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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Azulejos na Casa Maria Adelaide, São Romão

Azulejos na Casa Maria Adelaide, São Romão, representando a formação rochosa natural conhecida por “Cabeça da Velha” com a Capela de Nossa Senhora do Calvário e o Presbitério de São Romão.




Fotos de Carlos Manuel Dobreira

domingo, 17 de junho de 2012

MARIA KEIL (1914-2012)


Azulejos de Maria Keil no Metro de Lisboa

No passado domingo, dia 10 de junho, faleceu uma grande artista portuguesa do século XX, Maria Keil.

Artista multifacetada, com uma obra muito diversificada (pintura, ilustração, azulejaria, fotografia), trocou a pintura de cavalete pelo azulejo no início da década de 50, tornando-se uma artista de referência na azulejaria europeia do século XX. Após algumas exposições de pintura e de receber o Prémio de Revelação Souza-Cardoso em 1941 (1), decidiu acompanhar a obra do marido, o arquiteto Francisco Keil do Amaral (1910-1975) e “fazer coisas para a arquitetura” pois “não valia a pena continuar a pintar, o mundo está cheio de boa pintura” (2).

Fez parte do grupo de artistas que renovou o azulejo português (Jorge Barradas, Carlos Botelho, Bernardo Marques) seguindo a estética inspirada pelo artista suíço radicado em Portugal Fred Kradolfer (1903-1968), figura importante do grupo conhecido como “a equipa de António Ferro” (3), dominada pelo grafismo, sínteses figurativas geometrizadas e composições abstratas.

As suas primeiras obras de vulto datam de 1954 (painéis de azulejos para a delegação da TAP em Paris e no aeroporto de Luanda, atual Maputo) e ganharam grande visibilidade nacional com a encomenda do Metro de Lisboa em 1957. Até 1972, pesquisou e criou ritmos padronizados com vista a 19 estações do Metro, contribuindo com esse trabalho para o renascimento da fábrica Viúva Lamego, apesar dos problemas que foram adiando o pagamento à artista até que esta decidiu oferecer o seu trabalho à cidade de Lisboa.

O conhecimento da sua obra no estrangeiro intensifica-se nos anos 70, desde a exposição “Azulejos Portugueses” (Florença, 1970) e depois com a exposição itinerante “5 Séculos de Azulejo em Portugal” (Brasil e Venezuela, 1978). Em Portugal, destaca-se a exposição retrospetiva organizada em 1989 pelo Museu Nacional do Azulejo.

Datam dessa década os seus interessantes desenhos de gatos, ilustrando “O pau de fileira” (1977) e as colagens com imagens retiradas de revistas.

A idade avançada de Maria Keil (nasceu em 1914, em Silves) não limitou a curiosidade nem a criatividade da artista, que decidiu dedicar-se à fotografia aos 80 anos, realizando em 1997 a sua primeira exposição de fotografia: «Roupa a Secar no Bairro Alto» no Museu Nacional do Traje


As Artes nacionais são muito ricas e diversificadas, fazendo cada vez menos sentido distinguir as artes pela sua "nobreza" ou origens mais ou menos nobres, e a prova é que há lugar para a erudição em todas as áreas, do artesanato às artes digitais. Claro que estas distinções têm origem em interesses corporativos e comerciais, a maior parte dos critérios de "qualidade" artística são definidos de acordo com estes interesses, que são igualmente os mais "historiáveis", de mais fácil registo histórico. Mas à conta desses interesses nem sempre justificáveis, muitos artistas com obra interessante e de vulto vão ficando de parte, ignorados ou esquecidos. Espero que Maria Keil, que trocou a pintura de cavalete pela pintura de azulejo, não seja mais um deles, que a artista possa ser recordada e a sua obra revisitada - em Canas de Senhorim, por exemplo.
  
(1)– Promovido pelo SPN, com o óleo “Autorretrato”.
(2)-Entrevista ao Diário de Notícias em 2 de outubro de 1985.
(3)-Bernardo Marques, Carlos Botelho, Emmerico Nunes, José Rocha, Paulo Ferreira e Thomaz de Mello. Também conhecida por “Equipa do SPN” (Secretariado de Propaganda Nacional).

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

OBRAS DE ARTE EM SEIA - 3

OBRAS DE ERNÂNI OLIVEIRA EM SEIA
Painel de azulejos do Posto de Turismo de Seia
Serigrafia sobre Seia


Aproveitando o momento das obras de transformação do Solar de Santa Rita em Museu do Brinquedo, a Câmara Municipal construiu um pequeno edifício térreo, ao fundo desse espaço, para acolher o Posto de Turismo de Seia – que funcionava então num pequeno espaço do Mercado Municipal.

A obra, executada pela própria autarquia com apoio financeiro do programa comunitário Leader, através da ADRUSE, incluía uma sala de exposições – cujo objectivo era oferecer aos artesãos senenses um espaço nobre de exposição dos seus produtos – e a colocação, no exterior, de um painel de azulejos reproduzindo uma obra de Ernâni Oliveira, executado por Hernâni Cardoso. O novo Posto de Turismo foi inaugurado a 31 de Outubro de 2000.
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O painel inventaria sumariamente alguns locais de interesse turístico do concelho, (como a Cabeça da Velha, o centro histórico de Seia, a Serra da Estrela, a capela de São Pedro e a Igreja da Misericórdia), algumas actividades económicas típicas da região (pastorícia, produção de queijo da Serra e têxteis), sem esquecer a campânula (campânula herminii), planta característica da Estrela.

O painel regista alguns pequenos defeitos, fruto da precipitação na aplicação dos azulejos devido à apressada conclusão da obra.

A Câmara Municipal editara anos antes uma serigrafia de Ernâni Oliveira, que foi reproduzida num desdobrável promocional do concelho, em 1998.
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.Ernani Oliveira nasceu em Lisboa a 27 de Dezembro de 1936.
Licenciado em artes Plásticas, pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Foi bolseiro da Academia das Belas Artes de Lisboa em Paris.
Leccionou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, durante seis anos, e na Escola de Artes António Arroio, até 1998.
Participou em inúmeras exposições colectivas e individuais de pintura, em Portugal e no estrangeiro. Trabalha regularmente com as Galerias de Arte «A Grade» em Aveiro, «DITEC» e «Nova Imagem» em Lisboa.Autor de vários projectos de grandes dimensões, com destaque para os vitrais da Cadeia Civil do Porto, com 60 metros quadrados, e a pintura do Salão Nobre da Câmara Municipal de Tondela, com as dimensões de 2 por 6,5 metros. Realizou ainda vários painéis decorativos, entre os quais um painel alusivo aos Descobrimentos, para a EXPO/98, e o painel para o Posto de Turismo de Seia.
O artista tem editado serigrafias com regularidade e desenvolve igualmente a actividade de designer de comunicação em jornais diários, semanários e agências de publicidade.
Recebeu por duas vezes o Prémio Júlio Mardel, da Academia das Belas Artes de Lisboa.
Fontes:
Jornal de Santa Marinha nº 179, 01/11/2000 e JSM nº 206; desdobrável turístico “Seia – Porta aberta para a Serra da Estrela”, 1998.