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terça-feira, 23 de junho de 2015

Um desenho com 40 anos


Fernando Augusto Rocha enviou-me este desenho com quase 40 anos. Uma brincadeira a propósito da dificuldade de se arranjar, então, acomodações em conta para estudantes, no Porto. Corria o ano de 1978, o nosso primeiro ano na ESBAP... depois de um ano propedêutico, com trabalho comunitário (serviço cívico), e complicados exames nacionais de acesso.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Desenho, criação e consciência


Luís Filipe S. P. Rodrigues, 2010. 408 pp. Contém entrevistas a: Alberto Carneiro, Alcino Soutinho, Álvaro Siza Vieira,Ângelo de Sousa, António Pedro, Jaime Silva, José Rodrigues, Lagoa Henriques,Luísa Arruda, Luísa Gonçalves, Mário Bismark, Pedro Saraiva e Vítor Silva.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Primeiras obras de Marwan em Serralves


Exposição das primeiras obras do artista sírio Marwan, nome artístico de Mohamed Marouan Kassab-Bachi  (n. Damasco, 1934) no Museu de Serralves -  desenhos com variados meios e técnicas, aguarelas e pintura a óleo realizadas entre 1962 e 1972. A diretora do Museu, Suzanne Cotter, continua apostada em divulgar artistas do médio oriente, seguindo-se a primeira exposição antológica da artista iraniana Monir Shahroudy Farmanfarmaian (n. Qazvin, 1924), em fase de montagem e com inauguração marcada para 5ª feira, dia 9.

Em 1957, Marwan fixou-se em Berlim, desenvolvendo a partir daí uma carreira internacional. Contemporâneo de Georg Baselitz, a sua obra enquadra-se na chamada Nova Figuração. Frequentou durante seis anos o atelier de Hann Trier (1915-1999), período que deu lugar a uma significativa produção de desenhos, abundantemente representada na exposição.


A oferta de arte contemporânea em Serralves completa-se com algumas obras da coleção do museu, destacando-se as obras com movimento e som de Liam Gillick e as formas geométricas em quadros improvisados de Amalia Pica. 

 Autorretrato, 1964

 A Cruz, 1966

 Cara Paisagem, 1972

 Homem com boneca, 1971

 Vista parcial



Obra da artista argentina Amália Pica (Coleção de Serralves)

Desenhos de Siza Vieira no Porto


Exposição de desenhos de Álvaro Siza Vieira num espaço projetado pelo próprio, a Ginkgo Gallery, no Centro Comercial Miguel Bombarda, Porto. 

Fotos: Glória Reis.


O tema dos centauros

"Judith e Holoferne"


sábado, 20 de setembro de 2014

Rute Gonzalez na Casa da Cultura – uma lição de desenho

"Avós", Rute Gonzalez. Vista parcial da exposição.

Em exposição na Casa Municipal da Cultura de Seia até final de setembro, as obras de Rute Gonzalez demonstram as possibilidades do desenho e permitem entender como essa forma universal de conhecer e comunicar através do “risco” (como era antigamente referido o desenho) reforça os seus poderes expressivos ao confluir com a pintura. Para além do interesse técnico e artístico específico de cada obra, a exposição oferece uma visão muito completa do projeto desenvolvido pela artista desde 2013, que tem por base o retrato da pessoa idosa.

O desenho e a pintura são áreas artísticas com a mesma origem e limites comuns, em constante diálogo histórico e grande protagonismo nos atuais meios e processos de difusão da informação e conhecimento. Mesmo nas obras mais clássicas de pura pintura, realista ou abstrata, é evidente a presença de um desenho que organiza cada obra desde a sua origem, o processo de criação, à interpretação pelo público. Esse desenho pode estar claramente definido e integrado na pintura ou existir mesmo num domínio virtual – no caso dos pintores que trabalhavam as cores diretamente na tela (como Columbano, por exemplo) e que reconheciam a preexistência de um desenho trabalhado no plano da imaginação, uma imagem mental, uma construção intelectual.

Na conceção das suas obras, Rute Gonzalez opta claramente pelo gestualismo, criando traços que se desenvolvem criteriosamente no espaço do suporte de papel kraft colorido, limitado em altura (2,3 metros) pelo alcance da mão da artista. À expressividade do traço, a artista junta a mancha colorida e a subtil mistura de cores, utilizando um material vocacionado para fundir desenho e pintura, o pastel de óleo. A construção dos seus retratos imaginados de “Idosos” ou de “Avós” compreende assim um mapa de gestos centralizados na máscara facial, que secundariza o retrato puro e simples, os sinais distintivos da identidade, para destacar as marcas da idade, o envelhecimento traduzido em linhas, texturas, cor.

O amplo espaço do salão das magnólias e as galerias da Casa da Cultura de Seia permitiram a exposição de 30 desenhos de Rute Gonzalez - a maior parte das obras produzidas no âmbito deste projeto específico, visando a exploração simultaneamente gráfica e plástica de retratos de idosos. Desde 2013, a artista mostrou algumas das peças deste seu projeto em espaços mais contidos: Montebelo Aguieira Resort (agosto de 2013); Cineteatro de Mortágua (setembro de 2013); TR Bar (Lisboa, outubro 2013); Biblioteca Municipal de Condeixa (fevereiro 2013), Biblioteca Municipal João Brandão (Tábua, maio de 2013).


Natural de Mortágua, Rute Gonzalez licenciou-se em Pintura na ARCA de Coimbra, tendo já exposto individual ou coletivamente nas principais cidades portuguesas e em diversas localidades do centro do país.





quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O Território do Desenho de Ventura Porfírio

Ventura Porfírio - foto do catálogo/divulgação da exposição

Entre 7 de junho e 22 de Setembro, o Museu Soares dos Reis apresentou uma pequena mostra de desenhos de Ventura Porfírio, realizados entre 1958 e 1967 com meios riscadores ainda muito pouco utilizados por artistas, nessa época – como as canetas de feltro.

Ventura Porfírio nasceu a 26 de Agosto de 1908 em Castelo de Vide em 1908. Faleceu em 1998 em Portalegre. A sua formação passou pela Escola Superior de Belas Artes do Porto e pelo atelier de Vasquez Dias em Madrid, entregando-se depois a diversas atividades e desempenhando vários cargos. Era conservador do Palácio Nacional de Queluz à data da aposentação, por motivo de doença. Regressou a Castelo de Vide em 1973, envolvendo-se ativamente  nas dinâmicas locais. Projetou e orientou as obras de decoração do do Salão Nobre dos Paços do Concelho de Castelo de Vide, da Fonte da Senhora da Penha e do túmulo do capitão Salgueiro Maia, em Castelo de Vide.

Desenho, caneta de feltro s/papel, 1965


quinta-feira, 28 de março de 2013

Desenhos a esferográfica desde 1950



Abriu ao público a 24 de março, no Aldrich Contemporary Art Museum (Ridgefield, EUA), uma curiosa exposição sobre a utilização da esferográfica no desenho desde 1950. A mostra decorre até 25 de agosto e reúne obras de Alberto Giacometti (Suíça, 1901-1966), Alighiero Boetti (Itália, 1940-1994), Bill Adams (EUA, 1957), Dawn Clements (EUA, 1958), Jan Fabre (Bélgica, 1958), Joanne Greenbaum (EUA, 1953), Martin Kippenberger (Alemanha, 1953-1997), Il Lee (seul, Coreia do Sul, 1952), Rita Ackermann (Hungria, 1968), Russell Crotty (EUA, 1956), Toyin Odutola (Nigéria, 1985).

A ideia do funcionamento da caneta de ponta esférica surgiu no final do século XIX e foi desenvolvida nos anos 30 do séc. XX, mas o objeto que conhecemos como esferográfica deve-se a Laszlo Biro (1899-1985), um inventor húngaro que emigrou para a Argentina em 1940, fugindo do conflito que ensombrava a Europa.

Durante mais de 60 anos, após a sua popularização nos anos 1950, a caneta esferográfica foi o principal utensílio de escrita em todo o mundo e, apesar do uso do computador ter revolucionado a escrita, nunca se produziram e venderam tantas esferográficas como hoje.

Como é reconhecido, trata-se de um objeto fiável, durável, seguro contra derrames de tinta, fácil de utilizar e acessível – à venda em toda a parte e de baixo custo. O que nem toda a gente sabe é que a esferográfica foi e continua a ser utilizada por artistas na criação de imagens impressionantes. Sendo um objeto vulgar, produzido em quantidades astronómicas e ao alcance de todos, não encaixa nos parâmetros que o senso comum convencionou para o utensílio artístico, cuja origem mítica evoca instrumentos capazes de grandes prodígios, assombrosas “magias”. Basta lembrar a varinha mágica da mitologia europeia, a caduceus de Hermes ou a vara de Moisés. Mas como vai provando a arte contemporânea, que privilegia a experimentação de novos materiais e utensílios, o artista pode criar com qualquer coisa, desde o material mais nobre e raro a materiais vulgares e desprezados, do fino pincel de marta ao graveto mais tosco e ao próprio dedo. O próprio objeto permite diversas abordagens ao nível do design.

Ainda nos anos 1940, o argentino Lucio Fontana (Rosário, 1899-1968) foi um dos primeiros artistas a explorar as possibilidades do desenho com esferográfica. Alberto Giacometti e Andy Warhol também realizariam desenhos com esferográfica nos anos 1950 e 60,  após a difusão da Bic Cristal na Europa e na América do Norte (1951). Nos anos 70, o norte-americano Cy Twombly (EUA, 1928-2011) expôs desenhos a esferográfica, no seguimento das suas experiências com materiais vulgares.

O conceito de esferográfica depende não só da ponta esférica mas também do tipo de tinta (ISO 12757-2) e as possibilidades expressivas ampliaram-se com as esferográficas de tinta colorida. A preto ou a cores, a esferográfica foi utilizada por artistas das mais diversas tendências artísticas em todo o mundo, por vezes combinada com outros meios e técnicas – com destaque para as obras do alemão Martin Kippenberger, sobretudo da série iniciada em 1987, “Desenhos de hotel”. Kippenberger combinou a esferográfica com a caneta de feltro e aguarelas nos seus desenhos, recorrendo ainda à colagem e a materiais decalcáveis.

Artistas abstratos e figurativos continuam a utilizar fluentemente a esferográfica,  embora os desenhos hiper-realistas sejam mais populares, com destaque para as obras de Juan Francisco Casas (Jaén, Espanha, 1976) e James Mylne  (Londres, GB, 1981). Um alegado artista português autodidata, Samuel Silva, tem difundido na internet alguns trabalhos que apresenta como desenhos, havendo suspeitas sobre a sua autenticidade e até da sua identidade. Existe um artista português chamado Samuel Silva (Samuel Joaquim Moreira da Silva), nascido no Vale do Ave em 1983, que se dedica sobretudo à escultura e à instalação.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

ANTÓNIO JÚLIO VAZ SARAIVA (J.V.S)

Exposição retrospectiva:
Cine-Teatro da Casa Municipal da Cultura, 3 a 5 de Julho 2009
Posto de Turismo de Seia, 6 a 31 de Julho de 2009 - Ver imagens desta exposição
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Foi recentemente divulgada a lista de personalidades do concelho a distinguir no dia 03 de Julho, Dia do Município de Seia, com a Campânula de Mérito Municipal. Entre as 22 personalidades da cultura, desenvolvimento social, indústria e desporto, figuram dois artistas: Maria Helena Pais de Abreu (Mérito Cultural) e António Júlio Vaz Saraiva (Mérito e Dedicação).

Helena Abreu vai receber, finalmente, uma distinção oficial da autarquia senense, sete anos após ter recebido o prémio “Senense no Exterior” na I Gala do Concelho de Seia, organizado pelo Jornal Notícias da Serra e Orfeão de Seia, em 29 de Junho de 2002.

Também já tardava o reconhecimento público (ver imagens) do trabalho diversificado de António Júlio Vaz Saraiva na valorização e promoção de Seia, onde nasceu a 09 de Maio de 1928. Terminou a sua vida profissional como chefe da secção de desenho da E.H.E.S.E. (Empresa Hidro-Eléctrica da Serra da Estrela), para onde entrou aos 16 anos como desenhador.

Desenhador e ilustrador com vasta obra dispersa, grande parte dela reproduzida em jornais locais, iniciou-se nas lides culturais ainda muito jovem, em 1946, fundando com o seu amigo Hermano Marques dos Santos (Seia, 1929) um semanário juvenil, “O Viriato” (Jornal do Centro Extra-Escolar Nº1, 1946), editado em papel heliográfico.


Hermano Marques dos Santos emigrou logo depois para África (Congo Belga, actual Zaire) e Júlio Vaz Saraiva entregou-se a outros desafios, a começar pela direcção artística de “A Voz dos Novos”, separata do jornal “A Voz da Serra”, publicada no início dos anos 50 do século XX.
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Em 1964, elaborou o Mapa Turístico da Serra da Estrela, para a Residência Serra da Estrela (então inaugurada em Seia, no edifício hoje ocupado pela Caixa de Crédito Agrícola).

Participou em algumas exposições colectivas de desenho e de fotografia, entre as quais a Exposição Nacional de Desenho/Prémio Tavares Correia/EPSE (Seia e Oliveira do Hospital, 1996) e na I e II Exposição Colectiva de Artistas Senenses (1999 e 2000).
Como fotógrafo amador, desde os anos 40, participou em vários concursos regionais e nacionais de fotografia. É também coleccionador, tendo reunido ao longo de décadas um vasto espólio fotográfico.
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O Património local é o tema principal dos seus desenhos, através dos quais evoca frequentemente a memória de recantos e lugares já desaparecidos, que o artista conheceu. Amante da sua terra natal, tem participado em diversos trabalhos de valorização e defesa do Património histórico de Seia e do concelho, colaborou na reconstrução do pelourinho de Loriga, em 1998, elaborando um projecto a partir da descrição do antigo pelourinho pelo Capitão Dr. António Dias, dos anos 50, e, com José Alberto Ferreira Matias, realizou o levantamento (medições e desenhos) de dois pequenos elementos do primitivo pelourinho de Seia (Porta da Estrela, 28-02-2006) que permitiram esclarecer as dúvidas sobre a sua forma original.
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Antiga cadeia de Seia - desenho de J.V.S.

Ilustrou obras do poeta de Seia, Fernando de Melo Sequeira Mendes (1925-2001), com destaque para os livros “Seia, Terra que Canto” (edição dos autores, 1994, e 2ª edição da Câmara M. de Seia, em 1995), “Raízes” (edição do autor, Julho de 1998), “Postais coloridos – Luís Ferreira Matias” (Câmara Municipal de Seia, 1996), selecção e organização de José Alberto Ferreira Matias e fotos de Eduardo Correia, “A Vila de Seia: subsídios históricos”, de Manuel da Mota Veiga Casal (edição do Clube de Pessoal da EDP-Seia, 1999), juntamente com José Alberto Ferreira Matias; 90º Aniversário da Fundação da EHESE – Empresa Hidroeléctrica da Serra da Estrela (Câmara Municipal de Seia, 1999), juntamente com Carlos Marrão dos Santos e Humberto Manuel Sena Mota Veiga, e para a rubrica “Figuras e Figurões”, publicada no Jornal de Santa Marinha nos anos 90, da qual resultou o livro “Figuras e Figurões” – 25 figuras senenses, tratadas em verso por Sequeira Mendes e caricaturadas por Júlio Vaz Saraiva (Seia, 1999).

Desenho de J.V.S para a capa de Seia, Terra que Canto

Em 1996, concebeu o painel de azulejos que envolvem a Fonte Nova, no início da avenida 1º de Maio, e assinou alguns cartoons em jornais senenses antigos e actuais (Voz da Serra, Jornal de Santa Marinha, Porta da Estrela), abordando (in)decisões controversas e outros temas da actualidade.

Projecto (1996) e foto do arranjo final da fonte

Coloriu uma gravura do pintor senense Lucas Marrão, que foi editada em serigrafia pela Câmara Municipal de Seia em 1997.

A litografia de Lucas Marrão colorida por J.V.S. (Edição CMS)

Tem colaborado com o Museu do Brinquedo de Seia, sendo o autor de um interessante desenho reconstituindo a zona da actual Praça da República antes do devastador incêndio de 27 de Outubro de 1916, editado pelo museu em formato postal – a propósito da exposição de Homenagem aos Bombeiros (2004). Ainda em 2004, editou o livro para colorir “A Minha Freguesia”, com 24 páginas de divulgação do património do concelho, uma obra que dedicou “a todos os jovens dos oito aos oitenta anos”. Eu acrescentaria “oitenta e muitos…” pois Júlio Vaz Saraiva, jovem de 81 anos, acaba de ver editado o seu álbum “Alminhas da Freguesia de Seia” (Junta de Freguesia de Seia, Junho de 2009) com prefácio de Júlio Rocha e Sousa.
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Retrato de Luís Ferreira Matias, por J.V.S

Fontes:
“Artistas Senenses – Júlio Vaz Saraiva”, Sérgio Reis, jornal Ecos da Nossa Escola, nº 7, Dezembro de 1999.
Porta da Estrela nº 385, 31/01/95;
“Ainda Os Viriatos e o jornal O Viriato”, de Hermano M. Santos, Jornal de Santa Marinha nº 123, 01 de Maio de 1998; “Histórias de Sena Serra” - Edição de autor, Março 2006, 327 pág.s – colectânea de crónicas publicadas no JSM desde Agosto de 1997 a 2004 e crónicas “A Partir Pedra”, publicadas na revista bimensal da Associação dos Industriais das Rochas Ornamentais;
Desdobrável da Exposição Temporária de Homenagem aos Bombeiros - Museu do Brinquedo de Seia, 2004.
Biblioteca Nacional de Portugal;
Jornal de Santa Marinha nº431, 18/06/2009 (Alminhas do Concelho de Seia);
Porta da Estrela nº865. 22 de Junho de 2009 (Mérito Municipal).
Porta da Estrela nº866, 30 de Junho de 2009.
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Jornal Ecos da Nossa Escola, Nº7, Dezembro de 1999
(clicar na imagem para ampliar)

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Exposição "Centenário de Tavares Correia"

Foi inaugurada no dia 21 de Fevereiro, na sala de exposições do Posto de Turismo de Seia, uma exposição comemorativa do centenário de Tavares Correia (1908-2008).

Apesar de tardia, a comemoração tem o mérito de proporcionar uma importante exposição, que reune algumas obras interessantíssimas e bem representativas da melhor fase da pintura de Tavares Correia.

Para além de alguns desenhos realizados durante a sua formação na Sociedade Nacional de Belas Artes, nos anos 20, a exposição mostra obras que Tavares Correia exibiu em Paris, de pequeno formato, assim como apontamentos de viagem (desenhos, aguarelas) e um bom conjunto de retratos: sua mãe, a esposa e o avô materno - que Tavares Correia recordava com saudade - para além dos auto-retratos.

O Dr. José Albano do Couto Tavares Segurão (1844-1932) era Sub-Delegado de saúde à data do nascimento do neto - no antigo Solar de Pedro de Cêa, situado na cerca do castelo. Chegou a Presidente da Câmara Municipal (1914) e Administrador do Concelho. Foi o Dr. Albano quem ofereceu a Tavares Correia os primeiros materiais de desenho e pintura, em 1925.

À entrada da sala de exposições, pode ver-se um auto-retrato da última fase da pintura de Tavares Correia, baseado numa foto de que o artista gostava particularmente. Esta foto foi reproduzida em catálogos das suas exposições anuais e no cartaz do Prémio Nacional de Pintura Tavares Correia, a seu pedido, por ocasião dos Encontros de Arte '93. No quadro pode ainda ver-se o brasão dos Corrêa de Carvalho.
Aqui ficam algumas imagens da exposição.

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D. Esther Tavares do Couto Segurão Corrêa




Dr. José Albano do Couto Tavares Segurão

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Günter Grass: o Artista Plástico na Guarda

Decorre até 4 de Janeiro de 2009, na Galeria de Arte do Teatro Municipal da Guarda, uma exposição de desenhos, aguarelas, gravuras e esculturas de Günter Grass, Prémio Nobel de Literatura em 1999.

Günter Grass nasceu em Danzig, actual Gdansk, na Polónia, a 16 de Outubro de 1927. Autor de obras marcantes na área do romance e do teatro, caracterizadas pela sua força lírica. A sua obra teatral começou por enquadrar-se na corrente designada por teatro do absurdo. No romance, alcançou projecção internacional com O Tambor, adaptado ao cinema em 1979 por Volker Schlondörff. Posteriormente, optou por uma produção literária de carácter polémico e de compromisso político.


Em 2006, por ocasião do lançamento do seu livro "Descascando a Cebola - Autobiografia 1939-1959" (editado em Portugal em 2007, Casa das Letras) esteve no centro de uma intensa polémica após confessar numa entrevista ao diário alemão "Frankfurter Allgemeine Zeitung" que pertencera à Waffen-SS, as tropas especiais do III Reich, no final da II Guerra Mundial. Então um jovem idealista levado pela onda nazi, tal como a maioria dos alemães dessa época, Grass acompanhou a mudança das mentalidades imposta pelo resultado do conflito e pelo esforço de reconstrução da Alemanha, partida em duas pelo vergonhoso Muro de Berlim. Em 1955, iniciou a sua actividade literária juntando-se ao Grupo 47.

José Saramago, o nosso Nobel da Literatura (enquanto Lobo Antunes vai aguardando a vez e coleccionando distinções literárias como consolação) saiu em defesa de Grass, contribuindo para uma maior compreensão da atitude, em minha opinião muito digna, do Nobel alemão. Saramago lembrou que, na altura, Grass tinha apenas 17 anos, questionando de seguida "E o resto da vida não conta? Que juiz pode dizer que uma confissão vem demasiado tarde? A verdade é que o admitiu, fez a sua confissão" (Jornal de Notícias, 21 de Agosto de 2006).

A obra plástica de Günter Grass é relativamente importante, sobretudo no que respeita ao desenho, pelo que não deve perder-se a oportunidade proporcionada por esta exposição.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

No centenário do nascimento de Mestre Tavares Correia

Tavares Correia e Helena Abreu são, sem qualquer dúvida, os mais importantes artistas senenses de sempre. Helena Abreu (Santa Eulália, 1924) tem obra reconhecida e premiada em Portugal e no estrangeiro. Foi homenageada pela Câmara Municipal do Porto, pelo seu contributo para as Artes portuenses, e pelo Município de Seia e Artistas Senenses, enquanto artista natural do concelho.

José Tavares Correia de Carvalho nasceu em Seia pelas 5 horas da madrugada do dia 5 de Dezembro de 1908 e faleceu a 21 de Setembro de 2005*, no Hospital da Universidade de Coimbra, a poucos dias do seu 97º aniversário. Faria 100 anos no passado dia 8 de Dezembro, mês em que o realizador Manoel de Oliveira festejou efectivamente o centenário ainda no activo, cheio de vida e de projectos para mais filmes. Voltando ao artista senense, note-se a curiosa coincidência entre as datas supracitadas e a data do falecimento de sua esposa, D. Lúcia Mota Veiga, que nos deixou a 21 de Dezembro de 1992.

Em Fevereiro de 2009, realizou-se em Seia uma importante exposição evocativa da obra do artista.

A vida e obra de Tavares Correia encerra tais particularidades e curiosidades que ele se tornou, naturalmente, um protagonista das Artes em Seia durante a quase totalidade do século XX e, sem qualquer favor, o seu mais completo representante. Consultar o currículo do artista mais abaixo.


Brasão da Família Correia


Primeiro, pela diversidade dos seus interesses artísticos, pontuados por alguns momentos de experimentalismo, e variedade da sua produção artística, desdobrando-se pelas mais diversas áreas criativas e expressivas, do desenho à escultura, com destaque para a pintura, mas também a escrita (sobretudo autobiográfica e de viagens), a fotografia e o cinema. Depois, pela sua dedicação a Seia, onde residiu e trabalhou quase toda a vida, abdicando de uma promissora carreira artística de âmbito nacional (ler artigo mais abaixo) para se tornar conhecido como artista de província, na terra pacata que o viu nascer, próximo dos familiares e amigos de sempre – sem nunca esquecer os seus antigos companheiros e amigos casapianos. Um imenso carinho pela sua terra natal transparece calaramente na sua obra, desde logo na selecção dos temas (a paisagem natural e urbana com neve, os costumes serranos, a história e personalidades de Seia) mas também no orgulho com que se intitulava “Pintor da Neve”.

Em 1930, à data da exposição na SNBA (foto jornal O Casapiano)

Surdo-mudo de nascença, frequentou o Instituto de surdos-mudos da Casa Pia de Lisboa de 1918 a 1927, realizando aí os seus estudos escolares e artísticos, de 1923 a 1926, sob a direcção de Augusto de Campos e Pedro Guedes. Estes artistas reconheceram a sua vocação para as artes e levaram-no a frequentar os cursos de desenho e pintura da Sociedade Nacional de Belas-Artes, que concluiu em 1929.

Tavares Correia ficou conhecido como “pintor da neve” após uma referência elogiosa do jornal “República” em Janeiro de 1934, a propósito de uma bem sucedida exposição do artista senense em Lisboa, dois anos depois da célebre exposição na Sala Balone (onde vendeu todos os 45 quadros logo na abertura) e três anos após a sua participação na XIX Exposição da Sociedade Nacional de Belas Artes (com três quadros seleccionados por Armando Lacerda). Deixou uma obra imensa e variada, que falta catalogar – no interesse de todos os senenses mas, sobretudo, no dos herdeiros – e dar conhecer, através de exposições temáticas do seu espólio, ou mesmo instituindo um museu. A este propósito, ignora-se a situação da sua Casa-museu e da Fundação D. Lúcia Celeste Mota Veiga e Mestre Tavares Correia.

Distinguido com a Medalha de Mérito Municipal em 1985, o pintor senense faleceu sem ter assistido, em vida, ao sonho de ver o seu nome atribuído a uma rua da cidade de Seia, afinal um compromisso assumido pela Câmara Municipal de Seia em 1988, na homenagem realizada por ocasião do seu 80º aniversário, e apesar dos ofícios do próprio e dos amigos José dos Santos Pinto, J. Quelhas Bigotte, Victor Moura (ao tempo, Vereador do pelouro da Cultura), Joaquim Andrade, José Manuel Marques, Manuel de Almeida Sousa, eu próprio e Mário Jorge Branquinho. Tal incumprimento deveu-se, sobretudo, ao preconceito de incluir na toponímia local o nome de figuras ainda vivas, um complexo já então abandonado por uma boa parte dos municípios portugueses, que inauguravam com pompa e circunstância as suas avenidas, ruas e pracetas homenageando políticos, desportistas, escritores e artistas locais. Não terá ajudado muito a insistência de Tavares Correia no que respeita à escolha da rua, apesar de compreensível pois a Câmara Municipal não propunha alternativa nem deixava propôr. O artista perdeu a paciência e encomendou duas placas toponímicas, uma com o seu nome – para ser colocada na rua que passa junto da casa onde nasceu e residia (Rua Dr. Simões Pereira) e outra com o nome do fundador do castelo de Seia, no século XI, Cavaleiro Pedro de Cêa”, destinada a outra rua, mas a Câmara acolheu mal a iniciativa, nem resposta lhe deu e as ditas placas terão desaparecido. Com a morte de Tavares Correia esfumou-se igualmente o óbice principal, passou-se uma esponja sobre quase vinte anos de indecisão, artigos de jornal, requerimentos, placas desaparecidas, … A 03 de Julho de 2006, no 20º aniversário da elevação de Seia à categoria de cidade, o nome do pintor senense foi finalmente atribuído à rua das escolas, que começa ao fundo da Beira Lã e segue pela piscina municipal a caminho da Escola Secundária. Se é evidente que a vontade do falecido não foi integralmente respeitada, com todos os riscos apontados pela superstição popular, parece-me que a Câmara Municipal acabou por cumprir bem a sua promessa ao associar o nome de Mestre Tavares Correia às escolas - sobretudo à Escola Básica que foi baptizada com o nome do seu primo, Dr. Guilherme Correia de Carvalho - onde o artista e a obra despertarão renovada curiosidade ao longo de gerações, contribuindo certamente para a formação integral dos nossos jovens, a seu tempo protagonistas de um futuro sempre em renovação.

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*Em Junho de 2005, terminara a existência física do poeta Eugénio de Andrade (82 anos) e de Álvaro Cunhal (91 anos), figuras ímpares da Cultura portuguesa do século XX, o segundo dos quais com ligações a Seia, assim como do controverso Vasco Gonçalves (83 anos). Nesse ano, Seia também perderia (entre muitas outras boas pessoas) a Drª. Ester Barata Nunes Pereira (26 de Janeiro), Marciano Galguinho (21 de Novembro) e Manuel Dias da Silva (Dezembro), colaborador do jornal Porta da Estrela.



















"Depois da Feira" - Óleo s/tela


BIOGRAFIA RESUMIDA


José Tavares do Couto Segurão Correia da Silva Carvalho nasceu em Seia, a 5 de Dezembro de 1908. Faleceu a 21 de Setembro de 2005, no Hospital da Universidade de Coimbra.

Surdo-mudo de nascença, foi aluno do Instituto de Surdos-Mudos da Casa Pia de Lisboa entre 1917 e 1926. Nessa instituição, completou a instrução primária e desenvolveu a comunicação com o mundo exterior centrada na expressão artística.

Em 1927, voltou à Casa Pia como pensionista, com o intuito de seguir uma profissão de desenhador ou pintor de arte. Pintava e desenhava todas as manhãs e, à tarde, tinha lições de pintura com Augusto de Campos, em Lisboa. Na Casa Pia, tirou o curso de desenhador, tendo depois frequentado aulas na Escola de Belas Artes de Lisboa, como aluno externo. Aí, conheceu mestre Alves Cardoso, que lhe deu aulas de pintura e propôs a sua entrada na Sociedade Nacional de Belas Artes. Um decreto do Ministério da Educação da altura mudou as regras de admissão à Escola de Belas Artes e Tavares Correia prosseguiu os seus estudos na SNBA. Expôs na XIX Exposição da SNBA, onde obteve uma Menção Honrosa. A 14 de Julho de 1929 fez o seu exame de pintura, tendo obtido 14 valores de um júri presidido pelo mestre Carlos Reis.
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"Envasilhando o vinho do Dão" - Óleo s/tela (Casa-Museu Tavares Correia)


Em 1929, rumou a Paris com o seu amigo casapiano Fausto Sampaio. Na capital francesa, desenvolveu a sua técnica de pintura com Lyon Arno e, juntamente com Fausto Sampaio e Carlos Botelho, representou Portugal no Salão Internacional das Artes de Paris. Depois, expôs em Lisboa em 1932, onde vendeu todas as 43 obras expostas. A crítica de então deu-o como “uma revelação no meio artístico português”. Expôs novamente em Lisboa em 1934 e a crítica lisboeta voltou a enaltecer o seu trabalho e chamou-lhe “pintor da neve”.

Optou, depois, por uma carreira profissional muito absorvente, na Câmara Municipal de Seia, sacrificando uma carreira artística nacional – talvez mesmo internacional – para se dedicar ao desenvolvimento sua terra natal. Durante 41 anos, elaborou milhares de projectos de obras, estradas, águas, calcetamentos de ruas, escolas, cemitérios.

Continuou, no entanto a pintar e a expor, tendo realizado cerca de 40 exposições individuais em Seia, Lisboa, Figueira da Foz e Moimenta da Beira.

Tavares Correia ilustrou, com Luís Melo, a Monografia da Vila/Cidade de Seia, da autoria do Padre Dr. José Quelhas Bigotte, Reitor de Seia e reputado investigador da história senense.

Autor do projecto do Monumento aos Mortos da Grande Guerra, em Seia, do monumento a Nossa Senhora da Conceição, em São Romão, e do Padrão Centenário.

Tavares Correia foi também pioneiro do cinema em Seia, realizando alguns filmes das suas viagens (37 países entre 1950 e 1990) e uma ficção intitulada “O cão perdeu o dono”. Os seus filmes foram premiados no país, antigo Ultramar, Espanha, Malta e África do Sul.


Mário Soares visitando a exposição de Tavares Correia em 1987

A 4 de Março de 1934, por iniciativa do jornal “A Voz da Serra”, foi prestada uma homenagem ao “nóvel artista-pintor Tavares Correia” com almoço no Salão da Associação de Socorros Mútuos de Seia.

Em 25 de Setembro de 1985, foi distinguido pela Câmara Municipal de Seia com a Medalha de Ouro e Diploma de Mérito Municipal.

Em 5 de Dezembro de 1988, foi homenageado pela Casa Pia de Lisboa e Câmara Municipal de Seia, num almoço no Hotel Camelo que reuniu 98 pessoas, incluindo uma representação da Casa Pia de Lisboa (mandatada pelo Provedor de então, Dr. Luís Manuel Martins de Rebelo) Presidente e vereadores da Câmara Municipal de Seia.

A 09 de Março 1996, Tavares Correia foi homenageado na Casa Pia, por ocasião do convívio anual de colaboradores e amigos do jornal “O Casapiano”, com a presença do provedor e da direcção do Ateneu Casapiano (CPAC).

As limitações físicas da idade obrigaram-no a deixar de pintar em 2000. Contava 92 anos de idade e 74 de actividade artística. A sua última exposição (“adeus última”) realizou-se no Salão do Rancho Folclórico de Seia, entre 12 e 20 de Agosto de 2000. Continuou, no entanto, a participar regularmente nas exposições anuais dos artistas senenses.


Em 1993 e 1996 realizaram-se duas edições do Prémio Tavares Correia/Concurso Nacional de Pintura e Desenho, com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura e Ministério da Cultura, respectivamente.

A 03 de Julho de 2006, como ponto alto do 20º aniversário da elevação de Seia a Cidade, a Câmara Municipal organizou uma exposição sobre a vida e obra de Tavares Correia, na Casa Municipal da Cultura, e inaugurou a Rua José Tavares Correia de Carvalho.

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"Gansos derrubam o banco do autor" - Óleo s/tela (Casa-Museu Tavares Correia)


Humberto Mota Veiga, dirigente histórico do PCP em Seia, escreveu a propósito do monárquico Tavares Correia: “Viveu e sonhou com a humildade própria da sua grandeza, iluminado por um sentido ímpar de uma vida diferentemente vivida, sem espaço para ódios e vinganças” (Porta da Estrela, 20/05/93).

Tavares Correia saiu de Seia como “menino Zézinho”, em 1917, e regressou em 1929 como pintor de arte, para realizar (a 14 de Agosto) a sua primeira exposição na terra que o viu nascer. A exposição foi um sucesso. Logo depois, partiu de Seia para voltar em 1930 como pintor “estrangeirado”, após representar Portugal (com Fausto Sampaio e Carlos Botelho) numa grandiosa exposição internacional em Paris, realizada em Dezembro de 1929. A Vila de Seia era, então, pouco mais que uma aldeia grande e andava esquecida desde que Afonso Costa (1871-1937) fora obrigado a exilar-se.

A sociedade elitista da época recebeu efusivamente o jovem pintor e vibrou com os estrondosos sucessos das suas primeiras exposições em Lisboa, em 1932 e 1934. A 4 de Março de 1934, por iniciativa do incomparável senense Luís Ferreira Matias, o jornal “A Voz da Serra” promoveu um almoço de homenagem “ao novel artista-pintor Tavares Correia”, que decorreu no Salão da Associação de Socorros Mútuos senense. Estiveram presentes 44 pessoas, certamente “a nata” da sociedade senense da época, e os convites para integrar os quadros técnicos da Câmara Municipal de Seia não se fizeram esperar.

Os primeiros convites foram liminarmente recusados. Os sonhos do jovem artista iam para além de um emprego com limitações de espaço e de horários, mas que oferecia, em contrapartida, a segurança de uma remuneração certa. De resto, era de grande elegância, à época, ocupar os momentos de ócio com actividades “do espírito”, tais como a leitura ou a música, e Tavares Correia foi soçobrando ao apelo das origens, ao aconchego familiar e aos ideais da fidalguia rural – que sempre defendeu pelo menos desde 1925, quando recebeu das mãos de seu pai o anel com o brasão de armas dos Corrêas, um gesto carregado de simbolismo e correspondentes obrigações. A morte do avô materno em Outubro de 1934 e a construção de uma casa com parte dos lucros das exposições em Lisboa, onde vendeu todos os quadros, contribuíram para a fixação definitiva. Em Março de 1937 casou com D. Lúcia Mota Veiga mas não houve descendência.

Durante 41 anos, Tavares Correia foi um qualificado desenhador da Câmara, combinando a prática artística e o desenho técnico na medida do possível, ou seja, descurando a apresentação regular da sua produção artística devido ao absorvente trabalho de gabinete e depois à exploração de novos interesses, com destaque para o cinema e viagens – que chegou a aproveitar para promover os seus filmes. Na verdade, a lista oficial de exposições do artista contempla apenas duas exposições no período compreendido entre Abril de 1937 e Agosto de 1980. Em contrapartida, pode dizer-se que o pintor senense participou activamente na construção da actual cidade de Seia, tantos foram os projectos realizados e as obras de transformação de uma vila que só depois de 1974 se converteu ao betão e à construção em altura, com o primeiro objectivo de conter os limites do centro de Seia e logo depois com a intenção de os alargar cada vez mais a caminho de São Romão – uma inevitabilidade que Tavares Correia compreendia enquanto consequência do crescente desenvolvimento senense nas três últimas décadas mas sem perder uma oportunidade de mostrar o seu desencanto pelo exagero de alguns volumes construídos, a monotonia das fachadas, a desarmonia do conjunto.







Sérgio Reis – “As Artes em Seia” (obra em preparação)

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS

Exposição de pintura (Seia, Agosto de 1929) – 36 quadros

Exposição de pintura (Seia, Agosto de 1930) – 35 quadros

Exposição de pintura (Seia, Setembro de 1931) – 43 quadros

Exposição de pintura na Sala Balone (Lisboa, Março de 1932)

Exposição de pintura (Seia, Agosto de 1932)

Casa das Beiras (Lisboa, Março de 1934)

Exposição de pintura (Casino da Figueira da Foz, Setembro de 1934)

Exposição de pintura (Seia, Março de 1936)

Exposição de pintura (Salão dos Bombeiros Vol. de Gouveia, 1936)

Exposição de artes plásticas (Viseu, Setembro de 1936)

Exposição de artes plásticas (Estoril, Dezembro de 1936)

Exposição de pintura (Seia, Julho de 1937)

Exposição de aguarela (Seia, Abril de 1947)

Exposição de aguarela (Seia, Agosto de 1950)

Exposição de pintura (Seia, Agosto de 1980)

Exposição de pintura e aguarela (Seia, Julho de 1982)

Exposição de pintura e aguarela (Seia, Março de 1983)

Exposição de pintura (Seia, Março de 1984) – 35 quadros sobre o tema “Neve”

Exposição de pintura e aguarela (Seia, Agosto de 1985)

Exposição de pintura (Seia, Julho de 1986)

Exposição de pintura (Seia, Maio de 1987)

Exposição de pintura (Seia, Julho de 1987)

Exposição retrospectiva (Salão das Magnólias, Seia, Dezembro de 1988)

Exposição de pintura (Seia, Julho de 1989)

Exposição de pintura (Seia, Setembro de 1990)

Exposição de pintura (Seia, Janeiro de 1991)

Exposição de pintura (Moimenta da Serra, Fevereiro de 1991)

Exposição de desenho (Seia, Agosto de 1991)

Exposição de pintura (Escola Secundária de Seia, Fevereiro de 1992)

Exposição de pintura (Escola Evaristo Nogueira, S. Romão, Março de 1992)

Exposição de pintura (Galeria da Biblioteca M. de Seia, Dezembro de 1992)

Exposição de pintura (Res. Serra da Estrela, Seia, 1 a 8 de Dezembro de 1993)

Exposição de pintura e desenho (Res. Serra da Estrela, Seia, 1 a 11 de Dezembro de 1994)

Exposição de pintura e desenho (Res. Serra da Estrela, Seia, 1 a 12 de Dezembro de 1995)

Exposição de pintura e desenho (Galeria da Biblioteca Municipal de Seia, 9 a 17 de Novembro de 1996)

Exposição de pintura (Seia, 1997)

Exposição de pintura e desenho (Seia, 1998)

Exposição de pintura e desenho (Seia, 1999)

Exposição de pintura e desenho (“adeus última”), Salão do Rancho Folclórico de Seia (12 a 20 de Agosto de 2000)

EXPOSIÇÕES COLECTIVAS

Salão de Paris – exposição internacional (Paris, 1929)

Exposição da SNBA (Lisboa, 1930)

Exposição da SNBA (Lisboa, 1931)

II Exposição de Pintura da Casa Pia (Belém, 1935)

Exposição Internacional de Aguarela (Madrid, 1935)

V Exposição de Artes Plásticas (Estoril, 1936)

Colectiva de Artistas da Beira (Museu Grão Vasco, Viseu, 1986)

Exposição de Artistas Senenses (Domfront, França, 1988)

I Colectiva dos Artistas Senenses (Seia, 1999)

II Colectiva dos Artistas Senenses (Seia, 2000)

III Colectiva dos Artistas Senenses (Seia, 2001)

ARTIS II (Seia, 2003)

ARTIS III/Homenagem dos Artistas Senenses (Seia, 2004)

Artistas Senenses em Lisboa, Centro Cultural Casapiano (Belém, 11/09 a 03/10/2004)

PRÉMIOS E DISTINÇÕES


Taça Cineasta Amador, Figueira da Foz (1966)

Taça Cineasta Amador, Guimarães (1967)

Taça Cineasta Amador, Coimbra (1967)

Taça Cineasta Amador, Rio Maior (1967)

Salva de Prata Cineasta Amador, Lisboa (1968)

Salva de Prata, Câmara Municipal de Seia (1979)

Medalha de Mérito Municipal, Câmara Municipal de Seia (1985)

Homenagem promovida pelo jornal senense “A Voz da Serra”, com almoço no Salão da Associação de Socorros Mútuos de Seia, a 04 de Março de 1934.

Homenagem da Casa Pia de Lisboa e da Câmara Municipal de Seia, Dezembro de 1988.

Homenagem na Escola Evaristo Nogueira, por ocasião da entrega do Prémio Tavares Correia e Troféus do Concurso Nacional de Pintura, 27 de Novembro de 1993.

Homenagem da Casa Pia, por ocasião do convívio anual de colaboradores e amigos do jornal “O Casapiano”, com a presença do provedor e da direcção do Ateneu Casapiano (CPAC), 09 de Março de 1996.

Homenagem dos Artistas Senenses na ARTIS III – Auditório da Casa M. da Cultura, 8 de Maio de 2004

Exposição sobre a vida e obra de Tavares Correia, promovida pela CMS na Casa Municipal da Cultura, por ocasião da comemoração do 20º aniversário (03 de Julho de 2006) da elevação de Seia a cidade, e foi inaugurada a Rua José Tavares Correia de Carvalho.