uma série de imagens da faina da pesca com arte da xávega. Nessa técnica ancestral, as redes são lançadas a curta distância da praia por um barco e depois puxadas para terra com a ajuda de bois e à força de braços. Praticamente extinta, a arte da xávega encontra-se muito ligada à história das comunidades piscatórias do litoral Norte e centro, pautada por constantes tragédias familiares originadas pelos naufrágios. Nessas comunidades, o ambiente psicológico continua a ser, em boa medida, a preto e branco, e o preto não é apenas a cor do luto mas sobretudo a marca da tragédia.
A embarcação que aparece nas fotos a romper as ondas é uma versão reduzida do extinto “barco do mar”, possante e bojudo, com quilha em forma de meia-lua e proa elevada, característico do litoral centro, de Espinho a Mira. Parece-me que as fotos foram tiradas no Furadouro.
A serra também tem recantos físicos e psicológicos a preto e branco, para não falar nos inevitáveis contrastes das paisagens nevadas, que também inegram a exposição. Porém, o contraste destacado por Carlos Marques mostra as cores da serra em fotos que nos fazem lembrar certas tardes da Primavera serrana. Algumas delas são, de facto, imagens belíssimas a propósito da serra - como as primeiras, a propósito do mar.
Convirá notar que a água é um elemento (quase) omnipresente, servindo de elo de ligação entre os dois conjuntos de fotografias. Num extremo, o mar imenso e profundo. No outro, os rios e lagos cuja superfície espelhada reflecte o envolvimento das margens e o tecto celeste. Nas belíssimas fotos em que a água do canal/levada funciona como um espelho, reflectindo o arvoredo e duplicando o céu, revela-se até ao mais distraído dos observadores uma surpreendente interactividade dos mundos: o real, o seu reflexo e a representação de ambos (nas fotografias de Carlos Marques) mais a negação de tudo isso (o vazio, o caos), não só coexistem como se explicam mutuamente.
Carlos Manuel Rodrigues Marques nasceu em Salreu, Estarreja, em 1954.
Frequentou vários cursos e workshops de fotografia.
Prefere a fotografia de natureza e paisagem.
A sua paixão pela fotografia levou-o a formar um Clube de Fotografia com alguns amigos, em 2002.
Várias exposições individuais e colectivas.
Os seus trabalhos receberam duas Menções Honrosas nos concursos “Ambiente em Imagens”, uma iniciativa da Câmara Municipal de Estarreja.
terça-feira, 31 de março de 2009
"Senhor e Deus" - fotografias de José Santos
Ao contrário das foto-pinturas de “Luzes”, estas fotografias perseguem assumidamente a figura do crucifixo, cuja forma difusa, etérea, acentua a espiritualidade da mera representação simbólica tradicional. Os efeitos da desfocagem e torção, desenhados pelo movimento da câmara em zoom- in e zoom-out, desdobram a imagem criando um original universo de novas leituras sugestivas.
domingo, 11 de janeiro de 2009
TODOS OS NOMES - OS OUTROS SÉRGIO REIS
A fixação doentia num nome é o fio condutor do romance de José Saramago, “Todos os Nomes” (1997). Ao contrário do Sr. José, protagonista dessa obra, não sou coleccionador de nomes nem estou disposto a correr todos os riscos para desembrulhar vidas alheias. Limitei-me a uma breve pesquisa no Google, completada com outras consultas mais convencionais, e terminei com seis Sérgios Reis, três dos quais ligados à criação e expressão artísticas.
Escultura de Sérgio Reis - eu - 1994 
O fotógrafo Sérgio Reis
Outro Sérgio Reis é conhecido no Brasil pelos seus livros sobre os caminhos de Santiago e é uma figura da rádio e da TV de Porto Alegre. Ver mais dados sobre este Sérgio Reis em www.geocities.com/alkaest_2000/sergioreis.htm

Os dois restantes Sérgio Reis – o Director de Marketing de uma grande empresa brasileira e o Director Geral do Hotel Altis Belém – não me dizem tanto, por desenvolverem a sua actividade em áreas que não me interessam particularmente, mas registe-se que a sua nomeação para estes cargos ocorreu em 2008.
O Sérgio Reis Escultor
É membro do Centro de Investigação de Medalha Contemporânea “Volte Face”, da Associação de Artistas Plásticos do Concelho de Vila Franca de Xira e membro fundador dos D’Forma 4.
Participou em diversas exposições colectivas em Portugal (Alhandra, Arruda dos Vinhos, Caxias, Horta – Faial, Lisboa, Moura, Parede, Seixal, Sobral de Monte Agraço, Vila Franca de Xira, Vila Verde), EUA (Filadélfia, Nova Iorque), Brasil (Rio de Janeiro), Finlândia, Áustria (Viena), Japão.
O artista tem desenvolvido um trabalho interessante no campo da escultura de espaços abertos, privilegiando a forma humana em posições dinâmicas ou de relacionamento.

O artista é autor da maior parte das suas canções. Uma delas, intitula-se “O Pincel e o Criador”:
Se Desenhar O Céu Colorir O Mar
Navegar Num Barquinho De Papel
Seguindo O Brilho Da Imaginação
Que Sai Do Pincel
Vai Ver A Lua Dançar E O Sol Sorrir
A Terra Com O Sonho Se Encontrar
A Vida Acordar Para Aplaudir
O Amor Cantar
Cada Passo Que Se Dá
Pra Sempre Em Sua Historia As Marcas Vão Ficar
Faça O Bem E O Bem Terá
É Só Acreditar Ter Fé Pra Tudo Realizar
Deixe A Luz De Cada Ser
Mostrar O Solo Que Ainda Não Pisou
Faça O Que Quiser Fazer
Sem Esquecer Que O Amor A Sua Imagem O Criou
Sorrindo, Cantando
Um Pedacinho De Papel
Na Mão Um Lápis E Um Pincel
Pra Retocar A Emoção
Fazer Feliz Um Coração
domingo, 4 de janeiro de 2009
José Santos e a “pintura com luz”
Foto de José Santos Estes resultados surpreendentes, acima das melhores expectativas, são alcançados com o mínimo de material e nenhum outro artifício para além da criteriosa selecção do objecto luminoso a fotografar e manipulação exclusiva dos meios mecânicos ao seu dispor, valendo-se do seu sentido estético sensível e de uma técnica fotográfica de experiência feita, sempre aberta a novas experimentações. Aí sobressai o melhor do artista, o entusiasmo com que explora de modo instintivo e emocional realidades apenas possíveis em universos que estão fora do alcance da visão humana comum.
Como artista, Tatiana Slepukhin pratica manipulações luminosas selectivas dos elementos a fotografar, geralmente monumentos e paisagens, intensificando o poder emotivo da cor no objecto fotográfico. A uma outra escala, as fotografias de José Santos impressionam igualmente pelo sentido poético da cor mas os conteúdos plásticos abstractos remetem para contextos estéticos marcados por uma enorme liberdade expressiva. Observando as fotografias de José Santos encontramos com facilidade as ambiências estéticas e as linhas definidoras da obra de Mikhaïl Larionov (Rayonismo), Willem de Kooning e Mark Rothko (Expressionismo abstracto), Jackson Pollock (Action Painting), Georges Mathieu (Arte informal), Frank Stella e Sol LeWitt (Minimal art).
foto José Santos
Para os mais exigentes, a contemplação dos seus trabalhos de “pintura com luz” reclamará continuamente os parâmetros de interpretação plástica e usufruto estético próprios da pintura, numa saudável correspondência entre artes e géneros artísticos, concedendo à sua fotografia novos sentidos e horizontes. Uma interacção nada acidental, pois José Santos mantém há muitos anos uma relação pessoalíssima com a pintura. Conhecendo-se o Homem – de espírito jovem, curioso e dinâmico – compreende-se que a sua entrada no mundo das artes, como autor, não poderia ter sido de outra forma.
José Rodrigues Lopes dos Santos nasceu em Vila Verde e estudou no Porto, na Escola Raul Dória. Viveu seis anos nos Estados Unidos da América, onde frequentou a Union College, a Rutger’s University e participou activamente em várias iniciativas no campo cultural e nos media.Foi Presidente do Orfeão de Seia, promovendo e dinamizando diversas acções de índole cultural e associativa, notavelmente o Primeiro Congresso Nacional de Coros (donde veio a ser criada a Federação Portuguesa de Coros), a promoção do Orfeão a Instituição de Utilidade Pública, a co-organização (com Mário Jorge Branquinho / jornal “Notícias da Serra”) da 1ª Gala do Concelho de Seia, preparação e apresentação de várias exposições, edição de serigrafias de Helena Abreu e António Joaquim, entre outras.
Foi distinguido, em 2008, com a Campânula de Mérito Empresarial, pelo Município de Seia, pelo trabalho de “mais de 50 anos na fábrica de curtumes que seu pai fundou, (…) acompanhando a evolução tanto do mercado como das técnicas de preparação das peles, protagonizando algumas acções que são marcos decisivos para que a empresa ainda hoje possa continuar a laborar.”
Robert Demachy, 1904 Artistas polivalentes como Man Ray, Robert Tatlin, Hans Bellmer, César Domela ou Alexandre Rodchenko integraram as suas experiências fotográficas na própria obra, praticando uma fotografia com preocupações artísticas e processos inovadores (fotomontagens, polarizações) que ficou conhecida por fotografia “plástica”.
Pablo Picasso realizou algumas experiências com luz, movido pela sua famosa curiosidade por tudo o que lhe parecia novo e diferente, a ponto de ser considerado um dos artistas mais polivalentes do séc. XX. Numa série de fotografias datadas de 1924, Picasso aparece a desenhar com uma lanterna. Utilizando recursos exclusivamente mecânicos (velocidade do obturador/tempo de exposição, abertura do diafragma), o fotógrafo de Picasso registou o movimento da lâmpada no escuro apreendendo e capturando todo o sentido do desenho do gesto, o percurso do ponto de luz, e finalmente o autor quando o flash dispara. Picasso chamou a este exercício “light graffitti” (rabisco de luz), sublinhando o desenho fotografado, designação que evoluiu para “Luminografia”, expressão que retoma a importância do processo fotográfico (foto+grafia = escrever com luz) na fixação do desenho de luz, e para “light paiting” (pintura com luz).







