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sábado, 26 de março de 2011

Recordações da Casa Rosa

"Recordações da Casa Rosa" - Casa de Serralves, 24 Março a 12 Junho 2011


Vista parcial da exposição (antiga sala de estar da Casa)


Na Casa de Serralves, até ao dia 12 de Junho, encontra-se em exposição um conjunto de obras de António Areal, Jorge Queiroz e Paula Rego, pertencentes à colecção da Fundação de Serralves.

No folheto da apresentação da exposição, pode ler-se: "O confronto destes três universos, que em comum apresentam o recurso à figura e à narrativa - ainda que a realidade seja neles subvertida pela possibilidade da ficção - revela outros tantos imaginários que se poderão rever no espaço da Casa de Serralves, também ele fortemente ficcionado pela utopia do seu passado."
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Intitulada "Recordações da Casa Rosa", a exposição foi inaugurada no dia 24 de Março pela Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas.



Concebida e projectada principalmente (1) por Charles Siclis e José Marques da Silva, destinada a residência de Carlos Alberto Cabral (1895-1968), 2º Conde de Vizela, a Casa foi construída entre 1925 e 1944 na antiga quinta de férias da família, que lhe coubera em herança.
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O Conde habitou a Casa com a esposa, Blanche Daubin, de 1944 a 1957, ano em que vendeu a quinta de Serralves ao industrial Delfim Ferreira (1888-1960), devido a dificuldades financeiras. Uma das condições do negócio era que a casa e a propriedade nunca fossem modificadas, uma condição que a família de Delfim Ferreira honrou sempre, até 1986, ano em que foi adquirida pelo Estado, sendo Teresa Patrício Gouveia (2) a Secretária de Estado da Cultura (3).
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Exemplar único da arquitectura Arte Déco, a Casa foi classificada em 1996 como “imóvel de Interesse Público”.

(1) Na realidade, a Casa de Serralves é uma obra colectiva. Charles Siclis (Paris, 1889-Nova Iorque, 1942) e José Marques da Silva (Porto, 1869-1947) foram os principais arquitectos mas o projecto também acolheu alterações do próprio Conde, do decorador Émile Jacques Ruhlmann e do seu sobrinho, o arquitecto Alfred Porteneuve.
(2) Mais tarde, foi presidente do Conselho de Administração da Fundação Serralves (2001-2003) e é administradora da Fundação Calouste Gulbenkian desde 2004. Teresa Gouveia foi casada com o poeta e publicitário Alexandre O'Neill.
(3) Os Governos de Cavaco Silva (X, XI e XII governos constitucionais) nunca tiveram um ministro expressamente para a Cultura e o cargo foi efectivamente desempenhado por secretários de Estado.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

JOSÉ MARQUES DA SILVA

A recente comemoração do centenário da luz eléctrica em Seia, progresso devido principalmente a António Marques da Silva (Gouveia, 1868 – Seia, 1953), fez-me lembrar outro Marques da Silva seu contemporâneo e grande arquitecto portuense.

José Marques da Silva (Porto, 1869-1947) concluiu em 1882 o Curso de Arquitectura na Academia Portuense de Belas Artes e obteve em 1886 o título de Arquitecto Diplomado pelo Governo Francês. Ver biografia completa no site da UP.

Projectou edifícios emblemáticos da cidade do Porto, com destaque para a Estação de São Bento (1896-1900/1916), o actual edifício do Teatro Nacional de São João (1909, após um incêndio ter destruído o primitivo Real Teatro de São João, em 1908), a Casa de Serralves (a jóia nacional da Arte Déco, iniciada em 1925) ou a nova igreja de Cedofeita (1899/1906), assim como em Guimarães: Templo de São Torcato, Santuário da Penha, sede da Sociedade Martins Sarmento, mercado (1927). Participou activamente no desenho actual da baixa portuense, concebendo diversos prédios modernos – entre os quais o das antigas Galerias Palladium (1914), na Rua de Santa Catarina, e da Companhia de Seguros “A Nacional” (1919), na Praça da Liberdade.

Em 1913, foi nomeado Director da Escola de Belas Artes do Porto. Participou nas principais reformas do ensino artístico. Projectou os liceus Alexandre Herculano (1914) e Rodrigo de Freitas (1918) e instalou definitivamente a Escola de Belas Artes no Palacete de S. Lázaro.

Aproximou-se da Arte Déco após 1925, ano em que visitou a Exposition Internationale de Arts Décoratifs et Industriels Modernes em Paris, com o seu amigo Carlos Alberto Cabral (1895-1968), 2º Conde de Vizela, para quem desenvolveu o projecto original da Casa de Serralves, atribuído a Charles Siclis, cuja construção se iniciou nesse mesmo ano.

No seu antigo atelier, ao lado da sua moradia na Praça Marquês de Pombal, encontra-se o Instituto Arquitecto Marques da Silva.



Teatro Nacional de São João, de Marques da Silva (bilhete-postal da época)