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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

"Arte", de Yasmina Reza, 2016

Há Arte Concetual e "arte concetual". Nada de confusões. Mas a fronteira não é clara nem vem nos livros, é mais uma fronteira inventada e desenhada pelos "mercados". Tal como acontece aliás na música, na moda e até na gastronomia - com a famigerada "cozinha criativa".

Sobre esta temática, (re)vejam a peça "Arte", de Yasmina Reza, com encenação de António Feio em 1998 (nos links abaixo, com António Feio, José Pedro Gomes e Miguel Guilherme). A peça está novamente em cena em Lisboa (Teatro Tivoli) e chegará ao Porto em junho (Teatro Sá da Bandeira). 
A não perder.



Ver a peça “Arte” no YouTube:

sexta-feira, 31 de julho de 2015

O plágio na Arte

O artista japonês Kenjiro Sano plagiou o belga Olivier Debie – ou as semelhanças entre os logótipos do Teatro de Liége e dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 são puramente ocasionais? No cerrado, veloz e complexo mundo de imagens em que vivemos, em frenético modo de (re)produção e difusão simultânea de milhões de imagens tidas por originais, nenhum artista pode garantir que é absolutamente original e inovador, que não está a plagiar involuntariamente outro artista. O problema é que, para a máquina judicial, o plágio é crime. No mínimo, involuntário. 

Os limites da Arte

Quais são os limites da Arte? A arte enquanto intervenção política e social deve ser crítica mas pode (ou deve?) ser agressiva? As performances radicais do artista russo Petr Pavlensky são geralmente muito polémicas. A última, na Praça Vermelha, atirou-o para o banco dos réus. O julgamento está marcado para setembro.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Este não é claramente o mundo da Arte – II

Christopher Wool, “Blue Fool” - 5 milhões de dólares

A obra de Arte original, única, insubstituível, não tem preço. Seja antiga ou moderna, académica ou vanguardista, realista ou abstracta. Infelizmente, aceita-se (quando não se incentiva) que a sua importância artística e cultural, muitas vezes relativa e subjetiva, seja associada a um valor, um preço, sensível às leis do mercado, que visam quase sempre a especulação e o negócio lucrativo.

Para moldar valores e fixar preços que chegam a ser incompreensíveis, os agentes económicos estabelecem critérios de valorização e apreciação/avaliação, aceites por pequenos grupos de investidores multimilionários que disputam a posse dessas obras, quase sempre avançando elevadas quantias, autênticas fortunas. Os valores mobilizados pelos negócios da arte, que nada têm a ver com o âmbito puramente artístico, atingem quantias que estarrecem o cidadão comum e alimentam o universo das galerias e das leiloeiras.

Os valores não param de subir a cada troca de proprietário. Na verdade, quanto mais se anuncia o novo valor de uma obra, mais o mercado é tentado a estabelecer novos recordes. No entanto, não devemos encarar  todos estes negócios milionários pelo mesmo ângulo nem medi-los pela mesma bitola. Como em tudo na vida, há exceções. No mesmo patamar, coexistem realidades bem diferentes. 

Devemos no entanto intrigar-nos e refletir acerca dos valores atingidos por determinadas obras (1). Essa reflexão torna-se muito útil pois destaca a natureza e função da obra artística na sociedade actual. Que pedimos nós à arte no nosso tempo? Que arte é a do nosso tempo? Não será esta sobrevalorização do objecto artístico um sinal de revivalismo, uma tentativa de regresso desesperado à(s) virtude(s) perdida(s), numa época em que a arte concetual contesta o sentido tradicional de obra de arte e as vanguardas artísticas procuram afirmar-se como reserva moral e ética em plena crise de valores – afinal a autêntica raiz da crise financeira em que o ocidente mergulhou e o mais claro sinal de irreversível declínio.

(1)-Veja-se, por exemplo, a peça de Yasmina Reza, "Arte", protagonizada em Portugal por António Feio, José Pedro Gomes e Miguel Guilherme.

Gerhard Richter, “Blood red mirror” - 1,1 milhões de dólares

Ellsworth Kelly, “Green White” - 1,6 milhões de dólares

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

"Arte: Crise e Transformação" na 17ª Bienal de Cerveira


A 16ª Bienal de Cerveira, em 2011, registou cerca de 100.000 visitantes (Foto: Sérgio Reis)

A 17ª Bienal de Vila Nova de Cerveira irá decorrer entre 27 de julho e 14 de setembro de 2013, sob o tema “Arte: Crise e Transformação” e à luz das comemorações dos 35 anos da mais antiga bienal de arte em Portugal.

O Concurso Internacional e o Concurso de Residências Artísticas encontram-se já abertos, até 31 de março de 2013, e os respetivos regulamentos podem ser consultados AQUI. O primeiro concurso “visa a criação de oportunidades de representação para artistas jovens/emergentes” e destina-se a artistas nacionais e estrangeiros. O segundo pretende criar condições para a troca de experiências e conhecimento entre os artistas e destes com o meio cultural de acolhimento, fomentando o reforço da identidade da designada "Vila das Artes”.

O tema da 17ª Bienal, “Arte: Crise e Transformação”, é oportuno  pois sente-se cada vez mais a necessidade de uma reflexão alargada sobre o atual momento artístico em contexto de crise internacional, agravada em Portugal devido ao esforço de contenção e reequilíbrio das contas públicas. Refletir mas também agir. Haverá uma arte da crise? Os artistas costumam lidar geralmente bem com as crises setoriais, mas como resistir em tempo de crise generalizada? Deverá haver uma arte (ou artistas) subsidiada pelo Estado, em certa medida “oficial” por depender de critérios definidos por cada governo ou de leis aprovadas por maiorias partidárias? Uma arte comprometida ou, pelo menos, “politicamente correta”, por seguidismo ideológico, acomodação política ou sobrevivência económica? Será a crise inspiração ou já motor de transformações, induzindo novas atitudes e comportamentos dos artistas e dos mercados? Certo é que esta crise deixará marcas profundas em toda a sociedade portuguesa. Acabará por passar, como tudo passa, e o país continuará país, o Estado continuará Estado, mas ficarão pelo caminho muitos portugueses sem culpa nem proveito em matéria de esbanjamento dos dinheiros públicos. 

Quando a contenção de despesas coloca muitas associações em dificuldades e paralisou ou extinguiu as Empresas Municipais de Cultura, encontrando-se as Fundações na mira do Governo (embora apenas para disparar alguns tiros de pólvora seca), conclui-se que muitas profissões liberais terão de se ajustar ou fundir, adquirindo hoje particular sentido e urgência a velha máxima: “A união faz a força”. 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

"Arte", de Yasmina Reza, com encenação de António Feio


Nova atualização em 26 de fevereiro 2016:

Gravado em 1998, no Teatro de Nacional de S. João, “Arte” é um exercício crítico sobre a arte atual, construído em torno de um quadro branco, com riscas brancas transversais. A versão portuguesa teve encenação de António Feio, que também interpretou o papel de Sérgio.  José Pedro Gomes e Miguel Guilherme assumiram com brilhantismo os restantes papéis (Mário e Ivo, respetivamente).

Yasmina Reza nasceu em Paris em 1960 e escreveu “Arte” em 1994. O trabalho dos portugueses (destacando-se o de interpretação e encenação do saudoso António Feio, falecido em 2010) nada fica a dever a representações da mesma peça em França, logo em 1994 (com Fabrice Luchini, Pierre Vaneck et Pierre Arditi nos principais papéis) e noutros países, como a Grã-Bretanha, Rússia e Espanha (ver site da peça).

As preocupações artísticas eram uma faceta incontornável de António Feio. Em 1990,  encenou a peça “Vincent”, do ator e escritor americano Leonard Nimoy (mundialmente conhecido pela sua participação em "Star Trek", como Spock) , que foi reposta em 2005 (Teatro Villaret), sempre com Virgílio Castelo no principal papel. Estreada por ocasião do primeiro centenário da morte de Van Gogh, esta peça mostra “ a forma como as sociedades maltratam os artistas em vida".

Outro trabalho fantástico de dupla António Feio e José Pedro Gomes foi a peça “O que diz Molero”, de Dinis Machado, levado à cena no Teatro D. Maria II, em 1994.



António Feio em "O que diz Molero"


Ver a peça “Arte” no YouTube:

Parte 8/8: http://youtu.be/Qfg-njVyiEQ

"Arte" em 2016 (Teatro Tivoli e Teatro Sá da Bandeira)